Após tabulação realizada, a partir dos conteúdos dos 50 vídeos previamente selecionados para a pesquisa, foram identificadas 6 (seis) categorias nas quais os dados se agrupam: organização para os estudos, bem estar físico e mental, comportamento durante as aulas, estudo individual, interação e preparação para as avaliações.
Essas categorias foram observadas após transcrição dos conteúdos e observação da frequência com que apareciam, ou seja, em quantos vídeos um determinado tipo de estratégia se repetiu.
Dessa forma, foram analisados 50 vídeos, perfazendo um total de cinco horas e cinquenta e nove minutos de gravação. Do total de vídeos assistidos, 40 foram publicados por pessoas do sexo feminino; 9, do sexo masculino e 1 não foi identificado. Desses, 8 apresentavam aparência de criança, 17 de adolescente, 24 de adulto e 1 não identificado. Esse dado não foi possível identificar precisamente porque o YouTube não traz essa informação.
Com relação ao ambiente de gravação, ou seja, os espaços em que são filmados os vídeos:
25 na sala; 23 no quarto; 2 em estúdio.
Com relação ao público-alvo (esse aspecto foi observado por meio da contextualização, referenciação e dedução das pistas textuais):
18 vídeos referiam-se a estudantes do ensino fundamental e médio; 10 vídeos referiam-se aos estudantes em geral;
6 vídeos referiam-se a universitários;
6 vídeos referiam-se a estudantes de concursos; 5 vídeos referiam-se ao público religioso;
4 vídeos referiam-se a vestibulandos; 1 vídeo referia-se a estudantes de música.
Com relação aos tópicos dos conteúdos, esses foram agrupados em seis categorias, apresentadas a seguir:
57 se enquadraram na categoria “Estudo individual”;
26 se enquadraram na categoria “Organização para os estudos”; 13 se enquadram na categoria "Interação";
9 se enquadraram na categoria “Comportamento durante as aulas”; 8 itens se enquadraram na categoria “Bem estar físico e mental”; 5 se enquadraram na categoria “Preparação para avaliações”.
Na sequência, são apresentadas as Tabelas 1 a 6 com a síntese e frequência com que determinados tópicos são sugeridos pelos YouTubers.
A Tabela 1, que trata da temática "Estudo individual", é a que abarca maior número de itens, sendo constituída por 57 estratégias indicadas pelos estudantes YouTubers.
É possível observar diversos itens rotineiros da vida estudantil, como, por exemplo, entre os mais citados, estudar fazendo resumos, destacar textos, estudar cotidianamente e resolver questões. 34% deles recomendam "utilizar caderno de resumos". A produção de resumos tem a função de sintetizar, organizar e sistematizar a informação, conferindo sentido àquilo que é estudado. No entanto, pesquisa realizada nos Estados Unidos, por Dunlosky et al. (2013), avaliou centenas de estudos científicos que investigaram dez das estratégias de revisão mais populares e verificaram que oito delas não funcionam ou mesmo, em alguns casos, atrapalham o aprendizado. O resumo, sozinho, foi classificado como uma estratégia com avaliação de baixa utilidade.
A utilização de resumos e imagens para aprendizagem de texto mostrou ajudar alguns alunos em algumas tarefas de critério, mas as condições em que essas técnicas produzem benefícios são limitadas e ainda é necessária muita pesquisa para explorar completamente sua eficácia geral. Porém, certamente o resumo seria melhor que as estratégias de estudo geralmente utilizadas pelos alunos, como destacar e reler. Nesse caso, seria necessário capacitar os alunos a desenvolverem resumos consistentes, demonstrando capacidade de síntese e concisão.
