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BILINGUISME ET TRADUCTION

Dans le document Directives de technique législative (Page 24-148)

AO MOVIMENTO DO TODO

O Assentamento Sepé Tiaraju foi constituído no município de Campos Novos (Figura 1), que se localiza no Meio-oeste catarinense, há 370 km de Florianópolis, numa região de planalto, com altitude de 934 m acima do nível do mar, onde predominam os seguintes tipos climáticos: (cfa) subtropical (mesotérmico úmido, com verão quente) e (cfb) temperado (mesotérmico úmido com verão ameno), segundo a classificação de Koeppen. A temperatura média anual em Campos Novos oscila entre os 16 e 17º C. A umidade relativa do ar (média) situa-se entre 76 e 78% e a precipitação média anual é de aproximadamente 1800 mm (EPAGRI, 2004).

O município tem solos relativamente férteis, o que estimula a produção agropecuária. Este fato, aliado a outros elementos naturais e culturais criou um rótulo para Campos Novos que, hoje em dia, é conhecido como "celeiro catarinense" (SC. GOV., 2004). Ainda no que se refere aos solos, destacam-se, o Latossolo Bruno e Intermediário, a Terra Bruna Estruturada e Intermediária, e o Cambissolo.

Organização: André Vasconcelos Ferreira Organização: André Vasconcelos FerreiraOrganização: André Vasconcelos Ferreira Organização: André Vasconcelos Ferreira

Como observa Veiga (2004), com relação aos Latossolos Brunos e Intermediários, afirma-se que

as propriedades físicas desses solos e as condições de relevo, por sua vez, são bastante favoráveis por permitirem, respectivamente, um perfeito desenvolvimento das raízes e por viabilizarem a mecanização em praticamente toda a área da unidade. [...] Dentro de um sistema racional de cultivo apresentam bom potencial produtivo e estão sendo utilizados atualmente para o cultivo de soja, milho, feijão e trigo. Em maiores altitudes possuem aptidão para fruteiras de clima temperado, especialmente a maçã [que possui, no município, uma área plantada de 125 hectares].

Já os solos caracterizados como Terra Bruna Estruturada e Intermediária

são solos profundos, bem drenados e com condições físicas favoráveis ao desenvolvimento radicular, [entretanto], quimicamente, são solos muito ácidos, com elevada toxidez causada pelo alumínio trocável e com reduzida reserva de nutrientes [...]. Porém, desde que manejados adequadamente, tornam-se aptos tanto para cultivos anuais como para usos menos intensivos, entre os quais a fruticultura de clima temperado, a pastagem e o reflorestamento.

Os Cambissolos, por sua vez

são na maioria solos ácidos, de baixa fertilidade natural e alta saturação com alumínio trocável. [...] As áreas ocupadas pelos Cambissolos são pouco utilizadas com culturas anuais, estando em grande parte ocupadas por vegetação natural, pastagens e reflorestamento. Os Cambissolos com alta fertilidade natural são intensamente utilizados dentro de um sistema de agricultura familiar, principalmente com milho, feijão e pastagens.

Em se tratando da área usada para a produção agrícola mercantil no município, o milho e a soja apresentam maior expressividade, tendo ocupado no ano de 2002,

respectivamente, 25.000 ha e 23.500 ha das terras do município. Outro produto importante é o trigo, que ocupou 13.000 ha, seguido pelo feijão, que é produzido numa área de 8.500 ha. Além destes, destacam-se outros cultivos, como o fumo, com 89 ha, e o alho, com 50 ha ocupados (IBGE, 2004). E sobre a produção municipal de aveia, temos que esta ocupa o primeiro lugar entre os municípios de Santa Catarina.

Outra atividade econômica importante no município de Campos Novos é a exploração de madeira, que serve como insumo da produção de papel e celulose, além de outras finalidades. A pecuária também apresenta larga importância na ocupação produtiva do território de Campos Novos, embora tenha perdido áreas para a produção agrícola. Seu rebanho efetivo, registrado no ano de 2001, dá conta de que são 45.000 animais bovinos, 982.800 aves, 7.100 ovinos e 61.600 suínos (IBGE, 2004). Esta produção animal e vegetal é, em grande medida, vendida para as agroindústrias que, em Campos Novos, são controladas, grosso modo, por grandes cooperativas capitalistas, como é o caso da Coopercampos e da Coocam, que controlam em larga medida as ações de uso do território no município.

A produção agropecuária de Campos Novos também reúne a psicultura, cujo produto, em 2001, chegou aos 405.700 kg (EPAGRI, 2004). Entre os produtos de origem animal, também são significativos o leite, o mel, além dos ovos, de codorna e de galinha. A produção orgânica, por sua vez, registrou um faturamento da ordem de R$ 579.037,90 entre hortaliças e produtos da lavoura, derivados da produção pecuária e conservas e geléias (ICEPA, 2004).

Já com relação ao número de empregos gerados no ano de 2000, registrados por categoria, a agropecuária não alcançou grande destaque, atingindo apenas o montante de 432 pessoas empregadas, enquanto a indústria gerou 1.330 empregos e os serviços e o comércio geraram 1.161 e 821 empregos, respectivamente (MT/RAIS, 2004). Uma das explicações possíveis desta baixa empregabilidade do setor agropecuário aponta para a existência de uma elevada mecanização das unidades de produção agropecuárias do município, mas não se deve excluir a possibilidade de diminuição de postos de trabalho no campo pelo fechamento de unidades produtivas.

maiores centros consumidores da região Sul do Brasil e mesmo aos outros lugares do mundo, incluindo a área de influência do Mercosul, pois está no encontro das rodovias BR 282, BR 470, SC 455, SC 458 e num raio de 380 km dos principais portos do litoral catarinense, o que faz com que o município tenha alguma facilidade de acesso ao mercado mundial.

