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Tendo como referência o caráter qualitativo da pesquisa e seu enfoque pós- estruturalista, os procedimentos em torno dos instrumentos/técnicas de investigação foram escolhidos aqueles que permitam uma aproximação significativa com a realidade sobre a qual formulou o problema de estudo.

Assim, as técnicas utilizadas para obtenção de dados, compreendeu: entrevista semiestruturada; análise documental e a observação participante. No que se refere à entrevista do tipo semiestruturada, está contendo três momentos subsequentes: registros da data e local da entrevista e apresentação da proposta aos entrevistados; seguir-se com as questões relacionadas ao perfil das pessoas participantes da pesquisa e, por fim, com perguntas que relacionam às

experiências e resistências das pessoas trans no ensino médio de escola pública do município de Caruaru.

A escolha por esse tipo de entrevista emergiu do esclarecimento de que a mesma permite ao entrevistador uma participação ativa, uma vez que, mesmo seguindo um roteiro com questões, pode acrescer novas perguntas, favorecendo assim, a compreensão do cotidiano, da história, das vivências, resistências e experiências dos participantes. A esse respeito Triviños (1987) coloca que esse procedimento valoriza o entrevistado de tal modo que o permite posicionar-se de modo livre e espontâneo, o que enriquece a investigação.

Outra razão para a utilização da entrevista na pesquisa social está no fato de que ela permite obter variados dados referentes à vida social, ao comportamento humano, além do que é possível classificar e quantificar. Conforme expressa Gil (2006), a entrevista requer uma elaboração e preparação de vários aspectos adequados a esse instrumento de coleta de dados de forma rigorosa e adequada à situação e o momento da entrevista, pois,

A entrevista é um encontro entre duas pessoas a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversa de natureza profissional. Trata-se, pois, de uma conversa efetuada face a face, de maneira metódica, proporciona, verbalmente a informação necessária (RAMPAZZO, 1998, p. 114).

Na entrevista, esperamos obter testemunhos sobre as vivências das pessoas trans na escola sobre o contexto cultural ao qual estão inseridos, e subjetividades dessas experiências. Nesse sentido, esse tipo específico de entrevista nos permite ampliar as vertentes epistemológicas sobre a realidade das/os entrevistadas/os e suas concepções acerca do que foi indagado, para em seguida estudar e refletir sobre o discurso acerca da escola e currículo.

As entrevistas junto às pessoas trans participantes foram agendadas conforme as conveniências das mesmas, e registradas mediante gravação, foram realizadas quatro entrevistas com os sujeitos colaboradores.

No que pese à pesquisa documental, foi fundamental para construir a discussão e problematizar as teorias e informações sobre a temática. Assim, conforme Gil (2006), além dos registros estatísticos, também podem ser úteis para a pesquisa socioculturais, os registros escritos fornecidos por instituições governamentais.

O uso qualitativo de documentos em pesquisa possibilita trabalhar com uma riqueza de informações, que bem apreciadas leva ao resgaste, à ampliação e à construção de novos entendimentos. Neste estudo, fizemos uso dos projetos político pedagógicos (PPP) das escolas

públicas da rede estadual do município de Caruaru, nas quais estudam as/os estudantes trans participantes dessa pesquisa.

Da técnica de observação participante, permitiu-se uma aproximação com as vivências das/os participantes, bem como revelou com mais profundidade as lógicas que regem a cotidianidade dessas pessoas em suas experiências escolares e na escola enquanto espaço/tempo em que transitam esses corpos transgêneros. Segundo Rampazzo (1998),

[…] Observar é aplicar atentamente os sentidos a um objeto, para dele adquirir um conhecimento claro e exato. A observação é de importância capital nas ciências: sem ela, o estudo da realidade e de suas leis se reduz a simples conjetura e adivinhação; com ela, realizam-se pesquisas e descobertas (RAMPAZZO, 1998, p. 37).

Observar exige responsabilidade intelectual com a produção do conhecimento sobre o contexto observado, com a finalidade de investigar/perceber a atmosfera escamoteada no espaço da escola. Assim, a observação participante como procedimento científico permite uma dinâmica entre as/os participantes, pesquisador/a e o campo simultaneamente a coleta de dados. Neste sentido,

A observação participante, ou observação ativa, consiste na participação real do conhecimento na vida da comunidade, do grupo ou de uma situação determinada. Neste caso, o observador assume, pelo menos até certo ponto, o papel de um membro do grupo. Daí por que se pode definir observação participante como técnica pela qual se chega ao conhecimento da vida de um grupo a partir do interior dele mesmo (GIL, 2006, p. 113).

Nesse sentido, a observação participante contribuiu para nossa metodologia uma vez que foi realizada de forma interligada com as entrevistas semiestruturadas e com os conteúdos dos documentos (conforme explicitado, os PPPs das escolas), buscando melhor compreender como se dão as vivências, experiências e resistências de pessoas trans no espaço escolar.

Noutros termos, esse procedimento metodológico da observação participante constituiu um recurso essencial para captar e fazer uma leitura ampliada das experiências a partir e no contato mais próximo com as pessoas, informações, as quais as questões elaboradas, por si só, não dariam acesso a outros dados e compreensões.

A observação participante nos possibilitou aproximar da realidade dos sujeitos para melhor compreendermos como se configura as relações entre os participantes e o espaço. Para Neto (2004) a pesquisa participante permite captar informações para além das entrevistas de modo que,

A importância dessa técnica reside no fato de podermos captar uma variedade de situações ou fenômenos que não são obtidos por meio de perguntas, uma vez que, observados diretamente na própria realidade, transmitem o que há de mais imponderável e evasivo na vida real (NETO, 2004, p.60).

A observação participante nos introduziu presencialmente no campo das convivências dos sujeitos, onde podemos observar as realidades dos estudantes trans no espaço da escola e como eles e elas performatizam a relação com os colegas, professores e demais funcionários.

Para o registro dessas percepções, fizemos uso do diário de campo. Para isso é preciso que seu registro descreva os detalhes observados no campo buscando descrever os aspectos cotidianos da realidade dos/as estudantes trans no espaço da escola. O diário de campo é nosso “amigo silencioso’ no dizer de Neto (2004),

[...] um “amigo silencioso” que não pode ser subestimado quanto à sua importância. Nele diariamente podemos colocar nossas percepções, angústias, questionamentos e informações que não são obtidas através da utilização de outras técnicas. O diário de campo é pessoal e intransferível (NETO, 2004, p.63).

Nessa perspectiva, o diário de campo é um importante instrumento de coleta e registro de informações cotidianas dos sujeitos da pesquisa. Ou seja, a observação e o registro de informações nos revelam outras perspectivas acerca das experiências e vivencias dos próprios sujeitos com e no campo.

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