Quase 20% dos estudantes YouTubers recomendam o uso de marca texto, que exerce a mesma função de sublinhar ou destacar. Essa é uma estratégia de estudo que se relaciona a busca de foco na leitura e na memória de curto prazo, a fim de identificar rapidamente a informação que considera relevante. Porém, a pesquisa de Dunlosky et al. (2013) também considerou uma estratégia de baixa utilidade. Sozinha, não aumenta consistentemente o desempenho dos alunos. Explicam que essa estratégia geralmente atrai estudantes porque é simples de usar, não implica treinamento e não exige que os estudantes invistam muito tempo além do que já é necessário para ler o material. Ainda assim, a seleção de informações deve beneficiar a memória mais do que simplesmente ler texto já marcado. Isso se deve a um fenômeno cognitivo básico conhecido como efeito de isolamento, pelo qual um item semanticamente ou fonologicamente único em uma lista é muito melhor lembrado do que suas contrapartes menos distintivas.
De toda forma, destacar partes importantes é mais significativo que apenas realizar uma leitura e o destaque realizado pelo próprio estudante é mais eficiente que receber o material que já foi destacado.
16% dos estudantes YouTubers recomendam estudar, escrevendo. Sabe-se que uma das funções da escrita é organizar e sistematizar o pensamento, isso pode fazer sentido quando se trata de estratégia de estudo. A escrita, mesmo que seja parafrástica (reprodução do já dito) e não autoral (produção) é uma forma importante de fixação de conceitos. Estudar fazendo anotações é uma estratégia tida como bastante eficiente por diferentes autores em aprendizagem (GALVÃO; CÂMARA; JORDÃO, 2012). Essa estratégia é condizente com uma teoria influente em pesquisas cognitivas da memória – a dos níveis de processamento (CRAIK; LOCKHART, 1975 apud GALVÃO; CÂMARA; JORDÃO, 2012). Pesquisa de Galvão
(1999) mostrou as implicações dessa teoria para a aprendizagem, ao demonstrar que a leitura de textos, fazendo anotações, reforça significantemente o traço de memória do conteúdo textual. Uma possível explicação para isso é que esta estratégia de aprendizagem envolve processamento ortográfico e fonológico, o que remete a domínios auditivos e visuais.
16% dos YouTubers recomendam estudar diariamente. O estudo diário é hábito a ser construído, é trabalho a ser desenvolvido de maneira autorregulada pelo estudante. A pesquisa realizada por Dunlosky et al. (2013) identificou que a distribuição do aprendizado ao longo do tempo, geralmente beneficia a retenção de longo prazo em detrimento do estudo intenso de curto prazo. Constatou-se que o desempenho é melhor, quando o intervalo entre as sessões é de aproximadamente 10 a 20% do intervalo de retenção desejado. Por exemplo, para lembrar de algo por 1 semana, os episódios de aprendizagem devem estar espaçados de 12 a 24 horas de intervalo; para lembrar de algo por 5 anos, os episódios de aprendizagem devem estar espaçados de 6 a 12 meses de intervalo. Claro que, quando os alunos estão se preparando para exames, o grau em que eles podem espaçar suas sessões de estudo pode ser limitado.
De forma geral, há uma grande diversidade de tópicos abordados na Tabela 1. É a mais extensa e talvez isso se deva ao fato de se tratar especificamente do ato de estudar, enquanto as demais remetem-se a fatores que se relacionam ao ato de estudar.
Embora alguns tópicos apresentem certa similaridade entre si, mesmo assim, optou-se por manter a especificidade dada uma função distinta que possa se adaptar mais a um tipo de área do conhecimento do que a outra. Mesmo que, no que se refere à frequência, se repita apenas uma vez, ela ocorreu e isso é importante para a visualização da variedade de estratégias utilizadas.
Alguns desses tópicos exercem grande influência na aprendizagem, como é o caso de "ler e tentar compreender", "levantar questionamentos sobre o texto e tentar responder". Esses tópicos tem sua eficiência comprovada tal como mostrado no estudo de Dunlosky et al. (2013). Já a simples releitura foi classificada como de baixa utilidade, embora tenham sido comprovados vários benefícios na utilização dessa estratégia. Isto se deve à quantidade insuficiente de pesquisas que
examinaram sistematicamente até que ponto os efeitos de releitura dependem de outras características dos alunos, como conhecimento ou habilidade prévia.
