Por ser uma cultura silvestre, o Arundo não necessita de qualquer tipo de preparação do solo, bastando apenas uma gradagem ou lavragem (El Bassam, 1998).
A densidade das populações em estado natural é geralmente muito elevada. Segundo El Bassam (1998), é comum apresentarem densidades acima dos 50 caules por m2. Para se realizarem plantações de Arundo com rizoma, pode-se começar por deixar um espaçamento de 70 cm por 50 cm entre plantas. Deste modo, no final do primeiro ciclo vegetativo pode-se obter cerca de 10 caules por m2. Com o crescimento do rizoma, a densidade irá aumentar nos dois anos subsequentes (El Bassam, 1998). Estes dados vão ao encontro dos resultados verificados por Spencer et al. (2006), cujas densidades médias rondam os 74 caules por m2.
19 Relativamente à utilização da água, diversos autores têm utilizado diferentes regimes de irrigação, relacionando-os com a produtividade do Arundo, utilizando uma gama de regimes hídricos que varia entre os 300mm (El Bassam, 2008) e os 1024,8mm (Mantineo et al., 2009). Em termos da eficiência do uso da água, Nackley et al. (2014) estimou o valor de 465mm para uma produtividade de 25 t.ha-1 (massa seca).
O efeito dos níveis de irrigação na produção de biomassa fresca e biomassa seca pode ter ou não significado dependendo da precipitação e da região. El Bassam (1998) apresenta para o Arundo um rendimento médio de matéria fresca e seca, para colheitas de Outono, de 59,8 t.ha-1 e 32,6 t.ha-1, respectivamente, para uma taxa de irrigação alta (700 mm.ano-1) e de 55,4 t.ha-1, e 29,6 t.ha-1, respectivamente, para uma taxa de irrigação baixa (300 mm.ano-1). Por outro lado, na Sicília, um clima semi-árido, Cosentino et al. (2014) obtiveram produtividades significativamente diferentes na cultura madura (4º ano), com diferentes regimes de rega: 13 t.ha-1, em massa seca, em campos sem rega e 29 t.ha-1, em massa seca, em campos regados com 703 mm, sendo a precipitação anual de 384 mm. Angelini et al. (2009), obteve produtividades elevadas, de cerca de 38 t.ha-1, expressa em massa seca, sem rega e com uma precipitação média de 379 mm (de março à colheita, embora a precipitação anual média seja de 857 mm). Sem fornecer dados relativos à irrigação, Spencer et al. (2006) apresentam, contudo, produtividades expressas em massa húmida mais elevadas, da ordem dos 17 kg.m-2.
Apesar da sua produtividade, o Arundo não fornece, todavia, comida ou habitat para os organismos autóctones. O caule e as folhas do Arundo contêm uma grande variedade de substâncias químicas nocivas, incluindo a sílica, alguns esteróis, glicosídeos e alcalóides que provavelmente o protegem da maioria dos insectos, mas que conduzem à diminuição da diversidade da fauna e da flora ribeirinhas (Bell, 1997; McWilliams, 2004). Uma vez que o Arundo não tem nenhuma semelhança estrutural com as espécies autóctones que substitui, principalmente devido à verticalidade dos caules, oferece pouca ou nenhuma cobertura útil ou possibilidade de suporte para ninhos, o que conduz à perda de diversidade nesses locais (McWilliams, 2004).
Do ponto de vista nutricional, o Arundo apresenta pouca proteína mas tem uma concentração elevada em fósforo na parte aérea, mesmo quando cresce em solos com baixa disponibilidade deste mineral (McWilliams, 2004). O Quadro 3.1 resume o conteúdo nutricional encontrado na planta.
