III. Partie transversale
5. Bilan et vérifications
6.4.1 INTRODUÇÃO
Uma das práticas recomendadas quando se pretende a recuperação de áreas degradadas é a utilização de espécies vegetais. A cobertura vegetal é considerada essencial quando se trata de estabilização de voçorocas (BAHIA et al., 1992; TROEH e THOMPSON, 2003; ANDRADE et al., 2005; GOULART et al., 2006; MACHADO, 2006; MACHADO et al., 2006; SALES et al., 2006; CAPECHE et al., 2008; SALOMÃO, 2010;) sendo necessário, além do plantio, uma seleção adequada destas espécies, pois o seu estabelecimento e desenvolvimento dependem da disponibilidade de nutrientes e de umidade do solo que muitas vezes se encontram em níveis inadequados em áreas erodidas.
Para Goulart et al., (2006) “o ambiente físico é tão importante quanto as espécies, devendo-se considerar, para a instalação de plantios, a interação entre ambos”. O desenvolvimento das espécies vegetais é influenciado pelas características do sítio e para que se possam estudar espécies potenciais para revegetação de áreas voçorocadas é necessário que os experimentos envolvam estes ambientes. O substrato remanescente de áreas degradadas
pela erosão, além de estarem desprovidos de atributos físicos e químicos, que permitam a colonização vegetal espontânea, continuam suscetíveis à ação dos processos erosivos.
Os objetivos deste estudo (ensaio 4) foram: a) avaliar o estabelecimento e desenvolvimento inicial de quatro espécies arbóreas nativas, plantadas no interior de uma voçoroca ativa, utilizando recomendações padrão de plantio e adubação; b) avaliar o estabelecimento destas mudas, fazendo a comparação com a exótica Gliricidia sepium; c) indicar entre as espécies avaliadas as que apresentarem potencialidade para utilização em áreas degradadas por voçorocamento, tomando-se por base a taxa de sobrevivência e o desenvolvimento inicial destas plantas nas condições ambientais da voçoroca.
A implantação de espécies vegetais contribui para o controle dos processos erosivos, no entanto é importante que se verifique a capacidade de estabelecimento destas plantas em locais de condições adversas, onde se apresenta lençol aflorado em parte do ano. A saturação hídrica passa a ter um caráter seletivo devido ao estresse imposto à vegetação. Com o excesso de água (alagamento) os espaços de ar do solo e as trocas gasosas com a atmosfera ficam comprometidos e segundo Lobo e Joly (2001), e em poucas horas as raízes e os microrganismos consomem todo o oxigênio presente na água, criando um ambiente hipóxico ou anóxico.
A água em excesso no solo pode produzir uma série de efeitos anatômicos e morfológicos nas plantas. Krizek (1982), citado por Silva e Parfitt (2004), destaca que esses efeitos podem incluir:
“a redução da elongação, clorose, senescência, abscisão das folhas mais baixas, murchamento, hipertrofias, formação de raízes adventícias na porção mais baixa do colmo, formação de lenticela e de aerênquima, enrolamento de folhas e declínio da taxa de crescimento relativo”.
Os autores citam ainda os efeitos com relação ao sistema radicular que também é afetado pelo encharcamento do solo, ou seja, pode ocorrer a inibição na formação de raízes secundárias e sob inundação prolongada, as raízes enegrecem, podendo morrer. No entanto a
extensão dos danos por excesso de umidade no solo depende de uma série de fatores como a duração do período de inundação, a espécie que esta sendo utilizada, as condições ambientais e o estádio de desenvolvimento da planta, entre outras.
Kageyama e Gandara (2001) destacam que em áreas degradadas a escolha das espécies requer critério e rigor na experimentação, pois nem sempre as condições de origem da espécie determinam resposta favorável nestas áreas.
6.4.2 MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi realizada entre fevereiro de 2009 e abril de 2010, com o monitoramento do lençol freático no interior do canal e a implantação de quatro espécies nativas: Pombeiro (Cytharexyllum myrianthum), Mulungu (Erythrina mulungu), Capixingui (Croton floribundus) e Ingá (Ingá uruguensis) e uma espécie exótica: Gliricidia (Gliricidia sepium).
O experimento consiste no plantio de mudas produzidas a partir de sementes, tendo como variável as espécies escolhidas, utilizando recomendações padrão de plantio e adubação com o objetivo de avaliar a mudança de comportamento das plantas dentro da voçoroca.
O delineamento do experimento foi o inteiramente casualizado com quatro repetições. As espécies arbóreas foram distribuídas de forma aleatória na área delimitada no interior do canal.
As mudas de Gliricidia sepium utilizadas no experimento foram produzidas no Instituto Federal do Triangulo – Campus Uberaba em tubetes com capacidade de 280 cm3 de
substrato, inoculadas e micorrizadas. As mudas de Cytharexyllum myrianthum, Erythrina mulungu, Croton floribundus e Ingá uruguensis utilizadas no experimento foram produzidas no Instituto Estadual de Florestas (IEF) de Uberaba e doadas para a pesquisa.
As análises físico-químicas (textura, propriedades químicas e teores de matéria orgânica) do solo foram realizadas em três pontos dentro do canal e as amostras de solo foram coletadas a 20 e 40 cm de profundidade com o auxílio do trado holandês.
O plantio foi realizado no dia primeiro de maio, quando houve uma diminuição da umidade dentro do canal. O preparo de solo consistiu no coveamento manual, as covas foram preparadas no momento do plantio e apresentaram 0,30 x 0,30 x 0,30 m. A adubação teve por base a análise da fertilidade do solo, sendo colocado por cova 150 g de calcário dolomítico; 50 g de Termofosfato (Yoorin); 12 g de FTE Br 12 (composição: 9% Zn; 1,8% B; 0,8% Cu; 2% Mn; 3,5% Fe; 0,1% Mo) e 1(um) litro de adubo orgânico de origem animal (esterco de curral curtido) misturados ao solo retirado da cova.
Os cuidados tomados no ato do plantio com relação as mudas foram: a) O recipiente que envolvia a muda foi totalmente retirado sem destruir o torrão; b) As mudas foram colocadas na cova preparada sobre uma porção de solo fertilizado, centralizadas e o torrão foi recoberto com o restante da mistura, foi levemente compactada tomando-se o cuidado de deixar o colo da planta ao nível do solo sem deixar raízes expostas.
Após o plantio foram colocadas estacas coloridas para a identificação das mudas nativas que posteriormente foram substituídas por placas identificadas (Figuras 72 e 73), as mudas de gliricidia foram identificadas diretamente com as placas (Figura 74).
A
B
C
D
Figura 72. Mudas de Ingá e Mulungu plantadas dentro da voçoroca. As figuras A e B mostram o Ingá em 11/06/09 aos 41 dias após o plantio e em 03/09/09 aos 125 dias após o plantio. As figuras C e D mostram o Mulungu em 11/06/09 aos 41 dias após o plantio e em 03/09/09 aos 125 dias após o plantio. (Org.: Biulchi, 2012).