Os meios humanos foram especialmente preparados para o emprego no
programa Ronda do Quarteirão. Para tanto foram selecionados mil candidatos
durante três meses de preparação segundo a filosofia de polícia comunitária. A idéia
era a de que todos os recém formados, vestidos com um novo uniforme, formassem
o novo conceito da polícia cearense. A eles foi imposta uma escala de serviço
composta de oito horas diárias de serviço durante seis dias consecutivos por um dia
de folga. Assim, foi concebido o turno “A” das 06 às 14 horas, o turno “B” das 14 às
22 horas e o turno “C” das 22 às 06 horas em ciclos ininterruptos com a participação
dos chamados “folguistas”, os quais complementariam os serviços nos diferentes
turnos nos dias da folga semanal dos que concorriam aos turnos “A”, “B” e “C”. Para
estimular estes jovens policias foi criada uma gratificação financeira para os
integrantes do Programa Ronda, nesta perspectiva, quem trabalhasse nos turnos “A”
e “B”, perceberiam o adicional de R$ 353,80 (trezentos e cinqüenta e três Reais e
treze centavos) em suas remunerações mensais. O mesmo acontecendo com os
“folguistas”, estes fariam jus a 480,00 (quatrocentos e oitenta Reais) já que
concorriam, alternadamente, às escalas dos três turnos de serviço. Os que
optassem pelo turno “C”, o “corujão”, teriam o acréscimo salarial de R$ 737,00
(setecentos e trinta e sete Reais). No mesmo molde do que foi estipulado para
os policiais militares empregados no Programa Ronda do Quarteirão foi facultada a
mesma gratificação extensiva aos demais integrantes do serviço operacional da
Polícia Militar do Ceará, bem como a confecção de novas peças de uniformes,
embora de cor e modelo diferentes dos “homens do ronda”.
Esta carga de serviço linear, isto é, não faz qualquer distinção hierárquica
e sim, financeira, de acordo com o turno trabalhado do coronel ao soldado PM. Tem
caráter proporcional de acordo com os dias realmente trabalhados, isto quer dizer se
o policial militar for afastado dos serviços por qualquer motivo como férias, doença,
contrair núpcias ou até mesmo ser ferido em serviço, ele deixa de percebê-la. Esta
imposição governamental encontrou resistências principalmente em relação a quem
trabalha no turno “C”, das 22 às 06 horas, durante 6 (seis) dias consecutivos o que
afeta sobremaneira a vida social de qualquer pessoa e não podia ser diferente em
relação aos profissionais da segurança pública. Estes argumentos provocaram uma
audiência pública na Assembléia Legislativa do Ceará, onde houve manifestação
dos policiais militares inclusive ao vaiar o Secretário da SSPDS, foi um momento
inusitado e sido contornado graças a intervenção de alguns parlamentares da “Casa
do Povo” cearense. O impasse foi adiado no acerto de que tal pendenga seria
resolvida no prazo de 180 (cento e oitenta) dias. Este acordo foi legalizado através
da publicação do artigo 5º da Lei 14.113, de 12 de maio de 2008, nos seguintes
termos: “o Poder Executivo encaminhará Projeto de Lei, no prazo de 180 (cento e
oitenta) dias, dispondo sobre o Regime de Trabalho Semanal dos militares da Polícia
Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará”. No entanto, não houve até o início
do mês de agosto de 2009 a regulamentação deste preceito legal.
A excelência do Programa Ronda do Quarteirão é definida em seu lema
como a “polícia da boa vizinhança” e para tanto o mais importante é a aproximação
dos policiais com a comunidade, de forma respeitosa e confiante de ambas as
partes, segundo os preceitos da filosofia de polícia comunitária. Falando em polícia
comunitária se faz necessário definir esta filosofia e para esta necessidade lança-se
mão da teoria de Trajanowicz e Bucquenoux (1999, p. 4), na transcrição a seguir.
