• Aucun résultat trouvé

EUCALIPTO

Resumo:

Muitos estudos relacionados ao melhoramento de espécies florestais têm demostrado que as interações entre materiais genéticos e diferentes ambientes possuem respostas diferenciadas às condições ambientais. Nesse sentido, existe a necessidade de conhecer o comportamento das propriedades da madeira formada em diferentes condições de crescimento e verificar se tais propriedades possuem interação do genótipo x ambiente. O objetivo do presente estudo foi avaliar o efeito de ambientes contrastantes de crescimento nas propriedades anatômicas e químicas da madeira de clones de Eucalyptus

grandis x Eucalyptus urophylla. Para determinação da densidade básica da

madeira, foi retirado um disco na altura do DAP (diâmetro a altura do peito) de cada árvore amostrada. As árvores foram coletadas em duas regiões com características edafoclimáticas distintas proveniente de 20 materiais genéticos diferentes. Foram coletadas 100 árvores na localidade de Montezuma, cidade situada ao norte do estado de Minas Gerais (938 m de altitude e 570 mm de precipitação) e outras 100 árvores provenientes de Nova Almeida, Serra, localizada na região litorânea do estado do Espírito Santo (90 m de altitude e precipitação média de 1267 mm). Para todos as árvores, realizou-se a cubagem rigorosa pelo método de Smalian, determinando o volume com casca e sem casca. A quantificação dos teores de casca foi feita pela diferença entre o volume com casca e o volume sem casca e o cálculo do Incremento Médio Anual ao final de 7 anos, foi feito considerando o espaçamento de plantio de 3 x 3m. O experimento foi conduzido em delineamento em blocos ao acaso, com arranjo fatorial de 2 x 20 e cinco repetições. Foi realizado o teste t Student para verificar a diferença dos valores médios das variáveis entre os dois locais estudados. E para verificar a existência do efeito da interação clone x local nas variáveis estudadas, realizou-se a ANOVA usando o teste F (p ≤ 0,05). Para as variáveis em que a interação foi verificada, procedeu-se a análise de estabilidade e adaptabilidade dos clones utilizando o software Selegen.

Foi possível observar diferenças entre os locais de crescimento para

Palavras-chave: teste clonal de eucalipto, incremento médio anual, percentual de casca, genótipo x ambiente, plasticidade.

1. INTRODUÇÃO

A maioria das plantações de eucalipto tem seu crescimento limitado pela água da chuva e a identificação de correlações entre condições climáticas e incremento radial é importante para manejo das plantações de eucalipto. Em estudo realizado por Melesse e Zewotir (2013) na África do Sul com o objetivo de determinar os fatores climáticos que influenciam o crescimento radial de híbridos de eucalipto durante o período juvenil das árvores (os primeiros 2 anos de idade). Os autores puderam concluir que a as variáveis climáticas, em conjunto com a idade da árvore, explicaram 79% do comportamento radial.

Uma característica que faz desse gênero ser amplamente empregado é a amplitude de sua densidade básica (REMADE, 2003), o que torna as madeiras do gênero Eucalyptus uma grande fonte de matéria-prima para diversas indústrias de base florestal, especialmente, as indústrias de celulose e papel. A densidade da madeira apresenta uma grande variabilidade natural, sendo dependente das condições ambientais que a madeira é formada, ou seja, seu ritmo de crescimento é influenciado pela qualidade do local e condições ambientais (MITCHELL, 1958). Essa variável é uma importante na estimativa das propriedades da madeira, uma que vez que possui uma boa correlação com as outras características tecnológicas. Tão importante quanto o crescimento em volume, a densidade básica pode limitar a escolha do material genético de acordo com a finalidade do uso (RIBEIRO e ZANI FILHO, 1993).

Na indústria madeireira vários são os fatores inerentes a produção de madeira que a torna mais ou menos adequada para o processo. Sua adequação ao processo pode ser influencia pelos percentuais de casca, cerne e alburno presentes no fuste das árvores. A porcentagem de casca, por exemplo, é considerada importante do ponto de vista florestal e industrial, podendo-se superestimar a produtividade na análise dos fustes de plantações florestais (OLIVEIRA et al., 1999).

