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Bilan des publications dans les revues professionnelles

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 133-141)

3.5 Recherche, publications et EAO en EPS?

3.5.2 Bilan des publications dans les revues professionnelles

Lenoir (1998) discute a pobreza teórica expressa na classificação dos grupos sociais com base apenas no critério etário. Para esse autor, “a idade não é um dado imediato de consciência universal” (p.65), mas, antes disso, é “uma noção social, estabelecida por comparação com os diversos membros do grupo” (p.65).

Esse pensamento desponta como esclarecedor, sobretudo no que diz respeito à situação das pessoas idosas. Pode-se afirmar que o pensamento vigente nas sociedades, de maneira geral, reflete a forma como cada grupo vê e se relaciona com seus idosos. Disso, inclusive, resulta grande parte dos estereótipos, dos preconceitos e escassez de políticas públicas efetivas capazes de dar respostas às questões da velhice como um problema social.

Ariès (1978) afirma que a necessidade de identificação exata pertence às civilizações técnicas. A noção de idade cronológica como medida de classificação social surgiu no século XVI, nas camadas mais instruídas da sociedade europeia. Fortaleceu-se como uma prática administrativa quando já não era suficiente a identificação das pessoas apenas pelo nome e o lugar de moradia.

De certa forma, a classificação em grupos de idade está relacionada com o controle estatal. Lenoir (1998) relata que, no século XIV, na Europa, os recenseamentos dividiam os homens em grupos de idade superior e inferior a 14 anos. E aqueles que não pagavam impostos, como as crianças, os religiosos, os criados e as mulheres não eram considerados “bens a serem recenseados” (p.65). Outra classificação dividia as pessoas em úteis, ou seja, os homens entre 15 e 60 anos e inúteis, abarcando todas as demais.

A classificação das idades da vida na Idade Média era abundante. Uma das classificações citava sete idades em alusão aos sete planetas. A última idade correspondia à velhice e as pessoas assim classificadas eram vistas como aquelas que têm alteração nos sentidos. Caducas, estão “sempre tossindo, escarrando e sujando”(p.37).

Em outra classificação, expressa em um poema do século XIV com base nas cenas do calendário, a velhice é representada a partir do mês de setembro.

No mês que vem depois de setembro E que chamamos de outubro, A pessoa tem 60 anos e não mais. Então ela se torna velha e encarquilhada,

E se lembra que o tempo a leva a morrer (ARIÈS, p.37).

Da mesma forma, as representações das idades em degraus mostram o adulto na parte mais alta de uma escada, em platô, e os velhos na parte inferior, à esquerda, em estado decadente e próximo à morte. Nota-se que, à medida que se avança na idade – representada em algumas ilustrações por degraus descendentes –, necessita-se cada vez mais do auxílio de outras pessoas e de acessórios para se manter de pé. Tem-se também a impressão que de essa é uma fase para repensar o que se fez na vida, pois, conforme representado, após a morte, o destino será o céu ou o inferno, denotando assim a forte presença da moral religiosa.

Para Ariès (1978), a partir da Idade Média, observou-se uma valorização crescente da infância e adolescência, ao passo que o processo inverso aconteceu com a velhice. Esse autor relata que a velhice é representada iconograficamente com traços de decrepitude, muitas vezes antes de chegar aos 60 anos, como pode ser exemplificado no excerto abaixo:

Não há na natureza quem não o considere

Pertencente ao século de Saturno ou ao século do dilúvio; Dos três pés com que ele anda, dois sofrem de gota. A cada passo cambaleiam de velhice,

E é preciso retê-los e erguê-los o tempo todo (ROTROU, La Souer In: ARIÈS, p.47).

Na Idade Média, conforme relata Ariès (1978), as pessoas idosas eram tratadas de forma pouco respeitosa, associadas ao recolhimento e à caduquice. Infere-se, dessa forma, que parte dos problemas sociais enfrentados pela velhice, hoje, tem suas raízes em outros séculos. Presume-se ainda que as imagens estereotipadas vigentes na Idade Média tenham se originado em épocas anteriores.

O julgamento das pessoas, com base na classificação por idade ou fases da vida, denota uma preocupação extremamente utilitarista. É o caso de se considerar os velhos como inúteis pelo fato de não estarem, em alguns casos, inseridos formalmente no mercado de trabalho. Esse pensamento, vigente há séculos, assemelha-se ao observado no século XXI, quando as pessoas idosas sofrem várias formas de discriminação. São consideradas inúteis, inativas, improdutivas e como um peso para a sociedade.

