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2 Analyse du circuit de l’information

2.1 La banque de données Itema

O conteúdo da documentação mostrada anteriormente – inclusive aquela transcrita no anexo deste capítulo – permite definir um esboço da “história demográfica” da família referida.

Sabemos que o casal constituiu um *fogo (domicílio) na região de Curitiba, continuando como unidade conjugal até o ano de 1825, quando Anna Maria faleceu. De modo igual, a lista de 1797 permite saber que eles, um genro, uma nora e uma neta (ver Anexo II) constituíam parte do conjunto de habitantes do território curitibano no final do setecentos. Por conseguinte, e para ser mais preciso, quatorze pessoas que, seguramente, faziam parte do efetivo da população de Curitiba por ocasião do mencionado censo.

A mesma lista também evidencia que esse efetivo familiar caracterizava-se pela presença de três filhos do sexo masculino e cinco do feminino. Tal constatação admite o conhecimento da estrutura por sexo da família, somando-se o genro Policarpo e, naturalmente, o chefe da casa e sua esposa. Verificada a idade de todos os seus componentes, teríamos, assim, a possibilidade de estabelecer sua estrutura etária.

Finalmente, as fontes provam que, além de Gregório (e Anna Maria) e o primogênito Felisberto, também Maria, a filha mais velha, estava casada em 1797. Imaginando a hipótese de que todos continuaram na região, contrapunham-se – estes últimos com seus cônjuges – aos indivíduos solteiros do planalto curitibano. Caracterizavam, desta forma, junto com seus vizinhos e outros *fregueses da paróquia, a estrutura da população por estado civil.

Portanto, vimos, até agora, como entre nós e a realidade do século XVIII interpõe-se um testemunho, que informa com relativa segurança – ou com uma segurança possível – alguns dados sobre a estrutura da população paranaense. No que se fundamenta o nosso conhecimento da realidade demográfica do passado? Evidentemente, da correção das informações e de sua correta interpretação. Esta é uma questão importante, tratada adiante, quando será examinada a crítica dos dados.

É óbvio que uma população não se reduz às evidências quantitativas acima apontadas. Ela distribui-se, também, segundo outras categorias, além do sexo, idade ou estado civil. Como se sabe, ser solteiro ou casado, ou mesmo, viver ou

não como companheiro de um homem ou de uma mulher não é simplesmente condição imposta pela natureza. Depende de circunstâncias ditadas pela sociedade, que variam de época para época, de lugar para lugar. É função, por conseguinte, da idade, das condições ou nível de vida dos indivíduos ou de suas famílias, além de outros traços culturais da sociedade em questão. Para compreender isso, basta lembrar – citando só dois exemplos – que as sociedade têm valores diferentes no que se refere à procriação e às formas de união entre um homem e uma mulher. Assim, a família de Gregório e Anna Maria tinha também outras características, articuladas ao modo com que se organizava a sociedade paranaense colonial. As marcas dessas evidências também são transmitidas pelos testemunhos que foram utilizados para reconstituir a referida família; todavia, diferentemente dos sinais antes apontados, nem sempre de forma tão explícita. Senão, vejamos. A ausência de escravos no domicílio anuncia uma família de poucas posses, pobre, o que não implicava, necessariamente, uma situação de miséria. De outro lado, o conteúdo da ata de casamento admite algumas precisões a respeito da categoria social daqueles indivíduos, pois nos cientifica que a esposa era mulata, e não só isso, *forra. Triste combinação essa, numa sociedade escravista extremamente hierarquizada. Muito embora a ata de batismo de Anna Maria nada explicite a respeito,11 sem dúvida o termo traduzia uma ascendência escrava.

A partir desta informação poderíamos inferir que Gregório também fosse *pardo, e de condição social não muito diferente da mulher. Todavia, essa dedução poderia adquirir novos contornos, pelo que pude ler em diversos termos de abertura de livros nos quais foram assentadas as atas de batismos, casamentos e óbitos relativas à família aqui enfocada. Refiro-me ao qualificativo “bastardo”.12

Consultando o “Aurélio” [1986], somos informados de que essa palavra significa fora do matrimônio [...]; portanto, filho ilegítimo. Porém, pode exprimir, ainda hoje, degenerado da espécie a que pertence. Palavras fortes, sem dúvida, embora na atualidade pouco utilizadas para qualificar pessoas. Todavia, aparentadas aos diversos significados da palavra no mundo português do início do setecentos. O termo, além de exprimir uma descendência de ajuntamento illicito, traduzia também

11 Ver, no Anexo II, o documento 02.

12 Ver, no Anexo II, os documentos 03, 05, 06, 08, 14, 22, 24, 32, 53, 70 e 76 [o termo “pardo” aparece,

pela primeira vez, em 1798, no documento 38]. Observo que uma única ata qualifica diretamente Gregório e Anna Maria como bastardos [06].