Em pesquisa realizada com os melhores clones de Eucalyptus cultivados no Brasil demonstrou a elevada produtividade da eucaliptocultura nacional, tendo 20% dos clones atingido IMA (incremento médio anual) igual ou superior

a 50 m³haano-1 e 70% dos clones apresentaram incrementos acima de 40

m³haano-1 (GOMIDE et al., 2005).

Assis e Mafia (2007) relatam que espécies resistentes à deficiência hídrica apresentam baixo crescimento, uma vez que sua dinâmica estomática, de alta sensibilidade à temperatura e umidade ar e do solo, favorece a economia de água, prejudicando o crescimento em momentos hídricos favoráveis. Além disso, suas folhas também apresentam disposição que desfavorece a interceptação de luz e consequentemente, a fotossíntese.

Dentre os fatores que influenciam o crescimento das árvores de eucalipto, pode-se destacar aqueles relacionados à precipitação, temperatura e os de cunho nutricional. Quando algum desses se comporta de maneira inesperada ou inadequada, a planta poderá responder negativamente, refletindo no seu crescimento, geralmente, na forma de um estresse fisiológico. Esse tipo de estresse é definido como sendo um desvio significativo das condições ambientais ótimas para a vida da planta, sendo um fator externo que exerce influência desvantajosa na planta, pois induz mudanças e respostas em todos os níveis funcionais do organismo, os quais são reversíveis a princípio, mas podem se tornar permanente (LARCHER, 2000; TAIZ e ZEIGER, 2002).

Plantas sob déficit hídrico severo e contínuo, geralmente apresentam crescimento reduzido, podendo ocorrer injúrias irreversíveis, que geralmente, ocasiona danos ao sistema radicular, o que irá comprometer a translocação de seiva, podendo até destruir o interior das árvores (BERTI FILHO, 1993). Em plantas lenhosas a tensão da água afeta muitos processos mediados por enzimas, como por exemplo, a respiração, que geralmente é reduzida sob estresse hídrico severo, embora possa haver um aumento transitório sob estresse leve. Outro fator importante causado pelo estresse hídrico é que este afeta o metabolismo de carboidratos e suas vias de utilização. Durante a seca, as concentrações de açúcar podem aumentar em folhas e raízes, elevando assim os níveis de açúcar associados com o ajuste osmótico de tecido de plantas (KOZLOWSKI e PALLARDY,1997).

A combinação de espécies que crescem muito, mas pouco resistentes à seca, com espécies resistentes à seca, mas que apresentam incrementos volumétricos superiores aos de seus genitores mais resistentes ao déficit hídrico. A seleção de clones híbridos resistentes à seca tem sido feita de forma indireta.

Normalmente, desenvolve-se todo o programa de seleção de genitores e de indivíduos para clonagem em locais de maior precipitação. Somente após a clonagem, os indivíduos selecionados com base em outras características são avaliados em áreas sujeitas à seca (ASSIS e MAFIA, 2007).

Rodrigues (2013) estudou um clone de eucalipto que depois de alguns anos sendo plantado no Sul da Bahia, apresentou distúrbio de crescimento, com uma parte do talhão mais e outra menos afetada. A madeira do plantio foi analisada (maior e menor estresse de crescimento) e o autor pode concluir, de maneira geral, que apesar das árvores não diferirem nos valores de densidade básica, os indivíduos com maior grau de estresse além produzirem menor volume, também apresentaram maiores teores de lignina e extrativos. Essa diferença refletiu nas variáveis de polpação, uma vez que as árvores com maior grau de estresse consumiram mais químicos durante a polpação, apresentaram menor rendimento depurado e consequentemente maior consumo específico.

Sem dúvidas, o déficit hídrico pode ser apontado como um dos fatores abióticos mais importantes, juntamente com outras variáveis edafoclimáticas, nas florestas plantadas de eucalipto, uma vez que afeta diretamente o crescimento e produtividade. Sendo a seleção de genótipos toleráveis, uma alternativa para contornar tal problema. Dessa maneira, o presente estudo teve por objetivo avaliar o efeito de ambientes contrastante de crescimento na produção e na densidade da madeira.

