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EL BIENIO 2012-2013, LOGROS PREVISTOS E INDICADORES

Dans le document UNCTAD NACIONES UNIDAS (Page 72-82)

A necessidade de avaliar a habilidade de leitura é de grande importância tanto para identificar alguma ineficácia no processo de aprendizado, quanto para promover uma possível intervenção. No Brasil, inclusive, os números mostram que os níveis de proficiência leitora de crianças no ciclo fundamental têm piorado5.

De acordo com os dados do PISA 2012 (Programme for International Students Assessment), a avaliação educacional mais importante do mundo, o Brasil aumentou o valor investido por aluno anualmente – passou a ser $38,19, equivalente a 42% da média de US$90,29 de investimento feito por estudante em países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)6 – mas não conseguiu obter melhores resultados nos desempenhos dos alunos. O Brasil continua ocupando as piores colocações do ranking nas três áreas avaliadas, que são ciências, leitura (incluindo texto e linguagem) e matemática.

No que diz respeito aos resultados da avaliação de leitura, o Brasil caiu da 55ª posição para 59ª e, os resultados ainda piores, são da avaliação de matemática, já que saiu da 58ª posição para a 65ª. Diante de dados tão preocupantes, o relatório do PISA afirma que o aumento no investimento em educação precisa ser revertido em melhores resultados, já que o Brasil está atrás de países que investem ainda menos, como a Colômbia, o México e o Uruguai, por exemplo. Resultados negativos assim têm muitas

5http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/09/1811210-desempenho-do-ensino-medio-em-

matematica-e-o-pior-desde-2005.shtml

6 Dados retirados da matéria apresentada pela BBC São Paulo em 6 de dezembro de 2016.

de suas causas na ineficiência das estratégias de ensinar utilizadas em sala de aula e também na classe social a qual os alunos pertencem.

De acordo com Salles (2005), no início dos anos 2000 no Brasil não havia normas e testes padronizados para avaliar as habilidades de leitura e escrita de crianças em fase escolar. Isto dava margem para que educadores e professores aferissem apenas intuitivamente o nível de progresso de seus alunos. Contudo, os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN – já apontavam os objetivos a serem alcançados em Língua Portuguesa no ensino fundamental I, dentre eles destacam-se: compreender o sentido nas mensagens orais e escritas e ser capaz de atribuir significado; ler textos de gêneros previstos para este ciclo; utilizar a linguagem oral com eficácia, ao ponto de adequá-la às situações comunicativas necessárias; produzir textos escritos coesos e coerentes, considerando o leitor e o objeto da mensagem; escrever textos de gêneros previstos para o ciclo, utilizando escrita alfabética e considerando os aspectos ortográficos, dentre outros.

Já no tocante à classe social em que os alunos estão inseridos, Vilhena, Sucena, Castro e Pinheiro (2016) observaram que quanto mais próxima à base da pirâmide social, e somado ao fato de que frequentam escolas públicas brasileiras, mais riscos de não terem sucesso na aprendizagem da leitura estes alunos terão. Para tanto, Vilhena et al. (2016) acreditam que seja importante investir na construção ou até mesmo na adaptação de instrumentos que permitam identificar problemas no aprendizado da leitura para crianças no contexto anteriormente mencionado.

Um instrumento adaptado por Vilhena et al. (2016) foi o Lecture 3 (doravante L3), um teste proposto por Lobrot7 capaz de medir habilidades básicas de leitura, como a compreensão e o reconhecimento de palavras em crianças entre 7 e 13 anos. O teste em questão é dividido em quatro partes: (1) leitura em voz alta de um texto curto; (2) leitura silenciosa de palavras soltas seguida de uma associação semântica; (3) leitura silenciosa de frases incompletas e, (4) leitura silenciosa de um texto longo seguida de uma série de perguntas.

7 Teste originalmente desenvolvido em francês e pertencente à bateria ORLEC, que se refere às sílabas

iniciais das palavras em inglês ORtographe e LECture. É uma ferramenta utilizada em contextos educacionais e de pesquisa em países francófonos e em Portugal (VILHENA et al., 2016).

