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Axiomatic Design Theory (ADT)

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Chapter 2  The state of the art

2.4  Design theories and approaches

2.4.1 Design theories

2.4.1.2 Axiomatic Design Theory (ADT)

De forma geral, os professores apresentaram entendimentos de senso comum, no sentido de como compreendem a relação entre as questões ambientais e a Química. Talvez porque todos expressaram uma visão reducionista, relacionando as questões de meio ambiente somente como problemas. Dos investigados, uma parcela (três formadores) atribui exclusivamente à Química ― e suas diferentes esferas de atividades ― a responsabilidade pela geração desses problemas. Tais interpretações, de acordo com Marques e Cols. (2007), reforçam uma conotação negativa à Química, além de serem resultantes de entendimentos fragmentados sobre o que são os problemas ambientais. Afinal, aspectos econômicos, políticos, culturais e sociais a eles atrelados parecem não ser problematizados, consolidando uma percepção culposa à ciência (Química), desconsiderando também suas contribuições ao desenvolvimento científico, tecnológico e social.

Essa forma de entender a relação entre a Química e as questões ambientais encontra-se expressa no seguinte fragmento:

A distribuição de poluentes não tratava de Educação Ambiental tá, quer dizer, o enfoque

38 Convém lembrar que ―questões e problemas ambientais‖ não se referem à mesma coisa. Em nosso estudo, o termo ―questões ambientais‖ é mais amplo, pois engloba diversos aspectos, incluindo, dentre eles, os próprios problemas ambientais. Destaca-se que muitos entrevistados não fazem essa distinção.

tava na Química mesmo, no conteúdo, e a

questão ambiental tava junto, quer dizer, era o

problema, gerador do problema, como é que um poluente, quer dizer, uma substância química, pra onde ela vai para o ambiente,

propriedades, de acordo com as propriedades dela, o que você pode prever, de onde ela vai tá e [em] que compartimento ela vai preferencialmente estar né, era um pouco este o enfoque (P8 – grifos nossos).

O professor refere-se ao tipo de tratamento dado às questões ambientais ao longo do desenvolvimento de sua disciplina, deixando evidente seu entendimento: essas questões estão diretamente associadas à geração de problemas ambientais, cuja responsabilidade é da Química.

A Química sendo interpretada como causadora de problemas ambientais pode ser resultante de uma visão limitada e pouco refletida de seu papel, afinal seus conhecimentos deveriam ser utilizados para ampliar a visão dos estudantes ― neste caso, os futuros professores de Química ― para uma atuação consciente frente à temática ambiental e ao papel que um professor de Química pode desempenhar na formação crítica e socialmente comprometida dos seus alunos.

De forma específica, relaciona as substâncias químicas a essas adversidades produzidas no meio, cujo entendimento e interpretação são dados a partir de conteúdos químicos, ou seja, os conhecimentos derivados e desenvolvidos pela Química. Este último aspecto é bastante positivo, pois se refere ao uso do conhecimento na interpretação de problemas relevantes. Todavia, permanece ou reforça a ideia de que a Química é ruim e a que causa os problemas ambientais.

Podemos ainda inferir que a abordagem e o tratamento dessa temática se dão por meio da Química no ambiente, por preocupar-se em investigar o destino (e a distribuição) dessas substâncias, além de suas propriedades, e assim suas interações com as partes constituintes do meio, podendo então ser resultante de estudos e entendimentos derivados da própria Química Ambiental, já que se dedica também ao estudo de processos e modificações que ocorrem no meio, decorridos, ou não, de ações antrópicas.

Outro investigado, quando questionado sobre a possível relação existente entre as questões ambientais e a Química, apresentou entendimento similar ao sujeito acima, perceptível através de seu depoimento:

[...] eu dou aula de Química Ambiental e a minha primeira aula, no primeiro dia eu sempre faço a mesma pergunta pros alunos, eu pergunto se a Química polui. Invariavelmente eles dão como resposta – depende – e aí eu digo pra eles que

não depende coisa nenhuma, que ela polui sempre. Eles ficam meio chocados. Eu sempre

faço essa pergunta porque a gente tem a

tendência de querer desculpar a Química, então

tu vem com aquela história que depende, se tu fizer direitinho, se não deixar nenhum resíduo,

não vou gerar poluição. Ué, ela vai poluir sempre [...] (P2 – grifos nossos).

É explicitamente anunciada pelo professor sua percepção de que a Química polui, e é responsável então pela produção dessa poluição, por mais que cuidados sejam tomados nos processos e que nenhum resíduo seja gerado. Para ele é inevitável que poluição seja originada. Assim, como no fragmento anterior, o formador expressa uma compreensão parcial do que vem a ser a Química e seu papel na sociedade, pois parece não reconhecer suas contribuições, fortalecendo assim uma visão negativista da ciência (Química).

