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Biblioteca Estense e Universitaria de Mòdena

Dans le document Guillaume de Machaut i la seva obra (Page 30-43)

As obras da Kidsbook Itaú Criança contam com textos até então inéditos de nomes de destaque no mundo da literatura e no cenário da cultura nacional. A coleção apresentada ao Jabuti de 2017 (que foi ampliada, posteriormente, com a edição de pelo menos outros cinco títulos42) é composta por cinco livros: O Menino e o Foguete, de

autoria de Marcelo Rubens Paiva (texto) e Alexandre Rampazo (ilustrações); O Sétimo Gato, de Luis Fernando Verissimo e Willian Santiago; O Cabelo da Menina, de Fernanda Takai e Ina Carolina; Entre Sonhos e Dragões, de Adriana Carranca e Brunna Mancuso; e A Bicicleta Voadora, de Antonio Prata e Caio Bucaretchi, obras que trazem como pano de fundo questões como liberdade e respeito às diferenças, cumplicidade e solidariedade43.

A estratégia da agência responsável pela produção dos livros foi se aliar a personalidades que pudessem despertar o interesse primeiramente dos pais, como conta o diretor de Criação da Africa:

Nosso primeiro insight foi pegar grandes autores nacionais que nunca tinham escrito para crianças. Assim, despertaríamos o interesse dos pais pelas obras, afinal eles foram nosso público alvo para essa campanha. A partir do sucesso

40 Citação em matéria publicada pelo site AdNews. Disponível em: http://adnews.com.br/internet/itau-

lanca-serie-de-livros-infantis-via-facebook-canvas.html. Acesso em: 20 fev. 2018.

41 Levando-se em conta, inclusive, que, pela política de uso do Facebook (Declaração de Direitos e

Responsabilidades), menores de 13 anos não deveriam utilizar a rede. Disponível em: https://www.facebook.com/legal/terms. Acesso em 26 fev. 2018.

42Até janeiro de 2018.

43 Disponíveis no site euleioparaumacrianca.com.br/mobile e nos seguintes links:

http://www.euleioparaumacrianca.com.br/book/o-menino-e-o-foguete (O menino e o foguete); http://www.euleioparaumacrianca.com.br/book/o-setimo-gato (O sétimo gato); http://www.euleioparaumacrianca.com.br/book/cabelo-da-menina (O cabelo da menina); http://www.euleioparaumacrianca.com.br/book/entre-sonhos-e-dragoes (Entre sonhos e dragões); http://www.euleioparaumacrianca.com.br/book/a-bicicleta-voadora (A bicicleta voadora). Acesso em: 15 fev. 2018.

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dos primeiros livros, ampliamos para outros artistas que não estavam restritos ao universo da literatura, como a Fernanda Takai [...], que também desenvolveram histórias incríveis para a coleção (CARVALHO, 2018, em entrevista por e-mail, disponível no Apêndice J).

Os livros, todos apenas em português, contam com animações simples, sons e música, mas as possibilidades de interação são restritas. Resumem-se ao deslizar de dedos para mudar as páginas/telas e a selecionar as opções que silenciam ou acionam o áudio44. Ao contrário dos apps que se classificaram nos primeiros lugares no Prêmio

Jabuti nos anos anteriores, a coleção Kidsbook não disponibiliza a opção de narração das histórias, devendo o próprio usuário fazer sua leitura (a criança ou os pais ou adultos responsáveis, como sugere a proposta do projeto).

Em todos os livros da coleção, uma primeira tela dá orientações de navegação (“Dicas para uma boa leitura”): ligar o som no canto superior direito; tocar no play para ativar as animações; ler preferencialmente no wi-fi. Também explica os ícones que aparecem no livro para indicar a direção de navegação: lateral, devendo o leitor deslizar o dedo para o lado para ler e ver toda a cena; ou página panorâmica, em que o leitor deve inclinar o celular para a esquerda e para a direita para ver as imagens e fazer a leitura. Os livros têm entre dez e 16 cenas, contendo entre três e cinco telas panorâmicas por obra; quase todos os livros têm três ou quatro sequências de telas com navegação lateral. Muitas cenas “simples” (sem navegação lateral ou panorâmica) são estendidas, não podendo ser visualizadas inteiramente no espaço de tela do dispositivo (seja smartphone ou tablet). São telas oblongas, em que o leitor tem que deslizar o dedo de baixo para cima para ver o restante da cena. Isso ocorre já nas “capas”, que trazem o título do livro: para chegar aos nomes dos autores, é necessário que o leitor deslize verticalmente o dedo, para ler a informação na parte inferior da tela alongada.

