Um dos grandes desafios no contexto da gestão hospitalar refere-se às unidades de CC, uma unidade crítica, considerada responsável ao mesmo tempo pelo faturamento e alto custo hospitalar. Sua capacidade é limitada diretamente pelo número de salas cirúrgicas existentes em sua estrutura, bem como por equipamentos e materiais, equipe médica, de enfermagem e administrativa. É uma unidade vital, pois está diretamente relacionada à função maior de um sistema de produção hospitalar, que é a intervenção para o restabelecimento da saúde do paciente (SOUZA, 2015).
Santos e Rennó (2013) consideram o CC, uma unidade em destaque dentro do ambiente hospitalar, levando em consideração quantidade de volume de equipamentos e da tecnologia disponível, da variação intrínseca nos processos, de uma complexidade logística para o suporte de seu funcionamento e, principalmente, pelo risco de morte sempre existente. O CC é formado por instalações que permitem realizar a cirurgia nas melhores condições de segurança para o paciente e equipe que o assiste.
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seus processos e com os serviços correlacionados, envolvendo instalações físicas, tecnologia e equipamentos adequados operados por mão de obra qualificada, treinada e competente (SANTOS e RENNÓ, 2013).
Nas últimas décadas, a evolução tecnológica tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento de cirurgias e tem causado mudanças substanciais nas condições de trabalho no CC. O número crescente de dispositivos complexos conduz a um aumento das interações entre equipe e tecnologia, requerendo adaptações de layout de salas cirúrgicas, bem como investimentos em equipamentos que não necessariamente substituem os já existentes. Além disso, o aporte tecnológico não necessariamente implica em redução de custos ao sistema de saúde, podendo impactar negativamente na sustentabilidade financeira, exigindo maior visibilidade dessas unidades (SOUZA, 2015).
Este recinto precedido de intervenções invasivas, recursos materiais de alta precisão e eficácia, requer presença de profissionais habilitados/capacitados para atender diferentes necessidades do usuário mediante a tais peculiaridades e oferta de TS. O CC é visto como um local de alto risco, onde os processos de trabalho constituem-se em práticas complexas, interdisciplinares, com forte dependência da atuação individual e da equipe, em condições ambientais dominadas por pressão e estresse (MARTINS e DALL’AGNOL, 2016).
Nessa direção, merece destaque o advento da cirurgia minimamente invasiva, que representou marco expressivo na evolução da cirurgia moderna, mas que trouxe consigo o impacto do custo muito alto do procedimento, aliado a necessidade de uma formação teórico-prática adequada de toda a equipe, para garantir segurança ao procedimento. Entretanto, algumas vantagens tem sido apontadas, em contraposição ao fator financeiro, como menor tempo de permanência hospitalar e redução significativa dos custos globais, especialmente se considerado o período de afastamento das atividades laborativas do paciente e menor índice de infecção, pelo menos em relação a tecnologia anteriormente disponível (RIBEIRO, 2004).
Fragata (2010), ao descrever sobre a atividade do CC destaca o papel de fatores organizacionais, como equipamentos, máquinas, protocolos e volume de casos, como relevantes para um desempenho satisfatório da unidade, aliado a um componente não menos importante, que se refere às condições locais de trabalho.
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aos pacientes nessas unidades já vinham se aperfeiçoando a cada dia, por meio dos avanços tecnológicos, como por exemplo, técnicas cirúrgicas, equipamentos de diagnósticos terapia, novos medicamentos. E o uso destes recursos nos hospitais sem critérios previamente estabelecidos podem acarretar em eventos adversos ou uso inadequado dos mesmos. A ocorrência de eventos na sala de cirurgia por conta disso, tem aumentado, necessitando de um claro entendimento do controle de risco, particularmente pela enfermagem, que deve adotar ações de prevenção, redução e minimização destes riscos.
Estudo desenvolvido por Gutierres e colaboradores (2018), a respeito de boas práticas recomendadas por enfermeiros em CC identificou, dentre os tópicos elencados, enquanto uma dimensão estrutural da instituição, a disponibilidade adequada de recursos materiais e físicos como um item necessário no contexto de segurança cirúrgica. Para os enfermeiros, os equipamentos e materiais necessários para o ato cirúrgico devem estar disponíveis em quantidade suficiente e devidamente testados e/ou checados antes da cirurgia. Além disso apontam ser fundamental um plano de manutenção preventiva e periódica para o funcionamento adequado.
As atividades no CC são variadas e com diferentes graus de dificuldade, exercidas muitas vezes em condições extremas, dominadas pela necessidade de agilidade e precisão, além de um domínio significativo da atividade assistencial. Dentro deste contexto, é nítida a importância da contribuição da enfermagem para garantir um ambiente adequado ao paciente, com riscos minimizados.