O teste L3 pode ser aplicado tanto para grupos ou individualmente e o nível de dificuldade aumenta de forma gradual ao longo de seus 40 itens. Para cada item há cinco alternativas, mas somente uma está correta, as demais são distratores que possuem aspectos fonológicos, ortográficos ou semânticos semelhantes à resposta correta. No início do teste os quatro primeiros itens são apenas para demonstrar como acontecerá todo o restante, e a resposta e os demais procedimentos são apresentados à criança para que ela possa da continuidade sozinha.

Segundo Vilhena et al. (2016), a maior parte dos alunos do 2º ano do ensino fundamental não leem com a devida fluência, eles ainda precisam de mediação fonológica para a leitura. Assim, na tentativa de distinguir as crianças que podem estar em risco de desenvolver transtorno de leitura das crianças que não correm o mesmo risco, Vilhena et al. (2016) desenvolveram o TELCS (Teste de Leitura: Compreensão de Sentenças) a partir do L3,considerando as normas internacionais para tradução e adaptação de testes.

A devida adaptação do teste incluiu desenvolver distratores que possuíssem as mesmas características do teste original e controlar as variáveis que surgem em virtude das traduções. A partir daí foi possível verificar efeitos robustos da escolarização e da idade, com correlações significativas em todos os testes usados para medir habilidades cognitivas gerais e de leitura.

Atualmente, dentre os instrumentos apresentados para a aferência da habilidade leitora, a Provinha Brasil tem destaque por ser elaborada pelo Ministério da Educação e ter sua aplicação programada para os anos iniciais do ensino fundamental I.É um instrumento importante para direcionar as atitudes da escola frente ao resultado obtido, com objetivo de orientar as ações dos professores.

Andrade e Araújo (2013) explicam que a Provinha Brasil, sendo elaborada pelo MEC, é um exemplo claro de que a avaliação é controlada pelo Estado, já que a escola fica à mercê desta forma unificada de avaliar em larga escala e isso pode influenciar no trabalho realizado pela escola. Segundo as autoras, os materiais didáticos e as disseminações de crenças e valores, por exemplo, podem ser influenciados em virtude uma avaliação tão ampla, que serve para todo o país.

A Provinha Brasil é aplicada no início e ao fim do 2º ano do ensino fundamental, para que, segundo as gestões das escolas que observamos, seja possível diagnosticar de forma mais precisa o que foi agregado à aprendizagem das crianças. Ela não é um instrumento de avaliação com finalidade classificatória e, de acordo com a portaria normativa que a instituiu (PORTARIA NORMATIVA Nº 10 de 24/04/2007), os objetivos da Provinha Brasil são: avaliar o nível de alfabetização dos educandos nos anos iniciais do ensino fundamental 1 e; diagnosticar possíveis insuficiências das habilidades de leitura e escrita. Aproximadamente 20 dias após a aplicação da prova, as escolas recebem os resultados que podem guiar as ações e planejamentos até a nova aplicação que acontecerá ao fim do mesmo ano letivo.

Outro instrumento importante para aferência da habilidade leitora é a bateria de testes criada por Saraiva, Moojen e Munarski (2009). Segundo as autoras, avaliar a capacidade de ler é uma tarefa difícil devido à subjetividade envolvida nesta ação e também devido à escolha de bons textos.

Para a elaboração da bateria de testes, Saraiva et al. (2009) evitaram histórias culturalmente consagradas como fábulas, lendas ou contos de fada para que não interferissem no diagnóstico dos alunos. Desta forma, optaram por textos expositivos, que são, em sua maioria, utilizados pela escola por conterem informações que precisam ser aprendidas para as diferentes disciplinas do currículo escolar e contribuem para a

aprendizagem de informações novas sobre o mundo.

Os textos utilizados por Saraiva et al. (2009) possuem uma organização global, também denominada superestrutura. De acordo com elas, o leitor que for capaz de percebê-la será capaz de antecipar o conteúdo e criar um esquema mental sobre o que o texto retrata. Nesta bateria de testes, os textos são sugeridos para séries específicas, mas isso não significa que não possam ser utilizados por alunos de outros anos. Eles são acompanhados de ilustrações que podem ser úteis para acionar o conhecimento prévio do aluno e, além disso, também há uma estrutura de perguntas orientadoras para auxiliar a avaliação da compreensão.

A seguir, discutimos o caso da leitura que não se desenvolve como esperado em crianças mesmo quando todo o contexto parece favorável e não há fatores biológicos que impeçam o aprendizado.

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