A tela final dos livros, por sua vez, traz o propósito do projeto em que a obra se insere, com o seguinte texto:

Leia para uma criança #issomudaomundo

44 Seria possível chamar de interações de navegação; no sentido apenas funcional da palavra

interação, uma ação que leva à sequência da leitura, por exemplo. Percebe-se, na maior parte dos livros analisados, que as interações propostas são mais de caráter reativo do que de uma interação mútua (em que o comportamento de um interagente afeta o comportamento de outro e vice-versa). Conforme Primo (2000), a interação reativa apresenta “relações lineares e unilaterais, o reagente tem pouca ou nenhuma condição de alterar o agente” (p. 7). Seria o chamado “estímulo-resposta”. É o que se dá, por exemplo, quando é necessário clicar numa seta para seguir para a próxima tela ou ligar e desligar o áudio de uma cena.

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O Itaú acredita que histórias infantis estimulam a imaginação e mudam o jeito que seus filhos veem o mundo.

Continue lendo pra eles e seja o herói dessa história. (VERISSIMO; SANTIAGO, 2016).

Na última tela também há um link para o site <euleioparaumacrianca.com.br>, de onde se pode acessar todos os livros da coleção. Não é necessário tocar exatamente na frase que sugere o link: “Clique e veja mais histórias”. Tocando em qualquer ponto dessa tela o usuário é levado à página das obras.

No site, é possível ter acesso a conteúdos extras, não necessariamente relacionados à plataforma Canvas, como book-trailers 45 , que levam a vídeos

hospedados na mídia social YouTube, ou um clipe em 360 graus, como no caso de O cabelo da menina; conteúdos que podem ser explorados também em computadores de mesa e não apenas nos dispositivos móveis nos quais funcionam os livros. No site também há a opção de compartilhar os livros pela página do usuário no Facebook.

Todas as obras da coleção têm registro de ISBN, como determinado pelo regulamento, mas apenas três apresentam esse número na tela de capa do livro digital. O primeiro e o último livro da coleção não informam o ISBN na tela de início.

Os livros da coleção que trazem o ISBN na tela de capa também apresentam nela o número de classificação por área de conhecimento (CDD - Classificação Decimal Dewey), no caso, identificando que se trata de obra de literatura infantil (CDD 808.899282).

A Agência Internacional do ISBN recomenda que editores registrem um ISBN para cada formato de livro eletrônico que esteja separadamente disponível46. No

cadastro, os livros da Kidsbook estão registrados com o suporte: “E-book – Canvas – Facebook”.

O primeiro livro da coleção foi lançado em 18 de abril de 2016, data em que se comemora o Dia Nacional do Livro Infantil47. O Menino e o Foguete (FIGURA 16) conta

a história de um garoto que adorava ver o céu noturno através da janela de seu quarto,

45Os book-trailers dos cinco livros podem ser acessados nesses links: https://youtu.be/ZoQCbbJrm6A

(O Menino e o Foguete); https://youtu.be/ineWTMTVz4I (O Sétimo Gato); https://youtu.be/UhjSgiWn- LI; (O Cabelo da Menina); https://youtu.be/TPs6rXo_sHw (Entre Sonhos e Dragões); e https://youtu.be/F7zhRloYdI0 (A Bicicleta Voadora). O clipe em 360 graus de O Cabelo da Menina está disponível em: https://youtu.be/k6L4EB-NzoY. Acesso em: 2 mar. 2018.

46 Orientação registrada no site do ISBN. Disponível em: http://www.isbn.bn.br/website/

conteudo/pagina=10. Acesso em: 21 fev. 2018.

47 Conforme relata matéria publicada pelo site AdNews, em 18 de abril de 2016. Disponível em:

http://adnews.com.br/internet/itau-lanca-serie-de-livros-infantis-via-facebook-canvas.html. Acesso em: 20 fev. 2018.

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apaixonado que era pela lua. Depois do nascimento de seu irmão, bebê com quem divide o quarto, ele ganha do avô uma luminária em forma de foguete. Uma noite, ele descobre um botão dentro dela. Acionado o dispositivo, o foguete se move e o menino se lança em uma aventura pelo espaço, vendo vários planetas. Quando direciona a nave para a lua, relaxa e adormece, perdendo a oportunidade de ver o satélite da Terra. Ao perceber, já está novamente em seu quarto, com a luminária quebrada. Em casa e na escola, ninguém acredita que o menino viajou pelo espaço. Apenas o avô lamenta que o garoto não tenha conseguido ver a lua de perto. Em todo caso, promete ao neto uma luminária maior, para poderem ir juntos na próxima viagem.

