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ANALYSE PROBABILISTE ET AUTRES EMPLOIS DES VARIABLES INDICATRICES

5.4.2 Ballons et paniers

Para a avaliação da DP foi selecionado o teste Tapping Pedal (TP) (Sapateado) FACDEX (1990). Para a aplicação deste teste foi necessário uma cadeira, uma régua em madeira (1m de comprimento, 1cm de largura e 2mm de altura), dois autocolantes sinalizadores (10cm de largura e comprimento) e um cronómetro. O idoso sentou-se na cadeira, com os membros inferiores em

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ângulo reto e ligeiramente afastados, para que cada calcanhar ficasse próximo de cada uma das pernas anteriores da cadeira. (Ver Fig.1).

A régua foi posicionada a meia distância entre os dois pés no sentido longitudinal, sendo fixada ao chão com fita adesiva.

Figura 1 – Teste Tapping Pedal.

O avaliador colocou o cronómetro nos 10 segundos e em contagem decrescente. Ao comando do avaliador, o participante executou, o mais rapidamente possível, um sapateado, batendo alternadamente com o pé nos autocolantes sinalizadores que se encontravam em cada lado da régua, com uma distância de 45 cm entre eles. Foi contado o número de batimentos para cada pé e para cada tentativa.

Todos os participantes tiveram uma tentativa de familiarização e duas oportunidades de execução do teste com um intervalo de descanso de 120 segundos. O registo dos resultados considerou, para cada pé, a melhor das duas tentativas.

A amostra foi contrabalançada em relação ao pé de início, sendo dividida em dois grupos. O primeiro grupo iniciou o teste com o Pp, enquanto o segundo grupo iniciou Pnp, seguindo-se o desempenho com o pé contralateral.

Foi calculado posteriormente, em módulo, o valor do Índice de Assimetria Pedal (IAP), através da fórmula: [(Pp - Pnp) / (Pp + Pnp)] x 100.

39 3.2.3 Procedimentos Estatísticos

Após a recolha de todos os dados, procedemos à sua organização. Para a análise estatística das variáveis do nosso estudo utilizamos o programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 18.

Na estatística descritiva foram calculadas as médias e o desvio padrão, para todas as variáveis.

Efetuou-se uma análise exploratória dos dados com o objetivo de averiguar, através do teste de Shapiro Wilk, a normalidade da distribuição correspondente a cada uma das variáveis em estudo, assim como a eventual localização dos outliers. Na estatística descritiva para todas as variáveis foram calculadas as médias e o desvio padrão.

Na análise inferencial verificou-se o comportamento das variáveis dependentes (Teste de Tinetti e Tapping Pedal) em relação às variáveis independentes (sexo e instituição), aplicando uma ANOVA multifatorial 2x2 (sexo, instituição). Foi ainda calculado, para cada instituição, o coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis dependentes em questão (EqE, EqD, EqT, DP Pp, DP Pnp e IAP). O nível de significância foi fixado em p≤0,05.

3.3 Resultados

A apresentação dos resultados tem como ponto de partida a exibição dos valores relativos à estatística descritiva e inferencial obtida em cada um dos testes motores, considerando os fatores sexo, e instituição. Nos Quadros 2 e 3 apresentamos, respectivamente, a estatística descritiva e inferencial relativamente aos testes de equilíbrio (estático e dinâmico) e nos Quadros 4 e 5 constam a estatística descritiva e inferencial no que respeita ao teste de DP.

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Quadro 2: Equilíbrio (estático e dinâmico). Estatística descritiva (média e desvio

padrão) em cada sexo e instituição.

Centro de Dia Lar

♂ ♀ ♂ ♀

EqE 13,05±2,80 11,79±2,75 11,56±3,30 10,08±3,38 EqD 10,37±2,77 9,50±2,50 10,19±2,10 9,04±2,30 EqT 23,42±5,40 21,29±4,98 21,75±5,19 9,12±5,46

Quadro 3: Estatística inferencial relativa aos testes de equilíbrio, em função do sexo e

da instituição. Valores de F e p.

Sexo Instituição Sexo x Instituição

F p F p F p

EqE 4,146 0,045 5,630 0,020 0,028 0,869 EqD 3,497 0,065 0,352 0,554 0,067 0,796 EqT 4,241 0,043 2,757 0,101 0,047 0,828

Na análise dos resultados do teste de Tinetti, e no que respeita ao EqE, foi evidenciado um efeito significativo do fator sexo [F (1,81) = 4,146; p=0,045] e do fator instituição [F (1,81) = 5,630; p=0,020]. Os idosos do sexo masculino e os idosos do Centro de Dia apresentaram os melhores desempenhos. Quanto ao EqD, nenhum dos fatores ou a sua interação apresentou um efeito significativo. Considerando o EqT, observou-se um efeito significativo do sexo [F (1,81) = 4,241; p=0,043], onde mais uma vez os idosos do sexo masculino obtiveram os melhores desempenhos relativamente às idosas.