Para Lenoir (1998), ao se considerar a idade é preciso ter em conta o contexto no qual ela toma sentido. Além disso, a fixação de idade revela uma luta entre gerações e a definição de poderes, associada aos diferentes momentos do curso de vida. Essas lutas simbólicas requerem uma análise sobre quem as travam, as estratégias utilizadas, as relações de forças entre as gerações e classes sociais e as

representações dominantes das práticas legítimas associadas a cada faixa etária. Dessa relação legitimada de poder entre as gerações é que se pensa no quando a pessoa é velha ou velha demais para exercer determinada atividade ou ter acesso de forma legítima a certas categorias de bens ou posições sociais (LENOIR, 1998, p. 68).

Os mais velhos são obrigados pelos mais jovens a se retirarem de suas posições para que estas sejam ocupadas por eles.

Assim, a velhice, antes de ser um dado natural e interpretado puramente pela demografia, é antes resultado da dinâmica demográfica e de uma relação de forças na qual os mais jovens precisam provar que estão aptos a ocuparem posições antes assumidas por pessoas de outras gerações. Caracteriza-se, então, substancialmente, para além da idade; ou

seja, engloba uma distribuição do poder e dos privilégios entre as classes e as gerações (LENOIR, 1998).

A idade e a velhice são, antes de tudo, resultado de uma construção social (DEBERT, 1998; LANGEVIN, 1998). Como tal, diversos fatores interferem nas representações que as mantêm ou as modificam. No caso do envelhecimento, passagens obrigatórias delimitam e orientam a dinâmica do processo e as bases que a sustenta não são isentas de intencionalidade. Em última instância, as idades da vida representam uma medida de valorização social de cada fase do viver.

Assim, faz-se a diferenciação entre os eventos naturais e universais que compreendem os ciclos de vida das espécies e os fatos sociais e históricos que compreendem as formas de conceber e viver o envelhecimento. Debert (1998) defende que as formas como a velhice é representada, “a posição social dos velhos e o tratamento que lhe é dado pelos mais jovens ganham significados particulares em contextos históricos, sociais e culturais distintos” (DEBERT, 1998, p. 50).

Dessa forma, a velhice não é unilinear nem diferenciada unicamente pela contagem cronológica do tempo, com etapas definidas, de caráter universal. Sob uma perspectiva antropológica, os processos biológicos de vida são elaborados simbolicamente por meio de rituais que definem fronteiras entre as idades vividas por todos, mas variável entre as sociedades. Representa, antes de tudo, uma luta política que envolve a manutenção/redefinição de poderes dos grupos sociais em diferentes momentos do ciclo de vida. Além disso, a compreensão das categorias e grupos de idade leva a entender uma visão de mundo social e as posições de cada um nesse mundo (DEBERT, 1998).

O critério das divisões dos grupos com base na idade tem múltiplas implicações econômicas, sociais e psicológicas. Para Langevin (1998), os lugares onde se elabora a legitimidade das fronteiras de idade são múltiplos e procedem de lógicas diferentes.

O discurso científico classifica, a medicina prescreve, o mercado de trabalho delimita, o direito fixa limites... Desse modo, a despeito do senso comum, os ritmos do avanço da idade são instáveis, modificam-se, e fronteiras que pontuam o percurso deslocam-se imperceptivelmente (LANGEVIN, 1998, p. 130).

O rápido crescimento demográfico da população idosa – sobretudo em meados e final do século XX –provocou atitudes de medo, principalmente pelo desconhecimento de como lidar com a situação e pelo seu caráter inédito, até então. Embora as melhorias na expectativa de vida sejam um fenômeno social crescentemente presente, sobretudo nos países europeus, o

rápido crescimento conduziu a uma espécie de temor dos efeitos do envelhecimento para o equilíbrio populacional (LANGEVIN, 1998).

Há uma maior aproximação entre o relógio biológico e o tempo humano à medida que cada vez mais as pessoas alcançam idades mais avançadas. Para Langevin (1998), esse processo está bem sedimentado, mas as imagens culturais representativas da velhice associada à decrepitude também são prevalentes. De maneira geral, há uma espécie de dificuldade em se lidar com o envelhecimento coletivo.

Pelos motivos explicitados, o envelhecimento não pode ser tomado e explicado somente sob o ponto de vista demográfico. Os dados demográficos sozinhos sinalizam para uma série histórica de crescimento do número de velhos na população global, os diferenciam por sexo e os localizam nos diversos continentes e países. A metáfora emblemática dessa questão é a pirâmide etária. Nessa forma gráfica de representação, as variáveis consideradas são o sexo e a idade (LANGEVIN, 1998).