Na história de autoria de Marcelo Rubens Paiva, ilustrada por Alexandre Rampazo, constrói-se um clima de cumplicidade e afeto entre neto e avô, a partir de um sonho do menino, mesclando realidade e imaginação. O próprio sonho, inclusive, pode ser lido como desejo e como consequência do sono. O avô parece respeitar ambos os sentidos.

Assim como nas demais obras da coleção, o livro traz telas com sons e música, recursos que podem ser silenciados ou acionados com um toque no ícone de alto- falante, localizado no canto superior direito da tela do dispositivo eletrônico. O celular ou tablet deve estar sempre na posição vertical, caso contrário, os livros não poderão ser lidos. Para orientar o leitor, quando o dispositivo é posicionado na horizontal, aparece uma sobretela preta transparente, com uma imagem de celular ao centro e a seguinte instrução: “Gire seu dispositivo”.

Assim como nos demais livros, há situações em que o leitor deve deslizar o dedo para cima para passar de uma tela a outra; outras em que deve deslizar o dedo para o lado, para ver uma sequência de telas dispostas lateralmente; e outras, ainda, em que o leitor deve inclinar o celular para os lados, esquerdo e direito, para ver uma cena panorâmica, que pode ter outras imagens e textos. Há, ainda, telas em que a imagem permanece a mesma e o movimento dos dedos faz com que apenas o texto, na parte superior da tela, mude.

Em O Menino e o Foguete, há três telas panorâmicas e quatro sequências de telas laterais, de um total de 14 cenas.

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FIGURA 16 – TELA DE CAPA DO LIVRO O MENINO E O FOGUETE E SUA CONTINUAÇÃO, COM OS CRÉDITOS DE AUTORIA (CAPTURA DE TELA EM CELULAR)

O Sétimo Gato (FIGURA 17), de Luis Fernando Verissimo e Willian Santiago, foi o segundo livro da coleção, disponibilizado pela primeira vez quase dois meses após o primeiro, em 13 de junho de 2016. Foi o primeiro livro interativo e o primeiro livro infantil lançado por Verissimo48.

O livro conta a história de um menino que ganha sete gatos, cada qual com sua própria maneira de se expressar. Cada um pensa ter uma nacionalidade diferente e vários deles não atendem pelo nome com o qual o menino os batiza, apenas por nomes condizentes com a sua imaginada origem: francesa, alemã, inglesa, etc. Todos emitem sons distintos e apenas o sétimo gato é que faz simplesmente: “miau”. Com a chegada desse, vem a promessa de que, finalmente, todos os gatos possam se entender, mas só depois de o sétimo felino ensinar o miado aos demais.

Não abandonando sua conhecida veia de humor, Verissimo traz uma história divertida, que, muito bem ilustrada e com músicas que remetem à suposta origem de cada gato, tangencia questões como diversidade e o poder de comunicação do brasileiro.

O livro apresenta os mesmos recursos do anterior, tendo cinco telas panorâmicas

48 Conforme explica Eco Moliterno, vice-presidente de Criação da agência Africa, criadora da coleção,

em matérias publicadas pelos sites AdNews, em 14 de junho de 2016, e Clube de Criação, em 13 de junho de 2016. Disponível em:

http://adnews.com.br/internet/itau-lanca-infantil-de-luis-fernando-verissimo-no-facebook.html e http://www.clubedecriacao.com.br/ultimas/livros-na-timeline/. Acesso em: 20 fev. 2018. Esses sites também trazem as fichas técnicas do livro.

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e duas sequências laterais, de um total de 16 cenas. É interessante observar que, para efeito de contagem de “páginas”, as sequências são consideradas apenas uma vez, como se pode perceber na declaração de número de “páginas” do registro de ISBN49.

Por esse motivo, é comum utilizarmos neste trabalho o termo “cenas” e não “páginas”. Não é contada pelo editor a tela inicial, que traz as orientações sobre a navegação.

FIGURA 17 – TELA DE CAPA DO LIVRO O SÉTIMO GATO E SUA CONTINUAÇÃO, COM OS CRÉDITOS DE AUTORIA (CAPTURA DE TELA EM CELULAR)

O Cabelo da Menina (FIGURA 18), de Fernanda Takai e Ina Carolina, foi lançado em setembro de 2016. O livro tem dez cenas, sendo quatro panorâmicas e duas com sequências laterais50.

