7. Example Message Flow
7.1. Basic Message Flow with Early Media and SIP Identity
Diante das teorias de Capra (2006), Sachs (2008; 2009), Veiga (2010) e Abramovay (2012) sobre as bases para se estabelecer um cenário de sustentabilidade na sociedade, observou-se os desafios das relações entre os campos da economia e ecologia. Nesse sentido, alguns autores explicitam seus pressupostos sobre essas relações e seus impactos na sociedade.
Na visão de Kerstenetzky (2006, p. 204), se o conceito de economia é relacionado com o modo de produção, distribuição e acumulação de riqueza; por sua vez, o modelo de comportamento econômico pode parecer mais adequado para articular a lógica da situação do contexto histórico específico de uma economia de mercado. Portanto, pode-se considerar que os fatores que afetam o comportamento econômico de uma empresa são o contexto em que a empresa está inserida e seus concorrentes.
Para De Moraes (2010), foi apenas no último século que a sociedade considerou os impactos do acelerado crescimento (demográfico, tecnológico e industrial) na qualidade de vida das pessoas e na preservação ambiental. Assim, o autor considera que as questões como responsabilidade social, desenvolvimento sustentável e consumo consciente se tornaram fonte de vantagem competitiva por parte das empresas nos finais do século XX.
Desse modo, é importante destacar algumas discussões sobre os conceitos e modelos para construção de uma vantagem competitiva. Por meio de levantamento bibliográfico, o estudo de Cipolla e Gimba (2009) apresenta algumas visões dos autores mais notórios sobre o conceito de vantagem competitiva, como Michael Porter no universo empresarial. Desse modo, os autores afirmam que:
[...] o conceito de vantagem competitiva está diretamente ligado a aplicação de estratégias competitivas e relacionadas à obtenção de um posicionamento favorável entre seus concorrentes. Tudo isso, aliado a, uma perspectiva interdisciplinar e multidimensional, associado a uma abordagem sistêmica e focada nas relações entre diversos agentes. Por consequência, o conceito de Vantagem Competitiva está relacionado à adoção de diversas práticas que, em conjunto, auxiliarão a organização a alcançar este objetivo, cabendo destacar que estas conquistas são geralmente limitadas, temporalmente, em função da capacidade de reação do setor. (CIPOLLA; GIMBA, 2009, p.10)
Além disso, na opinião dos autores, é importante salientar a complexidade das práticas e modelos para se obter a vantagem competitiva. Como também, existe a possibilidade de adquirir a vantagem competitiva nos negócios por meio de uma busca consciente por um diferencial. Desse modo, Cipolla e Gimba (2009) explicitam alguns instrumentos para construção da vantagem (visão de Porter): (a) eficácia
operacional, com a busca por melhores práticas para reduzir custos operacionais
através da redução do desperdício e (b) estratégia, por meio de uma posição estratégica distinta para obtenção de diferenças de desempenhos sustentáveis (estratégias de liderança no custo, diferenciação e foco). Por fim, Cipolla e Gimba (2009) declaram que Porter defende que para a vantagem competitiva sustentável o importante é não convergir com seus concorrentes na competição, mas eleger uma posição diferente.
Diante desse contexto de construção de vantagem competitiva, investir em estratégias de sustentabilidade gera lucro para os negócios. No entanto, para Vezzoli (2010), esse possível benefício depende da visão das empresas, no sentido de serem capazes de desvincular o lucro das relações tradicionais (extração, exploração e consumo) para buscar novas formas de geração de valor. O autor argumenta:
É uma escolha da empresa: separar o consumo de recursos de sua tradicional relação com lucro e padrões de bem-estar, com o intuito de encontrar novos nichos de mercado, competir e gerar valor e qualidade social, ao mesmo tempo em que diminui (direta ou indiretamente) o consumo de recursos. (VEZZOLI, 2010, p. 79)
Por outro lado, na visão de Sachs (2009), as relações entre economia e ecologia devem se complementar. Assim, o autor afirma que:
É necessária uma combinação viável entre economia e ecologia, pois as ciências naturais podem descrever o que é preciso para um mundo sustentável, mas compete às ciências sociais a articulação das estratégias de transição rumo a este caminho. (SACHS, 2009, p. 60)
Esse viés também é comentado pelo designer Thierry Kazazian (2005). Para o autor, a economia e a ecologia podem ser pensadas juntas. E complementa caracterizando a origem das palavras:
As raízes etimológicas da economia evocam uma gestão do patrimônio sem despesa inútil ou uma relação entre as partes, enquanto a ecologia designa o estudo das relações que se produzem no espaço vivo. (KAZAZIAN, 2005, p. 30).
