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BILAN DE LA CONCERTATION Bilan quantitatif de la démarche

Dans le document Conseil du 24 janvier 2020 (Page 79-90)

Através da sociolingüística quantitativa, podemos observar se existe certa estabilidade entre as variantes em concorrência, ou se há mudança em progresso, em que uma das variantes está ganhando a competição, e, neste caso, quais as tendências de uma possível mudança lingüística. Quando estamos diante de formas diferentes competindo por uma mesma função, é natural que essas formas se rejeitem mutuamente. Esta situação não parece nem econômica, nem funcional para a língua, pois não precisamos ter mais de uma forma, no mesmo contexto, dizendo a mesma coisa.

Para Labov (2003 [1969]), em qualquer lugar a língua está em processo de mudança, já que há tendência para novas formas serem adotadas por um grupo social e gradualmente espalharem-se a outros grupos. O autor afirma que o valor atribuído à forma é derivado dos valores associados com o grupo que a introduziu.

De acordo com WLH (1968), “nem toda variabilidade e heterogeneidade na estrutura lingüística implica mudança; mas toda mudança implica variabilidade e heterogeneidade”38, e são os fatores sociais, principalmente o fator idade, que nos permitem verificar os indícios de mudança em tempo aparente, assim como a investigação em períodos diferentes de tempo nos permite verificar os indícios de mudança em tempo real.

Naro (1992), ao tratar de mudança lingüística em tempo aparente, ressalta alguns aspectos interessantes. Inicialmente, o autor evidencia a posição clássica (aceita desde gerativistas até sociolingüistas), que postula que o processo de aquisição da linguagem se encerra aproximadamente no início da puberdade e, a partir daí, a língua do indivíduo fica estável. Partindo dessa hipótese, Naro revela que o estado atual da língua de um falante adulto reflete o estado da língua adquirida quando tinha mais ou menos 15 anos. Desse modo, a fala de uma pessoa de 70 anos, pertencente a um corpus gravado em 1990, representaria o estado da língua adquirida em 1935.

Estudos desse tipo, segundo o autor, revelam um padrão quase linear da mudança lingüística em progresso, com as pessoas mais velhas preferindo uma forma mais conservadora, os mais jovens a forma inovadora e os de meia-idade usando ambas

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as formas, confirmando, assim, o postulado fundamental da hipótese clássica do relacionamento entre mudança e idade, em que “o processo da mudança se espelha na fala das sucessivas faixas etárias” (NARO, 1992, p.84).

Naro aponta que, apesar de interessante, a hipótese clássica esconde algumas dificuldades: primeiro o fato de nem toda variação na fala representar mudança em progresso na língua e, também, o fato de a variação estável assim como a mudança em progresso poderem depender da faixa etária do falante. No caso de variação estável, segundo o autor, não costuma aparecer o padrão quase linear, mas um padrão curvilinear, com os jovens e os velhos apresentando comportamento semelhante em contraste com os de meia-idade. Desta forma, há evidências de que o falante muda sua língua no decorrer dos anos, diferentemente do que a hipótese clássica prevê: a existência da estabilidade na língua depois da puberdade.

Em relação à questão: “qual a posição certa?”, Naro coloca que “a base empírica da hipótese clássica se encontra bastante enfraquecida atualmente” (1992, p.84). Revela, ainda, que os estudos devem contemplar as mudanças em tempo aparente relacionadas a mudanças em tempo real, pois “os dois padrões existem lado a lado” (1992, p.85).

Os estudos em tempo real podem recorrer a estágios anteriores da língua ou ainda investigar amostras de fala da mesma comunidade (estudo do tipo “tendência”) ou do mesmo indivíduo em tempos diferentes (estudo do tipo “painel”).

Paiva e Duarte (2003) evidenciam que o estudo da mudança em tempo real não está isento de problemas. Um deles refere-se ao fato de a amostra selecionada pelo pesquisador não ser representativa da comunidade de fala daquela época, já que se recorre a textos escritos, pois não se tem acesso a falantes de tais épocas. Apontam ainda que, muitas vezes, algumas formas são preservadas nos textos escritos, embora já não sejam mais usadas na fala.

No que se refere ao presente estudo, recorreremos a estágios anteriores da língua a partir de uma amostra constituída de peças de teatro dos séculos XIX e XX, o que nos permitirá identificar o percurso da concordância verbal através desses séculos. Acreditamos que, no caso das peças de teatro, o problema apontado por Paiva e Duarte (2003) seja, talvez, amenizado, pois algumas peças do PB, por exemplo, não foram editadas e, por isso, não passaram por um processo criterioso de revisão e também pela característica deste gênero textual, que, embora escrito, pretende representar a fala de personagens, sendo, portanto, no que diz respeito aos diálogos, mais informal.

