III. LES ACTIONS À ENGAGER
2. Le plan ressources pour la France : une première étape qui structure une démarche sur le long
Investir na formação em literacia em saúde, significa dotar os indivíduos das competências necessárias para assumirem o controlo sobre a sua saúde, e tomar decisões informadas relacionadas com a mesma (Dominick, Dunsiger, Pekmezi, & Marcus, 2013; Nutbeam, 2008). Sendo a literacia em saúde uma união de fatores individuais, culturais e sociais, uma intervenção adequada para diminuir níveis inadequados de literacia em saúde deverá incluir o enquadramento cultural e social, o sistema educativo e o sistema de saúde, bem como a interação entre estes fatores (Committee on Health Literacy, 2004). Educação em saúde com vista a promover os conhecimentos, compreensão e capacidade para agir dos indivíduos, não deve ser apenas direcionada para a alteração de estilos de vida ou aumento da adesão aos tratamentos, mas também para o aumento da consciencialização das determinantes da saúde, aumentando as intervenções com impacto nessas determinantes (Nutbeam, 2008). Promover a literacia em saúde implica mais do
que a simples transmissão de conhecimentos, apesar de esta continuar a ser um aspeto fundamental. É importante ajudar as pessoas a desenvolver confiança para agir com base no conhecimento transmitido, bem como a capacidade para trabalhar e apoiar outros através de formas eficazes de comunicação e intervenção na comunidade (Nutbeam, 2000).
A educação em saúde, definida pela OMS “comprises consciously constructed
opportunities for learning involving some form of communication designed to improve health literacy, including improving knowledge, and developing life skills which are conducive to individual and community health” (Nutbeam, 1998, p. 4). A
educação em saúde não tem apenas como foco a comunicação da informação, mas também o aumento da motivação, competências e autoeficácia necessárias para agir em prol de uma melhor saúde. Compreende a comunicação de informação relativa às condições sociais, económicas e ambientais que têm impacto na saúde, bem como relativa a fatores de risco individuais e comportamentos de risco, e à utilização do sistema de saúde (Nutbeam, 1998). A educação para a saúde baseada na promoção de literacia em saúde funcional, foca-se, sobretudo, na comunicação fatual de informação sobre riscos para a saúde e como utilizar o sistema de saúde, sendo que o objetivo passa pelo aumento de conhecimentos sobre fatores de risco, serviços de saúde e adesão a tratamentos prescritos. No entanto, este tipo de intervenção não apela à comunicação interativa, à promoção de competências ou autonomia. A promoção de literacia em saúde interativa envolve o desenvolvimento de competências pessoais num ambiente de suporte, através da melhoria da motivação e autoconfiança para agir com base na informação recebida. O desenvolvimento de literacia em saúde crítica engloba por sua vez o desenvolvimento cognitivo e de competências através do suporte social e políticas de ação, bem como ação individual, estimulando a capacidade individual e comunitárias para atuar nas determinantes sociais e económicas da saúde. Geralmente estas atividades resultam em benefícios pessoais, podendo estar também relacionadas com benefícios para a comunidade (Nutbeam, 2000).
A Figura 5, apresentada anteriormente ilustra os três setores que devem assumir a responsabilidade pelos níveis de literacia em saúde da população. Os setores que constituem os contextos da literacia em saúde da população são a cultura e
sociedade, o sistema de saúde e o sistema educacional, setores estes que providenciam pontos de intervenção que constituem desafios e oportunidades para promover o aumento dos níveis de literacia em saúde (Committee on Health Literacy, 2004).
Crianças e adolescentes não vêm geralmente mencionados na bibliografia como um dos riscos vulneráveis e com menos níveis de literacia em saúde. Apesar disto, as iniciativas e propostas de intervenção com vista à promoção de literacia em saúde, incluem frequentemente estas faixas etárias, mais concretamente no ambiente escolar, e com inclusão de professores, bibliotecários e enfermeiros de saúde comunitária e escolar (Borzekowski, 2009). Diminuir os baixos níveis de literacia na população implica desenvolver e melhorar o acesso efetivo a educação escolar na infância e adolescência, e na idade adulta, quando isso não foi possível anteriormente, pois atingir níveis elevados de literacia em saúde poderá não ser considerado um objetivo desenvolvimental vital, mas produzirá efeitos substanciais e benéficos na saúde pública das comunidades (Nutbeam, 2008, 2009). A literacia em saúde deve ser utilizada para avaliar a eficácia dos programas de educação em saúde escolar (Nutbeam, 2009).
