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2. TECHNICAL FEASIBILITY

2.14 Batteries and Charge Management

REFERENTE AO PERÍODO 2003-2010 (PNUD – SEED/PR)

Durante a fase de planejamento do Programa Paraná Digital (PRD), em meados de 2003, a SEED/PR optou por buscar apoio técnico do escritório regional do Programa das Nações Unidas (PNUD) no Brasil, devido à complexidade que se previa com a ampliação do parque tecnológico das escolas públicas estaduais com a aquisição de 44 mil computadores e estrutura física, material e de conectividade compatíveis.

Devido à pouca experiência da equipe da SEED/PR em processos deste porte, o apoio do PNUD tornou-se de fundamental importância, inclusive para viabilizar as negociações com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no acordo de empréstimo para subsidiar o PRD, o qual, no âmbito do PNUD, era identificado por Projeto BRA/03/036, e todos os processos licitatórios para aquisição dos recursos tecnológicos foram a público a partir desta identificação (PARANÁ, 2003).

Nas diretrizes do Projeto BRA/03/036 do PNUD, caracterizado como sendo o PRD na SEED/PR, além dos três eixos fundamentais para inclusão digital das escolas públicas no Paraná, já apresentados, recurso tecnológico, recurso didático e formação, previa-se uma quarta perspectiva fundamental, que era a necessidade de se estabelecer um forte componente de monitoramento e avaliação, que permitiria avaliar os resultados e corrigir rumos, caso fosse necessário (PARANÁ, 2003).

Para tanto, foram definidos os seguintes produtos para este resultado:

1) Sistema de monitoramento e avaliação do projeto elaborado e implementado; 2) Unidade gestora instrumentalizada para apoiar as ações previstas no projeto.

O sistema de monitoramento e avaliação foi elaborado e implementado em quatro perfis por quatro consultores contratados pelo PNUD especificamente para este trabalho, o qual foi desenvolvido no biênio 2008-2009, com sistematização e lançamento do relatório final no ano de 2010. A unidade gestora que liderou este processo foi a Diretoria de Tecnologia Educacional da SEED/PR e a autora dessa tese assumiu, na ocasião, a supervisão de todo o processo de avaliação.

A avaliação dos quatro perfis (Figura 5) se deu com a execução de atividades de forma integrada, coordenada e complementar: Perfil 1 - avaliou aspectos relacionados à gestão do Programa Paraná Digital; Perfil 2 - avaliou aspectos relativos à formação de professores das escolas públicas estaduais para o uso das tecnologias de informação e comunicação; Perfil 3 - avaliou aspectos relativos ao conteúdo didático disponibilizado pelo PRD; e Perfil 4 - avaliou aspectos relativos à estrutura física, material e tecnológica do PRD.

FIGURA 5 – Avaliação da política pública de tecnologia na Educação/PR (2003-2010). FONTE: Produção da autora.

O processo de avaliação foi dimensionado para os quatro perfis, sendo o perfil de gestão ajustado para a administração e organização do PRD, o qual foi configurado para integrar os demais. Esta avaliação culminou no relato das oportunidades a aproveitar, dos pontos fortes a explorar e dos pontos fracos a superar, a fim de buscar a eficácia, a eficiência e a efetividade das ações inerentes ao uso das tecnologias de informação e comunicação no espaço escolar, para o aprimoramento das políticas públicas de tecnologias na educação do Paraná, e para produzir explícita e especificamente o conhecimento sobre o PRD em caráter institucional.

A metodologia adotada para o processo de avaliação do PRD desenvolveu-se segundo a Análise de Swot21. O termo SWOT é um acrônimo das palavras Strenghts,

Weaknesses, Opportunities e Threats, que significam respectivamente: forças,

fraquezas, oportunidades e ameaças. A análise SWOT é uma ferramenta de gestão bastante difundida no meio empresarial para o estudo dos ambientes interno e externo da empresa por meio da identificação e análise dos pontos fortes e fracos da organização e das oportunidades e ameaças às quais ela está exposta.

Como resultado do processo de avaliação segundo esta análise, foram delineados os pontos fortes e as fraquezas da política pública de tecnologias de informação e comunicação nas escolas públicas de educação básica do Paraná, principalmente no âmbito do PRD.

Análise SWOT do PRD da SEED/PR

Pontos fortes identificados: Perfil 1: gestão calcada em três pilares: equipamento, material digital e formação para o uso da tecnologia da educação; Perfil 2: atuação das CRTEs; Perfil 3: uso do Portal Dia a Dia Educação e TV Paulo Freire incorporando inovações de materiais didáticos audiovisuais e web; Perfil 4: sistema de monitoramento e universalidade de acesso à internet nas escolas.

Pontos fracos identificados: Perfil 1: pouca amplitude da rede internet e fraca articulação, na gestão do programa, da Diretoria de Tecnologia Educacional com o Departamento de Educação Básica da SEED/PR. Perfil 2: necessidade de deslocamento de assessores técnicos e pedagógicos das CRTEs até as escolas para orientarem os professores para a aplicação pedagógica das tecnologias e inexistência de gestor de tecnologia na escola. Perfil 3: limitação de infraestrutura técnico- operacional para funcionamento das mídias (dificuldades encontradas de acesso à Internet e banda); Perfil 4: inexistência de plano de manutenção e de recurso financeiro e ausência do papel importante da segurança das informações digitais e dos próprios equipamentos das escolas.

Destacam-se algumas recomendações contidas no relatório de avaliação (PARANÁ, 2010) para o aprimoramento de um dos quatro perfis fundamentais, o de

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formação para o uso de tecnologias, o qual possui vínculo direto com o fenômeno em estudo:

Perfil “2” avaliado: Processos de formação dos professores para uso das

tecnologias de informação e comunicação.

