III- RESULTATS ET DISCUSSIONS
3.1.4 Bilan de l’azote minéral du sol
Em relação à mudança salarial, a memória dos professores e das professoras se expressa por meio de relatos que demonstram uma visão ingênua, mágica e povoada de relatos que evidenciam a consciência de que as perdas salariais foram aumentando e o prestígio da profissão foi desaparecendo. Contudo não identificam que as mudanças salariais podem estar condicionadas a luta sindical ou a sua atuação no sindicato.
“Acreditando, sonhando sempre que minha vida financeira ia melhorar. E não melhora nunca”. (Be, professora, 67 anos).
“Subia. A gente ficava contente e tudo bem. Depois foi precisando entrar nas lutas”. (Ge, professora, 67 anos).
A memória dos docentes demonstra ainda que até a existência de um plano de carreira, minimamente satisfatório, os salários iam se modificando de forma diferenciada através do tempo.
“Olha, primeiro você mudava de acordo com o número de aprovação que você fazia. Se você passasse tais alunos. Atestado de freqüência. Eu tenho isso aqui em arquivo. Eu tenho”.(Glo, professora, 69 anos).
“Sim, tinha qüinqüênios. Eu não me lembro bem como é que era o plano de carreira, mas não era um plano de carreira que dava uma boa evolução ao professor. Eu não me lembro muito bem”.(Car, professor, 58 anos).
“Até o governo Franco Montoro, nós tínhamos a data-base pela qual nós estamos lutando hoje, pois ela acabou. Não é? Então nós sabíamos que todo ano, naquela época, 1º de março vinha o reajuste. Nunca se pensou em fazer greve, movimento, uma passeata. À medida que os governos começaram a tirar algumas vantagens do magistério é que surgiram os movimentos”.(Lor, professora, 80 anos).
As respostas dos professores também se mostraram desencontradas.
“Só através do tempo de serviço. A cada cinco anos, 5%, os qüinqüênios. No início não havia mobilizações para mudança de salário”.(Mar, professor, 74 anos).
“Comparecíamos em assembléias em praça pública, na luta pelo nosso salário, isso naquela época, desde aquela época já era considerado normal”.(Mom, professor, 70 anos).
Muito forte para os professores e professoras a consciência de que os salários foram piorando, junto com a consciência de que sem luta sindical as perdas iam ficando maiores.
“Ah! De lá pra cá foi precisando sempre estar lutando. Que a gente perdia, vai perdendo. Você precisa o tempo todo tentar recuperar. Mas nunca recuperamos...”.(Glo, professora, 69 anos).
“No governo Sodré, o salário do professor era bom, depois disso começou a cair. Subiu um pouco no governo Franco Montoro. Ele tolerava greve, teve um dia que nós derrubamos a cerca do Palácio dos Bandeirantes. Depois o salário continuou caindo”. (Mar, professor, 74 anos).
Ou até constata-se a ausência dessa consciência...
“Quando começaram a nos cortar os vencimentos, depois do Montoro, aí começamos a fazer umas greves. Mas, eu pelo menos me aposentei sem pensar. Eu me aposentei em 1979. Vai fazer 27 anos. Não é brincadeira!” (Jan, professora, 76 anos).
A questão salarial dos professores e professoras é histórica no contexto da sociedade brasileira. As análises feitas em relação ao tema da remuneração dos docentes, abordam o assunto de maneira genérica, no contexto da organização e das condições do trabalho. A questão salarial dos professores e professoras é lembrada quando se aborda a questão do trabalho precário, no contexto das condições de trabalho. Por condições de trabalho entende-se como Souza (1996): “as condições físicas: tamanho, temperatura, ventilação, iluminação, barulho das salas de aula; quantidade de alunos em sala; condições da lousa; quantidade de
aulas diárias; turnos de trabalho; distância da escola (acesso); condições de higiene; segurança; local de refeições; e as características antropométricas do posto do trabalho, bem como as condições materiais: salário e jornada. Já a organização do trabalho refere-se à divisão do trabalho no interior da escola, à distribuição hierárquica do poder, organização e distribuição dos conteúdos, distribuição de períodos e horários, processos de avaliação, responsabilidades, relações de poder (colegiados diretivos), utilização de determinados instrumentos de trabalho (livro didático) (Dejours Apud, Souza 1996: 100).
Atualmente, faz-se necessário acrescentar a existência de novas tecnologias na escola e o acesso aos processos de informatização. Retornando a questão salarial, verifica-se a ausência de um estudo aprofundado estabelecendo a relação direta entre a remuneração dos docentes através dos tempos e as várias fases da história da educação no Brasil. Geralmente os estudos feitos foram elaborados por economistas e não enfocam a relação entre salário e as questões pedagógicas.
Ao estudar o impacto nas mudanças tecnológicas do setor terciário sobre as relações de trabalho no Brasil, na década de 90, Krein e Gonçalves, em trabalho apresentado a ANPOCS em 2006, fazem uma análise tendo como base uma pesquisa feita em alguns segmentos do setor de prestação de serviços. Entre eles, merece destaque à pesquisa feita com os trabalhadores de educação pública, mas, especificamente, o sindicato dos professores da rede pública de São Paulo – Apeoesp. Quanto à questão salarial, os autores afirmam, que vários setores apresentaram perdas nos rendimentos e explicitam: “No caso dos professores da rede pública de São Paulo, também foi introduzida uma forma de remuneração variável, que é um bônus por desempenho e por assiduidade, instituído a partir de 2000. Por exemplo, em 2003, o governo do estado estabeleceu o valor mínimo de R$1.200,00 ao educador que cumprir o mínimo de 200 dias de exercício. Além disso, também há a prática de adoção de gratificações e abonos como compensação ao não reajuste salarial. Por exemplo, entre 1998 e 2003, a perda salarial é de 34,7% em comparação à inflação medida pelo INPC/IBGE. Mas, se incluirmos a gratificação e o abono, política largamente utilizada nos últimos tempos, não são incorporados aos salários e não são extensivos aos aposentados” (Krein e Gonçalves, 2006: 16).
O que se conclui, é que na maioria das vezes, apenas os setores financeiros dos sindicatos conseguem estipular as perdas. Resta aos professores e professoras o sentimento