1. About Credit Balance Insurance
1.7. Benefit payment
4.8 – POSIÇÕES EXISTENCIAIS E DESEMPENHO DE PAPÉIS.
Na apresentação das cinco posições existenciais demos a entender que cada indivíduo possuía apenas uma, adotada em sua infância e permanente em sua vida. Foi mais uma exigência didática. Na realidade, apesar de alguém possuir uma posição existencial básica ou predominante, esta possui diversos graus de gravidade e pode mesmo variar conforme o papel desempenhado pelo indivíduo. ou seja, ele pode ser NÃO OK – OK em seu papel de marido, sentindo-se sempre por baixo com sua mulher e ser OK – NÃO OK como chefe ou funcionário, assumindo atitudes de intolerância e prepotência. De vez em quando, a gente encontra esse tipo de pessoa. Isso depende das experiências infantis e das mensagens parentais a respeito de cada papel. É importante destacar nesse ponto, que “a posição existencial é essencialmente uma abstração de uma limitada série de situações, adotada por uma criança de pouca idade, com um Adulto muito primitivo e que logo é generalizada a situações similares e projetada no futuro. Uma vez tomada é tenazmente mantida e possa-se a atuar seletivamente, em continuidade, aceitando-se da experiência só que confirme a posição e desfazendo o que a ameaça”. (R. KERTÉSZ)
Para compreendermos a importância dos papéis no processo de adaptação do indivíduo, precisamos conceituar inicialmente o que é “Status”. Para KERTÉSZ, “ Status é a posição que uma pessoa ocupa por seu sexo, idade, profissão, nascimento: Status de esposa, mãe, chefe, subordinado”, (é estático).
Enquanto papel é o modo como o indivíduo funciona (é dinâmico). Pode ocorrer, por exemplo, que uma pessoa ostente o status de chefe porém, ao invés de funcionar com o papel correspondente, desempenha o de subordinado de um outro indivíduo a quem deveria chefiar. É a questão da não correspondência entre as situações “de direito e de fato”, muito comum em Organizações Sociais.
É necessário que a pessoa adeqüe o seu desempenho de papel ao seu status, do contrário estará desadaptado.
Em linhas gerais, os papéis podem ser classificados em três grandes grupos: Papéis Familiares, Papéis Profissionais e Papéis Sociais.
4.9 – O MINIARGUMENTO E SUA INFLUÊNCIA NO DESEMPENHO
FUNCIONAL
Para compreendermos o significado do conceito de Miniargumento é necessário o entendimento prévio do que seja O Argumento de Vida., segundo a Análise Transacional. BERNE o definiu como “um plano de vida não-consciente, decidido na infância”, que substitui cientificamente o conceito mágico de destino. Este plano ou argumento de vida estrutura-se sobre a posição existencial assumida pela criança a partir da gravação dos mandatos verbais e não-verbais de seus pais. Com base nele o indivíduo planifica seu futuro em linhas gerais.
Conforme o teor do Argumento o indivíduo será um:
1. TRIUNFADOR – Cumpre os seus objetivos sem ferir a ética de seu grupo. É basicamente OK – OK
2. CARREIRISTA – Cumpre os seus objetivos desonestamente, sem preocupar- se com a ética de seu grupo. É basicamente NÃO OK – OK ou OK – NÃO OK. 3. NÃO GANHADOR – Cumpre parcialmente seus objetivos. É basicamente
NÃO OK – OK ou OK – NÃO OK.
4. PERDEDOR – Não cumpre seus objetivos. É basicamente NÃO OK – NÃO OK.
Segundo KERTÉSZ, “o Argumento permite ao indivíduo atuar sem pensar, ao permutar a ansiedade da dúvida por uma conduta automática; o preço é renunciar a agir com o Adulto, funcionando em troca, com a Criança Adaptada (programada ou argumentada)”.
O argumento é transmitido de pai para filho, através das respectivas Crianças, como um manual de procedimentos, pensamentos, percepções, emoções e sentimentos que o indivíduo utilizará no direcionamento de sua vida. Por ser baseado no passado e não sofrer uma adaptação às mudanças no ambiente, o Argumento apresenta diversas inadequações e mesmo erros prejudiciais ao êxito do indivíduo. Ao perceberem esses resultados nocivos, os pais procuram remediá-los através de mensagens verbais “corretivas” de seus estados de ego Pai para o estado de ego Pai do filho (Contra – Argumento).
Essas mensagens são chamadas impulsores e podem ser classificadas em cinco: 1. SEJA PERFEITO – O pai não permite falhas, o que leva o indivíduo a uma
compulsão de querer atingir a perfeição humanamente inalcansável. Na tentativa de consertar as deficiências oriundas do Argumento, os pais exageram na dose, passando para o outro extremo – Nenhuma falha.