Como já contemplado, o processo de formação dos professores das escolas públicas do Paraná esteve e está a cargo das 32 CRTEs desde a implantação do PRD. No percurso da avaliação, os métodos aplicados nos cursos e assessorias pedagógicas promovidas pelas CRTEs foram analisados e, de todos os elementos avaliados, cabe aqui ponderar três questões que merecem apreciação.

Uma delas diz respeito à proporção do número de professores multiplicadores atuantes nas 32 CRTEs com o número de professores de toda a rede de educação básica do Paraná no período de implementação de todas estas ferramentas tecnológicas, e que se mantém desde então. Eram pouco mais de 200 professores multiplicadores das CRTEs para mais de 60.000 professores das escolas públicas estaduais, correspondendo em média à proporção de 1:300. Essa é uma condição desfavorável para o desenvolvimento de um trabalho a contento, no que diz respeito à formação dos professores para o uso pedagógico das tecnologias nas escolas.

A recomendação prescrita no relatório de avaliação do PRD é a abertura de vagas para um ou mais gestores de tecnologia na educação para cada uma das 2.14622 escolas públicas do Estado, dependendo do porte da escola, a fim de assumir a função de assessor e disseminador do uso destes recursos junto ao grupo de professores, para que se concretize o efeito multiplicador para o uso dos recursos no lócus escolar.

Foi também analisada a questão referente ao conteúdo trabalhado nos cursos direcionados aos professores multiplicadores das CRTEs e, por conseguinte, aos professores das escolas públicas, os quais, ao longo dos 17 anos de existência dos NTE/CRTE, desde o ano de 1997, restringiram-se a conteúdos vinculados à operação técnica e pedagógica das tecnologias de informação e comunicação, sem contemplar conteúdos referentes aos riscos e danos que o uso destas tecnologias podem proporcionar para a saúde, para os processos cognitivos e para a segurança dos

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usuários desinformados e despreparados. Para Carvalho (1998), “faz parte também do papel da educação tecnológica avaliar as consequências sociais das inovações”.

Enquanto as consequências humanas e sociais não forem contempladas nos processos de formação para o uso de tecnologias, a educação tecnológica com caráter emancipador manter-se-á no plano teórico e conservará a submissão ao sistema capitalista de produção, que mantém o distanciamento entre a concepção e a execução das atividades humanas com ou sem tecnologias. Condição totalmente desfavorável para a formação humana integral (formação intelectual, artística e social).

Outra questão que merece destaque no processo de avaliação é a inexistência, ao longo de todos os anos de implementação do PRD, e mesmo anteriores e posteriores a ele, de uma criteriosa avaliação de impacto da política de tecnologia na educação básica sobre a melhoria da qualidade do ensino dos professores, sendo esse um dos principais objetivos dos programas de inclusão digital, a qual culminaria, consequentemente, na melhoria da aprendizagem dos alunos.

Uma avaliação criteriosa de impacto junto aos professores e aos próprios alunos poderia redimensionar as políticas públicas de tecnologia na educação, de modo a otimizar os recursos econômicos investidos, com a devida observância do contexto humano desta política referente à produção do conhecimento.

Como afirma o consultor que avaliou a gestão do PRD (Perfil 1), ao final do respectivo relatório:

A avaliação do Projeto BRA/03/036 comprova ainda que a simples disponibilidade de tecnologia ou de infraestrutura não basta para garantir melhor grau de inclusão digital a ponto de produzir melhoria no ensino e na aprendizagem; a tecnologia de informação e comunicação não pode ser vista como solução de todos os males (na verdade não é solução para mal algum), as soluções são implementadas por seres humanos e a tecnologia é apenas uma habilitadora desta solução). Quanto melhor é o diretor, melhor é a escola (torna-se necessário dar aos diretores cursos de pós-graduação em gestão, como forma de eliminar seu desalinhamento estratégico, estendendo-se o escopo e a abrangência do Programa de Desenvolvimento Educacional); é preciso criar diretrizes de planejamento estratégico para nortear a inclusão da tecnologia nos processos educacionais (a tecnologia não pode ser vista como uma “camada” externa: ela deve estar embutida no cerne dos processos); assim como só os melhores ensinam, só os melhores fazem a infraestrutura das tecnologias de informação e comunicação funcionar (PARANÁ, 2010).

Há necessidade de resgatar a face humana no contexto das políticas públicas de tecnologia na educação e de qualquer outro implemento, tanto de ordem política quanto de ordem econômica, cujo objetivo sempre deve ser o próprio ser humano e o seu

habitat, muito mais em se tratando de crianças e adolescentes em faixa etária escolar.

Elas estão numa fase peculiar de desenvolvimento, naturalmente vulneráveis a influências do seu entorno.

Vale aqui fazer a seguinte ponderação e estimativa no plano teórico: ao refletir sobre diferentes características de conduções e encaminhamentos para o uso de tecnologias por crianças e adolescentes, pressupõe-se que certamente obter-se-á

diferentes concepções e princípios de uso das tecnologias.

No próximo Capítulo, serão apresentados riscos e efeitos nocivos nos aspectos da saúde mental, processos cognitivos, aspectos comportamentais e de relações familiares e sociais a partir do uso das tecnologias de informação e comunicação, em especial da internet. Busca-se, com isso, subsidiar e nortear a elaboração de políticas públicas, de políticas particulares e de movimentos sociais de prevenção.

4 REFLEXÕES ACERCA DOS RISCOS E EFEITOS NOCIVOS DO USO DA

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