Tabela 1: Distribuição de subcategorias de acordo com a temática “Estudo Individual”
N° Estudo Individual n(1) %
1 Utilizar caderno de resumos. 17 34
2 Utilizar marca texto. 9 18
3 Estudar escrevendo. 8 16
4 Estudar cotidianamente. 8 16
5 Utilizar post-it. 7 14
6 Utilizar livros. 7 14
7 Utilizar canetas coloridas. 6 12
8 Resolver questões (exercícios). 6 12
9 Fazer fichamentos com esquemas, desenhos, setas, quadros, cores etc.
4 8
10 Línguas estrangeiras: utilizar post-its nos objetos para fixar vocabulário.
3 6
11 Estudar o conteúdo da aula no dia que teve a aula. 3 6
12 Utilizar apostilas. 3 6
13 Matemática: resolver exercícios (questões). 3 6
14 Inglês: utilizar o aplicativo de celular DUOLINGO. 3 6
15 Reler fichamentos várias vezes. 3 6
16 Fazer tarefas de casa. 2 4
17 Fazer mural com conteúdos importantes que precisam ser fixados.
2 4
18 Não postergar. 2 4
19 Legislação: compreender a estrutura da lei (títulos, capítulos, sessões).
2 4
20 Inglês: procurar se familiarizar com a língua. 2 4
21 Inglês: ler materiais em Inglês. 2 4
22 Inglês: ver vídeos em Inglês. 2 4
23 Inglês: ler literatura em Inglês. 2 4
24 Inglês: ouvir músicas em Inglês. 2 4
25 Inglês: utilizar aplicativos de celular que treinam a língua. 2 4 26 Fazer uma primeira leitura do texto e depois voltar marcando as
partes mais importantes.
2 4
27 Corrigir questões resolvidas e revisar o que errou. 2 4 28 Destacar, no material de estudo, conteúdos que errou ao resolver
exercícios.
3 6
29 Utilizar fones de ouvido para aumentar a concentração. 2 4 30 Matemática: pular linhas, utilizar letras grandes. 1 2 31 Não há uma única forma de estudar. Cada um aprende de um
jeito.
1 2
32 Procurar ver a aplicação dos conteúdos no dia a dia. 1 2 33 Procurar curiosidades sobre os conteúdos que estão sendo
estudados.
1 2
34 Concursos: estudar conteúdos do edital. 1 2
35 Legislação: conferir o que não entendeu da lei em outras fontes. 1 2
36 Tentar decorar. 1 2
37 Estudar revistas. 1 2
39 Inglês: é preciso querer aprender. 1 2
40 Inglês: escrever letras de músicas. 1 2
41 Inglês: decorar verbos. 1 2
42 Inglês: decorar verbo to be. 1 2
43 Inglês: anotar em um caderno as palavras que você já sabe, sem colocar significados.
1 2
44 Inglês: pronunciar palavras em voz alta. 1 2
45 Inglês: ler textos em voz alta. 1 2
46 Comparar resumo com os materiais para verificar se não esqueceu nada importante.
1 2
47 Utilizar audio-book. 1 2
48 Utilizar PDFs de conteúdos. 1 2
49 Tentar compreender o que se lê. 1 2
50 Procurar resolver exercícios de múltipla escolha por exclusão. 1 2
51 Português: não estudar a gramática pura. 1 2
52 Ler e tentar compreender. 1 2
53 Religioso: estudar os personagens e não os livros da bíblia. 1 2
54 Ler sobre o assunto antes da aula. 1 2
55 Fazer resumo do resumo com conteúdos que encontrou mais dificuldades.
1 2
56 Utilizar clips coloridos. 1 2
57 Levantar questionamentos sobre o texto e tentar responder. 1 2 Fonte: Da autora, 2017.
Nota: (1) O n destas variáveis se refere ao número de vídeos em que o conteúdo foi citado.