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Quadro 3.1. Conteúdo nutricional do Arundo. (Unidade: % ms)
Planta Madura Planta Jovem
Metade inferior
Metade
superior Metade inferior
Metade superior Azoto Total 0,63 1,10 0,50 1,96 Proteína (N total 6,25) 3,94 6,88 3,13 12,25 Fósforo 0,082 0,114 0,105 0,152 Cálcio 0,52 0,67 0,30 0,43 Magnésio 0,25 0,32 0,12 0,19 Potássio 2,04 2,42 3,09 3,19 Hidratos de carbono 23,2 21,7 20,0 20,7 Fonte: McWilliams, 2004
Para além da caracterização nutricional, o Arundo é constituído por 21,1% de lenhina, 31,1% de celulose (-celulose) e 30,3% de hemiceluloses, o que o torna muito atractivo para a indústria da pasta de papel (McWilliams, 2004).
No que diz respeito à utilização, todas as gramíneas apresentam características que lhes conferem um elevado potencial como material de construção, demonstrada pela sua utilização na construção de abrigos e casas de nativos desde há milhares de anos, especialmente como cobertura para telhados. O Arundo também é usado ainda hoje para a fabricação de estruturas de cabanas, como cobertura, para a construção de paredes e vedações, quebra-ventos, bandejas, tapetes e cestos, entre outros materiais. A sua utilização está, todavia confinada a alguns países menos desenvolvidos, como é o caso de algumas ilhas malaias, Andes, Egipto e outros países do continente africano (Swallen, 1969). Todavia, apesar da primitividade do método, pouca atenção tem sido dada à utilização das gramíneas como material de construção, sendo escassas as referências na literatura, especialmente no que diz respeito aos métodos e técnicas de construção.
Dependendo da sua utilização, o Arundo pode ser colhido anualmente ou de dois em dois anos. El Bassam (1998) apresenta dois exemplos de colheita dependendo do fim a que se destina:
Pode ser colhido anualmente se o destino for a produção de energia ou a produção de celulose;
21 Pode ser colhido de dois em dois anos se for utilizado como material de construção para
abrigos.
Quer se opte pela colheita anual ou bienal, existem duas épocas de colheita do Arundo – no Outono ou no final do Inverno – dependendo da sua finalidade. Se o objectivo for o de aproveitar todo o material produzido, por exemplo para produzir energia, através da combustão, o Arundo deve ser colhido no Outono. Nas colheitas efectuadas no final do Inverno, haverá uma redução significativa, até cerca de 30% de matéria seca, na biomassa produzida, com perda de folhas e panícula, especialmente se os invernos forem rigorosos e acompanhados por ventos fortes (El Bassam, 2004).
Em climas semi-áridos do Mediterrâneo, o teor de humidade das plantas colhidas no Outono encontra-se entre os 47,3% e os 53,2%, mas as condições climáticas nesta época do ano são adequadas para a secagem natural, no campo, após o corte. Esta variação do teor de humidade depende da época da colheita, mas como o Arundo está sempre activo durante o Inverno, o teor de humidade da planta nunca é inferior a 50% (Mantineo et al., 2009).
Uma vantagem significativa do Arundo prende-se com a sua capacidade de armazenamento, em comparação com outras culturas. Pode ser armazenado ao ar livre sem qualquer tipo de protecção, com perdas mínimas, que ocorrem principalmente nas folhas, numa percentagem nunca superior a 15% da biomassa total. As canas podem ser armazenadas com perdas negligenciáveis (El Bassam, 1998).
A par das utilizações como cobertura ou na indústria da pasta de papel já aqui abordadas, nos últimos anos tem-se olhado para o Arundo como uma potencial fonte de matéria-prima para produção de energia. Angelini et al. (2005) apresentam valores caloríficos da ordem dos 17MJ.kg-1, o que corresponde a valores de energia potencial estimados que rondam as 12 tep.ha-1.ano-1. Mantineo et al. (2009), determinaram a eficiência energética desta cultura e encontraram rendimentos de cerca de 5 tep.ha-1.ano-1, mas apenas a partir do terceiro ano de cultura, fundamentalmente devido ao custo energético da irrigação.