É uma filosofia e estratégia organizacional que proporciona uma nova parceria entre a população e a polícia. Baseia-se na premissa de que tanto a polícia quanto a comunidade devem trabalhar juntas para identificar, priorizar e resolver problemas contemporâneos tais como
crime, drogas, medo do crime, desordens físicas e morais, e em geral a decadência do bairro, com o objetivo de melhorar a qualidade geral da vida na área.
Nesta perspectiva é que se vislumbram as práticas e a maneira de
pensar não só dos integrantes do Ronda mas de todos os policiais cearenses, militar
ou civil. Devem os profissionais de segurança pública preocupar-se com os crimes,
sim, mas com maior propriedade enfatizar a mediação dos conflitos sociais e atuar
de forma preventiva na garantia dos direitos fundamentais do ser humano. O
estabelecimento de parcerias é fundamental para o sucesso do programa e a
descentralização de poder deve ser algo a ser compreendido por todos os
segmentos hierárquicos, porque segundo este entendimento o policial mais
importante para alguém que se encontra em alguma dificuldade é exatamente o que
está mais próximo, o que pode de imediato prestar algum tipo de serviço sem
almejar qualquer tipo de reconhecimento e nesta linha de raciocínio se transcreverá
duas frases de autoria desconhecida. “Quem não vive para servir não serve para
viver”. A segunda fala é a de “que as pessoas em aflição rogam a Deus e chamam a
polícia, passado o susto esquecem do primeiro e simplesmente ignoram o segundo.”
Os meios materiais e tecnológicos estão a serviço do homem e não ao
contrário. Quando alguém ver alguma ilustração do Ronda composta dos policiais e
da imponência das novas viaturas da polícia cearense, se o observador focar mais
as pessoas é onde se sobressai a filosofia de polícia comunitária ou se ao contrário,
chamar mais a atenção para a logística, aí a perspectiva é a da polícia reativa.
Ressalte-se ainda que em nenhuma polícia do mundo se estabelece o caráter
puramente comunitário, o atendimento de emergências não pode ser descartado,
pelo contrário ele é fundamental para o apoio dos que realizam o policiamento
comunitário, no entanto a filosofia da polícia comunitária deve ser a estratégia de
qualquer organização policial, no sentido da prestação dos serviços e do respeito
aos direitos humanos.
Os recursos materiais que são incorporados nas novas viaturas da polícia
cearense com propriedade as que são colocadas à disposição do Ronda do
Quarteirão são da marca Toyota, portanto importadas, do modelo Hilux, com tração
nas quatro rodas tipo SUV, que é a abreviatura da língua inglesa de veículo utilitário
esportivo, com câmbio automático, com sensores de estacionamento e abastecidas
com combustível biodiesel, estão entre as mais completas do mercado nacional. São
portanto chamadas de top de linha o que gerou muita controvérsia dentro e fora
do Estado do Ceará. Porém este pesquisador, no ano de 1984, ao ingressar na
Polícia Militar do Ceará, encontrou camionetas do tipo veraneio da marca Chevrolet
e se não há exageros eram compatíveis naquela época com as “hilux” atuais.
As viaturas do Ronda do Quarteirão são chamadas de bases comunitárias
móveis e são realmente muito vistosas e são complementadas com equipamentos
de alta tecnologia como câmera de vídeo, computador de bordo, sistema de
localização através de satélites e de barreira eletrônica que acusa a saída destas
viaturas da área para a qual foi designada. Também as guarnições dispõem de um
telefone para receber chamadas diretas e de um suporte específico da
Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (CIOPS), neste caso, podem
ser acionadas por uma linha direta tarifada ou pelo fone 190. O uniforme é
específico para quem trabalha no Programa Ronda onde existe uma padronização
em que todos utilizam os mesmos equipamentos e armamentos tais como coldres,
pistolas, algemas, coletes balísticos etc.
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[PDF] Programmer en C++ : Expressions, Instructions et Fonctions | Cours informatique
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