A Tabela 2 está constituída de itens relacionados à "Interação". Lev Vygotsky afirmava que o desenvolvimento cognitivo do aluno acontece por meio da interação social, ou seja, sua interação com outros indivíduos e com o meio.
Dessa forma, nessa tabela, pode-se observar interações entre o estudante e as tecnologias digitais, o estudante e o professor, assim como, entre o estudante e outros estudantes.
Os itens 1, 2, 7, 11, 12 e 13, tratam da interação entre o estudante e as tecnologias digitais. O item número 2 apresenta essa interação como um aspecto negativo, que prejudica os estudos. Já os demais apresentam o uso da Internet como uma ferramenta de aprendizagem. Dessa forma, 24% dos estudantes pesquisados acreditam que tirar dúvidas na Internet é uma estratégia eficiente.
Isso demonstra a interação do jovem com a Internet e as redes de comunicação difundidas na atualidade, confirmando que a sala de aula já não é o único meio de se obter informação. Muitos estudantes já reconhecem a Internet como uma alternativa de ambiente de aprendizagem.
Por outro lado, no tópico 2, 12% acreditam que o uso de celular, Internet, televisão e redes sociais durante os períodos de estudo é prejudicial, porque
atrapalha a concentração, um dos pré-requisitos para quem quer aprender. Quando os próprios youtubers falam que isso leva à distração, há uma comprovação de que é necessária concentração e foco para o estudo.
Procrastinadores tendem a não resistir a distratores, sendo mais propensos a substituir a execução de tarefas acadêmicas por alternativas mais atrativas e que oferecem retorno imediato, como ocorre com o uso de redes sociais da Internet. De modo geral, a procrastinação é um fenômeno relativamente comum entre os estudantes, sendo, geralmente, tido como prejudicial à vida acadêmica (SCHOUWENBURG, 2004 apud SAMPAIO et al., 2012).
Pesquisas recentes têm compreendido a procrastinação como uma falha no processo de autorregulação da aprendizagem (SAMPAIO et al., 2012). No entanto, à medida que o indivíduo autorregula sua aprendizagem com eficiência, tende a procrastinar menos e vice-versa.
Há uma dualidade no uso de tecnologias digitais para os estudos. Trata-se de ferramentas que podem ser benéficas para as atividades de estudo se bem utilizadas e prejudiciais se não houver um direcionamento e autorregulação.
“Explicar para alguém ou para si mesmo em frente ao espelho o que estudou.” foi citado em 4% dos vídeos. Essa estratégia evidenciou nos estudos de Dunlosky et al.(2013) como de eficiência moderada. Aprender requer autoria, torna- se necessário ser protagonista do processo, assumir tarefas em vez de receber tudo pronto. Construir um novo material a partir dos estudos, levantar hipóteses, questionamentos e, se possível, ensinar alguém.
A autoexplicação pode melhorar a aprendizagem, apoiando a integração de novas informações com o conhecimento prévio existente. Aparentemente, a maioria dos estudantes podem se beneficiar da autoexplicação com prática mínima. No entanto, alguns alunos podem exigir mais instruções para implementar com sucesso esta estratégia.
Vygotsky considerava o domínio do sistemas de signos fundamental para a aprendizagem, uma vez que por meio da apropriação e interação com a linguagem (fala e escrita), via interação social, o sujeito se desenvolve cognitivamente, uma vez que os significados dos signos são construídos socialmente (MOREIRA, 1999).
Esse teórico dedicou anos de estudo para compreender as relações entre o pensamento e a linguagem. Para Vygotsky, é o pensamento verbal que nos ajuda a organizar a realidade em que vivemos.
O item 6, "Participar de grupos de estudo", também merece destaque. Demo (2008) considera o estudo em grupo como importante, porém, para que seja efetivo, é necessário que cada um estude o conteúdo com antecedência, posteriormente, cada estudante desenvolva seu próprio material, além do construído pelo grupo.