49O Sétimo Gato tem o seguinte número de ISBN: 978-85-94112-01-9; CDD 22. Ed. – 808.899282.

Pesquisa disponível em: http://www.isbn.bn.br/website/consulta/cadastro. Acesso em: 20 fev. 2018.

50O Cabelo da Menina: ISBN 978-85-94112-02-6, CDD 22. Ed. – 808.899282. Pesquisa disponível em:

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FIGURA 18 – TELA DE CAPA DO LIVRO O CABELO DA MENINA E SUA CONTINUAÇÃO, COM OS CRÉDITOS DE AUTORIA (CAPTURA DE TELA EM CELULAR)

Com música composta pela escritora, que também é cantora, a obra fala de uma garotinha que acorda completamente despenteada. Considerando a aparência interessante, ela convence a mãe a deixá-la ir para a escola daquela forma. No colégio, a menina chama a atenção de todos. Apesar dos olhares dos alunos, na hora do lanche, ela se sente sozinha. A lembrança de uma música que a mãe sempre cantava, no entanto, a tranquiliza. Ela percebe que cada um tem um tipo de cabelo ou de penteado, mas que, no fundo, todos gostariam de sair por aí com uma cabeleira maluca como a dela. No final da aula, sabendo que a menina havia sido o assunto do dia, a professora anuncia a novidade: uma vez por mês haveria o dia do cabelo maluco. A turma toda comemora. Em casa, a garota conta o que aconteceu na escola e mostra para a mãe o recado da professora. Emocionada, a mãe derrama uma lágrima. A menina, então, diz que, na escola, ao se lembrar da música que a mãe cantava, também havia saído um pinguinho de seu olho. A mãe a beija ternamente e as duas se abraçam e cantam juntas, rodopiando descabeladas pela sala.

Aqui, como no livro anterior, também se observa a questão das diferenças, não sob a ótica de diferentes culturas, mas de comportamentos e padrões de beleza diversos, que devem ser respeitados.

A cena que traz o desfecho da história diferencia-se das demais por proporcionar movimento contínuo ao fundo, e um “tremular” das personagens em primeiro plano. Vendo os móveis da sala “rodando”, temos a impressão de que mãe e filha rodopiam

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mesmo pelo cômodo da casa, como afirma o texto. O movimento é automático e independe de comando do usuário.

Observamos que, após o lançamento do livro digital, O Cabelo da Menina também foi editado em versão impressa e em formato e-book de layout fluido, no ano de 2017, pela editora SESI-SP51.

Em outubro de 2016, foram lançados os dois últimos livros da coleção vencedora do Jabuti 2017: Entre Sonhos e Dragões e A Bicicleta Voadora.

Entre Sonhos e Dragões (FIGURA 19), de Adriana Carranca e Brunna Mancuso, é composto por 15 cenas, sendo cinco panorâmicas e duas com sequências laterais52.

Conta a história de um reino distante, onde as meninas não podiam ser vistas na rua e eram proibidas de fazer muitas coisas, como brincar e estudar. Sadaf gostava de brincar de luta e sonhava em pilotar aviões; Shamsia desenhava no ar com os dedos, porque não podia usar lápis; Farzana gostava de skate e queria sair pelo mundo. Mas essas atividades eram consideradas “coisas de menino”, embora os meninos não tivessem tempo para realizá-las. Eles só podiam fazer guerra. Um dia, a guerra realmente chegou, com dragões invasores. Os meninos foram à luta, mas as três meninas não ficaram paradas. Com o skate do irmão, Farzana fez acrobacias que deixaram os dragões tontos; Sadaf lutou com luvas de boxe que tirou de um baú e assustou os dragões. Eles não esperavam que meninas lutassem boxe. Shamsia desenterrou as tintas que escondia e, por onde os dragões passavam, ia refazendo o que a guerra destruía: redesenhando paredes e telhados, instrumentos musicais, escolas (onde meninos e meninas poderiam estudar). Também desenhava lagoas no solo, antes seco, para apagar as chamas dos dragões, se eles voltassem a cuspir fogo. Assim (numa referência implícita ao uso do esporte, da arte e da educação para mudar o estado das coisas), venceram a guerra. E os meninos puderam voltar a plantar rosas, na terra agora fértil, pois do que eles gostavam mesmo era plantar flores e brincar com pipas.

51 O livro em papel recebeu o ISBN n. 978-85-504-0554-4 e o e-book de layout fluido o ISBN n. 978-

85-504-0555-1. Pesquisa disponível em: http://www.isbn.bn.br/website/consulta/cadastro. Acesso em: 2 mar. 2018. Nos livros em layout fluido, o conteúdo distribui-se conforme o tamanho da tela do dispositivo em que é lido.