3. MATERIAL E MÉTODOS

3.1. Áreas de estudo

O material genético utilizado no estudo proveio de um teste clonal de híbridos clonais de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla pertencente a empresa Fibria Celulose S. A. Por meio dos testes clonais, é possível identificar quais os melhores clones em termos de produtividade no campo, considerando as diferentes condições de solo (unidades de manejo) existentes, assim como em termos de adequação industrial, com base na qualidade da madeira.

O experimento foi realizado em Nova Almeida, no município de Serra, região litorânea do estado do Espírito Santo (20° 05' 51'' S, 40° 16' 58'' W, com 90 metros de altitude e precipitação pluviométrica média de 1267 mm) e em Montezuma, norte do estado de Minas Gerais (15º 8' 35,2'' S, 42º 22' 55,2'' W, a 938 metros de altitude e precipitação pluviométrica média de 570 mm). O experimento foi implantado em outubro de 2007, com espaçamento 3 m x 3 m, com 339 clones em delineamento látice.

De acordo com a classificação de solo da empresa, a localidade de Nova Almeida – ES possui solo classificado como argissolo amarelo distrófico textura média/argilosa e relevo suavemente ondulado. Ao passo que em Montezuma – MG o solo classificado como argiloso e relevo plano (LOPES, 2009). Essas áreas foram selecionadas para o presente estudo por apresentarem significativas diferenças relacionadas a precipitação, temperatura (amplitude térmica), altitude, solo e relevo (Figura 1).

Figura 1. Localização da área de estudo.

Para caracterização da área de estudo foram levantados os dados de precipitação para construção de gráficos com a distribuição da precipitação para as duas localidades do estudo, desde a implantação do povoamento até a coleta das árvores para estudo, aos 7 anos de idade.

A distribuição da precipitação e temperatura para os dois locais de estudo (Nova Almeida - ES e Montezuma - MG) pode ser observada na Figura 2 e 3.

Figura 2. Valores de precipitação mensal – Precipitação (mm), temperatura máxima (ºC), temperatura média (ºC) e temperatura mínima (ºC) para Nova Almeida – ES.

Figura 3. Valores de precipitação mensal – Precipitação (mm), temperatura máxima (ºC), temperatura média (ºC) e temperatura mínima (ºC) para Montezuma – MG.

Para melhor caracterização das áreas de coleta, foram realizados a distribuição da precipitação, da temperatura e do déficit hídrico ao longo dos meses do ano. Nas Figuras 4 e 5 são ilustrados os gráficos de distribuição para precipitação, temperatura e déficit hídrico.

0 5 10 15 20 25 30 35 0 100 200 300 400 500 600 J M M J S N J M M J S N J M M J S N J M M J S N J M M J S N J M M J S N J M M J S N 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

Precipitação Temperatura Máxima Temperatura Média Temperatura Mínima

0 5 10 15 20 25 30 35 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 J M M J S N J M M J S N J M M J S N J M M J S N J M M J S N J M M J S N J M M J S N 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014

Figura 4. Distribuição média da precipitação, temperatura e déficit hídrico para os meses do ano para localidade de Nova Almeida – ES

Figura 5. Distribuição média da precipitação, temperatura e déficit hídrico para os meses do ano para localidade de Montezuma – MG.

3.2. Amostragem

De posse dos 339 materiais genéticos e do último inventário realizado pela empresa, foi realizado o ranqueamento dos mesmos utilizando o DAP (variável de crescimento) como variável de seleção. Com o objetivo de verificar a influência dos ambientes contrastantes nas propriedades da madeira, foram selecionados e coletados os 10 clones em Nova Almeida – ES e os mesmos clones foram coletados em Montezuma – MG (não estavam necessariamente nos 10 primeiros no ranqueamento). O mesmo foi feito para a localidade de

Montezuma – MG, onde também foram selecionados os 10 melhores clones e os mesmos clones foram coletados em Montezuma – MG em Nova Almeida – ES, totalizando assim 20 materiais genéticos. Para cada clone, foram selecionadas e coletadas 5 árvores (repetições) de diâmetro médio, totalizando, 100 árvores para cada localidade de estudo.