Se for esperado que a relação entre doentes e profissionais de saúde seja de cooperação, e se pretender que as crianças e adolescentes se tornem mais ativos em matéria de saúde, então é essencial o desenvolvimento de competências de literacia em saúde nesta faixa etária. É importante a familiaridade com os estadios de desenvolvimento cognitivo do jovem quando se pretendem construir programas e materiais de promoção da literacia em saúde (Borzekowski, 2009).
Steckelberg, Hülfenhaus, Kasper, & Mühlhauser (2009) aplicaram um programa de desenvolvimento de literacia crítica nos adolescentes entre os 16 e 18 anos de idade (a frequentar o 11º ano de escolaridade), tendo por base a medicina baseada na evidência. Segundo os autores esta abordagem promove o aumento de autonomia dos utentes, permitindo a tomada de decisão baseada em evidência e não apenas na opinião dos profissionais de saúde. Desta forma decidiram escolher esta faixa etária, por ser uma idade desafiadora, no sentido em que se inicia a tomada de decisão independente em relação à saúde. O objetivo seria a promoção da literacia crítica, o que implica o reconhecimento da aquisição independente e
avaliação crítica de informação por parte dos jovens. Esta competência permitiria aos adolescentes lidar com inúmeras questões relacionadas com a saúde, bem como compreender as oportunidades e limitações da investigação na área da saúde.
Antes de iniciar o programa, foi questionado a 138 adolescentes quais seriam os tópicos de interesse a discutir, sendo que o mais referido foram as doenças, seguido da nutrição, tratamentos e diagnósticos, drogas, anatomia e fisiologia, desporto e fitness, prevenção, riscos, áreas clínicas, acidentes e lesões desportivas, naturopatia, engenharia genética, sendo os menos referidos a sexualidade e as políticas de saúde. Quando questionados acerca dos riscos a que estavam mais expostos, referiram o stresse ambiental, seguido do tabaco, nutrição, álcool, outras drogas, stresse, falta de desporto, doenças infeciosas, acidentes e défice nos cuidados de saúde. O programa compreendeu 22 sessões distribuídas por seis módulos, que compreendem exposição de conteúdos com discussão,
brainstorming, debates, discussão em grupos e resolução de problemas práticos.
Para além da observação participativa das sessões, a fim de observar o interesse e postura dos adolescentes perante os vários trabalhos e sessões, e da análise de reflexões e opiniões escritas por parte dos adolescentes, a sua eficácia foi avaliada tendo como base o CHC Test, numa metodologia pré-teste, pós-teste com grupo de controlo. Foi obtida uma evolução positiva nos adolescentes submetidos a intervenção, no que respeita ao desenvolvimento de competências críticas de literacia. Realizar este tipo de intervenção antes do término do ano letivo torna-se menos produtivo. Demonstrou-se assim que as iniciativas para promover este tipo de competências devem ser desenvolvidas numa idade o mais precoce possível, sendo que a idade em que os jovens frequentam o secundário poderá potenciar esta aprendizagem e desenvolvimento (Steckelberg, Hülfenhaus, Kasper, & Mühlhauser, 2009).
Crianças e adolescentes, que atualmente poderão ficar à margem de alguns tipos de práticas de saúde, podem ser ensinados a apresentar um papel mais ativo nos cuidados de saúde que lhe são prestados. Quando se permite aos jovens situações que reforcem a capacitação, estimulando o seu desenvolvimento, começam a tornar-se agentes de mudança, tanto para a sua própria saúde, como para a saúde
da comunidade, procurando ações que visem a sua manutenção ou melhoria (Borzekowski, 2009).
Promover a literacia em saúde em idade precoces tem um impacto direto na literacia em saúde em idades posteriores e é fundamental, pois os adolescentes interiorizam conhecimentos e padrões comportamentais que transportam consigo e utilizam na sua transição para a idade adulta, permitindo ao jovem a tomada de decisões adequadas e pertinentes relativamente à sua saúde, o que se refletirá em escolhas saudáveis e estilos de vida promotores de saúde durante a juventude e idade adulta (Borzekowski, 2009; Chang, 2010; Fetro, 2010; Paek & Hove, 2012). Investir nesta formação permite, não só capacitar os jovens e dotá-los de competências para melhorarem as suas decisões sobre saúde no presente, mas também, poderem tornar-se utilizadores mais conscienciosos e informados dos serviços de saúde, com maior proveito e utilização adequada da informação sobre saúde no futuro (Ghaddar, Valerio, Garcia, & Hansen, 2012).