algo degenerado, significando não só o filho de may não casada mas, pior ainda, o ilegítimo filho de uma mulher pública; [...] de may adultera; [...] nascido do incesto.13

Entretanto, um outro viés se alcançava pela palavra, muito embora seja possível compreender um certo sentido comum. Refiro-me ao qualificativo “degenerado”, porque diferente da espécie original; 14 degenerado, da mesma forma,

porque não conforme o original, ou porque oriundo de várias espécies. Ou ainda, como informa um dicionário de autor “brasileiro”, publicado originalmente em 1813: animais gerados com alguma diferença na casta.15 A partir desta interpretação, entende-

se que Gregório Gonçalves e seus filhos não eram bastardos porque oriundos de uniões ilegítimas – a documentação o comprova. Seriam bastardos porque foram gerados no seio de uma condição social definida pela mestiçagem. Enfim, porque era bastarda a união de Gregório com a mulata forra Anna Maria.

Muito embora se evidencie uma certa relação, poderiam ser assim momeados, simplesmente, pelo fato de Gregório ter tido uma ascendência indígena e portuguesa, como informa John MONTEIRO referindo-se ao século XVII:

Dois termos, freqüentemente tidos como sinônimos, na verdade expressavam uma diferença crítica na época: mamaluco e bastardo. Tanto um quanto o outro descreviam a prole de pai branco e mãe indígena; no entanto, no caso dos mamalucos, os pais reconheciam publicamente a paternidade. Por conseguinte, os mamalucos gozavam da liberdade plena e aproximavam-se à identidade portuguesa, ao passo que os bastardos permaneciam vinculados ao segmento indígena da população, seguindo a condição materna. Já no século XVIII, o termo mamaluco caiu em desuso, enquanto bastardo passava a designar,

genericamente, qualquer um de descendência indígena. 16

Daí porque os filhos de Gregório e Anna herdariam essa denominação. De qualquer forma, foi assim que os vigários curitibanos costumavam guardar na paróquia, até o início do século XIX, dois livros para cada tipo de assentamento (batismos, casamentos, sepultamentos); um, para os “brancos”, de boa casta, e outro, para os escravos, administrados e bastardos – o conjunto da população que constituía a base da pirâmide social.17

13 BLUTEAU,

V. 2, 1712.

14 Como arcos bastardos, sella bastarda, peça bastarda, galé bastarda, trombeta bastarda, uva bastarda, letra bastarda..., cf.

BLUTEAU, V. 2, 1712.

15 SILVA, 1922. Bastardo, adj, filho illegitimo, cujo pa as Leis não reconhecem ou é incerto [...] fig. Dos animaes gerados por

pais com alguma diferença na casta. [Idem].

16 E é dessa forma que se entende, finalmente, porque os “mamalucos” eram assim conhecidos, no

Brasil Meridional [HOLLANDA, 1975:144].

Continuemos, portanto, analisando as informações contidas nos documentos paroquiais e nas listas nominativas, a respeito da história dos Gonçalves. Assim, se é certo que não temos condições de distribuir para essa época os indivíduos, famílias ou domicílios em função da renda – em virtude de falta de informações neste sentido –, também não teríamos condições de fazê-lo para o domicílio de Gregório e Anna Maria. Esse dado, quando existe, refere-se às listas elaboradas de 1798 em diante: de fato, muito embora detalhe as atividades de famílias com mais posses, as listas dos domicílios de pessoas comuns também poderiam trazer informações nesse sentido. Dessa forma, no censo de 1803, consta que a “casa” de Gregório e Anna Maria produziu 10 alqueires de feijão naquele ano. Portanto, quando existentes, essas informações permitem, por meio de aproximações, classificar grosseiramente os domicílios do passado segundo a ocupação dos seus integrantes, pressupondo, inclusive, o nível de vida.

Finalmente, a localização dos “bairros”. Com muito cuidado – na medida em que a distinção rural-urbana é, principalmente, utilizada para caracterizar as populações nos dias atuais –, é possível definir a localização dos bairros a partir desses critérios, fixando-os nas vilas propriamente ditas, nos seus *rocios ou, como é o caso de Gregório, em localidades mais distantes do termo da Vila. De qualquer forma, o fato de terem sido recenseados na “Segunda Companhia de Ordenança desta Villa de Coritiba” – como se verá adiante – mostra que não viviam muitos distantes do centro “urbano” da época. De modo igual, no século XVIII dominava o mundo rural, se abstrairmos as poucas cidades que se localizavam na direção do litoral.

