Para idealização do estudo paramétrico foram realizados três casos, a saber:
a) O primeiro caso trata-se da verificação da influência da rigidez do paramento (com espessuras de 0,20 m; 0,30 m; 0,40 m e 0,50 m) em taludes tipo com altura das escavações de 6, 8 e 12 metros. Portanto, neste caso será analisado tanto a influência da rigidez quanto da altura dos taludes.
b) O segundo caso trata-se da verificação da influência da inclinação dos tirantes sobre o comportamento de uma cortina em taludes com altura de 8 metros e cortina com espessura de 0,30 m, adotando o mesmo dimensionamento dos trechos livre e dos bulbos de ancoragem realizado para este talude tipo, ou seja, nenhuma outra variável existira além da inclinação do tirante. Neste caso será analisado apenas a
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verificação do comportamento da estrutura quanto a variação da inclinação dos tirantes em ângulos de 10°, 20°, 30° e 40° em relação a horizontal.
c) O terceiro caso trata-se da verificação da influência do método executivo sobre o comportamento de uma cortina em taludes com altura de 8 metros e cortina com espessura de 0,30 m, adotando o mesmo dimensionamento dos trechos livre e dos bulbos de ancoragem realizado para este talude tipo com inclinação de 20° dos tirantes em relação à horizontal, desta forma, a única alteração que ocorrerá no modelo será durante a modelagem do processo executivo. Assim, será comparado o método executivo descendente na qual a cortina é executada à medida que a escavação é realizada e o método executivo em que a cortina é do tipo escavada na qual sua execução ocorre em etapa anterior ao início do processo de escavação. Neste caso será analisado apenas a verificação do comportamento da estrutura quanto a execução da cortina após e anterior a escavação.
Os taludes tipos e a estrutura de contenção simulada são hipotéticos e caracterizados pelo corte vertical do terreno, atingindo os patamares de 6, 8, 12 metros. A massa ancorada foi constituída por 3, 4 e 6 linhas de tirantes, respectivamente para os taludes de 6, 8 e 12 metros, definidos pelo espaçamento horizontal e vertical de 2,0 metros. O terreno adotado é horizontal, sendo constituído apenas de um solo homogêneo e isotrópico, denominado de silte arenoso, com NSPT médio igual a 11.
Por se tratar de um problema tridimensional, a modelagem do paramento e dos tirantes foi normalizada por metro longitudinal de obra. O modelo numérico foi discretizado em uma malha com quadrangulares e triangulares com 13.511, 15.820 e 32.398 elementos, nos taludes tipos com altura de 6, 8 e 12 metros, respectivamente. A malha foi discretizada com maior refinamento nas linhas que definem a face da estrutura de contenção e nas linhas dos tirantes. Portanto, os elementos constituintes das malhas possuem dois tamanhos, de 0,10 metros nas linhas refinadas e de 0,25 metros nos elementos principais denominados pelo sistema de elementos globais, para o talude de 6,0 m de altura, e de 0,10 metros nas linhas refinadas e de 0,50 metros nos elementos principais para os taludes de 8,0 m e 12,0 m de altura. A Figura 5.11 apresenta a modelagem do talude tipo de 6,0 m com o seu respectivo refinamento.
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Figura 5.11 – Refinamento da malha de elementos finitos no talude tipo de 6 metros Para restringir o movimento das laterais foram adotadas condições de contorno que limita os movimentos segundo o eixo das abscissas, e para a base do talude foi aplicada a condição de contorno que limita a movimentação do maciço, segundo o eixo das abcissas e das ordenadas.
Na modelagem dos casos 1 e 2, para a simulação do processo construtivo foram adotadas 7, 9 e 13 etapas respectivamente para os taludes de 6, 8 e 12 metros, considerando o processo executivo descendente onde se escava e posteriormente executa-se a contenção. As escavações foram modeladas de maneira que a primeira etapa de escavação seja equivalente ao valor do espaçamento vertical entre os tirantes, ou seja, a cada escavação são removidos 2,0 metros de solo, e em seguida na próxima etapa é inserido o tirante e o paramento.
Na etapa posterior é realizada a segunda escavação, e na seguinte a inserção do tirante e do paramento simultaneamente. O processo se repete até o final da construção como apresentado. A Figura 5.13 apresenta o modelo adotado do processo executivo em todos os taludes do caso 1 e 2, exemplificado para o talude tipo com altura de 6,0 m.
Na modelagem do caso 3A, foi utilizado o modelo da Figura 5.12 para simulação do processo executivo descendente com a cortina sendo executada após a escavação e para o caso 3B, o modelo construtivo exemplificado na Figura 5.13, na qual a cortina
Distância (m)
0 4 8 12 16 20 24El
e
v
açã
o
(
m
)
-6 -2 2 6152
escavada é executada antes do processo de escavação. Assim, insere inicialmente a cortina, e na etapa seguinte executa a escavação e na próxima etapa há instalação do tirante, assim sucessivamente.
Figura 5.12 – Sequência construtiva adotada para os casos 1, 2 e 3A, exemplificada para o talude de 6,0 m de altura: (01) tensões in situ; (02), (04) e (06) escavações;
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Figura 5.13 – Sequência construtiva adotada para o caso 3B, exemplificada para o talude de 6,0 m de altura: (01) tensões in situ; (02) execução do paramento; (03),
(05) e (07) escavações; (04), (06), (08) inserção do tirante
Ao adotar esta concepção de instalar os tirantes ou paramento em etapas diferentes da escavação torna o processo semelhante às condições reais de execução das obras de contenção em taludes escavados. Porém, para que este processo seja aceito pelo módulo SIGMA/W, dois tipos de rotinas de análise devem ser adotados. Nas etapas em que são realizadas as escavações o tipo de rotina de análise a ser escolhida é o “Load/Deformation”, tensão-deformação, já nas etapas em que são inseridos os tirantes
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e o paramento de face, a rotina de análise indicada é o “Stress Redistribution”, distribuição de tensões, pois o programa não reconhece que o estado de tensão do solo foi alterado ao inserir apenas elementos de viga e barra e não aceita a análise de tensão- deformação, e ao se escolher distribuição de tensão o programa aceita a análise e apenas redistribui as tensões geradas pela inserção dos elementos.
Como o sistema GeoStudio 2007 permite o acoplamento dos módulos SLOPE/W e SIGMA/W, após a simulação dos processos construtivos os dois módulos foram acoplados como o intuito de analisar a estabilidade global da estrutura grampeada por equilíbrio limite com base no estado de tensão quantificado no módulo SIGMA/W.
A saída de dados do programa permite obter vários dados da estrutura simulada, tanto no maciço e reforços quanto no paramento. Nos tirantes e paramentos é possível obter os esforços cortantes, momentos fletores e forças axiais necessários ao dimensionamento. Além disso, o programa permite a construção gráfica e visual dos deslocamentos horizontais e verticais da estrutura, as regiões de plastificação e a distribuição de tensões no maciço, entre outros.
A partir da saída de dados do programa foram objeto deste estudo os deslocamentos da face ao final do processo executivo, as regiões de plastificação do solo, o momento fletor no paramento e a estabilidade da estrutura após a simulação de todo o processo construtivo no SLOPE/W sem os tirantes a partir do estado de tensão determinado no SIGMA/W.