A enfermagem pode fazer a diferença diminuindo o número de utentes com baixos níveis de literacia em saúde. O esperado será que a enfermagem providencie uma relação de parceria que permita aos utentes um sentimento de segurança e confiança nos profissionais de saúde. Para além disso deverão providenciar informação válida e aplicável em situações práticas (Squellati, 2010).
Especialmente a nível comunitário e escolar, a enfermagem deve realizar avaliações dos níveis de literacia em saúde dos adolescentes antes de desenvolver qualquer programa de informação e intervenção em saúde para esta população, devendo os mesmos estar adequados às competências de cada jovem (Chang, 2010; Sanders, Shaw, Guez, Baur, & Rudd, 2009). É pertinente a realização de grupos de jovens com níveis de literacia mais baixos, juntamente com jovens com níveis de literacia mais elevados, para que possam ensinar técnicas e discutir ideias (Sanders, Shaw, Guez, Baur, & Rudd, 2009). Para além disso, devem englobar a literacia em saúde e a sua promoção nos programas e educação em saúde, como forma de desenvolver estas competências nos jovens, promovendo a sua participação em atividades e comportamentos promotores de estilos de vida saudáveis (Chang, 2010). Devem ser reforçadas as estratégias de educação para a saúde em ambiente escolar (Yu, Yang, Wang, & Zhang, 2012). Programas de
intervenção de intensidade moderada a elevada surtem mais efeito que os programas de intensidade baixa, na promoção da literacia em saúde e diminuir os comportamentos de risco (Dennis, et al., 2012).
Num programa de promoção de literacia, tendo por base a teoria Freiriana, o ideal será que o professor/educador não detenha uma posição superior ou de poder, bem como, o aluno uma posição passiva. Uma interação de sucesso entre ambos implica que o professor/educador tome consciência da realidade do aluno, tomando este um crescente controlo da sua vida, através do aumento do controlo no ambiente educacional. Aluno e professor/educador deverão comprometer-se numa relação de benefício mútuo e parceria. Tal como na relação educador/aluno na promoção de literacia, a relação profissional de saúde/utente deve ser de parceria, de forma a aumentar no utente as competências necessárias para ter controlo sobre a sua saúde e comportamentos (Borzekowski, 2009). Deve procurar-se a modelação do comportamento relacionado com a procura e utilização de informação sobre saúde dos jovens através do empoderamento e encorajando a mudança através do questionamento e demonstração de ações de autocuidado (Sanders, Shaw, Guez, Baur, & Rudd, 2009).
Todos os profissionais de saúde deverão ser treinados de forma a desenvolver as competências de comunicação, como forma de conseguir estabelecer diálogos com os jovens que lhes permitam desenvolver competências e conhecimentos (Sanders, Shaw, Guez, Baur, & Rudd, 2009). Aumentar o conhecimento, consciência e capacidade de resposta da comunidade no seu geral, e em particular dos profissionais de saúde no que respeita à literacia em saúde do seu público-al- vo, levaria à redução dos baixos níveis deste tipo de literacia na população (Committee on Health Literacy, 2004).
Deve ser privilegiada a informação preventiva sobre saúde, com mensagens claras, não apenas com tópicos de prevenção e segurança, mas também acerca de serviços e intervenções de promoção de saúde existentes na comunidade. Em jovens com necessidade de intervenções a nível mais específico (obesidade, consumo de substâncias, comportamentos de risco, entre outros), a informação deverá focar-se nestes aspetos em particular, relacionados quer com a prevenção da doença e promoção da saúde, mas também com os cuidados a ter em situações
urgentes ou os serviços disponíveis para determinadas situações (Sanders, Shaw, Guez, Baur, & Rudd, 2009).
A incorporação dos pais e educadores neste processo de desenvolvimento de competências de literacia em saúde, em particular a e-literacia em saúde é também essencial (Gray, Klein, Noyce, Sesselberg, & Cantrill, 2005b; Hove, Paek, & Isaacson, 2011), na medida em que o conhecimento prévio de determinadas fontes de informação, como determinados sites, que possam ser recomendados aos jovens, permite facilitar a pesquisa realizada pelos mesmos e orientar a busca para informação adequada e correta. Para além disso, pode igualmente ser discutida com os adolescentes a informação encontrada, como forma de elucidar acerca de assuntos menos claros, ou de como aplicar corretamente a mesma em situações particulares. Dado que os pais são ainda uma fonte de informação preferencial para os adolescentes, a formação dos adultos, bem como, dos adolescentes enquanto futuros pais revela-se essencial (Al-Qallaf, Al-Otaibi, & Othman, 2012).