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Quadro 4: Destreza Pedal. Estatística descritiva (média e desvio padrão) em cada

sexo e instituição.

Centro de Dia Lar

♂ ♀ ♂ ♀

Pp 20,41±3,28 18,96±3,16 19,31±3,64 19,39±2,25 Pnp 20,41±3,28 18,04±3,37 18,06±2,84 18,54±2,19 IAP 5,42±5,71 3,24±3,97 4,20±3,65 4,13±2,74

Quadro 5: Estatística inferencial relativa aos testes de DP em função do sexo e da

instituição. Valores de F e p.

Sexo Instituição Sexo x Instituição

F p F p F p

Pp 1,044 0,310 0,245 0,622 1,303 0,257 Pnp 1,733 0,192 1,640 0,204 4,205 0,040

IAP 1,582 0,212 0,034 0,854 1,397 0,241

Em relação aos Quadros 4 e 5, apenas verificamos um efeito significativo da interação Sexo x Instituição [F (1,81) = 4,205; p= 0,040] na DP com o Pnp. Enquanto no Centro de Dia a maior proficiência pertenceu aos idosos do sexo masculino, no Lar foram as idosas que apresentaram a melhor performance.

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No Quadro 6 apresentamos a correlação entre os valores do EqE, do EqD, do EqT e da DP, no Lar.

Quadro 6 – Lar. Correlações de Pearson entre as variáveis.

Tinetti EqE Tinetti EqD Tinetti EqT Tapping Pedal DP Pp Tapping Pedal DP Pnp IAP Tinetti EqE r p 1 0,853 0,000 0,976 0,000 0,248 0,114 0,316 0,041 -0,104 0,524 Tinetti EqD r p 0,853 0,000 1 0,946 0,000 0,167 0,289 0,152 0,335 -0,204 0,196 Tinetti EqT r p 0,976 0,000 0,946 0,000 1 0,224 0,155 0,260 0,096 -0,149 0,346 Tapping Pedal DP Pp r p 0,248 0,114 0,167 0,289 0,224 0,155 1 0,808 0,000 0,075 0,636 Tapping Pedal DP Pnp r p 0,316 0,041 0,152 0,335 0,260 0,096 0,808 0,000 1 -0,213 0,175 IAP r p -0,104 0,524 -0,204 0,196 -0,149 0,346 0,075 0,636 -0,213 0,175 1

Da análise do Quadro 6 verificamos que os coeficiente de correlação encontrados entre a avaliação do EqE e do EqD apresentaram uma correlação significativa e forte (p=0,000; r= 0,85). O EqE e o EqT apresentaram uma correlação significativa (p=0,000) e muito forte (r=0,98) e o mesmo se verificou entre o EqD e o EqT (p=0,000; r=0,95) . Relativamente à associação entre o Pp e o Pnp verificamos uma associação significativa (p=0,000) e forte correlação (r=0,81) e entre EqE e DP Pnp observámos uma correlação significativa (p=0,041) apesar de fraca (r=0,32).

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No Quadro 7 apresentamos a correlação entre os valores do EqE, do EqD, do EqT e da DP, no Centro de Dia.

Quadro 7 – Centro de Dia. Correlações de Pearson entre as variáveis.

Tinetti EqE Tinetti EqD Tinetti EqT Tapping Pedal DP Pp Tapping Pedal DP Pnp IAP Tinetti EqE r p 1 0,816 0,000 0,955 0,000 0,325 0,034 0,239 0,123 -0,217 0,162 Tinetti EqD r p 0,816 0,000 1 0,950 0,000 0,417 0,005 0,308 0,045 -0,110 0,483 Tinetti EqT r p 0,955 0,000 0,950 0,000 1 0,388 0,010 0,286 0,063 -0,173 0,267 Tapping Pedal DP Pp r p 0,325 0,034 0,417 0,005 0,388 0,010 1 0,795 0,000 -0,375 0,013 Tapping Pedal DP Pnp r p 0,239 0,123 0,308 0,045 0,286 0,063 0,795 0,000 1 -0,294 0,055 IAP r p -0,217 0,162 -0,110 0,483 -0,173 0,267 -0,375 0,013 -0,294 0,055 1

Analisando o Quadro 7 constatamos uma correlação significativa e forte entre o EqE e o EqD (p=0,000; r=0,82). Verificamos uma correlação significativa e muito forte entre o EqE e o EqT (p=0,000; r= 0,96), e o EqD e o EqT (p=0,000; r= 0,95). Verificamos uma correlação significativa e fraca entre o EqE e a DP Pp (p=0,034; r=0,33) e entre o EqT e a DP Pp (p=0,000; r=0,39).

