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Baccalauréat ES Antilles–Guyane \ 19 juin 2014

Através da análise dos resultados apresentados no Capítulo IV e tendo presentes os objetivos a que nos propusemos no Capítulo I, é possível apontar as conclusões deste estudo.

No que concerne ao objetivo “Verificar a influência do feedback professor- aluno, nos trabalhos realizados pelos alunos, na sua aprendizagem”, a análise dos trabalhos que os alunos realizaram ao longo deste estudo nas disciplinas de Matemática, Português e História e Geografia de Portugal, permitiu aferir uma melhoria significativa dos trabalhos finais após receberem feedback da professora estagiária. Também os estudos realizados por Bruno e Santos (2010), Nogueira (2009), Oliveira (2016), Santos (2015), Santos e Dias (2006) e Santos e Pinto (2011) revelam que todos os alunos melhoraram significativamente a primeira e segunda versão dos seus trabalhos com auxílio do feedback recebido. Além disso, o feedback poderá ter tido efeito positivo porque as médias das classificações às diferentes disciplinas e a Matemática e Português aumentaram do pré-teste para o pós-teste.

A professora estagiária anteriormente ao estudo desenvolvido tinha o conhecimento da eficácia do feedback na aprendizagem dos alunos e das características da importância de o feedback disponibilizado ser um feedback formativo porém, apenas a nível teórico, já que antes da realização deste estudo nunca tinha tido a possibilidade de implementar na prática esta estratégia. Apesar disso, tentou desde o início do estudo cumprir as regras de um bom feedback, de forma a conseguir ajudar os alunos a melhorar as suas aprendizagens. Tentou respeitar os alunos e o seu trabalho, não fazendo juízos de valor mas sim chamadas de atenção e incentivo à reflexão e à procura

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de soluções para que os alunos conseguissem ultrapassar as dificuldades com que se deparavam (Avões, 2015). Contudo, apesar do domínio do conhecimento teórico sobre o feedback, este nem sempre foi disponibilizado aos alunos de forma eficaz, o que evidencia a importância da prática e da reflexão que o professor deve realizar continuamente sobre a sua ação para a tornar gradualmente mais eficaz.

No que respeita ao objetivo “Averiguar a perceção dos alunos sobre a importância do feedback” e tendo como base os resultados obtidos com a aplicação da

Escala de Perceção dos alunos sobre o feedback dos professores e do Questionário Perceção dos alunos sobre a importância do feedback escrito, é possível concluir que

os alunos envolvidos no presente estudo atribuíram importância quer ao feedback que receberam da professora estagiária quer dos colegas, apesar de conferirem uma apreciação mais positiva para o fornecido pela professora estagiária. As razões apontadas pelos alunos para a importância que conferem ao feedback disponibilizado pela professora estagiária e pelos colegas ao seu trabalho são: melhorar a aprendizagem e tomar consciência dos erros. O feedback dado pela professora estagiária é na opinião dos alunos mais importante que o fornecido pelos colegas. Com exceção de dois alunos, todos os outros reconhecem ao feedback fornecido pelos colegas a sua importância. Os estudos desenvolvidos por Nogueira (2009), Oliveira (2016), Ribeiro-Pereira e Flores (2013) e Santos (2015) revelaram resultados semelhantes aos por nós obtidos. Também os alunos envolvidos nestes estudos consideram o feedback importante, apresentando perceções comuns aos dos alunos deste estudo.

A análise das respostas ao Questionário Perceção dos alunos sobre a

importância do feedback escrito permite ainda concluir que os alunos perceberam

claramente os objetivos do feedback visto que referiram as categorias de resposta “Tomar consciência dos erros” e “Melhorar a aprendizagem” quando foi perguntado por que razão o feedback da professora estagiária e dos colegas é importante e por que motivos a professora estagiária fazia os comentários (feedback escrito) nos seus trabalhos. Nos vários itens do questionário referiram sempre as mesmas respostas nas categorias de análise. Por último a análise das respostas à Escala Perceção dos alunos

sobre o feedback dos professores permite concluir que na opinião dos alunos a

professora estagiária forneceu feedback centrado na tarefa e não um feedback concentrado no aluno e nas suas características pessoais (Brookhart, 2008; Lopes & Silva, 2010; Masson, 2011; Silva & Lopes, 2014).

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No que se refere ao objetivo “Averiguar o impacto da intervenção efetuada na crença de Autoeficácia dos alunos nas disciplinas de Português e Matemática”, a análise de resultados obtidos com a aplicação da Escala de Autoeficácia Académica permite concluir, apesar de não se terem verificado diferenças estatisticamente significativas, que as médias da Autoeficácia geral, da Autoeficácia a Português e a Matemática diminuíram do pré para o pós-teste. Porém apenas com exceção de o valor da autoeficácia geral em pós-teste, a média da turma é superior ao valor padronizado. Isto significa que a média obtida na turma em estudo é superior à média obtida pelas autoras aquando da aplicação da escala a nível nacional. É de salientar que o valor da autoeficácia geral em pós-teste é apenas 0,4 pontos abaixo do valor padronizado.

Quanto ao objetivo “Investigar a relação entre os níveis da autoeficácia académica e os resultados escolares em Português e Matemática”, os resultados obtidos com a aplicação da Escala de Autoeficácia Académica antes e depois da prática pedagógica permitem concluir que não foi possível demonstrar uma possível relação uma vez que os resultados obtidos neste estudo não foram conclusivos. Uma explicação para este resultado são as poucas aulas em que a professora estagiária teve oportunidade de aplicar a estratégia de feedback e, uma vez que é avaliada a autoeficácia geral, o facto de o estudo só ter sido aplicado em três disciplinas. Apenas na autoeficácia geral no pós-teste é que os dois alunos com maior crença de autoeficácia são os mesmos que obtiveram melhor desempenho académico nas médias das disciplinas. Outra explicação para este resultado pode ser o facto de a amostra ser superior à média obtida pelas autoras aquando da aplicação da escala a nível nacional.

No que diz respeito ao objetivo “Refletir considerando os pontos de vista dos alunos, sobre a importância do feedback do professor e dos colegas na sua aprendizagem”, a análise dos efeitos do feedback nos trabalhos realizados pelos alunos permite inferir que a frequente utilização do feedback influencia positivamente o processo de ensino e aprendizagem. Promove hábitos de auto e heteroavaliação de trabalho, permite que os alunos se consciencializem os seus progressos, planifiquem e que concretizem estratégias para melhorarem as suas tarefas. Ainda incentiva os alunos a melhorarem os seus trabalhos, influencia o envolvimento dos alunos na escola e ajuda os professores a reajustar a sua prática pedagógica (Brookhart, 2008; Fernandes, 2005; Hattie & Timperley, 2007; Pinto, Lima & Rocha, 2011; Silva & Lopes, 2014). Apesar de os professores reconhecerem a importância da utilização do feedback como componente essencial à realização de uma avaliação formativa de qualidade, capaz de

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envolver os professores e os alunos no processo de reflexão sobre as aprendizagens realizada, é necessária formação e prática sobre as formas eficazes de utilização, para que seja utilizado com frequência e de forma eficaz e passe a ser uma competência de todos os professores (Brookhart, 2008; Silva & Scapin, 2011).

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