Os levantamentos censitários da época revelam que parte significativa da população vivia em localidades, povoações e fazendas, relativamente distantes da vila. A listagem de 1792 mostra que o domicílio dos Gonçalves estava situado na povoação de Nossa Senhora do Amparo;18 lá, provavelmente, plantavam

para o gasto de sua caza, conforme informação obtida da lista de 1801. Entre 1792 e 1797 mudaram-se, ao que tudo indica. O segundo levantamento nominativo de habitantes que estamos considerando, registra que o fogo da mencionada família podia ser encontrado no “bairro” de Itaperuçu. Tanto uma localidade como outra constituíam parte da mesma companhia de ordenança. Naquela

18 Nunca é fácil, para o passado, identificar exatamente os toponímios. Se a lista nominativa designa desta

forma o “bairro” no qual estava localizado o domicílio dos Gonçalves, uma ata de batismo de 1790 indica que havia uma Igreja de Nossa Senhora do Amparo, na Nova Povoação da Ribeira. Ver, no anexo do capítulo, o do cumento 15.

época, um bairro podia ter comumente o mesmo significado que na atualidade; porém, no caso específico, refere-se a uma divisão administrativa das ordenanças, critério para a organização militar da população na época.

Em síntese, à família de Gregório e Anna Maria somavam-se todas aquelas domiciliadas na Vila, no seu rocio e na região abrangida pelo território curitibano. O censo de 1797 constitui como que uma “fotografia” da aludida população, captando um instante do seu dinamismo; é o estado da população num determinado momento, ou sua estrutura.

É preciso, entretanto, enfatizar que esta, numa perspectiva demográfica, apesar da aparente imobilidade que traduz, expressa sempre um movimento. Isto pode ser verificado justapondo-se pirâmides etárias obtidas de censos diferentes no tempo; por exemplo, de 1792 e 1797, como a figura que segue:

Figura 3

Na segunda pirâmide a família completa dos Gonçalves pode ser visualizada tendo em vista os grupos de idade a que pertencem (0-4, 5-9, ... até a faixa de 45-49 anos), tal como são definidos modernamente pelos censos. Na primeira pirâmide a situação não é diferente. Todavia, nesta, todos os componentes do domicílio encontram-se em faixas etárias mais perto da base, cinco anos mais jovens; e Anna, a filha mais nova, ainda não havia nascido.

Quanto às outras distribuições que caracterizam o estado da população, algumas pouco mudaram de um momento ao outro, outras modificaram-se de forma mais significativa. É possível mesmo aventar que a “migração” dos Gonçalves – pois foram “capturados” pelos recenseamentos em duas localidades –, por diminuta que fosse, poderia indicar uma melhoria na situação econômica da família. Essa observação se deve ao fato de que a família poderia mudar tendo em vista a possibilidade de uma melhoria qualquer.

Ainda, quanto à distribuição por sexo, visualiza-se uma alteração com a inclusão da ultimogênita. Da mesma forma, em relação ao estado civil, altera-se

um pouco a situação entre 1792 e 1797: Felisberto, antes solteiro, casou com Joana Rodrigues de Andrade; de modo igual, Maria uniu-se a Policarpo (Rodrigues) de Andrade, sem dúvida irmão de Joana.19

Assim, a família ou, no caso, o domicílio de Gregório Gonçalves e Anna Maria tem uma história, que integra o conjunto de histórias dos domicílios curitibanos no final do século XVIII. História, portanto, de uma população...

Mudemos, agora, o ângulo da nossa perspectiva. Em vez de dois instantes, acompanhemos a vida dessas famílias a partir das informações obtidas das atas de batismos, casamentos e óbitos da Paróquia de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba. Tal ângulo de observação é mais apropriado para a caracterização do dinamismo de uma populacão, definido pelo contínuo processo de entradas e saídas de indivíduos; o saldo deste processo nos dá a medida do crescimento ou diminuição dos efetivos populacionais. Isto é, “entradas” e “saídas”, “receita” e “débito”, como numa contabilidade, o que é traduzido por nascimentos/imigração e falecimentos/emigração.

Do ponto de vista das histórias de famílias, e de novo chamamos a atenção para nosso exemplo, a entrada pelo nascimento é facilmente perceptível. Em 25 anos de observação (1772-1797), a referida família cresceu de 2 para 11 componentes, não havendo nenhum óbito a ser contabilizado na primeira e segunda geração. A visualização das migrações é mais complicada, dificilmente observável num exemplo tão pontual. Na família em foco, e no período observado, a única “emigração” que pode ser aventada é a de Felisberto, a partir do casamento. Em 1797, ele não se encontrava mais no rol do domicílio dos Gonçalves. Em contrapartida, ou o recenseador se enganou, ou não observou a presença de Policarpo, genro de Gregório, em 1797: a lista contabiliza ainda as duas Marias, a mais velha casada em 1796.