Tabela 2: Distribuição de subcategorias de acordo com a temática “Interação”
Nº Interação n(1) %
1 Ver vídeo aulas no youtube para tirar dúvidas. 7 14
2 Evitar distrações com celular, Internet, TV e redes sociais durante os períodos de estudo.
6 12
3 Tirar dúvidas com o professor. 3 6
4 Prestar atenção no que o professor enfatiza e destacar no
caderno.
2 4
5 Explicar para alguém ou para si mesmo em frente ao
espelho o que estudou.
2 4
6 Participar de grupos de estudo. 2 4
7 Pesquisar o que não sabe na Internet. 2 4
8 Matemática: pesquisar o que não sabe na Internet. 1 2
9 Inglês: praticar a língua falando com estrangeiros. 1 2
10 Inglês: pesquisar no YouTube pessoas que ensinam como
aprender a língua.
1 2
11 Estudar por vídeo aulas. 1 2
12 Assistir vídeo aulas antes de iniciar o estudo de um conteúdo, para contextualizar.
1 2
13 Na véspera das provas, assistir vídeos referentes ao
conteúdo estudado.
1 2
Fonte: Da autora, 2017.
Nota: (1) O n destas variáveis se refere ao número de vídeos em que o conteúdo foi citado.
A Tabela 3 está constituída por subcategorias relacionadas à temática "Organização para os estudos". 22% dos estudantes consideram importante "Ter um cronograma de estudos", 20% recomendam "utilizar agenda física ou digital para se organizar" e 8% orientam os estudantes a "Buscar ser organizado".
Os três itens, 1, 2 e 3, bem como o item 5, "Manter o caderno organizado"; o item 8, "Utilizar pasta sanfonada para organizar os materiais"; o item 15, "Ter um controle de notas"; o item 16, "Ter um relatório das atividades já desenvolvidas"; o item 19, "Usar cadernos ao invés de fichário” e o item 20, "Fazer cronogramas realistas e buscar cumpri-los", estão relacionados à temática organização, e, dessa
forma, essa temática foi citada 36 vezes, em um universo de 44 videos, o que representa 81,8% da tabela.
Isso evidencia que o estudante, por não ter este tipo de estratégia, pode se perder ou esquecer de coisas importantes na rotina de estudo. A organização ajuda o estudante a manter o foco no que está sendo estudado. A desorganização pode desencadear distração e procrastinação. Uma boa gestão do tempo e dos materiais auxiliam no estabelecimento de rotinas de estudo, com maior economia de tempo, evitando prejuízos na vida acadêmica.
Outras questões que envolvem a organização, porém, do ambiente de estudos, estão relacionadas no item 6 "Procurar um ambiente adequado para estudar", no item 9 "Não estudar no sofá, na cama, etc.", no item 17 "Procurar estudar em ambientes com pouca poluição visual" e no item 26, "Deixar tudo que irá precisar perto de si, evitando ter que interromper os estudos para buscá-los". Dessa forma, pode-se observar que itens relacionados com a organização do ambiente de estudos foram citados 8 vezes. Isto significa 18,18% em um universo de 44 citações. De acordo com Alves (2014), a poluição visual se dá quando as informações visuais estão em excesso ou algum fator que cause algum estresse estético no ambiente, afetando a qualidade de vida dos seres humanos. A sua exposição prolongada afeta a saúde humana provocando desconforto visual, estresse e até transtornos à saúde mental. Assim, pode-se considerar a organização do ambiente de estudos um aspecto positivo para a aprendizagem. Embora não tenha sido encontrada pesquisa que comprove sua efetividade no ramo da educação, um ambiente visualmente poluído pode desviar o foco e a atenção.