2. SEJA FORTE – O pai não permite a demonstração de fraqueza (chorar, pedir ajuda, receber carinho ou auxílio) diante dos outros. Também é uma solução extremista.
3. APRESSA-TE MAIS – O pai não permite perda de tempo, levando o indivíduo a fazer tudo cada vez mais rápido, até a exaustão.
4. ESFORÇA-TE MAIS – O pai não permite descanso, o que leva o indivíduo a aplicar um esforço cada vez maior em seu trabalho. como resultado há uma anulação dos objetivos finais, pois o que importa é mostrar o esforço em si, não o resultado da tarefa assumida.
5. AGRADA-ME MAIS – O pai cria no indivíduo a sensação de que, se não agradar ao máximo as outras pessoas, não será feliz.O problema é que esse
“máximo” é outro buraco sem fundo, deixando-o sempre com a sensação de não ter dado atenção, o carinho, a dedicação suficientes.
Esses cinco impulsores apresentados têm algumas características comuns como: - São inalcansáveis;
- Produzem frustração;
- Ao invés de consertarem, agravam os efeitos nocivos do Argumento;
- São compulsões que o indivíduo possui em maior ou menor grau, geralmente se ter consciência;
- Dificultam a vida de cada um.
É portanto indispensável que conheçamos o grau de nossos impulsores se quisermos diminuir os ruídos internos, melhorar nossas transações e facilitar o atingimento de nossos objetivos.
Para uma compreensão visual apresentamos abaixo a matriz simplificada do argumento:
TAIBI KAHLER, um psicólogo americano, após diversos anos de trabalho sobre o Argumento de Vida, verificou que podia detectá-lo em seus elementos essenciais (os impulsores), em questão de minutos. Para tanto, servia-se de observação da forma de construção das frases, da entonação, e da linguagem não-verbal (gestos, atitudes) de seus clientes. Denominou sua descoberta de Miniargumento.
O Miniargumento é um “flash” do Argumento e sua maior importância está na oportunidade que oferece de compreendermos o plano de vida do indivíduo em poucos minutos. Esse Mini-plano de vida, conforme o teor das gravações realizadas na infância, pode ser negativo (NÃO OK) ou positivo (OK). Uma pessoa segue um Miniargumento NÃO OK através de seus estados de ego “funcionando” no circuito NÃO OK e segue um Miniargumento OK com seus estados de ego no circuito OK.
Veremos a seguir cada uma dessas fases, inicialmente através do diagrama do Miniargumento NÃO OK:
O Miniargumento NÃO OK descreve um ciclo fechado iniciado no ponto 0 com um Estímulo Transacional do Pai Crítico. Por exemplo: “Você não vai conseguir fazer um trabalho decente”... seguido de resposta da Criança Submissa – “Então, o que devo fazer para conseguir?” que leva o indivíduo ao ponto – 1 com o Pai Nutritivo Negativo aconselhando – “Seja perfeito, meu filho”, que aparentemente é uma boa saída, produzindo uma sensação de bem-estar. Quando descobre que a perfeição requerida é inalcansável, o indivíduo cai de seu falso bem-estar, entrando no ponto – 2 (conhecido vulgarmente por “fossa”). Nesse ponto, as emoções são tipicamente de Criança Adaptada Submissa (falsa alegria, depressão, medo prolongado, ansiedade, culpa, confusão ou sensação de inadequação), podendo variar de pessoa para pessoa. O estado de ânimo sofre um rebaixamento muito grande, favorecendo o sentimento de inferioridade (eu sou NÃO OK, você é OK). Entretanto após certo tempo, o indivíduo “chega a conclusão” que foi enganado por seu Pai Nutritivo Negativo, e resolve vingar- se. Só que ao invés de fazê-lo internamente, dirige sua ira para o bode expiatório mais próximo. Esta mudança é resultante de sua entrada no ponto – 3 do Miniargumento NÃO OK, onde passa a agir como Criança Adaptada rebelde, com suas emoções características (ira, rancor, rebeldia, enojamento, falso triunfo) e com o estado de ânimo eu sou OK, você é NÃO OK.
Passado algum tempo , o indivíduo sofre outra “queda”, entrando desta feita na última etapa de seu Miniargumento, o ponto – 4, também denominado de benefício final do Miniargumento NÃO OK. Neste ponto ocorre uma reação de prostração, de desânimo existencial, característico da posição “eu sou NÃO OK, você é NÃO OK”, com as reações emocionais oriundas da sensação de solidão, rejeição, loucura, melancolia ou desespero, dependendo da gravidade.