Muitas vezes a integração do meio ambiente torna-se uma estratégia de negócio para empresas. Isto acontece pois as empresas conseguem reduzir custos por meio de métodos de antecipação, gestão das consequências, compreensão das interações entre outros. Essas abordagens, denominadas em inglês de ‘win-win’, são vantajosas, ao mesmo tempo, para empresas e para o meio ambiente. No entanto, a aplicação desses métodos começa pelo conhecimento dos fluxos e de seus impactos e depende de um engajamento permanente, tanto da diretoria da empresa, quanto também dos seus funcionários (KAZAZIAN, 2005).
No entanto, Capra (2006) observa que há desacordos entre economia e ecologia: a natureza é cíclica e os sistemas industriais são lineares. E relata:
Nossas atividades comerciais extraem recursos, transformam-nos em produtos e em resíduos, e vendem os produtos a consumidores, que descartam ainda mais resíduos depois de ter consumido os produtos. Os padrões sustentáveis de produção e de consumo precisam ser cíclicos, imitando os processos cíclicos da natureza. Para conseguir esses padrões cíclicos, precisamos replanejar num nível fundamental nossas atividades comerciais e nossa economia. (CAPRA, 2006, p.232)
Além disso, Capra (2006, p.234) aponta que há tensão nas relações entre economia e ecologia: “a economia enfatiza a competição, a expansão e a dominação; ecologia enfatiza a cooperação, a conservação e a parceria”.
Desse modo, Capra (2006) explicita seus pressupostos sobre o desafio da sustentabilidade ecológica e o modo como as sociedades são estruturadas. Para os
indivíduos serem eco-alfabetizados é necessário compreender a sabedoria da natureza.
Uma das medidas para modificar o mercado, seria uma reforma ecológica dos impostos, ou seja, a criação de eco-impostos, acrescentando impostos aos produtos, em relação ao uso de energias, materiais e serviços. Dessa forma, diminuiria também o desperdício. E para manter a competitividade nesse novo sistema, empresários e administradores precisarão ser ecologicamente alfabetizados (CAPRA, 2006).
Veiga (2010b) também propõe que para avaliar, mensurar e monitorar a sustentabilidade na sociedade é necessário diversos indicadores que contemplem as três dimensões (social, ambiental e econômica). Nesse sentido, o autor faz uma observação sobre medir o crescimento econômico por meio da lógica da produtividade e destaca:
Primeiro, o desempenho econômico não poderá continuar a ser avaliado com o velho viés produtivista, e sim por medida da renda familiar disponível; segundo, será necessária uma medida de qualidade de vida (ou bem-estar) que incorpore as evidências científicas desse novo ramo que é a economia da felicidade. (VEIGA, 2010b, p. 49)
Assim, a essência das abordagens empresariais pautadas na integração do meio ambiente terão que ser orientadas pelos princípios de cooperação, conservação e parceria. Como também, a qualidade de vida (bem-estar) da sociedade não poderá de ser considerada sem a mensuração da sustentabilidade, como nas novas abordagens de projeto. Trata-se de um grande desafio para as empresas em um mundo globalizado, que prioriza a competição, expansão e dominação. Por outro lado, novas oportunidades e novos modelos de negócio estão surgindo, nos quais, as empresas irão cooperar com o meio ambiente, não apenas diminuindo os impactos negativos, mas gerando impactos positivos. Nesse sentido, observa-se que no setor têxtil, as vestimentas ainda não deixarão de ser concebidas, produzidas, vendidas e consumidas. Entretanto, novas formas de produção, venda e consumo poderão ser desenvolvidas.