3.3. Variáveis dendrométricas das árvores

Foram tomadas medidas do Diâmetro a altura do peito (DAP, 1,30m do solo) de cada árvore e após a colheita, foram obtidas as Alturas Total (m) e Altura Comercial (m). O volume com e sem casca foi obtido por meio de cubagem rigorosa seguindo o método de Smalian (Equação 1), com as medidas de diâmetro do fuste tomadas nas seguintes posições: base (0%), DAP, 1%, 2%, 3%, 4%, 5%, 10%, 15%, 20%, 25%, 30%, 35%, 40%, 45%, 50%, 55%, 60%, 65%, 70%, 75%, 80%, 85%, 90%, 95% e 100%.

V = (S1+S2

2 ) x L (1)

em que:

V = volume da seção considerada (m³);

S1 = área seccional de uma extremidade da seção (m²); S2 = área secional da outra extremidade da seção (m²) e L = comprimento da seção (m).

Parte da amostragem e da coleta das variáveis dendrométricas em campo pode ser verificada na Figura 6.

Figura 6. Etapas da identificação da árvore a ser coletada, medição das alturas total e comercial e cubagem rigorosa com e sem casca, respectivamente.

A quantificação dos teores de casca foi feita pela diferença entre o volume com casca e o volume sem casca. Após a quantificação do volume sem casca foi realizado o cálculo do Incremento Médio Anual ao final de 7 anos, considerando o espaçamento de plantio de 3 x 3m.

3.4. Densidade Básica

Para determinar a densidade básica de cada árvore, foi utilizada a média das cunhas opostas de um disco de 3 cm retirado na altura do DAP. A densidade básica das cunhas seguiu método da balança hidrostática, preconizado pela Associação Brasileira De Normas Técnicas – ABNT, Norma Brasileira Regulamentadora – NBR 11941 (2003).

Figura 9. Esquema de amostragem utilizado para retirada do disco para determinação da densidade básica.

Figura 10. Cunhas dispostas em laboratório para determinação do volume saturado por meio do método da balança hidrostática.

Para determinação da massa seca será utilizada uma balança de precisão de 0,01g e secagem completa das amostras ocorrerá em estufa de ventilação forçada a uma temperatura de 103 ± 2ºC. E por fim a densidade foi determinada pela razão entre a massa completamente seca da amostra por seu volume saturado.

3.5. Análises Estatísticas

O experimento foi conduzido em delineamento em blocos ao acaso, com arranjo fatorial de 2 x 20 e cinco repetições.

No presente estudo foi o delineamento experimental adotado foi o inteiramente casualizado disposto em arranjo fatorial 2 x 20, tendo como fatores o clone (20 níveis) e o local de crescimento (dois níveis), com cinco repetições. Quando o efeito da interação entre clone x local foi significativa pela análise de variância pelo teste F (p ≤ 0,05), evidenciando a existência de dependência entre os fatores considerados (clone e local), procedeu-se o desdobramento da interação e comparação entre médias pelo teste de Skott – knott (p ≤ 0,05).

Além da análise univariada, os dados das propriedades da madeira, foram submetidos às análises multivariada de componentes principais e de agrupamento. A análise de componentes principais é considerada eficiente para ranquear os materiais quanto as variáveis das propriedades da madeira, e o

método de agrupamento é capaz de estratificar com sucesso os clones pela qualidade da madeira.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Diante dos resultados referentes as medições de volume para estimativa do incremento médio anual (IMA), percentual de casca e densidade básica, todas as alterações ocorridas nesses parâmetros estão relacionadas com as condições edafoclimáticas dos locais de coleta. Fatores estes que influenciam diretamente na produtividade de plantações florestais e como existe um crescimento diferenciado, o mesmo pode acarretar modificações nas propriedades da madeira.

Na Tabela 1 estão os valores médios gerais de IMA, % de casca e de densidade básica para todos os clones os 20 clones estudados, em dois locais de crescimento.