Os coeficientes de correlação entre o EqD e a DP Pp foi significativa e moderada (p=0,005; r=0,42). Quanto ao EqD e a DP Pnp a correlação foi significativa e fraca (p=0,045; r=0,31).

Verificamos uma correlação significativa e forte entre a execução do teste TP Pp e o Pnp (p=0,000; r=0,86). Relativamente à DP Pp e o IAP constatamos uma correlação significativa, fraca e negativa (p=0,013; r=-0,38). Quanto à DP Pnp e o IAP verificamos também uma tendência para uma correlação significativa, fraca e negativa (p=0,055; r=-0,29).

44 3.4 Discussão dos resultados

O objetivo deste estudo foi investigar o equilíbrio e a destreza pedal analisando o efeito do sexo e da Instituição em idosos de diferentes contextos, utentes de Lares e Centros de Dia do grande Porto. Pela análise dos resultados obtidos através do questionário Lateral Preference Questionnaire (Porac & Coren, 1981) no que concerne à direção da preferência lateral pedal, verificamos que todas as pessoas idosas apresentaram preferência pedal direita. A preferência pedal é a capacidade que um membro tem em executar, manipular ou estabilizar uma ação enquanto que o outro, o membro não dominante, fornece suporte e estabilização enquanto realiza tal ação (Peters, 1988). De acordo com a literatura, verifica-se que 80% da população em geral têm preferência pedal direita (Carey et al., 2008). Um estudo realizado por Machado (2008) na qual a autora compara a preferência pedal numa amostra de 51 jogadores de futebol com idades compreendidas entre 5 e 30 anos, constatou que durante a execução de tarefas de estabilização, mobilização geral e específica, 94% dos sujeitos apresentavam preferência pedal direita nas tarefas de mobilização. Outro estudo realizado por Barut et al. (2008) com o objetivo de avaliar as relações entre a mão e o pé preferido em 633 indivíduos de ambos os sexos, com idades compreendidas entre 18-42 anos, observou-se que 75,5% dos homens com preferência manual direita (destrímanos) apresentaram preferência pedal direita e entre as mulheres, a preferência pedal direita foi de 89,9%. Bell e Gabbard (2000) em uma amostra de 1356 indivíduos divididos em quatro grupos (G1=18-29 anos, G2=30-45 anos, G3=46-59 anos e G4>60 anos) verificaram que a preferência pelo pé direito foi significativa e consistente em 76% no grupo mais jovem (G1) e 86% no grupo acima dos 60 anos (G4). De acordo com alguns pesquisadores a preferência pedal pode ser um indicador mais fidedigno do que a preferência manual, devido ao fato de que o membro superior é mais susceptível as pressões culturais do universo destrímano (Bell & Gabbard, 2000).

Em relação aos resultados obtidos no teste de equilíbrio, o sexo masculino do contexto Centro de Dia obteve desempenhos significativamente mais elevados no EqE e no EqT em relação ao sexo feminino. Os resultados parecem mostrar que os indivíduos do sexo masculino apresentam melhor

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equilíbrio do que os do sexo feminino. Estes achados são corroborados pelos estudos de Coração de Maria et al. (2009) em que os autores avaliaram 40 idosos com idades entre os 65 e 89 anos, sendo 20 do sexo masculino e 20 do sexo feminino. Com o objetivo de identificar o efeito da variável sexo sobre o equilíbrio e o medo de cair, concluíram que o sexo masculino apresentou valores mais elevados e estatisticamente significativos no Teste de Tinetti em relação ao sexo feminino.

Lojudice et al. (2008) em seus estudos avaliaram o estado de equilíbrio e marcha de 105 idosos, sendo 62 do sexo feminino e 43 do sexo masculino através da escala de Tinetti – POMA. Os autores verificaram que dos 52 idosos que se apresentaram com baixo desempenho no POMA, 36 eram do sexo feminino. Manckoundia et al. (2008) em uma amostra de 344 idosos, utilizando também o Teste de Tinetti, concluíram em seu estudo que as mulheres eram mais propensas do que os homens a sofrer uma deteriorização no equilíbrio e na marcha. Podemos também confirmar nossos resultados através do estudo realizado por Carvalho e Mota (2007) em que os autores avaliaram a relação entre o medo de cair e o equilíbrio em 56 idosos institucionalizados praticantes e não praticantes de exercício físico, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 65 e os 95 anos de idade. Verificaram que os idosos do sexo masculino apresentaram menor medo de cair em relação ao sexo feminino, subentendendo-se que os homens apresentaram um melhor equilíbrio.

