6.4 Bilan quantitatif des diff´erents impacts et conclusions
6.4.1 Bilan quantitatif et comparaison des impacts
Enquanto o General Figueiredo consolidava a reorganização do sistema político oficial, a disputa partidária tomava conta da universidade e da sociedade. Já naquele final da década de 1970 o então MDB apresentava o caráter heterogêneo que carrega até os dias atuais. Assim como outras organizações clandestinas, os
estudantes da UFES, objeto do nosso estudo, enquanto militantes do Partido Comunista Brasileiro, filiaram-se ao MDB, que desde as eleições de 1974 havia se consolidado como um partido com condições de exercer uma oposição efetiva ao regime autoritário, que pressionava o governo para que a redemocratização se tornasse realidade. Atuando ativamente no processo de organização e mobilização da sociedade civil, estas forças vinham aumentando a intensidade de questionamento ao regime.
Já naquela eleição, de 1974, o MDB participou efetivamente inserido no MDB, no entanto sofreu duros golpes por parte dos órgãos de repressão, com um grande número de militantes e dirigentes presos, torturados e assassinados. Vários membros do Comitê Central foram seqüestrados e mortos e a Direção do Partido buscou o exílio.
Era grande o empenho dos dirigentes do partidão em favor do MDB como única força oposicionista em condições institucionais de enfrentar o Regime. Nas eleições de 15 de novembro de 1978, Prestes enviou um apelo ao povo brasileiro convidando-o a votar nos candidatos do MDB à Câmara, ao Senado e às assembléias legislativas estaduais. O texto afirmava que "[...] uma grande votação dada ao MDB fará com que ele saia da pugna eleitoral fortalecido e mais definido como uma frente unida de resistência e combate ao arbítrio" (LUIS..., 2007).
O movimento estudantil, ainda em formação e na luta pela abertura do DCE, foi às ruas para apoiar o partido de oposição, dois dias antes das eleições de 1978. A passeata partiu da Catedral, de uma missa em celebração à libertação do estudante pernambucano, Cajá, membro da pastoral de Recife, que sensibilizou a Igreja e a imprensa de todo o País (Figura 5). Além do apoio aos candidatos do MDB como Berredo de Menezes e Max Mauro, os estudantes também manifestavam o repudio a política do Governo e a carestia e o apelo à Anistia.
Figura 5. Passeata dos Estudantes no Centro de Vitória em novembro de 1978 Fonte: Arquivo pessoal do Paulo Hartung
Em 1978, em meio à “distensão democrática” promovida por Geisel, as forças de oposição conquistariam um bom resultado eleitoral por meio do MDB, e o movimento democrático consegue provocar um amplo debate em torno dos problemas nacionais.
A existência de eleições e a sobrevivência de instituições políticas liberais, mesmo durante o período de maior agravamento do regime autoritário, deve-se a uma característica tradicional do sistema político brasileiro definida pela competição intra- elites no poder político das eleições (ARTURI, 2001, p. 15). No entanto, a utilização do processo eleitoral para pautar a transição se esgotou com a última reforma institucional do regime autoritário: e extinção dos dois partidos existentes: ARENA e MDB e a implementação do pluripartidarismo em 79, como veremos mais adiante.
A plataforma do MDB pregava a revogação do AI-515 e do Decreto Lei n.º 47716. A reivindicação da supremacia da sociedade civil sobre o Estado expressava-se em nome do que o MDB chamava de “comunidade de base”, onde incluía a família, escolas, bairros, empresas, municípios, igrejas, sindicatos, associações, cooperativas e demais organizações da sociedade. Segundo Chacon (1998, p. 198), este era o conceito “cuja conquista por dentro Antônio Gramsci previra, nas cabeceiras do eurocomunismo, e que também o catolicismo se esforça por realizar”. A afinidade desta linha atraiu os membros do movimento estudantil e os militantes do PCB, que viriam a se filiar neste partido. A passagem dos membros do movimento para a política partidária ocorreu de forma natural como conseqüência da participação no partidão, conforme relata Herkenhoff (2007):
Antes de terminar a faculdade eu me filiei no MDB no quarto ano, porque era a linha do partidão. Era a resistência democrática, a via do partido de oposição era o MDB. Nessa época quem participava mais do MDB éramos eu e o Paulo Hartung. Fomos muito bem recebidos. O partido via como uma renovação. Nos chegamos a vencer uma eleição no diretório de Vitória para o velho deputado Argilano Dario. Depois montamos uma chapa na executiva junto com ele. Isto talvez tenha sido nos idos de 78, 79 (Informação verbal)17.
