As aulas de campo e as visitas técnicas sempre estiveram presentes em minha vida estudantil e profissional, pois tive experiências proveitosas e aprendizagens concretas em ambientes educativos não formais. Penso que minha primeira experiência na área da educação (o estágio na Escola da Ciência – Biologia e História) também exerceu influência significativa na escolha deste tema, espaços educativos não formais, para a pesquisa.
Ao propor a realização desta pesquisa, almejei o desenvolvimento de atividades que colaborassem para uma formação socioambiental efetiva que tratasse sobre a educação ambiental nas suas diferentes concepções, considerando também os diversos fatores que formam o ambiente. Dessa maneira, nada melhor que a realização de estudos e pesquisas fora do ambiente escolar, um espaço-tempo diferenciado, que proporciona uma formação dinâmica e contextualizada. A construção do guia educativo vem ao encontro dessa perspectiva na medida em que auxiliará o professor no planejamento de atividades fora do ambiente formal.
Nesses oito anos de trabalho em sala de aula de educação básica, sempre fiz uso dos espaços educativos não formais. No entanto, ao ingressar no mestrado e obter conhecimentos sobre os referenciais teóricos da área, aumentei a frequência dessa utilização, bem como aprimorei o trabalho em tais espaços, antes realizados apenas sob o enfoque ambiental. Agora, de posse de todo o aporte teórico que as disciplinas do mestrado e a pesquisa me proporcionaram, desenvolvo trabalhos mais completos, articulando os fatores socioambientais presentes nos ambientes naturais.
Ao desenvolvermos a pesquisa com os professores de Ciências da rede estadual do município de Guarapari, bem como as aulas de campo com os alunos das duas turmas do 9.º ano da EEEFM Angélica Paixão, confirmamos que são muitos os desafios a serem vencidos para a utilização de tais espaços, principalmente os que se relacionam à liberação de transporte e verbas e à organização da escola para liberação em realizar tais aulas. Percebemos que alguns profissionais da escola veem esse tipo de estratégia metodológica como ―enrolação‖ ou ―falta de vontade de trabalhar‖ por parte do professor organizador de tais atividades, o que demonstra
falta de conhecimento acerca dos benefícios da realização de tais atividades fora do ambiente escolar. A organização de tais atividades, com estabelecimento de objetivos claros e desenvolvimento de pesquisas, também são dificuldades a serem superadas pelo professor que almeja realizar uma aula em um espaço educativo não formal.
Apesar de todos os desafios apresentados, eles não são maiores que as diversas potencialidades que tais espaços oferecem tanto a alunos quanto a professores que organizam tais atividades. As aulas de campo podem contribuir para o desenvolvimento de uma educação ambiental crítica à medida que promovem um ensino mais contextualizado, dinâmico e ativo por parte do discente, favorecem a interação e mediação entre sujeitos e sujeito-objeto, favorecem o trabalho de temas socioambientais, bem como da interdisciplinaridade, e desenvolvem os aspectos sensoriais e afetivos, além dos cognitivos, incentivando a pesquisa e a investigação. Essas são algumas das potencialidades que podem ser estimuladas quando se utilizam os espaços educativos não formais. Além disso, cada espaço possui uma potencialidade particular, que deve ser explorada pelo professor organizador da atividade.
No desenvolvimento da pesquisa, percebemos que a interação entre sujeito-sujeito e sujeito-objeto nas aulas de campo propiciou a apropriação de saberes de forma coletiva e integradora. Desse modo, esperamos que os estudantes tenham, a partir de então, outro olhar, pensamento e ação sobre o ambiente, entendendo que tanto o ser humano como sua história e cultura são fatores indissociáveis ao meio natural e que a degradação do ambiente natural está intimamente relacionada à degradação e desigualdade social. Destacamos o desenvolvimento da educação ambiental crítica com base nas aulas de campo como uma necessidade atual, tendo em vista a crescente degradação ambiental associada à social pela busca de acumulação de bens de uma parcela da sociedade.
As atividades desenvolvidas durante o projeto tiveram um enfoque socioambiental na tentativa de desconstruir a visão estritamente naturalista e fragmentada que muitos estudantes possuem acerca do ambiente, confirmando a importante contribuição das aulas de campo para o desenvolvimento de uma educação
ambiental crítica. Sabemos que essa mudança é lenta e processual e deverá ser realizada tanto nas esferas do processo educacional quanto na cidade como um todo, entendendo cada cidadão como um sujeito formador de opiniões e consciente de seu papel no mundo. Pensando dessa maneira, os espaços educativos não formais estão inseridos em todos os ambientes na medida em que os cidadãos possuam uma função formadora.