Os materiais escritos sobre saúde devem tornar-se amigáveis e fáceis de utilizar, criando textos com regras básicas e passos a seguir e aumentando a utilização de imagens e efeitos visuais. Também os materiais não impressos como vídeos explicativos e materiais técnicos que ajudem a seguir determinadas indicações e ter determinados comportamentos devem ser privilegiados (Sanders, Shaw, Guez, Baur, & Rudd, 2009).
Intervenções com recurso a mensagens de texto por telemóvel ou email são novas formas de comunicação, com recurso a novas tecnologias que os jovens utilizam em larga escala, podendo resultar em ganhos em literacia em saúde, e consequentemente comportamentos promotores de saúde (Hingle, Nichter, Medeiros, & Grace, 2013; Lim, et al., 2012). Neste tipo de intervenção, as mensagens devem ser curtas, concisas, evitando ordens diretas, e privilegiando informação transposta para situações reais e concretas (Hingle, Nichter, Medeiros, & Grace, 2013).
Os profissionais de saúde devem fornecer informação em saúde utilizando as fontes mais utilizadas e consideradas mais fidedignas pela população à qual pretendem chegar (Nustad, Adams, & Moore, 2008). Conhecer onde os
adolescentes obtêm a informação, bem como a credibilidade dessas fontes é necessário para que se possa programar de forma adequada as sessões de educação para a saúde, consultas de enfermagem e informação sobre saúde a divulgar nos media (Ackard & Neumark-Sztainer, 2001). Apesar da internet não ser considerada uma fonte credível, o que poderá acontecer porque os jovens aprenderam a não confiar na informação recolhida da internet, a mesma possui bastantes fontes credíveis e válidas. É necessário ensinar os consumidores a reconhecer as fontes credíveis de informação sobre saúde (Nustad, Adams, & Moore, 2008).
Ghaddar, Valerio, Garcia, & Hansen (2012) e Gray, Klein, Noyce, Sesselberg, & Cantrill (2005b) sugerem a incorporação da internet nos programas de intervenção escolar que abordam a saúde, como forma de proporcionar oportunidades de desenvolver as competências de literacia em saúde nos jovens, nomeadamente através do ensino acerca da procura e seleção da informação em fontes eletrónicas. Segundo Gray, Klein, Noyce, Sesselberg, & Cantrill (2005b), parece existir evidência de que alguns jovens apresentam competências de literacia em saúde adequadamente desenvolvidas, em resultado da interação com a internet como fonte de informação. Alguns jovens, a partir desta procura de informação, conseguiram desenvolver competências e estratégias para desenvolver a sua literacia em saúde. Outros, reconhecem as suas dificuldades e lacunas mas não encontraram ainda forma de as ultrapassar. É de todo desejável estimular a procura de informação correta e adequada pelos jovens, a partir de programas escolares, em parceria com instituições de saúde, que visem a promoção de competências de literacia em saúde, nomeadamente de procura de informação sobre saúde online (Gray, Klein, Noyce, Sesselberg, & Cantrill, 2005b). Tornar a literacia em saúde um princípio fundamental dos programas de saúde escolar é primordial, pois, para além da promoção de comportamentos saudáveis pelos jovens, permite a aquisição de competências para obter, avaliar e aplicar a informação sobre saúde com sucesso (Loureiro, et al., 2012).
Os participantes de um estudo realizado por (Mukherjee & Bawden, 2012) referiram como propostas de melhoria para o processo de pesquisa de informação sobre saúde online a melhoria de sites associados ao serviço de saúde, com gestão
clínica e resultados de evidência clínica, existência de mais fóruns oficiais, regulados por entidades de saúde, de forma a facilitar a partilha de experiências e conhecimento e o desenvolvimento de workshops ou sites acerca de informação clínica e literacia em saúde, de forma a desenvolver as competências do público em geral para procurar e analisar dados com precisão e de forma eficiente. Incluir o aconselhamento personalizado por parte de profissionais de saúde nos fóruns e
sites ligados a serviços de saúde será preferencial a fornecer informação
generalizada que exige competências de aplicação da mesma em situações específicas.