Tabela1. Valores médio para variáveis anatômicas e químicas da madeira de 20 clones de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla aos 7 anos de idade para dois locais de crescimento

Local Variáveis IMA m³/ha/ano Casca (%) Densidade básica g/cm³ NA 87,52* 11,76* 0,45* MTZ 75,37 13,12 0,48

NA: Nova Almeida-ES; MTZ: Montezuma-MG; IMA: incremento médio anual. * - Significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t.

ns - Não significativo a 5% de probabilidade, pelo teste t.

É visível que na região de Nova Almeida, onde os valores médio de precitação são maiores, houve uma maior produtividade de madeira por hectare ao final do ciclo de sete anos. Tal fato é explicado, principalmente pela maior disponibilidade de água para o crescimento da planta e formação da madeira. Tais aspectos, influenciaram nos percentuais de casca e na densidade básica dos locais. Montezuma, localizada em região de ocorrência de déficit hídrico severo, produziu menor quantidade de madeira por hectare devido ao menor crescimento e maior percentual de casca formado. Em contraponto, geral madeira com densidade superior aos clones provenientes de Nova Almeida.

Mesmo resultado final foi encontrado por Fernandes et al. (2011) em híbridos clonais de Eucalyptus aos sete anos de idade, uma maior produtividade de madeira na região com maior média de precipitação.

Tão importante quanto o crescimento em volume, a densidade básica pode limitar a escolha do material genético de acordo com a finalidade do uso (RIBEIRO e ZANI FILHO, 1993). Em outras palavras, por ser considerada uma variável que apresenta correlações com as outras propriedades da madeira, a densidade é considerada uma propriedade que indica a qualidade da madeira para o fim desejado, sendo ainda uma propriedade física herdável e passível de melhoramento genético (LOPES e GARCIA, 2002). A densidade da madeira é influenciada pelos fatores genéticos da espécie e pelos fatores ambientais e pela interação deles. Os fatores ambientais influenciam nas propriedades da madeira, uma vez que estes afetam a taxa de crescimento das espécies lenhosas (RIGATTO et al., 2004). Tal fato é explicado pelas respostas do câmbio vascular na formação da madeira. A taxa de crescimento do câmbio vascular varia de acordo com o genótipo, posição na árvore e condições ambientais (BAILEY, 1952).

Dessa maneira, os resultados de densidade básica aqui apresentados teve influência do local de crescimento. Montezuma, apesar de ter produzido, menor quantidade (volume) de madeira, produziu madeira com densidade básica com média geral superior a de Nova Almeida. Sem dúvidas, tais valores superiores podem afetar a química e consequentemente o processo de produção de celulose. Em linhas gerais, madeiras com menores valores de densidade tendem a ser mais favoráveis à produção de polpa celulósica, uma vez que a necessidade de álcali para cozimento será menor, podendo apresentar melhores valores para rendimento depurado. Queiroz et al. (2004) realizaram um estudo com dois clones de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla com densidades diferentes, o clone A com 0,447 g.cm-3 e um clone B com uma densidade básica

de 0,552 g.cm-3. Os autores puderam concluir que o clone de menor densidade

apesar consumir menos reagentes para seu cozimento apresentou um maior consumo específico de madeira, ao contrário do clone de maior densidade.

Em estudo realizado por Oliveira, et al. (2010) com o objetivo de compara a influência da precipitação sobre um clone de eucalipto, os autores estudaram

a madeira proveniente de duas localidades do estado do Espírito Santo. O clone foi coletado no município de Aracruz onde precipitação média anual foi de 1336, 61mm e no município de Alto Rio Novo, com precipitação de 830,61mm de média anual. Os autores verificaram densidade básica das madeiras foram diferentes, com médias de 480 kg m-3 e 513kg m-3, respectivamente.

