PART III: PROSPECTIVE AND RETROSPECTIVE ELEMENTS OF FOREIGN
8. BIBLIOGRAPHY
A avaliação dos 100 participantes consistiu de:
Entrevista semi-estruturada para caracterização das variáveis sócio- demográficas e clínicas com itens abrangendo idade, escolaridade, estado civil, freqüência de crises, DAEs e tempo de tratamento;
Questionário LAEP sobre EAs: versão em Português-Brasil (ANEXO 4); Questionário de QV, QOLIE-31: versão em Português (ANEXO 2);
Inventário HADS (ANEXO 3).
3.3.1 Tradução e adaptação cultural do instrumento Liverpool Adverse Events Profile
Inicialmente a pesquisadora (HHM) entrou-se em contato com o autor da versão original do LAEP, Prof. Dr. Gus Baker da University of Liverpool, que nos encaminhou por escrito sua autorização para realização do estudo (ANEXO 5).
A seguir este estudo foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa da UNIFESP/Hospital São Paulo sob o número 1.515/10 tendo sido aprovado em 15 de outubro de 2010. O TCLE foi lido pelos pacientes, suas dúvidas foram esclarecidas, explicando-se os benefícios, inconvenientes e riscos da avaliação e, por fim obtida sua assinatura (ANEXO 6).
Dois especialistas em epilepsia e uma professora de Inglês, com domínio nas línguas inglesa e portuguesa, que conheciam o objetivo do estudo fizeram a tradução do instrumento original para o Português, gerando três versões do instrumento LAEP.
de Inglês, ambos nativos, com pleno domínio dos dois idiomas, que desconheciam o objetivo do estudo e, que não tiveram acesso ao instrumento original, para que fosse realizada a retrotradução. Nesta etapa duas novas versões do instrumento em Inglês foram obtidas.
No segundo momento, um Comitê de especialistas composto por uma equipe multidisciplinar de médicos, psicóloga e farmacêutica avaliou as discrepâncias entre as diversas traduções, a clareza e compreensibilidade das questões, a manutenção do conceito explorado nos itens do questionário e o sentido de cada item para a nossa população. Após essa reunião de consenso uma versão final do inventário LAEP foi obtida.
Trinta pacientes com tratamento regular no ambulatório de epilepsias da UNIPETE/UNIFESP e que satisfaziam os critérios de inclusão foram selecionados aleatoriamente para a fase de teste do instrumento e estes deram seu livre consentimento em participar do estudo. Foram excluídos os indivíduos analfabetos e aqueles com déficit neurológico, que dificultasse a compreensão do questionário (MARTINS e col., 2010). Estes pacientes não conheciam a farmacêutica responsável pelo estudo (HHM) e este foi o seu primeiro contato com os mesmos.
Todos os pacientes responderam o instrumento LAEP em entrevista individual sem que tivessem um contato anterior com a pesquisadora. Após cada resposta, o examinador perguntava: “Explique com suas palavras o que você compreendeu dessa pergunta”. “Você não entendeu alguma palavra dessa questão?” “Em caso afirmativo, você tem alguma sugestão, outra palavra seja possível colocar no lugar desta que você não entendeu?”.
O objetivo desta etapa foi testar a clareza do conteúdo, entendimento de cada questão e significado para nossa cultura.
3.3.2 Avaliação das propriedades psicométricas do Liverpool Adverse
Events Profile e análise estatística.
A reprodutibilidade teste-reteste foi aferida pelo pesquisador em dois momentos diferentes. Na primeira entrevista o paciente respondeu todos os instrumentos do protocolo e duas a três semanas depois foi realizada nova aplicação, desta vez, somente do instrumento LAEP. Ambas as entrevistas foram realizadas pessoalmente pela farmacêutica responsável pela pesquisa (HHM). Para a avaliação da confiabilidade dois passos foram considerados: 1) análise da consistência interna, utilizando-se o coeficiente alfa de Cronbach. Valores maiores de 0,700 são considerados aceitáveis em estudos clínicos (NUNNALLY e BERNSTEIN, 1994); 2) análise dos resultados da aplicação nos dois momentos por meio da confiabilidade teste-reteste e ICC. Valores menores que 0,600 foram considerados estatisticamente significativos. O tipo de medicação e dose foram as mesmas entre a visita inicial e a visita 2, para manter as características clínicas que possam interferir na reprodutibilidade.