Para saber se o filho mais velho mudou-se tão-somente para um sítio vizinho, na mesma Companhia, ou mesmo para um local pouco mais distante na mesma região, ou ainda para a vila com o objetivo de trabalhar como assalariado ou artesão, seria necessária uma pesquisa do conjunto de domicílios recenseados nas listas nominativas referentes a outras Companhias de Ordenança. A única informação que temos, dada pelos livros da paróquia, é que o casal fazia parte da totalidade dos fregueses da comunidade: tiveram uma filha, batizada com o nome de

Senhorinha em 04 de março de 1796 e falecida em 3 de outubro, dois anos depois. Outro filho falecia em 1809 e, 1821, o próprio.20 Além disso, nada

mais se sabe.

O ângulo de perspectiva “longitudinal” que estamos utilizando pode ser representado num diagrama, como o que se apresenta abaixo:

20 Ver, no Anexo II, os documentos 25 e 26.

21 Ou seja, tal eixo permite que se visualize a faixa etária na qual se incluem os indivíduos representados

no diagrama. Ou a idade, conforme o exemplo do casal Gonçalves e sua prole.

Figura 4

Diagrama: representação dos ciclos vitais na família de Gregório Gonçalves

A figura tem nos seus dois eixos de escala a marcação do tempo (eixo “x”) e dos “aniversários” (eixo “y”);21 as diagonais representam os ciclos vitais

dos indivíduos e das famílias. De fato, cada novo indivíduo nascido está assinalado no ciclo vital da família Gonçalves, correspondendo, ao mesmo

tempo, ao início de um novo ciclo de vida. Estão igualmente assinalados no diagrama os cortes transversais concernentes aos censos de 1792 e 1797. Os ciclos vitais dos avós foram indicados no diagrama, os primeiros em função do ano de nascimento que se presume a partir da leitura de uma lista nominativa levantada em Castro, no ano de 1776, e que registra Clemente Gonçalves, 60 anos, e Joana Cardoza, 40 anos. No que concerne aos pais de Anna Maria, Antonio de Lima e Cypriana Seixas, a representação na figura 4 foi arbitrária, uma vez que não possuímos suas referências demográficas, e nem mesmo sabemos ao certo se ainda habitavam a região dominada pela capela de Bom Jesus dos Perdões, em São José dos Pinhais.

No interior de uma história populacional existem mudanças que, independentemente do dinamismo demográfico, são apenas perceptíveis, pois dependem de definições qualitativas. Refiro-me, por exemplo e em primeiro lugar, à relação entre as mudanças de idade dos integrantes de uma população e o processo de envelhecimento. De um lado, dependendo da época, e ou do lugar e ou da categoria social, conceitos relativos à infância, juventude, adolescência podem ter significados diferentes. Na mesma direção, o significado da palavra “velho” se diferencia de lugar para lugar, de época para época. Quando, em função das condições demográficas o velho rareava, era, variavelmente, venerado como um “ancião”.22

As mudanças no estado civil realmente traduzem alterações no status social, de solteiro para casado, de casado para viúvo, desquitado, ou divorciado. O significado destas palavras varia histórica e culturalmente. Por outro lado, as sociedades humanas refletem de forma diferente uniões não “legalizadas” pelo casamento, tais como uniões consensuais, concubinatos, e outras formas de relações entre os *gêneros. Evidentemente, trata-se de indicações de representações sociais. Mudanças qualitativas também são detectadas a valores culturais concernentes ao amadurecimento da menina-mulher e à procriação, tabus relacionados à virgindade feminina etc. Finalmente, modificações de atitudes concernentes à reprodução estão articulados, geralmente, à adoção ou não de métodos contraceptivos, e um crescimento maior ou menor da população também pode ser o resultado da idade média em que a mulher se expõe à uma relação sexual ou, conforme a época ou cultura, à idade do casamento.

De indivíduo para indivíduo, de geração em geração, de época para época, transformações qualitativas refletem-se também no campo profissional. Se, de um lado, não devemos confundir mobilidade social com migrações, também sabemos, por outro lado, que muitas vezes deslocamentos de indivíduos estão relacionados à mobilidade “horizontal” e à mobilidade “vertical”, implicando mudanças na qualidade de vida. Enfim, trata-se de questão complexa, aqui simplesmente sinalizada.23

Finalizando, devem ser frisadas as conexões evidentes entre a população, conjunto de indivíduos, força de trabalho e consumo, nexos estes que fundamentam organizações sociais. Fica óbvio também que transformações qualitativas na população e na sociedade resultam igualmente como conseqüência da irrupção de crises epidêmicas e econômicas, de fatores genéticos, psicossociais (ou comportamentais) – e, como resultado, alterações nas representações que os grupos populacionais fazem de si próprios –, políticos, e assim por diante...

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