Existia também uma rivalidade em relação ao embrionário Partido dos Trabalhadores (PT) que refletia um embate de porte nacional. Segundo Skidmore (1988, p. 430) o “[...] PCB opunha-se fortemente à criação do PT, alegando que Lula e seus sequazes deviam limitar-se à organização sindical”. Em relação ao PCB, os petistas consideravam “[...] uma burocracia desacreditada e enfadonha, cuja rigidez dogmática o incapacitava para falar pelos trabalhadores”. Nascimento (2006) narra o conflito entre os membros do PCB e do PT, ainda na Universirdade:
O que era esse conflito que nasceu em 79? Era pela hegemonia da ideologia que se queria ter na universidade. Quer dizer, o partidão tinha uma posição sobre a construção da sociedade e das lutas táticas que se queria empreender e o PT tinha outra. A diferença era muito infantil porque ela deixava as diferenças maiores no campo ideológico e político e tornava muito
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Ato Institucional Nº 5 – instaurado em 13 de dezembro de 1968, foi um instrumento de poder que deu ao regime instituído com o golpe militar poderes absolutos para punir arbitrariamente quem fosse considerado inimigo do Regime. Uma das principais conseqüências foi o fechamento do Congresso Nacional por um ano.
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O Decreto Lei 477 de 26 de fevereiro de 1969 foi utilizado pelo regime militar para reprimir o movimento estudantil Cassou por três anos o direito de estudar centenas de alunos universitários brasileiros.
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Herkenhoff, 2007. Entrevista concedida em 17 de julho de 2007, em Vitória, à Margô Devos Martin, por Fernando Herkenhoff. Doravante as citações Herkenhoff (2007) é referente à esta entrevista.
diferenças pessoais. Mas tinha umas diferenças marcantes, por exemplo, o partidão queria reconstruir a vida política brasileira com base em alianças das chamadas frentes amplas que envolvia setores democráticos de direita e o PT não. O PT queria construir o caminhar da sociedade naquela época com o que eles chamavam de aliança de esquerda, eles queriam fazer isso sozinhos. E depois a vida mostrou que não dava pra fazer isso sozinho. Então essa era uma grande diferença. A outra diferença, era do ponto de vista da visão de mundo mesmo, quer dizer, os setores do PT tinham de tudo, tinha gente que ainda acreditava na luta armada, tinha gente que era Trostkista, tinha gente que era Maoista, tinha gente que era cristão radical das comunidades eclesiásticas de base que eram os chamados puristas [...]. E a nossa palavra de ordem era unidade, tanto é que nossa tendência chamava Unidade. E a unidade representava isso, quer dizer, pra construir um novo caminhar da sociedade é preciso unir todas as pessoas que desejam as liberdades democráticas e a possibilidade de se construir uma sociedade mais justa, mais humana, mais representativa dos setores sociais. Com o passar dos anos isso foi amadurecendo, tinham pessoas do partidão que conseguiam conversar com o PT, com pessoas do PT. E tinham pessoas do PT que conseguiam conversar. Então Fernando Herkenhoff conseguia conversar com Vitor Buaiz, Lelo conseguia conversar com Vitor Buaiz. Perly Cipriano era um cara de bom dialogo com essas pessoas e, com o caminhar foram sendo feitas algumas coisas conjuntas. Alguns movimentos sociais nós fizemos juntos com PT sem muitos problemas, sem grandes problemas (Informação verbal).
Apesar de terem lutado juntos no movimento de reabertura do DCE, os estudantes foram se organizando de acordo com os perfis ideológicos, grupos de origem, ou simplesmente por afinidade. A Universidade assiste e participa da formação político partidária em um momento de ebulição: incorporações, fusões e nascimentos de partidos.