Os resultados das análises de estabilidade (MHVG), adaptabilidade (PRVG) e adaptabilidade e estabilidade (MHPRVG) referentes ao IMA, % casca e a densidade básica são apresentados na Tabelas 1, 2 e 3. Para o IMA, os cinco clones mais estáveis (menos contribuem para a interação) foram responsáveis por 7,7005% de ganho na seleção. Já para o percentual de casca, o ordenamento dos cinco primeiros clones representaram um ganho na seleção de 5,0093%. E para a densidade básica, os cinco clones mais estáveis contribuíram com apenas 0,2027% do ganho na seleção. Esse baixo valor pode ser explicado porque a densidade básica é uma variável bastante herdável. Logo, a importância da estimação da densidade básica de eucalipto em um programa de melhoramento, considerando tal característica como a mais importante e representativa da qualidade da madeira e da polpa celulósica deve ser levada em consideração (Wei e Borralho, 1997).

Para as três variáveis estudadas os clones 6084 e 20623 tiveram coincidência no ordenamento, aparecendo como clones mais plásticos na análise de estabilidade das três variáveis.

Tabela 1- Ordenamento da estabilidade de valores genéticos (MHVG), adaptabilidade de valores genéticos (PRVG) e estabilidade e adaptabilidade simultaneamente (MHPRVG) para incremento médio anual (m³/há/ano) dos 20 clones de Eucalyptus grandis x

Eucalyptus urophylla aos 7 anos de idade

Média geral: 81.44375 m³/ha/ano e Ganho com relação à média geral, considerando os 5 primeiros clones: 7.7005%

Estabilidade (MHVG) Adaptabilidade (PRVG) Estabilidade e adaptabilidade (MHPRVG)

Genotipo MHVG Genotipo PRVG PRVG*MG Genotipo MHPRVG MHPRVG*MG

11596 106.5992 11596 1.3144 107.047 11596 1.3123 106.8818 11612 100.2437 11612 1.2367 100.722 11612 1.2321 100.3448 6084 92.5455 6084 1.1559 94.1414 6084 1.1492 93.5934 11595 92.5023 11595 1.1411 92.9322 11595 1.1372 92.614 11479 88.9915 20623 1.1089 90.3125 11479 1.0888 88.6746 20623 88.8153 11479 1.1053 90.0161 20623 1.0845 88.3236 11640 87.0732 11640 1.0884 88.6458 11640 1.0628 86.5581 11649 85.0414 11649 1.0498 85.5008 11649 1.0498 85.5002 6749 84.4334 6749 1.0413 84.8049 6749 1.0385 84.5796 11483 81.716 11483 1.0102 82.2779 11483 1.01 82.2611 11616 78.3144 11616 0.9721 79.1688 11616 0.9702 79.0133 11505 76.091 11505 0.9715 79.1245 11505 0.95 77.3676 6777 73.9461 6777 0.948 77.2098 11509 0.9101 74.1228 11509 73.4516 11598 0.9202 74.9433 6777 0.8973 73.0764 11512 70.4955 11509 0.9121 74.2882 11512 0.8725 71.0628 11569 65.7795 6846 0.879 71.5888 6846 0.8233 67.0512 6846 65.4485 11512 0.8735 71.1386 11569 0.814 66.299 6437 61.8247 11569 0.8148 66.3614 11598 0.7556 61.5365 11598 59.3219 6437 0.8063 65.6714 6437 0.748 60.9235 6866 48.7941 6866 0.6505 52.9799 6866 0.6132 49.9437

Tabela 2- Ordenamento da estabilidade de valores genéticos (MHVG), adaptabilidade de valores genéticos (PRVG) e estabilidade e adaptabilidade simultaneamente (MHPRVG) para percentual de casca (%) dos 20 clones de Eucalyptus grandis x Eucalyptus

urophylla aos 7 anos de idade

Estabilidade (MHVG) Adaptabilidade (PRVG) Estabilidade e adaptabilidade (MHPRVG)