Segundo Spirdurso (1995), as mulheres sofrem um maior declínio em relação à força muscular do que os homens, podendo ser justificado pela baixa inatividade, diferenças músculo-esquelético e hormonais. Um estudo realizado por Kanehisa et al. (1994) em que os autores compararam 53 indivíduos sedentários, 27 homens e 26 mulheres com idades compreendidas entre os 18 e 25 anos, concluiu que os homens possuíam uma maior força muscular do que as mulheres o que subtende-se que têm mais massa muscular e, consequentemente, maior controle no equilíbrio. Harris (1997) pôs a hipótese de que as perdas de massa muscular e força, com a idade, têm uma base multifatorial no sexo feminino, englobando fatores tais como: os hormônios (estrogênio), sedentarismo, tabagismo, atrofia por desuso, saúde, genética,

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tamanho e composição corporal. Podemos dizer que nossos idosos nasceram entre os anos 20 e 30, onde a maioria das mulheres não trabalhava, assumindo o papel de esposa, mãe e dona de casa e os maridos ficavam responsáveis pelo sustento da casa. Sendo assim, os homens eram mais ativos fisicamente, pois na maioria das vezes, dependendo de sua atividade profissional, algumas capacidades motoras eram exigidas, tais como: a força, o equilíbrio, a resistência muscular e aeróbica. Contrariando nossos resultados, surge o estudo de Piccoli et al. (2009) em que os autores avaliaram o perfil motor em 202 idosos, 140 do sexo feminino e 62 masculino, entre os 60 e 83 anos submetidos ao teste Escala Motora para a Terceira idade de Rosa Neto (2002). Sendo o equilíbrio uma dentre as seis variáveis, os autores concluíram que o sexo feminino obteve valores superiores em relação aos homens. Os resultados deste estudo, ao diferirem dos nossos podem ter a sua explicação no uso de diferentes metodologias, nas características da amostra ou nos protocolos aplicados. Menz et al. (2005) concluíram em seu estudo que as características do pé e tornozelo, a flexibilidade, a sensação tátil plantar e a força nos músculos plantares, contribuem significativamente para o desempenho no equilíbrio e na capacidade funcional em pessoas idosas.

Quanto à destreza pedal, verificou-se um efeito significativo do sexo no desempenho do Pnp, com os homens do Centro de Dia e as mulheres do Lar a demonstrarem desempenhos superiores relativamente às mulheres do Centro de Dia e aos homens do Lar, respectivamente. Estes resultados confirmam os estudos realizados por Carneiro (2009) e Freitas (2008) em que as autoras avaliaram a destreza pedal em grupos não praticantes de exercício físico, utilizando o mesmo teste de nosso estudo, e constataram que os homens utentes do Centro de Dia, apresentaram desempenhos superiores, quer com o Pp quer com o Pnp. Um fato interessante foi observado nas mulheres utentes do Lar que revelaram uma melhor performance em relação aos homens do mesmo contexto e em relação às mulheres utentes do Centro de Dia, quer com o Pp e o Pnp. Podemos supor que as histórias de vida desse grupo de mulheres, tais como: o tipo de trabalho realizado ao longo da vida, hábitos e tipo de AVD’s e, possivelmente algumas doenças, possam ter originado esses resultados. Apesar de estarem a viver em uma instituição, não significa que

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estejam mais debilitadas do que os homens do mesmo contexto e as mulheres utentes do Centro de Dia, pois, o envelhecimento em cada indivíduo ocorre de formas e tempos diferentes.

No que se refere aos coeficientes de correlação observou-se uma forte e significativa correlação entre o EqE e o EqD tanto no Lar como no Centro de Dia. Assim, dado que essas duas capacidades se revelaram associadas, concluimos que se os idosos apresentarem um bom EqE certamente terão um bom EqD. Num estudo de Rebelatto et al. (2008), os autores avaliaram o EqE utilizando o teste de Apoio Unipodal e para avaliar o EqD, utilizaram o teste de Velocidade Máxima de Andar, testes similares aos empregados em nosso estudo. Verificaram que os indivíduos que tiveram pior desempenho no teste de Apoio Unipodal gastaram mais tempo para finalizar o percurso no teste de Velocidade Máxima de Andar, concluindo que ambas as capacidades dependem entre si para a realização de várias tarefas.