Validade
A validade construtiva foi analisada por meio das correlações encontradas entre LAEP e os outros instrumentos QOLIE-31 e HADS, bem como das variáveis sócio-demográficas e clínicas. Para tanto foi formulada a hipótese, que eram esperadas correlações fortes entre os itens de LAEP e de outros instrumentos que mensuravam aspectos semelhantes ou interdependentes. Tais correlações são descritas a seguir:
1) Falta de equilíbrio do corpo, Dor de cabeça, Perda de cabelo, Problemas de pele, Visão dupla, Irritação no estômago, Problemas na boca ou gengiva, Tremor nas mãos, Ganho de peso e Tonturas com o domínio “Efeitos da Medicação” do QOLIE-31; 2) Cansaço e Agitação com o domínio “Energia/Fadiga” de QOLIE-31 e HADS; 3) Nervosismo ou agressividade e Vontade de agredir, com o domínio “Bem-estar emocional” de QOLIE-31 e HADS; 4) Sonolência com os domínios “Efeitos da
os domínios “Energia/Fadiga”, “Bem-estar emocional” e “Funcionamento Social” de QOLIE-31 e HADS; 6) Problemas de memória com os domínios “Energia/Fadiga” e “Funcionamento Cognitivo” de QOLIE-31 e HADS; 7) Problemas no sono com os domínios “Energia/Fadiga”, “Bem-estar emocional” e “Funcionamento Social” de QOLIE-31 e HADS. O Coeficiente de Correlação de Pearson foi utilizado como medida estatística no estudo das correlações descritas acima, com valores estatísticos significantes para p<0,050.
O nível de escolaridade, situação de trabalho, tipo e duração da epilepsia e do tratamento, freqüência de crises e tipo de tratamento medicamentoso foram características escolhidas para avaliar a validade construtiva do instrumento LAEP. Para tanto, os grupos 1 (EPS) e 2 (EGI) foram estudados separadamente.
As variáveis sócio-demográficas e clínicas descritas acima foram avaliadas através da hipótese de uma correlação moderada a forte, com a pontuação total do LAEP, que varia de 19 a 76. Os pacientes foram divididos em dois grupos de acordo com o resultado do LAEP, em maior ou igual a 45 e menor que 45, onde pontuações maiores que 45 representam toxicidade, segundo estudos prévios (GILLIAM e col., 2004).
A freqüência de crises foi dividida de acordo com a síndrome epiléptica. Nas epilepsias parciais foi dividido em: controladas; ≤2 crises/mês; 3-5 crises/mês e mais de 5 crises. Nas epilepsias generalizadas as crises foram classificadas de acordo com o seu controle: controladas; TCG – bom (< 1 crise por ano), moderado (1-4 crises por ano) ou pouco (> 4 crises por ano); mioclônias – bom (< 5 crises simples ou agrupadas por mês), moderado (5-14 crises simples ou agrupadas por mês) ou pouco (≥ 15 crises simples ou agrupadas por mês ou crises diárias); ausências – bom (< 5 crises por mês), moderado (5-14 crises por mês) ou pouco (≥ 15 crises por mês ou crises diárias) (PRASAD e col., 2003).
A confiabilidade foi avaliada pelo teste-reteste utilizando como medida a correlação intraclasse (ICC) e pela consistência interna pelo coeficiente alfa de Cronbach. A validade foi avaliada pela correlação de Pearson entre LAEP
(pontuação total e geral e pontuação de cada item) e domínios do QOLIE-31 e do HADS.
As variáveis socioeconômicas, dados clínicos, DAEs, QOLIE-31 e HADS foram comparadas tanto para o corte do LAEP em 45 quanto para os tipos de epilepsia pelo teste de igualdade de média t-Student para variáveis quantitativas e pelo Teste exato de Fisher para variáveis não quantitativas. Através da ANOVA Analise de Variância obtivemos os fatores clínicos que influenciam o LAEP.
Para a análise da relação entre as DAEs e a freqüência de EAs pontuados através do LAEP, dividimos as doses das DAEs utilizadas pelos pacientes que participaram do estudo em duas faixas: baixa e alta (Tabela 2). Utilizou-se o teste de Mann-Whitney para o estudo destas variáveis.
Em todas as comparações, considerou-se o valor de p<0,050 como medida estatisticamente significante, ou seja, com no máximo de 5% de chance de rejeitar a hipótese de igualdade quando esta é verdadeira.
Tabela 2. Divisão das faixas de dose das drogas antiepilépticas (DAEs) utilizadas
pelos pacientes.
DAE Baixa dose Alta dose
Carbamazepina ≤ 800 mg > 800 mg Ácido valproico < 1000 mg ≥ 1000 mg Fenobarbital ≤ 100 mg > 100 mg Clobazam ≤ 10 mg > 10 mg Lamotrigina ≤ 100 mg > 100 mg Topiramato ≤ 100 mg > 100 mg
4. RESULTADOS