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BENEFICES DES PROFESSIONS NON COMMERCIALES Sous Section I : Définition

Os ambientes tradicionais para o trabalho com mixagem costumam ser salas fechadas de estúdios de gravação musical. O conhecimento do comportamento do som neste tipo de ambiente e os métodos de adaptação tais como, por exemplo, o re-posicionamento dos móveis; e a correção dos desníveis acústicos específicos de cada local, tais como a utilização de placas de absorção; são fundamentais para evitar alterações decorrentes de conflitos entre freqüências ou acúmulo de ressonâncias e conseqüentes erros nos resultados almejados.

Quando a propagação de um som ocorre em ambientes confinados, como um tubo ou uma sala fechada, as reflexões nas superfícies levam à produção de ondas sonoras estacionárias. Estas são ondas que entram em interferência construtiva ou destrutiva quando refletidas nas paredes desses ambientes, criando regiões estacionárias de reforço e cancelamento de determinadas freqüências sonoras [PARKER 1988, p: 21].

Também pode ocorrer o efeito da ressonância neste tipo de ambiente, pois suas paredes não são totalmente fixas, mas vibram em consonância com as regiões estacionárias de reforço. Salas podem ressoar como órgãos de tubo, sendo muitas vezes consideradas como um instrumento extra, muitas vezes indesejado, “tocando” junto com os músicos. Um bom projeto de uma sala para música é aquele que minimiza essa coloração, que ocorre de forma mais acentuada na região dos sons graves, normalmente entre 20 Hz e 200 Hz, devido ao seu grande comprimento de onda. A resposta dos graves é situada região frequencial limitada e deve-se prestar atenção ao lidar com as equalizações para evitar um acúmulo de informação que se torna responsável por modificações no som original em meio à ressonância. Nas freqüências mais altas, a sala ainda exerce influência, porém a quantidade de ressonância não é vista como um problema grave, considerando-se o fato de que é mais fácil, através de certos procedimentos, tais como o isolamento acústico, obter um índice adequado de absorção [LUDWIG, 1997].

Qualquer sala, incluindo aquelas que possuem um número ímpar de paredes, evitando, assim, que estas superfícies sejam paralelas, irão ressoar em várias freqüências. Uma sala com bastante mobília acolchoada, carpetes e cortinas pode vir a ser considerada “morta” por absorver grande parte das reflexões do som. Neste caso, os picos e vales das magnitudes das componentes espectrais podem criar sobre o som emitido variações de atenuação entre 5dB e 10dB. Uma sala com paredes e pisos lisos e sem revestimentos absorventes pode ser considerada bastante “viva” por possuir a capacidade de gerar um grande número de reflexões. Assim, seus picos e vales de componentes em freqüência podem criar sobre o som emitido variações de atenuação entre 10dB e 20dB, ou mais. Em ambos os recintos, sob a condição de silêncio, ou seja, apenas o ruído de fundo da sala, supõe-se que não haverá reflexões, ou seja, nenhuma variação de atenuação.

O modelo padrão de projeto de uma sala acusticamente adequada cria um ambiente propício ao surgimento de um maior número de ressonâncias e que simultaneamente também é capaz de propagar todas as diferentes freqüências, da forma mais uniforme possível, dentro

de todo o seu espaço. Evita-se descompensar ou atenuar determinadas freqüências do espectro sonoro, a fim de que todas as alturas sejam ouvidas com a mesma clareza e intensidade. A ressonância da região grave tem a maior variação de freqüência e é dada pela dimensão mais larga da sala, determinando a freqüência da primeira ressonância. Tecnicamente, segundo LUDWIG [1997], para todas as salas existe uma ressonância em 0Hz, porém, geralmente não é considerada como uma ressonância verdadeira, mas interpretada como o estado estático natural do ambiente.

