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Behavior Driven Developpment avec Lettuce

A bicicleta compartilhada além de ser útil como meio de transporte, de contribuir para a saúde do indivíduo e de reduzir a poluição na atmosfera – características já existentes –, embute a visão de ser um bem comum que possibilita a promoção de mudanças nas relações sociais existentes. Averiguá-la sob a ótica da inovação social possibilita visualizar como sistemas de bike share alteram o contexto urbano e social, especificamente na localidade em análise. Além de que este estudo concede o resgate dos conceitos sobre a inovação social e proporciona um novo ambiente de análise, permitindo ampliar o debate acerca do assunto e trazer contribuições teóricas-empíricas para o campo de pesquisa.

Em suma, os elementos da inovação social estão presentes no ambiente de análise. As bicicletas compartilhadas atuam como proporcionadoras de mudança social em uma localidade, apresentando características de inovação social. O funcionamento da bike share na localidade incide em que as relações processuais, políticas, institucionais e organizacionais se modificam para que ocorram a promoção dos sistemas Bicicletar e Bicicleta Integrada, e que cidadãos passem a ter acesso ao meio de transporte gratuito. Cada ator envolvido (poder público municipal, empresa operadora, empresa privada, usuário) executa um papel importante com as bicicletas compartilhadas em Fortaleza, além de que outros fatores ocorrendo na cidade favorecem para que os usuários utilizem a bicicleta. As bicicletas compartilhadas desenvolvem oportunidades das mais variadas, que inclui em benefícios para o indivíduo como para a localidade em que estão inseridas, através de desafios e adaptações que resultam em transformações do cenário.

Desta forma, compreende-se que os elementos que constituem as dimensões da inovação social associam à obtenção de resultados com estudos empíricos pertinentes que colaboram para o desenvolvimento do campo. Assim, esta pesquisa contribui teoricamente com o campo da inovação social, instigando o uso de dimensões formuladas para os estudos urbanos. Tal pesquisa contribui, também, para que o poder público tenha conhecimento do processo que formou e viabilizou os sistemas de bicicletas compartilhadas em Fortaleza, e quais impactos podem existir na permanência deste serviço embasando-se nos conceitos da inovação social.

Dentre as limitações da pesquisa, a pesquisadora teve dificuldades em conseguir o rápido retorno das pessoas a serem entrevistadas; a impossibilidade de realizar as entrevistas com as demais empresas patrocinadoras do Bicicleta Integrada e de expandir as entrevistas com os usuários das bicicletas compartilhadas, em especial do Bicicleta Integrada. As empresas demonstraram inicialmente vontade para colaborar, mas durante o processo de agendamento de

entrevista pessoal, e posteriormente sendo permitido a entrevista respondida por e-mail ou telefone não se obteve retorno, mesmo com insistências. A visão de outra patrocinadora que colabora a mais tempo com o projeto e das patrocinadoras que já colaboraram poderia proporcionar um olhar complementar das bicicletas compartilhadas pelo período de envolvimento. Quanto aos usuários das bicicletas compartilhadas, a entrevista no próprio local da estação, tornava-se inviável pela dinâmica em que o usuário necessita retirar a bike para se deslocar, sendo um ponto limitante.

Para pesquisas futuras, sugere-se a continuidade desta investigação analisando com maiores detalhes o processo de cada sistema de bicicleta compartilhada. Entende-se como pertinente sob o olhar da inovação social e para a construção deste campo que uma análise aguçada dos detalhes de cada projeto verifica fatores que podem aproximá-los ou distanciá-los, por se tratarem de projetos implementados em épocas diferentes e com características particulares. Ademais, recomenda-se analisar o Sistema de Bicicletas Corporativo a fim de compreender a relação instituição-funcionário, e o Mini Bicicletar a fim de compreender a relação família que poderão trazer novos fatores de análise e agregar dados ao campo da inovação social. Sugere-se também, realizar estudos comparativos com outros sistemas de compartilhamento de bicicletas, sejam nacionais ou internacionais, já que as especificidades de implementação em cada localidade podem trazer novas características que contribuam para as discussões sobre a temática.

Por fim, expõe-se que o presente estudo não exclui que em outras cidades brasileiras a implantação e o funcionamento das bicicletas compartilhadas se deem de forma similar, bem como que o sistema de bicicletas compartilhadas em estudo tenha sido inspirado em modelos de mobilidade internacionais. A proposta desta pesquisa não foi o de colocar a cidade de Fortaleza como único município do estado do Ceará a possuir este sistema de compartilhamento de bicicletas, mas sim o de analisar quais elementos caracterizam as bicicletas compartilhadas como processo de inovação social no contexto da mobilidade urbana, e para tanto, tomou-se como espaço de estudo as que estão em desenvolvimento nesta cidade. Tal trabalho fica disponível para que possa haver replicação em outras cidades e verificação de seus processos em contribuição para o desenvolvimento da mobilidade urbana local, permitindo inclusive a contribuição para o desenvolvimento no campo da inovação social.

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