6.4 Gestion de l’algorithmique de bas niveau
6.4.5 Bilan sur le choix du mode de gestion
Assim como Cidadania, Participação é uma categoria bastante discutida nos trabalhos referentes às rádios escolares. Ainda que a pesquisa não tenha como temática principal a participação, essa é sempre uma questão que aparece nas discussões, ainda que tangencialmente.
Gomes (2013) buscou verificar o potencial das rádios escolares a partir da participação dos estudantes, levando em conta as hierarquias e relações de poder constituídas no espaço escolar como partícipes relevantes no processo. A autora verificou que a disponibilidade dos
equipamentos, por si só, não assegura a motivação e o desenvolvimento de práticas participativas e autônomas. Embora a mediação de professores/monitores seja importante, é necessário que haja uma revisão dos modelos educacionais autoritários via formação continuada e que os responsáveis pela condução das atividades se comprometam com o desenvolvimento de práticas que priorizem o diálogo e a relação horizontalizada professor- aluno.
Nas duas escolas públicas a pesquisadora conclui que a participação dos estudantes nas radioescolas se dá de forma limitada. Da gestão à avaliação dos programas veiculados, o controle e o direcionamento seguem todas as etapas do processo. Assim, a demarcação autoritária da atuação dos professores nas atividades das rádios limita a autonomia dos estudantes, afetando o seu desenvolvimento enquanto sujeitos nesse processo.
A autora chegou a publicar os resultados parciais de sua pesquisa em formato de artigo no GP Interfaces Comunicacionais, no XIII Encontro dos Grupos de Pesquisas em Comunicação, evento componente do XXXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom – 2013).
Ainda em 2013, outra dissertação foi desenvolvida a partir desse eixo temático, trazendo à discussão categorias como: revolução molecular, micropolítica, máquina desejante e agenciamentos coletivos. Natividade (2013) analisou a potência política presente no acesso aos meios de comunicação midiáticos a partir de uma rádio escola como proposta de mídia alternativa. Seu estudo buscou verificar como a Rádio Morro das Pedras, gestada numa escola da comunidade, produz sentido nos sujeitos envolvidos nos processos de produção e recepção. Por final, a autora concluiu que as potencialidades da rádio são reais no sentido de funcionar como um agente mobilizador de transformação social com relação à expressão dos sujeitos envolvidos; no entanto, esse objetivo só se cumpre tangencialmente, visto que os estudantes não atuam, de fato, como enunciadores. O que ocorre é um agenciamento do desejo, uma vontade consciente de fazer daquele espaço um lugar de participação coletiva. Entretanto, os limites são muitos: carência de treinamento para operar os equipamentos, ausência de um plano pedagógico voltado para as atividades radiofônicas, de conhecimento necessário sobre o potencial de uma rádio “livre”, carência de tempo e organização para desenvolver satisfatoriamente a proposta.
A pesquisa de Oliveira (2014) assemelha-se ao trabalho desenvolvido por Gomes (2013), cuja problematização centra-se na participação dos estudantes em atividades radiofônicas num ambiente escolar marcado por autoritarismos. A pesquisadora traz uma análise das relações de poder que envolvem o projeto de rádio numa escola pública e conclui
que, na realidade investigada, a promoção de autonomia participativa não acontece e as relações entre os diferentes agentes da comunidade escolar se apresentam de forma bastante conflituosa e verticalizada.
Em Porton (2014) a participação foi investigada a partir da construção de ecossistemas comunicativos8 utilizando a linguagem radiofônica. Para isso, a pesquisadora estabeleceu uma
pesquisa-ação em escola pública com o objetivo de promover, por meio de oficinas, um espaço para a vivência coletiva, a reflexão e a participação geradora de aprendizagem. Além de descrever tais atividades, a autora destaca os canais de comunicação que partiram e se ramificaram através da rádio, como: a criação do site da rádio, do e-mail e até mesmo o conteúdo do mural da escola. Segundo Porton (2014), a rádio apresentou muitas possibilidades para o desenvolvimento de ecossistemas comunicativos, “promovendo a participação de forma ativa, autônoma (...) favorecendo as relações dialógicas e transformando as informações em conhecimentos sistematizados”. (p. 173).
A categoria Participação foi discutida por De Souza (2016) a partir do conceito de protagonismo, cuja questão central foi perceber como a rádio escolar pode contribuir para que o jovem se torne protagonista em seu espaço. O autor identificou que a prática pedagógica educomunicativa promove o desenvolvimento do estudante no que concerne a sua oralidade, expressão, imaginação, senso crítico e concluiu que, no fazer comunicativo, a rádio proporciona o diálogo com a comunidade, desperta a participação, a cidadania e favorece a resolução de problemas. Quanto ao protagonismo, o jovem atua a partir do que sente e de como percebe a realidade, desde que haja diretividade. Essa condição, no entanto, não implica inibir as iniciativas dos agentes envolvidos, mas estimular exercícios que gerem confiança, autodeterminação e autonomia.
Assim como no eixo Rádio Escolar e Cidadania, os resultados e entraves no quesito participação não mostraram tantas diferenças. O método da pesquisa-ação apresentou-se como um fator importante e decisivo para as experiências que produziram bons resultados, posto que tal metodologia permite ao investigador mediar etapas de desenvolvimento das atividades da rádio, bem como fazer o processo ocorrer, na prática, da forma mais próxima do ideal teórico. Ainda assim, nos processos de observação participante, as investigações demonstraram que políticas públicas educacionais mal implementadas afetam o curso das atividades, principalmente com a ausência ou despreparo de monitores, em que as relações de poder existentes no contexto escolar, desdobradas em controle e autoritarismo impedem
8Conceito proposto por Martín-Barbero (1996) e reelaborado por Soares (2011) como um ideal de relações e diálogos construídos coletivamente mediante estratégias que se utilizam, inclusive, dos meios de comunicação.
práticas dialógicas, horizontalizadas e protagonistas, limitando a participação efetiva dos estudantes. Dessa forma, a participação que a rádio escolar poderia então promover, cumpre- se apenas parcialmente.