52Entre Sonhos e Dragões: ISBN 978-85-94112-03-3, CDD 22. Ed. 808.899282. Pesquisa disponível

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FIGURA 19 – TELA DE CAPA DO LIVRO ENTRE SONHOS E DRAGÕES E SUA CONTINUAÇÃO, COM OS CRÉDITOS DE AUTORIA (CAPTURA DE TELA EM CELULAR)

A obra discute questões de gênero de uma maneira poética, destacando aspectos como a cooperação e a contribuição que cada um pode dar para melhorar a realidade a sua volta, a partir do melhor aproveitamento de suas habilidades e desejos53.

A história é inspirada em personagens reais, três meninas que a autora, que também é jornalista, conheceu no Afeganistão, quando trabalhava na cobertura de conflitos no Oriente Médio. Assim conta a autora, em uma publicação feita em 6 de outubro daquele ano, em sua página oficial no Facebook54 – que traz inclusive fotos das

garotas afegãs – aqui transcrita na íntegra:

Aceitei com carinho o convite para ser a quarta autora da Coleção Livros na Timeline, com Luis Fernando Verissimo, Marcelo Rubens Paiva e Fernanda Takai. ‘Entre sonhos e dragões’, infantil, é uma fábula sobre a guerra e a luta pela paz. A narrativa é inspirada nas histórias reais de três meninas afegãs, que entrevistei em viagens ao país durante os conflitos. Elas estão na foto deste post. São: Sadaf Rahimi, a primeira a disputar um campeonato mundial de boxe feminino, que sonha em pilotar aviões; Shamsia Hassani, a grafiteira de Cabul, que se dedica a reinventar com sua arte os muros destruídos pela guerra; e a skatista Farzana, aluna do projeto Skateistan, que ensina o esporte a meninos e meninas na capital e em Mazar-e Sharif. No livro, as três meninas surpreendem os meninos ao trazer 'armas' não convencionais – pincéis e tintas, um skate, luvas de boxe – para espantar os dragões que invadiram sua terra, metáfora dos aviões militares de caça que sobrevoam as casas a uma altura assustadora, interrompem os sonhos e, com as bombas que soltam (dragões

53Embora esteticamente bem diferentes, a temática de gênero (e a presença dos dragões) lembra a

obra Procurando Firme, de Ruth Rocha, publicada pela primeira vez em 1997. (ROCHA, Ruth. Procurando firme. São Paulo: Salamandra, 2009)

54 Disponível em: https://www.facebook.com/adriana.carranca.oficial/photos/a.902786736445283.

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que cospem fogo), compõem a trilha sonora da infância de milhões de crianças no Afeganistão e em outros países onde vivem em situação de guerra. Ao criar uma história em que meninas e meninos lutam juntos, usando seus talentos no lugar da violência, procurei tratar ao mesmo tempo do tema da igualdade de gênero e daquilo que acredito ser o único caminho possível para a construção da paz: investir no desenvolvimento das novas gerações através da educação, da arte, do esporte. A história traz outras referências a fatos reais, como a tradição afegã, entre meninos, de cultivar rosas e empinar pipas e a coleção de carcaças de aviões soviéticos entre os velhos artefatos militares do Museu OMAR, um dos dois do Afeganistão (o outro é o Museu Nacional, onde centenas de obras de arte foram preservadas durante os conflitos, escondidas nos porões). Para ler o livro, acesse a página do Itaú pelo celular ou tablet. A ideia do projeto é disponibilizar o conteúdo nas plataformas digitais móveis para estimular os pais, que vivem conectados, a ler mais para os filhos. Está no ar! Espero quegostem.

Para ler: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2215512728587304 &id= 210098694670550 (CARRANCA, 06 out 2016, postagem na página da autora no Facebook).

Além de explicar o contexto que inspirou a história, Adriana Carranca reforça e declara a intenção da coleção: incentivar a conexão leitora entre pais e filhos, aproveitando o uso que fazem das plataformas digitais. Essa obra será abordada mais detalhadamente no subcapítulo 2.4.3.

O último livro da coleção Kidsbook Itaú Criança, entre os cinco que compõem o rol de vencedores do Jabuti 2017, é A Bicicleta Voadora (FIGURA 20), de Antonio Prata e Caio Bucaretchi55.

Dans le document Guillaume de Machaut i la seva obra (Page 30-43)

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