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APÊNDICE A – Roteiro do questionário realizado com os professores de Ciências
Questionário – Professor (a)
Prezado (a) Professor (a), esta pesquisa visa investigar de que forma e com qual frequência os espaços de educação não formal do município de Guarapari são utilizados pelos professores de ciências das escolas estaduais da área urbana desse município. Os dados serão utilizados na composição da dissertação de mestrado intitulada ―Espaços não formais de educação nos municípios de Guarapari e Anchieta/ES: potencialidades e desafios de um ensino de ciências que tem como eixo integrador a sustentabilidade socioambiental‖ como requisito parcial para a aprovação do Mestrado Profissional em Educação em Ciências e Matemática – EDUCIMAT ofertada pela instituição de ensino IFES. No Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) há mais informações sobre sua participação na pesquisa.
Desde já agradeço a participação Flávia Nessrala Nascimento
PARTE 1 – Caracterização do sujeito
1- Sexo:( ) F ( ) M ( ) Outro
2- Idade: ___________
3- Estado civil: ( ) Solteiro (a) ( ) Casado (a)
( ) Divorciado (a) ( ) União estável ( ) Outro
4- Possui filhos:( ) Não ( ) Sim. Quantos? ______
5- Nome da instituição e ano de conclusão da graduação:
__________________________________________________________ 6- Possui pós-graduação?
( ) Não
7- Há quanto tempo leciona: ( ) Até um ano ( ) De 1 a 3 anos ( ) De 3 a 5 anos ( ) De 5 a 10 anos ( ) Mais de 10 anos
8- Quanto desse tempo no ensino de ciências no nível fundamental? __________________________________________________________
PARTE 2 – Espaços não formais
Adotamos para a presente pesquisa o conceito de espaço não formal de educação qualquer local fora do ambiente escolar onde possa haver aprendizagem. Desta forma, parques, museus, áreas de conservação, praça e escola de ciência, praias, ruínas, cinema, empresas, dentre outros locais extraescolar podem ser considerados espaços não formais de educação. Entendemos como aula de campo a visita realizada nesses espaços com os estudantes.
1- Você conhece os espaços de educação não formal do município de Guarapari? Quais?
________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 2- Você costuma realizar aulas de campo em espaços não formais de ensino?
( ) Sim ( ) Não
Se você respondeu não à pergunta dois, o questionário terminou. Obrigada. Se você respondeu sim à pergunta dois, responda às perguntas abaixo.
3- Com qual frequência você realiza aulas de campo com os alunos? ( ) Uma vez ao ano
( ) De duas a três vezes por ano ( ) Mais de quatro vezes por ano
4- De que forma a utilização desses espaços estão inseridas em suas aulas? ( ) Datas comemorativas (dia da água, dia do meio ambiente, dia da árvore, por exemplo) ( ) Projetos Pontuais
( ) Projetos da secretaria de educação ou de empresas
( ) Visita a feiras ou eventos anuais (Feira do Verde, Feira do Meio Ambiente, GranExpoES, por exemplo)
( ) Outras: _____________________________________________________________
5- Quais os ganhos em termos educacionais quando são realizadas aulas de campo com os alunos em espaços não formais de educação?
______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________
6- Quais as maiores dificuldades enfrentadas por você na realização das aulas de campo com os alunos?
______________________________________________________________________
________________________________________________________________________
APÊNDICE C – Termo de autorização condicionada para o desenvolvimento da pesquisa na Instituição
APÊNDICE D – Roteiro de questionário da avaliação diagnóstica aplicado aos alunos das turmas do 9.° ano B e C
EEEFM ANGÉLICA PAIXÃO – Avaliação diagnóstica sobre educação ambiental
Identificação: Idade: Sexo: ( ) Masculino
( ) Feminino
1- Escreva três palavras que o façam lembrar o meio ambiente:
_________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 2- Já teve experiências com aulas de campo?
( ) Sim ( ) Não
3- Se sim, você obteve algum aprendizado nessas aulas? Quais?
_________________________________________________________________ _______________________________________________________________ 4- Economia não tem relação com ecologia.
( ) Discordo Totalmente ( ) Discordo ( ) Concordo ( ) Concordo Totalmente ( ) NS
5- Política não tem relação com ecologia.
( ) Discordo Totalmente ( ) Discordo ( ) Concordo ( ) Concordo Totalmente ( ) NS
6- A educação ambiental deve se preocupar com a natureza e o ambiente social