Um dos membros do movimento de luta pela representação estudantil do Diretório Acadêmico do CCJE, Tessarolo (2007), participou da formação do Partido dos Trabalhadores, não abraçando os ideais comunistas:
[...] eu não chamaria nem de uma ruptura política porque a nossa proximidade, a nossa relação pessoal, a fraternidade entre nós era tão grande, que a ruptura política se deu de uma maneira até interessante, porque foi muito do momento político dos movimentos sociais que deram origem ao PT, e aí tinha até a igreja e o movimento sindical que estavam atuando de forma bastante organizada para a construção do PT, para a fundação do PT.
Esse movimento começou a acontecer uns dois anos mais ou menos antes da efetiva fundação do partido, e aí alguns setores, inclusive eu me engajei no movimento estudantil, naturalmente se identificaram com essa nova idéia, com essa nova concepção. E aí se deu uma ruptura mais em função de uma fundamentação ideológica que se existia em função de um tradicionalismo que vinha do partido comunista, de uma reação, inclusive à formação do PT que se deu muita função disso, de uma reação ao que se entendia como uma prática pouco incisiva em relação à ruptura do modelo que estava instalado, pois se entendia, nós partidários da fundação do PT entendíamos, que havia por parte do partidão uma ação pouco incisiva, havia o que se chamava de
‘reforma’ na época gente chamava, que a idéia não era só reformar, mas era efetivamente transformar e revolucionar, e aconteceu uma divisão interna no movimento estudantil (Informação verbal).
Impedido de ter acesso aos meios de comunicação, o partido oficial de oposição também se viu compelido a fortalecer seus vínculos com os movimentos de base, justamente o campo de atuação do Partido dos Trabalhadores. O que o PT apresentava de inovador era o fato de estar ligado às organizações de base, dando maior ênfase às lutas sociais e menor importância à luta eleitoral-parlamentar (MENEGUELLO, 1989, p. 41). Pinto (2008) deixa claro que o grupo do PCB, filiado ao MDB, tentou se inserir nos movimentos sociais, mas o espaço já havia sido conquistado pelos grupos que iriam fundar o PT com apoio da esquerda católica.
A gente tentou chegar aos movimentos sociais. Não houve uma opção partidária eleitoral. Jogamos duro para chegar aos movimentos sociais. Eu ia atrás dos sindicatos. Tentamos muita militância sindical, militância operária. Eu fui da pastoral da saúde.
Nessa época, muitos de nós foram para a pastoral de saúde. Eu, o Lelo, Fernando depois, o Geraldo. Fizemos reunião com comunidade de base. A gente ia para as comunidades fazer discussão política, ensinar a tratar verminose, saneamento básico e criar alguma conscientização política. [...] Houve um movimento de esquerda católica que estava se enraizando. Foi a época de Dom Luis, do movimento engajado sob a inspiração da Teoria da Libertação e que tinha a Maria Clara, uma vereadora, o Vereza é desta época. Tinha o Rogério Medeiros chegando no Sindicato dos Jornalistas. Vitor Buaiz chegando no sindicato dos médicos.
A gente fazia política e tentava alguma proximidade com estas “feras” antigas e essa coisa desaguou, se não me engano, em Praia Grande no momento da fundação do PT, quando eu conheci o Lula e aí houve a formação de um partido político que agente não via com muita simpatia por causa da ligação com o movimento sindical e com a esquerda católica.
Só que houve um momento com o surgimento do PT aqui, ele amalgamou estas coisas juntas com a esquerda católica. Taí o Vereza que conviveu com isso muito bem a gente ficou meio “batendo os pratos” com este pessoal e isso nos empurrou mais para o governo e a disputar a eleição. Não foi uma questão de opção, não. Foi uma questão de sobrevivência. A gente não tinha nada contra participar de eleição. A gente achava que era uma forma importante de luta contra a ditadura. A questão do parlamento... (Informação verbal).