Segundo Stel (2003), a relação entre a diminuição do EqE e o número de quedas sofridas se relacionam, pois, quanto menor a capacidade em se manter em equilíbrio parado, maior será a probabilidade de sofrer uma queda. O estudo de Faria (2010) corrobora também os nossos achados, tendo a autora observado uma correlação positiva e forte entre o EqE e o EqD, associando este resultado no sentido de que quanto maior o equilíbrio, menor será a prevalência de quedas. Em relação ao teste que avalia a DP, verificou- se também no Lar e no Centro de Dia, uma significativa e forte correlação entre o Pp e o Pnp, o que nos leva a concluir que tendo os dois membros um desempenho semelhante na realização da tarefa, ambos são pouco assimétricos.Olex-Zarychta e Raczek (2008, pp. 441) referem que “os pés têm um desempenho pouco assimétrico” e que alguns autores explicam este fenômeno pelo fato das atividades bipedais nos humanos serem em abundância. Freitas (2008) verificou idêntica correlação em seu estudo e justificou que em futuras pesquisas que requeiram a aplicação de testes de coordenação e agilidade envolvendo um dos pés, pode-se optar em realizar apenas com o membro preferido, tornando mais rápida a recolha dos dados.

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Verificamos apenas no Centro de Dia uma correlação significativa e moderada entre o EqD e a Dp com o Pp, o que vem a confirmar o fato de que os idosos deste contexto têm mais equilíbrio do que os idosos do Lar, pois, quanto maior o EqD melhor serão as condições para manter uma boa mobilidade e independência para as AVD’s . Relativamente à associação entre a DP Pp e o IAP constatamos uma correlação significativa, apesar de fraca, e negativa. Isto leva-nos a concluir que os melhores desempenhos ao nível da destreza pedal do pé preferido estão associados a uma menor assimetria entre o pé preferido e o pé não preferido.

3.5 Conclusões

As conclusões de nosso estudo revelaram que se verifica: i) um efeito significativo do fator sexo no equilibro estático e total, apresentando os homens melhores desempenhos; ii) um efeito estatisticamente significativo da Instituição, com o contexto Centro de Dia a evidenciar melhores desempenhos no equilíbrio estático; iii) um efeito significativo da interação Sexo x Instituição na destreza pedal do pé não preferido, em que os homens do Centro de Dia e as mulheres do Lar, apresentaram valores superiores; iv) tanto no Lar como no Centro de Dia, uma correlação forte e significativa entre o equilíbrio estático e o equilíbrio dinâmico e entre a destreza pedal do pé preferido e do pé não preferido; v) no Centro de Dia, uma correlação significativa e moderada entre o equilíbrio dinâmico e a destreza pedal do pé preferido e uma correlação significativa e fraca entre o equilíbrio dinâmico e o pé não preferido; vi) no Centro de Dia, uma correlação significativa e fraca entre a destreza pedal do pé preferido e o índice de assimetria pedal; vii) no Centro de Dia, tendência para uma correlação significativa e fraca entre a destreza pedal do pé não preferido e o índice de assimetria pedal.

Concluímos então que os homens têm mais equilíbrio do que as mulheres e que o EqE e o EqD se correlacionam entre si, tornando-se um fator muito importante para a destreza pedal, pois um bom equilíbrio estático traduz- se em um bom nível de equilíbrio dinâmico mantendo o idoso independente e ativo para suas AVD’S. Um programa de exercícios físicos aplicado como

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forma de prevenir o declínio desta e de outras capacidades seria de suma importância para promover um envelhecimento mais saudável.

3.6 Sugestões

Após a realização deste trabalho, sugerimos a possibilidade de algumas idéias que possam ser utilizadas em futuras investigações de modo a melhorar e contribuir para um conhecimento mais detalhado sobre este tema.

 Incluir no estudo escalões etários e uma amostra maior.

 Comparar a evolução do equilíbrio e da destreza pedal em função do sexo, escalão etário e os seguintes contextos: idosos independentes, idosos utentes de Lares e Centros de Dia e Centro Hospitalares.

 Realizar um diagnóstico com especialistas em Otorrinolaringologia e Ortopedia para rastreamento de possíveis distúrbios sensoriomotores e problemas relacionados com os pés, que interfiram no desempenho do equilíbrio. Nesta linha, realizar diversos testes de forma a identificar todos os fatores de risco e rastrear todos os possíveis focos que ocasionem tais disfunções.

 Aplicar treinos específicos que melhorem o equilíbrio e a destreza pedal, avaliando o antes e o depois.

 Realizar a recolha de dados em outras zonas do país, comparando amostras de idosos que morem no campo com idosos residentes em zonas urbanas.