No que tange à investigação com dados atuais, como apresentamos no capítulo I, seção 1.2.3, nossas hipóteses em relação às duas faixas etárias a serem controladas, jovens e velhos, relaciona-se à diazonalidade. Esperamos que os jovens da zona não urbana preservem mais as marcas de CV do que os velhos desta mesma zona. Já no que se refere à zona urbana, acreditamos que os mais velhos preservem mais a CV.

Em relação aos dados de outras épocas, acreditamos que encontraremos indícios de mudança do século XIX para o século XX nos casos de marcação da concordância com sujeito posposto ao verbo. Esperamos que, no século XIX, haja freqüência maior de concordância nestes casos, em função da maior recorrência de sujeito posposto naquele período, como atestam os dados de Berlinck (1988) e de Coelho (2006). À medida que a ordem anteposta vai se enrijecendo, o que acontece no século XX, o sujeito posposto passa a ser encarado pelos falantes como objeto (cf. PONTES, 1986), havendo assim menos marcação da concordância nos verbos.

Esperamos que o padrão referente à variação e mudança com dados atuais e com dados de outras épocas seja encontrado tanto no PB quanto no PE, no entanto, com diferenças percentuais, com a variedade européia mostrando-se mais conservadora, tendendo ao uso percentualmente maior de marcas explícitas de concordância.

Como Paiva e Duarte (2006, p.139) apontam “na proposta de WLH, a mudança é entendida como uma conseqüência inevitável da dinâmica interna das línguas naturais”. Dada a importância da investigação da mudança lingüística nos trabalhos variacionistas, pretendemos, nesta pesquisa, contemplar a discussão dos problemas de restrição, de transição, de encaixamento e de avaliação, levantados por WLH (1968).

O problema da restrição busca, de acordo com os autores, “determinar o conjunto de mudanças possíveis e condições possíveis para a mudança”39. Para darmos conta deste problema, levantamos grupos de fatores lingüísticos e extralingüísticos que possam estar favorecendo ou restringindo a mudança na concordância verbal de terceira pessoa do plural.

Já o problema de transição é definido pelos autores como a “trilha pela qual uma mudança lingüística está caminhando para se completar”40. No caso do nosso estudo, procuraremos definir o percurso das variantes da concordância verbal dentro da estrutura lingüística e dentro da sociedade.

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Tradução de Bagno (op. cit., p.121) 40

Dentro da estrutura lingüística, acreditamos que a queda da nasal fonêmica está levando à queda da nasal morfêmica, mudança por difusão lexical. Quanto ao percurso das variantes dentro da sociedade, procuraremos investigar tal percurso associado às diferentes faixas etárias dos informantes que fazem parte da amostra da pesquisa, às épocas distintas a serem controladas e às comunidades urbana e não urbana.

Em relação ao problema de encaixamento, WLH (1968) levantam uma questão fundamental para a teoria da variação e mudança lingüística

como as mudanças observadas estão encaixadas na matriz de concomitantes lingüísticos e extralingüísticos das formas em questão? (ou seja, que outras mudanças estão associadas a determinadas mudanças de um modo que não pode ser atribuído ao acaso?)41.

Os autores evidenciam que as mudanças lingüísticas estão encaixadas no sistema lingüístico, portanto, não se dão de forma isolada; ao contrário, para serem compreendidas, há que se considerar sua inserção no sistema lingüístico que afetam. Assim sendo, procuraremos observar o encaixamento do fenômeno da concordância verbal, a ser investigado, e sua relação com outros fenômenos variáveis que vêm sendo apontados como interrelacionados no que se refere ao encaixamento do PB (cf. PAIVA e DUARTE, 2006). O que pretendemos discutir é se a não-marcação da concordância verbal de terceira pessoa do plural tem levado a um maior preenchimento do sujeito, ambos influenciados pela fixação da ordem SV.

Por fim, no que se refere ao problema de avaliação, WLH (1968) apontam que “o nível de consciência social é uma propriedade importante da mudança lingüística que tem de ser determinada diretamente”42. Para abordar tal problema, elaboramos um teste de atitude/avaliação43 a respeito do fenômeno investigado para observarmos a significação social que a variação na concordância verbal de terceira pessoa do plural tem na consciência dos falantes. A partir deste instrumento, pretendemos relacionar a avaliação subjetiva dos falantes com o processo de mudança do fenômeno em questão.

Os problemas aqui levantados serão retomados e discutidos no capítulo IV, seção 4.3.

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Tradução de Bagno (op. cit., p.36). 42

Tradução de Bagno (op. cit., p.124). 43

2.2 Dialetologia Pluridimensional

Dans le document Conseil du 24 janvier 2020 (Page 79-90)