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BAUDELAIRE : UN CHOIX SPECIFIQUE DE GENRE

INTRODUCTION AU CORPUS

I. 2.4 « LES PARADIS ARTIFICIELS »

I.3 BAUDELAIRE : UN CHOIX SPECIFIQUE DE GENRE

Iremos analisar como os participantes conceptualizaram o que são bons comportamentos entre pares em geral. A análise da questão “O que são bons comportamentos entre jovens da tua idade?” permitiu identificar, no total, quatro categorias diferentes. Verificamos que os bons comportamentos são conceptualizados pelos sujeitos como comportamentos e atitudes gerais centrados no sujeito (através do respeito, educação e da responsabilidade), como comportamentos marcados pela regulação cognitivo- comportamental (não perturbar, participar, evitar conflitos e prestando atenção), como comportamentos e atitudes relacionais (convivialidade, não prejudicar os outros, ajudar e fazer o bem) e como relação familiar positiva.

A análise das categorias revela que ambos os grupos conceptualizam em primeiro lugar o bom comportamento com pares como sendo consistindo em comportamentos e atitudes de educação em geral centrados no sujeito (G1: N=5, 38,5%; G2: N=6 37,5%) e comportamentos e atitudes relacionais do sujeito (G1: N=5, 38,5%; G2: N=6, 37,5%). Em segundo lugar, ambos os grupos consideram o bom comportamento com pares como consistindo em apresentar comportamentos marcados por uma regulação cognitivo- comportamental (G1: N=2, 15.4%; G2: N=4, 25%). Encontramos aqui uma diferença pois como se observa são os alunos como tendo mau comportamento que mais referem estes aspetos.

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Em terceiro lugar e de forma muito residual o bom comportamento com pares é entendido pelo grupo de alunos identificado como apresentando bom comportamento como ter uma boa relação familiar (G1: N=1, 7.7%; G2: N=0).

Uma análise mais fina das categorias acima revela que à exceção da categoria de relação familiar positiva, todas as outras apresentam subcategorias diversas que passemos a analisar.

Tabela 4. Conceção de bom comportamento: Categorias Subcategorias, frequência e percentagens

Categorias e Subcategorias Grupo 1 % Grupo 2 % Total

N %

1. Comportamentos e atitudes gerais positivas (5) (38,5) (6) (37.5) (11) (37.9) 1.1. Respeito 5 38,5 3 18.8 8 27.6 1.2. Educação - - 2 12,5 2 6.9 1.3. Responsabilidade - - 1 6.25 1 3.4 2. Regulação cognitivo- comportamental (2) (15.4) (4) (25) (6) (20.7) 2.1. Não Perturbar - - 2 12,5 2 6.9 2.2. Participar - - 1 6.25 1 3.4 2.3. Evitar conflitos 2 15 - - 2 6.9 2.4. Prestar atenção - - 1 6.25 1 3.4 3. Comportamentos e atitudes relacionais positivas (5) (38,5) (6) (37,5) (11) (37.9) 3.1.Convivialidade 2 15.4 - - 2 6.9

3.2. Não prejudicar os outros 1 7.7 2 12,5 3 10.3

3.3. Cooperação e solidariedade (2) (15.4) (4) (25) (6) 20.7

3.3.1. Ajuda 2 15.4 3 18.8 5 17.2

3.3.2 Fazer o bem - - 1 6.25 1 3.4

4. Relação familiar positiva (1) (7.7) - - (1) (3.4)

Total 13 100 16 100 29 100

Na categoria comportamentos e atitudes gerais positivas do sujeito verificamos que ambos os grupos consideram o respeito como uma componente do bom comportamento, embora o grupo de alunos identificados com bom comportamento apresente valores mais altos (G1: N=5, 38,5%; G2: N=3, 18,8%). Em ambos os grupos, encontramos menções ao respeito (G1: N=5, 38,5%; G2: N=3, 18,8%), mas somente no grupo de alunos identificados como apresentando mau comportamento com pares existem ainda menções à educação (G2: N=2, 12,5%). e à responsabilidade (G2: N=1, 6%). Segundo Casares (2000), o respeito é visto como uma habilidade básica de interação social, que cada jovem deve ter para um relacionamento mais adequado com os pares e com as outras pessoas.