Perante a necessidade de inserção nos movimentos populares seguindo a orientação do partidão, foi montando um movimento no município da Serra, articulado, principalmente, por quatro estudantes de Medicina do movimento estudantil que já estavam filiados ao MDB: Cesar Colnago, Adão Célia, Bezerra e Carlos Rios. Outros membros mais ativos do PCB como Lelo Coimbra, Fernando
Herkenhoff e Neivaldo Bragato também participavam das reuniões com as comunidades e operários da região. Este último tornou-se o primeiro presidente da Federação dos Movimentos Populares da Serra que posteriormente desaguou no MEP sob o domínio do Partido dos Trabalhadores. Após a saída da Federação, os alunos de medicina criaram a Comissão de Saúde da Serra e continuaram a oposição ao prefeito José Maria Feu Rosa, cobrando melhorias nesta área. Colnago (2008) narra esta passagem.
Eu entrei pela via universitária até porque morava comigo Adão Célia que era da turma de Anselmo, do Ernesto e do Chiquinho [...] só que eu entrei no partido e aí eu, Adão, Carlinhos – Carlos Roberto Rios, médico, tudo da turma do Anselmo, fomos fazer movimento popular porque o partido precisava de gente que fosse lá pro meio operário..., e eu que não tinha muita identidade com movimento de classe média, eu era classe média, lá no interior mas, as minhas origens de ter contato com gente pobre pela igreja, pelos movimentos de base... eu tinha facilidade de conversar com os operários da construção civil que era um movimento sindical [...] nos fomos para a Serra, eu, Carlinhos, Adão e Bezerra: quatro médicos.[...] Ficamos atuando em alguns bairros da Serra:. Sossego, Cantinho do Céu, Invasão de Jacaraípe, Vista da Serra Continental, Areinha, tudo bairro operário e nós lá, sabe com que? Um “Capital”, Marta Heinecker que era uma escritora chilena, que tinha textos mais leves, mais fáceis, de uma certa interpretação do capital, do socialismo, todo mundo... Formavam grupos de operários, principalmente da construção civil, que era um núcleo que estava se organizando e até porque era a base mais constituída da Serra porque tinha também algumas pessoas dos Ferroviários... A população era maioria da construção civil. Primeira greve civil nós estávamos no meio, greve na CST e a gente por trás. [...]E nesse período a gente funda a Federação dos Movimentos Populares que disputava um movimento, que depois foi pro PT, chamado MEP – Movimento de Emancipação do Proletariado, que tinha a Brice e tinha não sei quem... neste movimento. É que na verdade nós atuávamos todos no MDB, depois PMDB e a gente no partidão (Informação verbal).
Este embate contribuiu para que o grupo perdesse a segunda eleição para o DCE, em 1980, para a chapa chamada “Alternativa”, ligada ao PT. A sucessão foi tentada pela chapa presidida por Fernando Pignaton. Seria a tentativa frustrada da permanência do grupo e do PCB na liderança do movimento estudantil. O novo presidente, Luis Cláudio Ceolin, chamado por todos de “Shaolin”, renunciou pressionado por divergências internas e foi sucedido por Cláudio Zanotelli. Neste período o DCE permaneceu desestruturado e perdeu o contato com a sociedade, diferencial da antiga chapa. Nascimento (2006) conta a estratégia adotada pelo grupo para recuperar a diretoria do DCE:
Nós fizemos uma pressão tão grande, porque na verdade eles ganharam o DCE mas, a condução do movimento ficou na mão da gente e o Paulo
conduziu as grandes Assembléias do início de 80. As grandes assembléias foram conduzidas por ele, e o pessoal do DCE ficava enlouquecido porque a gente estava muito articulado. Chateado porque fomos derrotados, a gente resolveu criar uma estratégia: fomos derrotados na direção formal do movimento, vamos ganhar o movimento pela base! E toda a condução e todas as propostas mais importantes eram aprovadas junto com a gente. O Paulo, como era um bom orador, além dele tinha dois outros grandes oradores que era o Ernesto Negris que era “encapetado” e o Paraíba, Idelberto Muniz que não era um bom orador, mas era muito respeitado, e do lado de fora a gente contava com a orientação desses dois caras que era o Laurinho e Fernando Herkenhoff (Informação verbal).