Deste ponto há um retorno ao ponto 0 de onde inicia o Miniargumento novamente. Como deve ter observado, o indivíduo no Miniargumento NÃO OK, praticamente não atua com seu Adulto. Suas condutas e atitudes são guiadas pelo Pai Negativo e
suas reações emocionais e motivação têm origem na Criança Adaptada. Encontra-se prisioneiro em seu passado de onde retira o “ensinamento” para sua vida futura.
Entretanto, além do Miniargumento NÃO OK, há o Miniargumento OK, no qual o indivíduo atua em seu circuito positivo.
Uma característica do Miniargumento OK é conter, ao invés dos impulsores, os permissores, que refletem uma atitude do Pai Positivo.
Os permissores são antíteses dos impulsores, como pode ser visto na tabela comparativa abaixo:
IMPULSORES PERMISSORES
SEJA PERFEITO Você pode errar, seja você mesmo.
Você é humano, pode sentir e expressar suas emoções
Não precisa apressar-se, viva cada momento de sua vida.
Gaste a energia necessária a cada coisa, não precisa exagerar.
Você não precisa sacrificar-se por ninguém. Pense em você.
SEJA FORTE APRESSA-TE MAIS ESFORÇA-TE MAIS AGRADA-ME MAIS
O ponto 0 do Miniargumento OK é um estímulo de confiança interno oriundo do Pai Crítico Positivo ou Protetor, como por exemplo: “não se preocupe com o tempo, você pode fazer um bom trabalho”, que tem como resposta “Sim, eu sei que sou capaz”, oriundo da Criança Adaptada Positiva. Quando entra no ponto 1, o indivíduo o faz através de seu Adulto, com o apoio implícito do Pai Nutritivo Positivo, criando assim um bem-estar duradouro. Ao atingir seu objetivo, (terminar a tarefa sem apressar-se) há um reforço de sua realização, quando atinge o ponto 2, caracterizado por emoções típicas da Criança Livre (alegria, prazer). O seu estado de ânimo é mais reforçado ainda quando o indivíduo passa para o ponto 3, caracterizado por emoções autênticas de Criança Livre ou Criança Adaptada Positiva (júbilo, orgulho). Finalmente no ponto 4, o indivíduo atinge a alegria final ou pequeno êxito, um prêmio íntimo pelo objetivo alcançado.
Fizemos uma descrição do Miniargumento devido a sua grande importância na análise e aprimoramento da conduta humana. Compreendendo-o podemos facilmente tomar consciência do estado emocional em que nos encontramos em cada situação e a seguir corrigi-lo ou desenvolvê-lo, conforme o caso. Se atentarmos para o fato de que nossas atitudes e comportamentos têm sempre um fundo emocional, que os inicia, mantém e desenvolve, podemos sentir claramente a importância do estudo do Miniargumento.
Todos nós vivemos no Miniargumento OK, ora no NÃO OK. À medida em que aumentamos o tempo que passamos nesse último, tomamo-nos mais inadaptados à realidade, criando um clima “tóxico” à nossa volta. Isso é devido ao fato de estarmos funcionando no circuito NÃO OK e estarmos repetindo condutas arcaicas, em descompasso com a situação presente.
Um modo relativamente simples de sairmos do Miniargumento NÃO OK é ligar o Adulto, ou seja, ficarmos consciente de nossas emoções, atitudes e comportamentos. O modo mais prático de fazê-lo é através de “contratos de ajuda recíproca” com amigos, colegas de trabalho ou outra pessoa de confiança, nos quais um diz para o outro como percebeu a atitude ou comportamento do outro, num dado momento ou situação.
Como as respostas NÃO OK são oriundas de estados de ego Pai ou Criança NÃO OK e são acionadas automaticamente diante de circunstâncias bem definidas, ou seja, são seletivas, o procedimento sugerido acima tem uma margem de êxito muito grande, pois quebra progressivamente esses automatismos em situações específicas. Em outras palavras, baseia-se em dados concretos, por isso obtém resultados concretos.
Quando ficamos conscientes de que estamos, por exemplo: no ponto – 3 do Miniargumento NÃO OK, podemos decidir Adultamente sobre a conveniência de permanecer nele ou de passar para o ponto +3 do Miniargumento OK. E cada vez que conseguimos efetuar essa passagem desenvolvemos mais a nossa personalidade e nos tornarmos donos de nós mesmos.
E a medida em que isso ocorre, o clima psicológico de nosso grupo de trabalho torna-se mais “Nutritivo”.