7 Haute Ecole pédagogique
13 Service de la culture (SeCu)
13.6 Bibliothèque cantonale et universitaire Directeur: Martin Good
Os valores do potencial hidrogeniônico obtidos nas diferentes nascentes não variaram muito entre os períodos seco e chuvoso, ficando entre 5,0 e 7,0. No entanto os resultados encontrados em algumas nascentes mostraram valores em desacordo com a Resolução CONAMA nº 274 de 2000 que limita o pH aceitável em . Porém, estes resultados são aceitáveis quanto aos padrões de balneabilidade, devido às condições naturais das nascentes, conforme recomenda a referida Resolução.
Os valores registrados também não estão em conformidade com o limite definido para águas de Classe 1 na Resolução CONAMA 357 de 2005, que estabelece o valor entre 6 e 9, exceto nas nascentes 54 e 62 e 78.1 que apresentaram valores de pH de 6,0 a 6,5 conforme ilustrado na Figura 30.
Figura 30. pH das nascentes
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 2 1 4 4 . 1 4 4 . 2 5 4 5 8 6 0 6 1 6 2 7 2 7 3 7 7 7 8 . 1 7 8 . 2 p H Nascentes
pH período chuvoso pH período seco
89
Segundo Hermes & Silva (2002) os valores de pH tendem a ser mais altos quando ocorre a presença de bicarbonatos na água, e quando utilizada para irrigação, pois podem promover a precipitação de cálcio, na forma de carbonato de cálcio, facilitando um suposto processo de sodificação do solo.
De acordo com Feitosa et al (2008) a maioria das águas naturais contém dióxido de carbono e apresentam o pH entre 5,5 e 8,5. Em casos excepcionais, pode variar entre 3 e 11.
Capoane (2011), analisando a qualidade da água e sua relação com o uso da terra em duas pequenas bacias hidrográficas no Rio Grande do Sul, observou que os valores de pH mantiveram na faixa de 6,2 a 7,6, ressaltando que os resultados encontrados conferem as águas dos arroios, em todos os pontos de amostragem e em todas as coletas realizadas, características de classe 1, conforme a Resolução CONAMA nº 357/2005.
No entanto Pereira & Cruz, (2012), em um estudo sazonal da qualidade da água de nascentes na Zona da Mata Pernambucana, encontraram dados significativos nos seus trabalhos, obtendo valores abaixo do limite inferior definido para águas de Classe especial e Classe 1 conforme prevista na Resolução CONAMA nº 357/2005 que estabelece valor mínimo de 6,0, apenas algumas nascentes no período chuvoso tiverem o pH um pouco acima de 6,0.
Cabral (2013), analisando o comportamento dos indicadores de contaminação por efluentes domésticos nas águas do aquífero barreiras – Belém /PA, observou que o comportamento do pH em cada poço por período amostrado apresentou-se relativamente homogêneo, com poucas variação nos índices do pH
.
Entretanto, durante o período chuvoso, os valores de pH foram discretamente mais baixos. Contudo, quando se fez uma comparação temporal, considerando o mesmo período amostrado, observou-se que o período seco apresentou a maior variação.Neste sentido, Branco (1986), ressalta que a medição do pH nos corpos de água é muito importante, uma vez que fornecem inúmeras informações a respeito da qualidade da água. Nas águas naturais a variação destes parâmetros é ocasionada geralmente pelo consumo e/ou produção de dióxido de carbono (CO2), realizado pelos organismos fotossintetizadores e
pelos fenômenos de respiração / fermentação de todos os organismos presentes na massa de água, produzindo ácidos orgânicos fracos.
90 5.2.5 Oxigênio dissolvido (OD)
Ao analisar os dados de OD nas nascentes monitoradas, verificou-se que tanto no período seco quanto no chuvoso os valores apresentaram muito abaixo dos padrões permitidos pela Resolução CONAMA n° 357/2005, estando na faixa de 0,7 a 5,18 mg/L ou seja, abaixo de 6 mg/L, precisamente limite definido para aguas de Classe especial e Classe 1. Com exceção das nascentes 42.2 e 78.1 que obtiveram os maiores resultados de OD variando de 7,04 a 9,2 mg/L e de 0,88 a 8,52 mg/L no período chuvoso e seco, respectivamente (Figura 31).
Figura 31. Oxigênio dissolvido das nascentes
Na nascente 44.2 o elevado teor de oxigênio pode ser justificado, devido a exposição da mesma ao ambiente, pois apesar dela ter uma estrutura de alvenaria no seu entorno, ela não possui nenhuma tampa de proteção, e devido ao contato com o ambiente externo ela recebe uma maior oxigenação, sendo influenciada tanto pelo processo fotossintético quanto pela interferência do ar atmosférico.
Já a nascente 78.1 a análise da água não era feita diretamente na fonte, visto que a mesma encontra-se totalmente coberta com material de concreto, desta forma a água era coletada em um cano ligado a nascente, talvez essa condição pudesse influenciar no resultado da amostra, já que o entorno da nascente encontra-se totalmente degradado pela ação da agricultura de pequeno porte.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1 2 3 4 2 1 4 4 . 1 4 4 . 2 5 4 5 8 6 0 6 1 6 2 7 2 7 3 7 7 7 8 . 1 7 8 . 2 OD (mg /L ) Nascentes
91
Apesar do OD não ser um parâmetro tão significativo em água subterrânea, ele é um parâmetro muito importante para as águas superficiais, já que, quando é encontrado em concentrações baixas, geralmente está relacionado a processos intensos de poluição em matéria orgânica biodegradável, com possibilidade de ocorrência de mortandade de peixes e outros seres vivos do meio aquático (PIVELI & KATO, 2005).
Neste sentido, Von Sperling (1996), ressalta que em águas superficiais o OD se reduz ou desaparece quando a água recebe grandes quantidades de substâncias orgânicas biodegradáveis, como esgoto doméstico e industriais. Neste sentido, uma vez que o corpo de água recebe resíduos orgânicos, esses são decompostos por microrganismos que utilizam o oxigênio na respiração. Assim, quanto maior a carga de matéria orgânica, maior o número de microrganismos decompositores e, consequentemente, maior o consumo de oxigênio.
De acordo com Casa Grande (2005), no estado de São Paulo, principalmente em regiões com lançamento de efluentes e elevada interferência antrópica, embora o OD seja utilizado como um indicativo da poluição, baixos teores deste não indicam necessariamente que o ambiente está sendo degradado. Valores baixos de oxigênio também podem ser encontrados em ecossistemas preservados, como ocorre em rios da bacia Amazônica devido a processos inerentes às características da bacia, onde valores menores que 5 mg/Lpodem ser encontrados.