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Matéria” em animais e plantas?

Interpretar informação de fontes bibliográficas.

Uma das principais dificuldades detetadas durante a intervenção realizada está relacionada com a interpretação de fontes de informação bibliográficas. A partir da análise da informação recolhida a partir dos questionários de desempenho (com perguntas abertas), quase metade da turma reconheceu ter sentido dificuldades na interpretação (ou compreensão) dos textos na segunda atividade prática investigativa e quatro alunos admitiram ter tido dificuldade em compreender os textos disponibilizados na terceira atividade prática investigativa (realizada fora da sala de aula). As respostas seguintes de alguns alunos, face à pergunta sobre as dificuldades sentidas, são demonstrativas da presença desta dificuldade: “algumas das minhas dificuldades residiam na interpretação dos textos e organização de ideias”; “interpretar os textos devidamente”; “entender bem o texto e depois relacionar com o problema proposto”.

Selecionar e sintetizar informação pertinente.

Outras das dificuldades demonstradas pelos alunos, a partir da análise da informação recolhida dos questionários de desempenho, está sobretudo relacionada com o tratamento de informação, ao qual inclui o selecionar e sintetizar informação pertinente. Alguns alunos responderam da seguinte forma quando foram questionados sobre as suas principais dificuldades nas tarefas que exigiam a leitura de textos (selecionados pelo professor): “resumir a máxima informação acerca deste grupo de plantas”; “separar a “palha” das informações fundamentais”; “as dificuldades foram provavelmente retirar a informação necessária para a atividade pois era tudo muito importante”; “reformular as respostas com base nos textos”. Estas respostas, assim como outras analisadas, são exemplificativas da grande dificuldade que os alunos apresentam em selecionar e sintetizar a informação necessária para resolver determinada problemática ou situação.

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A análise dos documentos escritos da sexta atividade prática investigativa com recurso à pesquisa no manual (“Qual a relação entre o sangue e a linfa?”) permitiu denotar que alguns grupos optaram por apenas focar apenas a função (e constituição) do sangue e da linfa (de forma separada e sem relação) e outros grupos não conseguiram apresentar os aspetos mais importantes (apesar de estarem referidos no texto do manual). Esta atividade investigativa exigia que os alunos tivessem de selecionar a informação mais importante e sintetizá-la (pois a resposta a esta questão não estava totalmente explicita no texto do manual). A resposta do grupo de alunos seguinte é exemplificativa disso:

Entre o sangue e o fluido intersticial existe um intercâmbio de substâncias onde intervêm a pressão sanguínea e a pressão osmótica. Estes fazem com que se forme a linfa intersticial onde é constituído por plasma e glóbulos brancos que banham as células fornecendo-lhes nutrientes e oxigénio. Com este facto o sangue e a linfa constituem uma relação pois fazem o intercâmbio de substâncias entre a célula e o meio.

O excerto citado anteriormente demonstra uma demasiada poupança de palavras. Este grupo refere alguns aspetos importantes, mas não explicitam a forma como se relacionam com clareza. Refere também a pressão sanguínea e pressão osmótica, mas não fazem referência aos capilares nem a forma como estas pressões variam ao longo destes.

Recorrer a fontes bibliográficas disponíveis como apoio.

Esta dificuldade foi identificada com base na observação descritiva (aberta) realizada durante atividades que continham situações-problema que não dependiam diretamente das fontes bibliográficas disponíveis, mas ao qual os alunos poderiam recorrer como apoio às tarefas. Foi na primeira atividade prática investigativa (interpretação dos resultados da experiência de Stephen Hales) e na quinta atividade prática investigativa (manuseamento e dissecação do coração de porco) que se presenciou e registou (a partir de notas de campo) a informação que permitiu considerar esta análise. Em ambas as atividades práticas investigativas, os alunos (ou os grupos de alunos) recorriam com mais facilidade ao professor (para esclarecimento de dúvidas), em vez de recorrerem à fonte bibliográfica disponível de apoio. Os alunos foram informados (algumas vezes) que poderiam recorrer às fontes bibliográficas disponíveis. Portanto, é possível considerar que se a resolução das

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situações-problema ou questões apresentadas, nas atividade práticas investigativas, não dependerem diretamente das fontes de informação disponíveis, os alunos tendem a não consultá-las (preferindo perguntar ao professor) em caso de dúvidas (ou dificuldades na realização das tarefas).

Refletir sobre o trabalho realizado.

Foi possível detetar na interpretação da informação recolhida através dos questionários de desempenho, que os alunos apresentam alguma dificuldade em refletir sobre o seu desempenho nas tarefas e as próprias tarefas (existem algumas exceções). Nas questões que solicitavam a justificação da resposta (relacionadas com a apreciação do aluno), a maior parte dos alunos optou por não justificar, evidenciando alguma dificuldade em refletir sobre o assunto ou demonstrando alguma negligência. Alguns alunos respondiam às questões apenas com uma frase (e alguns apresentando menos do que isso), sendo que algumas frases eram indicadoras de uma grande poupança de palavras (e ideias), o que reforça a consideração de que existe alguma resistência ou dificuldade em refletir neste contexto. As frases seguintes, adotadas como resposta, por alguns alunos, são bastante reveladoras disso: “a parte que foi realizada em grupo”; “nada”; “gostei de tudo”; “tudo”; “nenhuma”.

Gerir o tempo/cumprir os prazos estabelecidos.

A dificuldade “gerir o tempo/cumprir os prazos estabelecidos” também foi identificada com base na informação recolhida (e interpretada) a partir dos questionários de desempenho dos alunos. Foi possível verificar que houve referência a esta dificuldade em quase todos os questionários de desempenho aplicados nas várias atividades. Esta referência era feita na questão que abordava as principais dificuldades sentidas pelos alunos ou nas questões que estavam relacionadas com a apreciação dos alunos (apreciação negativa). As respostas seguintes são exemplificadoras disso: “tivemos pouco tempo na realização da atividade”; “o que gostei menos foi o pouco tempo para a atividade”; “gestão de tempo, principalmente”; “o facto de ter feito coisas a correr”.

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Durante a realização de algumas atividades práticas investigativas foi necessário estabelecer um tipo de “contrato de gestão de tempo” (a partir do momento em que foi detetado indícios desta dificuldade) com o objetivo dos alunos cumprirem os prazos estabelecidos. Observou-se que alguns grupos (ou alunos), em algumas atividades práticas investigativas, tinham alguma dificuldade de concentração na fase inicial das tarefas, dispersavam com facilidade e perdiam algum tempo com aspetos supérfluos.

Que apreciações fazem os alunos das atividades práticas