Psaltikidis (2016), ressalta a atuação da enfermagem nesse ambiente, particularmente no que se refere ao emprego das tecnologias necessárias para desenvolvimento das atividades dos diferentes profissionais que compõem a equipe cirúrgica, que pode atuar preventivamente no diagnóstico de dificuldades no seu emprego ou manejo, minimizando assim os potenciais riscos aos pacientes.
Nesta direção, a equipe de enfermagem necessita estar preparada e deter o conhecimento necessário para o desenvolvimento das diferentes ações nesse ambiente, podendo ser responsabilizada por assegurar a infraestrutura que possibilite uma assistência qualificada, tanto no que se refere aos aspectos técnicos, como nos interacionais (LEITE et al., 2011).
Com objetivo de avaliar o nível de domínio de novas tecnologias por parte de enfermeiras uma pesquisa foi desenvolvida, como parte da atividade de gerenciamento em centros cirúrgicos. Os resultados mostraram que 75,8% das
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enfermeiras relataram não estar preparadas para isso, sendo que 54,5% apresentaram domínio insatisfatório das novas tecnologias nessa unidade. O estudo não apresentou uma associação estatística significante entre carga horária de trabalho e domínio das tecnologias, sendo que quanto maior a carga de trabalho dos enfermeiros, menor o domínio. Não houve significância entre tipo de hospital (gerais ou especializados) mas foi positiva com porte da instituição (médio ou grande porte). A autora concluiu que as enfermeiras, apesar de reconhecerem a importância das tecnologias no cotidiano do trabalho, não apresentavam segurança para utilizá-las na promoção de uma assistência segura ao paciente, o que demonstra a necessidade de melhor preparo e domínio das práticas assistenciais nesse ambiente (OLIVEIRA, 2004).
Exatamente por se constituir numa unidade em que o volume de equipamentos e material médico-hospitalar é muito expressivo no contexto das instituições de saúde, tem sido e deve ser objeto de atenção dos gestores quanto as implicações no cenário de segurança da assistência à saúde. É possível se verificar uma descrição de fatores variados, quer organizacionais, quer humanos, responsáveis por resultados cirúrgicos desfavoráveis, incluindo pouca experiência da equipe médica, volume de cirurgias, carga de trabalho dos profissionais, supervisão insuficiente, tecnologia desfavorável, entre outros.
Pouco se publicou até o momento quanto as experiências de treinamento dos profissionais baseado na complexidade do equipamento, porém é evidente a necessidade de maior qualificação e formação, quanto mais complexo for o equipamento médico-assistencial.
Para a ANVISA, o alcance de um cenário de segurança é necessário que os serviços adotem um comportamento de aprendizagem contínua, onde a análise das causas de ocorrência de eventos atue como elemento disparador de melhorias dos processos assistenciais, de forma a evitar a recorrência das situações indesejadas e de danos aos pacientes (ANVISA, 2013).
No cotidiano das atividades do CC verifica-se a existência de uma gama de equipamentos médico-hospitalares de alta precisão e eficácia, que podem ser considerados essenciais para atividades do período transoperatório. Ressaltando instrumentais de precisão, equipamentos destinados às cirurgias extracorpóreas, cirurgias laparoscópicas e endoscópicas, fibras ópticas, cirurgias a laser, implantes cirúrgicos, grampeadores cirúrgicos, entre outras. Nessas tecnologias, incluem-se
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avanços farmacológicos, equipamentos cirúrgicos e anestésicos de última geração, que exigem adoção também de novos métodos de esterilização, consequentemente, de novos equipamentos.
Estudo de Martins e Dall’Agnol (2016), a respeito dos desafios e estratégias dos enfermeiros nas atividades gerenciais do CC obtiveram nos depoimentos desses profissionais que o gerenciamento de equipamentos e materiais se reveste de um caráter permanente de preocupação, sendo um desafio sua administração pois consome muito do seu tempo de trabalho para resolução, incluindo questões adicionais como imprevisibilidade de ocorrências que implicam em cancelamento de cirurgias e conflitos com a equipe multiprofissional.
Nesta direção, deve-se considerar a existência de itens considerados pelos profissionais como de uso habitual e menor complexidade, mas de extrema importância para o ato operatório, como são as unidades de eletrocirurgia. Trata-se de uma ferramenta cirúrgica necessária e amplamente utilizada, porém não isenta de riscos em sua utilização. Pode-se considerar que a boa prática está diretamente relacionada à tecnologia, infraestrutura hospitalar, treinamento da equipe de saúde, manutenção preventiva e adoção de uma política de segurança pela instituição.
Apesar dessas recomendações, verifica-se que na prática diária das unidades de CC a utilização desse equipamento traz inúmeras preocupações, particularmente à equipe de enfermagem, quanto a eficiência de seu funcionamento, e minimização dos riscos de seu uso aos pacientes. Há, portanto, que se considerar que tais aspectos trazem importante repercussão quanto a adoção e aplicação de novas tecnologias em ambientes complexos e tecno-dependentes como é o caso do CC.
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