Outra questão, abordada na Tabela 3, é a gestão do tempo e conteúdo de estudos, que pode ser observada no item 4, "Fazer pequenos intervalos entre os períodos de estudo"; no item 7, "Dedicar mais tempo de estudo aos conteúdos que possui mais dificuldade em aprender"; no item 14, "Estudar até uma hora seguida cada disciplina. Não mais"; no item 18, "Mesclar conteúdos de humanas com conteúdos de exatas"; no item 21, "Prever sempre meia hora a mais para cada período de estudo devido às pausas"; no item 22, "Intercalar conteúdos mais difíceis com conteúdos mais fáceis" e no item 24, "Procurar fazer coisas que descansem o cérebro durante as pausas".
Galvão, Câmara e Jordão (2012) afirmam que a aprendizagem se beneficia mais da prática distribuída do que da prática concentrada. Intervalos prolongados de descanso, seguidos de sessões curtas de estudo, são mais eficientes para a aprendizagem. As pausas e os revezamentos de conteúdos podem ser positivos, bem como o foco em conteúdos de maiores dificuldades. Aprender efetivamente exige tempo para o amadurecimento das ideias. Fazer pequenas pausas de estudo também é positivo.
Tabela 3: Distribuição de subcategorias de acordo com a temática “Organização para os estudos”
Nº Organização para os estudos n %
1 Ter um cronograma de estudos. 11 22
2 Utilizar agenda física ou digital para se organizar. 10 20
3 Buscar ser organizado. 4 8
4 Fazer pequenos intervalos entre os períodos de estudo. 4 8
5 Manter o caderno organizado. 4 8
6 Procurar um ambiente adequado para estudar. 3 6
7 Dedicar mais tempo de estudo aos conteúdos que possui
mais dificuldade em aprender.
3 6
8 Utilizar pasta sanfonada para organizar os materiais. 3 6
9 Não estudar no sofá, na cama, etc. 2 4
10 Listar as disciplinas/conteúdos que você estuda, destacando
o que tem mais dificuldade.
2 4
11 Criar uma legenda de cores para marcações no texto. 2 4
12 Ter foco. 1 2
13 Ser comprometido. 1 2
14 Estudar até uma hora seguida cada disciplina. Não mais. 1 2
15 Ter um controle de notas. 1 2
16 Ter um relatório das atividades já desenvolvidas. 1 2
17 Procurar estudar em ambientes com pouca poluição visual. 1 2
18 Mesclar conteúdos de humanas com conteúdos de exatas. 1 2
19 Usar cadernos ao invés de fichário. 1 2
20 Fazer cronogramas realistas e buscar cumpri-los. 1 2
21 Prever sempre meia hora a mais para cada período de
estudo devido às pausas.
1 2
22 Intercalar conteúdos mais difíceis com conteúdos mais
fáceis.
1 2
23 Ter um HD externo para organizar e gravar materiais de estudo.
1 2
24 Procurar fazer coisas que descansem o cérebro durante as pausas.
25 Fazer levantamento das disciplinas que serão cursadas no próximo semestre e procurar conhecer o perfil de seus professores e o nível de dificuldade de cada uma.
1 2
26 Deixar tudo que irá precisar perto de si, evitando ter que interromper os estudos para buscá-los.
2 4
Fonte: Da autora, 2017.
Nota: (1) O n destas variáveis se refere ao número de vídeos em que o conteúdo foi citado.
A Tabela 4 trata sobre o "comportamento dos estudantes durante as aulas". Observa-se que, ao destacarem essa temática, os estudantes estão evidenciando a importância de valorizar e aproveitar o que é apresentado em sala de aula. Hoje em dia, é muito frequente observar as pessoas tirando fotos de slides e conteúdos, uma vez que nem sempre estarão disponíveis novamente, dada a velocidade e quantidade de conteúdos que são apresentados.
A aula é a oportunidade que o estudante tem de socializar o novo conhecimento, tirar dúvidas, debater e amadurecer ideias. Prestar atenção ao que está sendo explicado pelo professor é a alavanca para aprofundar-se posteriormente. Dessa forma, "ser frequente às aulas", item 5, é pré-requisito mínimo para um bom estudante.
Embora a aula não seja o único ambiente de aprendizagem na vida de um estudante, a participação durante as aulas e a autoria na construção de materiais, a