O fator limite da propagação das freqüências dentro dos ambientes geralmente está vinculado à sua dimensão e adequação ao ângulo formado pelas paredes. Salas grandes possibilitam maior dispersão das freqüências de ressonância pelo espaço. Por exemplo, em uma sala de profundidade de 5,8 metros, considerando-se a velocidade do som igual a 340m/s, pode-se calcular que em um trecho de ida e volta o som percorre esta distância em 34 milisegundos. Neste ambiente, a primeira ressonância surge na freqüência de 1/34ms ou 29,41 Hz, e cada harmônico dessa freqüência (58,62; 87,93; 117,22; etc.) também ressoa. A largura e a altura da sala permitem o surgimento de outra série de ressonâncias, que são chamadas de ressonâncias axiais primárias, envolvendo reflexões de duas superfícies opostas.

Ressonâncias adicionais são criadas a partir das reflexões que colidem em todas as superfícies laterais do ambiente, consideradas tangenciais, e apresentam-se com menos intensidade devido à perda de energia sonora em cada mudança de direção. Finalmente, existem as ressonâncias oblíquas que, comportando-se de acordo com as variações de pressão sonora dentro do ambiente, transitam e colidem em todas as superfícies do ambiente: paredes; piso e teto.

Segundo BALLOU [1991, p: 497], diversas proporções entre as superfícies de uma sala, desde salas menores às maiores, especialmente para estúdios ou espaços para concertos, foram estabelecidas de forma a otimizar a propagação das ressonâncias da forma mais diversificada possível. De acordo com sua teoria, o pior tipo de sala para isso é aquela em formato de cubo, que gera ressonâncias em apenas algumas freqüências derivadas da primeira reflexão, de forma que estas, quando se acumulam, soam com maior intensidade em relação às outras freqüências presentes no som geral do ambiente. Outra sala definida como indesejada para uma boa propagação das diversas frequências é a que possui todas as dimensões com valores múltiplos da sua altura. Na figura 3.2 é apresentado um gráfico comparativo da análise da propagação das ressonâncias entre duas salas de mesmo volume,

porém com diferentes dimensões. Uma sala apresenta proporções consideradas ótimas para a resposta sonora e a outra é considerada com dimensões irregulares para essa atividade. Cada linha vertical colorida desenhada no gráfico representa uma ressonância definida pela diferença de altura no eixo vertical (Y), neste, a linha superior é a axial; a mediana é tangencial; e a inferior oblíqua. O posicionamento na coordenada do eixo horizontal (X) corresponde à sua freqüência. As diferenças de cores referem-se às diferentes ressonâncias de acordo com sua movimentação pelo ambiente. Na sala irregular, denominada “Horrible Room”, estas são mais concentradas em uma região frequencial e com poucas parciais, apresentando também um número menor de linhasna região entre 30Hz e 60Hz. Isto se deve principalmente ao fato de que a maioria das reflexões ocorre para componentes de mesma freqüência. No gráfico da sala definida como tendo proporções adequadas, ou “Optimum Room”, o compêndio de ressonâncias é mais rico e variado, propiciando a formação de um grande número de parciais e uma maior proximidade da resposta para todo o campo frequencial percebido pela audição humana.

Figura 3.2: Exemplo de comparação da variação frequencial grave (até 200Hz) ocorrente na propagação das

ressonâncias entre uma sala acústica otimizada (Optimum Room) e uma sala acústica definida com proporções ruins para movimentação das ondas sonoras (Horrible Room). Eixo (Y) vertical está para o tipo de ressonância

(diferença de altura onde a linha superior é a axial, a mediana é tangencial e a inferior oblíqua) e o posicionamento na coordenada do eixo (X) horizontal corresponde a sua frequência (Hz).

No website da MC2 – System Design Groups40 é apresentada uma plataforma para o

auxílio no cálculo da ressonância e do tempo de reverberação em salas retangulares. Esta é uma ferramenta bastante útil, visto que a maioria dos ambientes adaptados para estúdios e trabalho com o som em geral é montada em salas de tamanho reduzido e de formato retangular; dentro de casas ou apartamentos previamente construídos com fins residenciais; e aparentemente sem preocupação com o tratamento acústico das salas.