Segundo Moraes (2004), reduzir questões ambientais a problemas ambientais é, na verdade, um reflexo de visões fragmentadas de meio ambiente. E a poluição, explicitada pelo professor, não pode ser interpretada de outra forma que não seja prejudicial ao ambiente, porém, isso não significa que toda a poluição seja química ou gerada pela indústria química. Por outro lado, cabe destacar que, paradoxalmente, esse investigado é o mesmo que expressou uma visão mais abrangente de meio ambiente, conforme discutido anteriormente, e que também expressou um entendimento de que a Química isoladamente não dá conta de solucionar e resolver os problemas ambientais. Apesar de associar a Química à contaminação ambiental, percebe a necessidade da apropriação e utilização de conhecimentos de outras áreas para o entendimento e enfrentamento dos problemas ambientais, e, nesse sentido, contraria, de certo modo, a afirmação expressa por Moraes (2004) relativa às visões fragmentadas de meio ambiente.

Já de acordo com Coelho, Marques e Delizoicov (2009) é necessário que se problematize o entendimento acerca dos problemas ambientais, dado que sua apreensão resulta em ―[...] implicações às ações pedagógicas que apontem para uma compreensão e atuação

capazes de contribuir em sua superação [...]‖ (p.3), afinal a abordagem de questões ambientais nos processos formativos é importante, especialmente para os químicos, incluindo os professores de Química. É necessário compreender os processos que interferem e modificam o ambiente, já que nós químicos trabalhamos e estudamos os diferentes aspectos ligados à transformação da matéria. Se durante o processo formativo forem problematizados os diferentes entendimentos dos estudantes sobre o meio ambiente e a relação com a Química, muito provavelmente se sentirão os reflexos em suas práticas futuras relacionadas à tutela do ambiente.

Outro entrevistado demonstra um modo de pensar semelhante ao anterior, e ainda que ressalte e destaque o papel da Química, considera que intervenções mais amplas e com o aporte de outras áreas ― que também constituem e fazem parte do ambiente, transformando negativamente o planeta ― sejam essenciais à abordagem de problemas ambientais:

[...] Tem outras áreas ambientais que não necessariamente tão ligadas à Química né, por exemplo, outras áreas de gerenciamento, outras áreas relacionadas à administração ambiental, essas não têm muito a ver com Química. Agora,

no que se refere à poluição, contaminação e qualidade ambiental, a Química está absurdamente envolvida e necessária nessas abordagens (P1 – grifos nossos).

Do mesmo modo que os professores citados anteriormente, esse investigado relata que a Química está associada à geração de problemas ambientais ligados à poluição e à contaminação, afinal é essencial sua abordagem no tratamento de aspectos relacionados à problemática ambiental. Ainda que manifeste que outras áreas, não associadas ou procedentes da Química, sejam necessárias à abordagem de questões atreladas ao ambiente, delega exclusivamente à Química a responsabilidade tanto pela produção de impactos ambientais quanto outorga a essa ciência a inevitável responsabilidade para o tratamento de aspectos atrelados a essas questões. Cumpre notar que os conhecimentos técnico-científicos dessa ciência podem também ser utilizados para solucionar problemas ambientais.

Podemos associar a compreensão desse formador acerca das questões ambientais à sua visão de meio ambiente, identificada

anteriormente como naturalista. Por perceber o meio de forma fragmentada, transpassa o mesmo reducionismo para tais questões, já que interpreta o meio a partir de suas partes (MORAES, 2004), além de reduzir sua relação com a Química à geração de problemas ambientais e de excluir o ser humano, suas ações e interações com o meio.

Convém destacar que em nenhum momento os três professores acima indicados referiram-se a outros aspectos relacionados à origem dos problemas ambientais, pois todos, sem exceção, desconsideraram a ação dos seres humanos no meio. Tais interpretações podem resultar em implicações pedagógicas, gerando consequência nos processos formativos, pois não levam em consideração a ação dos seres humanos sobre o meio biótico e abiótico (COELHO; MARQUES; DELIZOICOV, 2009), reforçando visões de neutralidade científica entre os futuros professores.

Neste sentido, Freitas e Cols. (2010) apontam a necessidade de organizar a percepção ambiental dos indivíduos acerca das questões ambientais. Defendem que isso seja feito pela perspectiva da complexidade ambiental, pois o estudo do grande número de processos, fenômenos e informações, ao serem cruzados, auxiliaria em uma análise mais ampla e interacionista da temática ambiental. Isto, no caso da formação de professores de Química, poderia auxiliar nas discussões e abordagens de maior qualidade e profundidade sobre a relação entre essa ciência e as questões ambientais, incluindo os próprios problemas ambientais.

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