O discurso científico, por excelência, baseia-se nos dados demográficos para delimitar as idade e fazer seus julgamentos. Com o caso da esperança de vida, houve uma tomada de consciência do fenômeno do envelhecimento coletivo da população, diluiu-se enquanto medida com significação científica e passou a representar os anos posteriores à saída da condição de assalariado.

Langevin (1998) aponta e ao mesmo tempo critica a utilização dos dados demográficos pelas análises sociais e políticas cujas perspectivas são pessimistas e negativas.

O discurso dominante da demografia quanto aos malefícios da expansão numérica de uma geração de velhos reforça um dos arquétipos do pensamento social: o equilíbrio da composição por idade da população constitui um perigo aritmeticamente incontornável. O prolongamento da duração da vida destruiria a harmonia das relações econômicas entre o número de ativos, criadores de riquezas, e aqueles dos inativos, que saem do campo da produção atingidos pelo envelhecimento. O envelhecimento da população só poderia ter efeitos nefastos nas diversas áreas: frear a produção, sufocar a criatividade, favorecer o conservantismo, aumentar os encargos sociais, levar à falência os sistemas de aposentadoria... (LANGEVIN, 1998, p. 133-4).

Na sequência, a autora citada aponta o contrassenso entre o prolongamento e as transformações nos modos de vida propiciados pelas ciências médicas, sociais e econômicas e as representações negativas dos efeitos do envelhecimento. Conforme o pensamento de Langevin (1998), por um lado toda a evolução social contribuiu/contribui para o prolongamento da vida; as pessoas querem viver mais e melhor. Porém, paira no pensamento coletivo um desejo de distanciamento da velhice e de recusa da doença e da morte. Expõe-se

assim um comportamento contraditório. De maneira geral, pretende-se viver mais, porém não se pretende envelhecer. Nesse momento pesa a face negativa da velhice, não desejada para si.

Muitas das interpretações provenientes dos dados demográficos referem-se ao envelhecimento como problema social fundamentado no equilíbrio proporcional às idades. Isto tem uma razão política e econômica pelo aumento nas demandas previdenciárias. Não seria justo questionar o porquê de não estimular a natalidade e o aumento dos empregos formais como meios para reestabelecer o equilíbrio? Culpabilizar as pessoas idosas pelos desequilíbrios representa uma forma de julgamento com base na visão da velhice, na qual se é inútil e pesado socialmente.

Nesse sentido, o discurso apoiado na demografia traz ao campo uma luta de forças, do qual o confronto entre as faixas etárias parece ter mais peso que as lutas entre as classes sociais. Por outro lado, o discurso da saúde também se revela generalista. Para Langevin (1998), a saúde e a dinâmica entre saúde-doença no curso do envelhecimento ainda são mal avaliados pela gerontologia. Esta, como ciência recente – mas que se fortalece e amplia seu campo de atuação –, adota uma visão de que o envelhecimento assemelha-se a uma doença cuja progressão é regular e não pode ser evitada. Envelhecer sem doenças, segundo a visão citada, continua sendo mais uma exceção do que regra. Ao mesmo tempo, duvida-se de que alguém possa chegar a idades mais avançadas sem ser senil, isolado e dependente.

O que resiste na mentalidade é a ideia de que a degradação física acelerada e cumulativa, no final do percurso, adota um ritmo regular e válido para todos e em todos os lugares. Entretanto, há sinais persistentes de morbidade diferenciada e de desigualdades sociais em face da longevidade. As condições de vida, os postos de trabalho, o poder econômico, a formação, as aquisições culturais tem aí um papel maior e o envelhecimento fisiológico confunde-se estreitamente com o envelhecimento socioeconômico (LANGEVIN, 1998, p. 137).

Embora tenham diminuído as diferenças nas esperanças de vida entre os grupos sociais, ainda persistem diferenças conforme algumas variáveis. Como exemplo, podem-se citar as diferenças entre os sexos, entre as categorias sociais, e conforme o local de moradia se situe no meio urbano ou rural. No caso específico de Brasil, se pode citar as diferenças inter- regionais como a existente entre Sul/Sudeste e Norte/Nordeste. Entretanto, mesmo dentro de regiões específicas, há também fatores que contribuem para elevar ou diminuir a esperança de vida como os hábitos individuais e acesso a condições que favoreçam um viver com melhor qualidade. Logo, ao se olhar os dados demográficos, é preciso sair do lugar comum das generalizações e direcionar o olhar criticamente em busca das particularidades.

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