O grupo conquista novamente a vitória na terceira eleição, com a chapa “Hora de Mudar”, comandada por Estanislau Kostka Stein, que teve seu mandato prorrogado por mais um ano devido a greve nacional dos docentes universitários. Para garantir a vitória, a chapa formou duas vice-presidências: uma com um representante do CCJE, o estudante de direito Robson Leite Nascimento, e outra do Centro Biomédico, com o estudante de medicina Ernesto Negris. Foi uma decisão crucial, pois agrupava os dois principais redutos eleitorais da Universidade. Neste mandato o movimento estudantil se aproxima novamente da sociedade e organiza grandes debates sobre a democracia, com palestrantes de peso como Darcy Ribeiro, João Saldanha e Teotônio Vilela.
Uma passagem fundamental do grupo político em questão foi o fim da participação no movimento estudantil ocasionada pela conclusão do curso de graduação e a iniciação na vida profissional. É importante também salientar que o próprio movimento se manteve ativo apenas até a saída dos últimos remanescentes do grupo e logo após entrou em declínio.
Após a saída da faculdade, alguns integrantes do movimento se voltaram para a política partidária, sindical e movimentos comunitários por opção. Outros abandonaram a vida política para seguir as suas profissões, mas continuaram a acompanhar o grupo nas decisões estratégicas. Uns poucos conseguiram unir as suas carreiras à causa pública, mas a grande parte sentiu dificuldades para ingressar em suas vidas profissionais, pois dedicaram a maior parte de seu tempo da graduação às discussões e ações políticas e muito pouco ao conteúdo de seus cursos. Pinto (2008) narra esta passagem:
Eu comecei a viver uma angustia que durou um tempo: Se eu ia enveredar pelo caminho da política ou se eu iria enveredar pelo campo da medicina. Mas eu amava demais a medicina. O Fernando, o Lelo e o Geraldo não
viveram esta crise que eu vivi. O Lelo foi para a saúde pública, o Fernando foi fazer básico...Eles viveram a política com uma intensidade que os manteve na atividade política e não se envolveram demais com a medicina. E eu tinha um problema, eu gostava demais de clinicar. Eu gostava de ver doente. Eu vivi esta contradição e na hora de fazer a chapa do DCE eu decidi ‘Eu não vou entrar. Vou ajudar, mas não vou entrar porque estou me formando e vou investir na minha profissão’ (Informação verbal).
Vemos então uma grande massa dos egressos do movimento dar continuidade à política porque ela já estava entranhada em suas vidas, mas também porque era a opção mais viável. Para alguns militantes reconhecidamente comunistas o ingresso na política profissional era a única escolha. Hartung (2007) narra esta passagem:
Quando estava saindo da Universidade eu fiz duas provas de seleção para o serviço publico estadual. Eu e boa parte da turma que estudou comigo. Eu fiz uma prova de seleção para o Instituto Jones dos Santos Neves que era o sonho de trabalho para quem estava estudando economia na época e passei na prova. Fiz uma prova de seleção no BANDES e também fui selecionado. Fiquei esperançoso para me chamarem para trabalhar. O Governador (Eurico Resende) cancelou estas duas provas porque muitos comunistas tinham passado nas provas.
Recebi o recado da minha Tia que era casada com Vicente Silveira que era deputado e recebeu a notícia do próprio Eurico: “Avisa seu sobrinho que ele não vai trabalhar no Estado. Que eu tenho orientação da Brasília para não contratar os comunistas”
Então eu deixei de ser funcionário do BANDES e do Instituto Jones dos Santos Neves. Vejo isso com muito bom humor porque foi isso que me colocou na política. Isso me fez procurar caminho na vida. Eu estava me formando, meu pai insistia muito para eu fazer um curso de direito [...] Eu não fui em frente no curso de direito. Então montamos esta gráfica que chamava RENOGRAF, não podia ter outro nome : Renovação Gráfica e Editora Ltda. (Informação verbal).
Segundo Dagnino, Olvedra e Panfichi (2006, p. 40) as trajetórias dos militantes de esquerda revelam as disputas e tensões entre dimensões pessoais e coletivas e podem ser percebidos três tipos: as que mostram a passagem de ativistas civis para posições de responsabilidade política nacional; trajetórias que sofrem redefinições ou mudanças de sentido quando se transita de uma atividade para outra e