Genotipo MHVG Genotipo PRVG PRVG*MG Genotipo MHPRVG MHPRVG*MG

6777 14.4105 6777 1.1616 14.4461 6777 1.1614 14.444 6749 13.7978 6749 1.1172 13.8947 6749 1.1153 13.8705 11569 13.7329 11569 1.1091 13.7939 11569 1.1031 13.7182 20623 13.4624 20623 1.0851 13.4951 20623 1.0833 13.4724 6084 13.3249 6084 1.0761 13.3834 6084 1.0757 13.3785 11512 13.1979 11512 1.069 13.2944 11512 1.0669 13.2689 11505 12.9961 11505 1.0499 13.0572 11505 1.0437 12.9803 11616 12.9579 11616 1.0443 12.9873 11616 1.0432 12.9737 11612 12.914 11612 1.0408 12.9436 11612 1.0395 12.9282 6846 12.8114 6846 1.0343 12.8631 6846 1.0293 12.8009 11640 12.4978 11640 1.0096 12.5559 11640 1.0037 12.4831 11479 12.0131 11598 0.9787 12.1711 11479 0.97 12.0635 11598 11.9488 11479 0.9705 12.0694 11598 0.9689 12.0498 11649 11.6454 11649 0.9398 11.6874 11649 0.9397 11.6863 11483 11.535 11483 0.933 11.6037 11483 0.932 11.5907 11509 11.2868 11509 0.9181 11.4179 11509 0.9137 11.3633 11596 11.0947 11596 0.8968 11.1535 11596 0.8961 11.1448 6866 10.7718 6866 0.8764 10.8995 6866 0.8721 10.8455 6437 10.5848 6437 0.858 10.6701 6437 0.8559 10.6447 11595 10.3214 11595 0.8318 10.3446 11595 0.831 10.3348

Tabela 3- Ordenamento da estabilidade de valores genéticos (MHVG), adaptabilidade de valores genéticos (PRVG) e estabilidade e adaptabilidade simultaneamente (MHPRVG) para densidade básica (g/cm³) dos 20 clones de Eucalyptus grandis x Eucalyptus

urophylla aos 7 anos de idade

Estabilidade (MHVG) Adaptabilidade (PRVG) Estabilidade e adaptabilidade (MHPRVG)

Genotipo MHVG Genotipo PRVG PRVG*MG Genotipo MHPRVG MHPRVG*MG

6437 0.5151 6437 1.1146 0.5159 6437 1.1144 0.5159 11512 0.5016 11512 1.0845 0.502 11512 1.0845 0.502 11483 0.5 11483 1.0814 0.5006 11483 1.0802 0.5 20623 0.4962 20623 1.0736 0.497 20623 1.0734 0.4969 11505 0.4898 11505 1.0595 0.4905 11505 1.0595 0.4905 6084 0.4835 6084 1.0455 0.484 6084 1.0455 0.4839 6777 0.4779 6777 1.0333 0.4783 6777 1.0333 0.4783 6749 0.4762 6749 1.0305 0.477 6749 1.0304 0.477 11569 0.4713 11569 1.019 0.4717 11569 1.0189 0.4717 6846 0.4699 6846 1.0178 0.4711 6846 1.0171 0.4708 11479 0.461 11479 0.9977 0.4618 11479 0.9975 0.4617 11595 0.4542 11595 0.9821 0.4546 11595 0.982 0.4546 11612 0.4486 11612 0.9699 0.449 11612 0.9697 0.4489 11616 0.4437 11616 0.9594 0.4441 11616 0.9594 0.4441 11509 0.4398 11509 0.9523 0.4408 11509 0.9519 0.4406 11598 0.439 11598 0.9492 0.4394 11598 0.9491 0.4394 11649 0.4372 11649 0.9463 0.438 11649 0.946 0.4379 11596 0.4245 11596 0.9181 0.425 11596 0.9181 0.425 11640 0.4113 11640 0.8894 0.4117 11640 0.8894 0.4117 6866 0.405 6866 0.8757 0.4054 6866 0.8753 0.4052

5. CONCLUSÕES

O local de crescimento teve efeito na produtividade e na densidade básica da madeira.

A interação genótipo x ambiente foi significativa para as três variáveis estudadas.

As análises de estabilidade, adaptabilidade e estabilidade e adaptabilidade foram importantes para identificar clones plásticos e clones específicos para cada variável.

Para entender melhor essa interação, recomenda-se avaliações dos processos fisiológicos das plantas relacionados às mudanças ambientais. Estudos desta natureza podem auxiliar na seleção de genótipos, bem como na definição de estratégias de manejo das áreas cultivadas. Bem como a avaliação