Noutro momento (1912), foi a Ferrovia SP-RG que trouxe o "progresso" para Campos Novos, e isso significou mais comércio e mais investimento capitalista no município, além de uma forte resistência por parte dos camponeses mais diretamente atingidos pela expropriação das suas terras, que deu origem ao Movimento do Contestado.

Leite [et alii] (2004, p. 54) destaca que

até o início do século XX, o planalto catarinense foi apenas um território de passagem do gado gaúcho. [...] as atividades ali desenvolvidas [...] resumiam-se à pecuária, ao transporte de gado em tropa, à extração da erva-mate e da madeira. Além destas atividades, restava somente a agricultura de subsistência, realizada por caboclos que constituíam a maioria da população. [...] Na primeira década do século XX a construção de uma estrada-de-ferro ligando o Rio Grande do Sul ao Sudeste do país foi um marco do processo colonizador do Oeste Catarinense e também um dos mais importantes fatores para a eclosão da Guerra do Contestado, em 1914.

Leite [et alii] (Op. Cit., p. 54) enfatiza que

na década de 40 começam a surgir na região frigoríficos e agroindústrias do setor de carnes, inicialmente na suinocultura, expandindo-se posteriormente também para a avicultura. A crescente urbanização da sociedade brasileira amplia o mercado dessas agroindústrias, estimulando o aumento da produtividade e a uniformidade dos produtos, introduzindo inovações tecnológicas e contratuais que desembocam no sistema de integração dos agricultores familiares.

do setor agroindustrial catarinense foram, em grande parte, oriundos de créditos estatais subsidiados e distribuídos de forma concentrada a fim de viabilizar a territorialização capitalista excludente do espaço rural brasileiro. Ainda que a região Sul tenha concentrado grande parte dos investimentos estatais no Brasil, particularmente no período da década de 60 e 70 quando os governos militares fizeram grande esforço, por meio de um forte endividamento, para realizar a modernização capitalista do campo brasileiro, nota-se que, mesmo entre os produtores da região Sul foi marcante a desproporção por meio da qual foi financiada a modernização agroindustrial capitaneada pelos grandes capitais no Brasil.

E é Leite [et alii] (Op. Cit., p. 55) quem nos aponta que

[...] o projeto desenvolvimentista em SC gerou profundas desigualdades e mecanismos de exclusão social, criando um ambiente propício à formação de movimentos sociais de busca de melhores condições de vida no campo. [Acrescente-se que] em 1980 ocorre a primeira ocupação em Santa Catarina, na fazenda Burro Branco, em Campo Erê. Em 1984, acontece em Chapecó o I Congresso dos Sem Terra de SC. Em 1985, no contexto do PNRA, o MST promoveu no oeste catarinense uma das maiores ocupações de terra realizadas até então: num mesmo dia mais de duas mil famílias ocuparam treze áreas em sete municípios. A amplitude dessa ação coletiva gerou uma série de efeitos políticos e sociais, pressionando os poderes públicos para um problema cuja intensidade não havia sido percebida. [...] Na década de 90 o movimento passa a voltar sua estratégia também para a agregação de valor aos produtos dos assentamentos, promovendo, através de cooperativas, iniciativas de agroindustrialização, como mini-usinas de leite, queijarias e produção de leite longa-vida.

Campos Novos também passou a sediar um dos maiores movimentos sociais organizados, contrário à expropriação praticada pelos projetos modernizadores capitalistas de construção de barragens. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) foi fortemente motivado pelas barragens construídas ao longo do Rio Uruguai e, no momento atual, vive um grande embate com os agentes responsáveis pela execução de mais uma grande obra situada no Rio Canoas, na divisa de Campos Novos com o município de Celso Ramos. Além disso, verifica-se, conforme informação do INCRA-SC, que o município abriga movimentos sociais remanescentes de

quilombos, territorializados no contexto da modernização rural capitalista, também em Campos Novos.

A atualidade ainda nos dá conta de um outro fenômeno técnico relacionado ao desenvolvimento capitalista. Hoje, são também as linhas telefônicas e os satélites que viabilizam a incursão “modernizada” do capitalismo em Campos Novos. Estima-se que haja linhas telefônicas instaladas em 36,8% dos seus domicílios, o que sinaliza para uma integração do município aos circuitos mundiais de informação, em meio aos quais se estruturam tanto a globalização capitalista como outras experiências organizativas dos movimentos sociais; desta vez, o meio técnico-científico tornou-se também informacional. Esta versão “supermoderna” do sistema técnico em curso, atualmente, continua viabilizando a inserção capitalista em Campos Novos, entretanto, este desenvolvimento do capital traz consigo importantes contradições; basta verificar que, com uma superfície de 1.632 Km² (IBGE, 2004), Campos Novos se caracteriza pelo predomínio de latifúndios: apenas 20% das propriedades rurais possuem pequenas extensões de terra, o que não deixou de estimular o surgimento de importantes movimentos sociais, como o MST, o MAB, o Movimentos Negro, os quais ratificam suas ações de resistência tentando criar um caminho para a afirmação de suas respectivas existências por meio de novas formas de uso do território.

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