“Nunca faltar ao respeito a ninguém” (S2)

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Como referimos o grupo de alunos identificado como tendo mau comportamento com pares destaca as subcategorias educação e o não perturbar como sendo bons comportamentos entre jovens (N=2, 12,5%). A educação é associada às habilidades básicas de interação social, pois se os jovens não tratarem os outros e os mais velhos com respeito ou vice-versa, poderá gerar conflitos entre eles (Casares, 2000).

“(…) ser educado perante os mais velhos” (S14) “Ser educado perante os outros” (S15)

A categoria comportamentos e atitudes relacionais positivas do sujeito, traduz as ideias de que um bom comportamento com pares consiste em interações de convivialidade, em não prejudicar os outros, cooperar e ser solidário. Neste aspeto podemos observar diferenças entre os dois grupos na medida em que:

- somente o grupo de alunos identificados como tendo bom comportamento com pares (G1) considera que o mesmo consiste em dar-se bem com os colegas (N=2, 15%); - O grupo de alunos identificados como tendo mau comportamento com pares, refere mais a ajuda (G1: N=2, 15.4%; G2: N=3, 18.8%) e o fazer o bem (G2: N=1, 6,2%).

“Ajudar os outros quando precisam” (S3) “Não se pratica o mal e sim o bem” (S10)

A ajuda é definida por Casares (2000), como sendo uma habilidade para fazer amigos e amigas, ou seja, situações em que os sujeitos devem perceber quando têm de ajudar alguém ou quando têm de pedir ajuda. Outros autores classificam o pedir ajuda como sendo competências sociais avançadas e ajudar os outros como sendo competências alternativas à agressão (Goldstein, Sprafkin, Gershaw, Klein, 1989).

A convivialidade, segundo Casares (2000) pode-se inserir nas habilidades para fazer amigos e amigas, pois é aqui que são desenvolvidas as habilidades que são cruciais para o início, desenvolvimento e continuação das interações positivas com os outros.

“Conviver com todos” (S1)

“Darem-se bem com todos os colegas” (S2)

Os comportamentos de regulação cognitivo-comportamental considerados como tradutores de uma boa relação com pares são entendidos pelo grupo de alunos identificados como tendo bom comportamento como consistindo unicamente em evitar conflitos (G1: N=2, 15.4%). A subcategoria evitar conflitos está relacionada com as competências alternativas à agressão, em que os indivíduos criam estratégias para lidar com os problemas evitando os conflitos (Goldstein, Sprafkin, Gershaw, Klein, 1989).

“Não criar conflitos com os outros” (S4)

O grupo de alunos identificados como apresentando mau comportamento com pares conceptualiza a regulação cognitivo-comportamental como algo que marca uma boa

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relação com pares e como consistindo em não perturbar (G2: N=2, 12.5%), participar (G2: N=1, 6,25%) e prestar atenção (G2: N=1, 6.25%).

Tais dados indicam que os alunos com bom comportamento entendem os comportamentos de regulação cognitivo-emocional como partes importantes no contexto geral de relação com pares enquanto os alunos identificados com mau comportamento os situam somente no contexto de sala de aula.

Em suma, considerados os participantes no seu conjunto, verifica-se que estes consideram que um bom comportamento com pares consiste em: i) comportamentos e atitudes gerais de respeito, educação e responsabilidade; ii) existência de regulação cognitivo-comportamental; iii) comportamentos e atitudes relacionais de convivialidade, não prejudicar os outros e cooperação e solidariedade.

Encontram-se diferenças entre as conceptualizações de ambos os grupos de alunos: - Os alunos identificados com bom comportamento referindo exclusivamente o respeito como comportamento e atitude geral de um bom comportamento com os pares e os alunos identificados com mau comportamento referindo ainda a educação e a responsabilidade;

- Os alunos identificados com mau comportamento referem aspetos mais diversos de regulação cognitivo-emocional (não perturbar, participar e prestar atenção) mas reportando-se somente ao contexto de sala de aula. Por sua vez, os alunos com bom comportamento apesar de se referirem somente ao evitar conflitos situam a regulação cognitivo-comportamental enquanto algo que marca um bom comportamento com pares num contexto de relação amplo com estes. É também somente este grupo (G1) a referir a convivialidade enquanto bom comportamento e atitude relacional com os pares. Já a cooperação e solidariedade é mais referida pelo grupo de alunos identificados com mau comportamento.