Com base no que deixamos expresso anteriormente e, tendo por fim explicitar as próximas etapas da nossa investigação, apresentamos sucintamente, a problemática que nos motivou ao estudo, o objeto de estudo, os objetivos e as questões da investigação.
2.1. Problematização e objeto de estudo
Falámos na introdução deste trabalho sobre os fatores empíricos que nos preocuparam pessoalmente e são elementos que sustentam esta problemática. Ao procurarmos informações, deparamo-nos com os documentos da Carta de Ottawa (Anexo III) e o documento da WHO (Active Aging. A Policy Framework – World Healt Organization), que compartilham as mesmas preocupações e problemas a nível mundial que abrangem a longevidade da vida conquistada pelo homem contemporâneo e a necessidade de manter a saúde e a qualidade de vida durante todo o processo de envelhecimento.
Segundo a Carta de Ottawa (1986) a saúde é o maior recurso para o desenvolvimento pessoal e social, direcionado para a qualidade de vida do indivíduo, o que implica a necessidade de se capacitarem as pessoas dando-lhes acesso às informações necessárias para as “habilidades da vida”, fornecendo-lhes oportunidades para fazerem escolhas no sentido de uma vida saudável.
O problema do nosso estudo prende-se ao facto de existirem poucos dados sobre este fenómeno da capacitação social de idosos, voltado para o bem-estar e para a qualidade de vida que devem ser coordenados por diferentes áreas, não só da saúde médica e mental, mas também por nós, profissionais da educação. O nosso contributo, na área das Ciências da Educação, revela-se importante como mediadores deste problema, pelas estratégias de intervenção e de novos programas que implicam a promoção da saúde, no seu sentido mais amplo, capaz de promover e adaptar os indivíduos a uma tomada de consciência para a necessidade de, cada um, ser capaz de cuidar de si próprio e de ajudar o outro através de uma participação ativa. Este fenómeno torna-se ainda mais problemático quando se afirma no documento da WHO (2002, p. 11) que “programas de envelhecimento ativo são necessários para que as pessoas continuem a trabalhar de acordo com as suas capacidades e preferências à medida que envelhecem e para prevenir ou retardar incapacidades”. Este fenómeno é muito significativo e pertinente quer para a sociedade portuguesa em geral, quer para as UTIs e instituições sociais.
Neste quadro, delimitamos o problema do nosso estudo à área das Ciências da Educação, perspetivando que tudo isto requer acesso às informações, oportunidades de novas aprendizagens através da educação, intensificando as habilidades sociais e as competências da terceira dimensão para que os idosos possam adotar uma postura de maior controlo sobre as suas próprias vidas.
Ao nível cognitivo é necessário capacitar, pois “os processos capacitadores recuperam a função e aumentam a participação dos idosos em todas as atividades da sociedade” (WHO,
2002, p. 36) para serem capazes de enfrentar as novas situações da vida, o que inclui, nomeadamente, a resiliência e a autoestima fundamentais para lidar com as doenças crónicas e limitações de um corpo já desgastado pelo tempo. Além disso, também devem estar preparados para evitarem a solidão, o abandono e o isolamento, através de ações educativas/pedagógicas que os esclareçam e os ajudem a treinar a empatia, a assertividade, a ouvir o outro, a refletir e a criticar, a ajudar e a pedir ajuda.
Desta forma, estudámos, sobretudo, os problemas de natureza intrapessoal e interpessoal do idoso, como ser humano holístico, relacionados com o desenvolvimento pessoal e social e, em particular, as habilidades sociais e competências da terceira dimensão no sentido de esclarecê-los, treiná-los e levá-los à transcendência, pois conforme um dos desafios apresentados pelo documento da WHO (2002),para uma população em processo de envelhecimento é o de que os
Pesquisadores precisam definir melhor e padronizar ferramentas usadas para avaliar as habilidades e deficiências e fornecer aos governantes evidências adicionais nos processos-chave de capacitação em diversas áreas, além da medicina e saúde (p. 37).
Portanto, as Ciências da Educação assumem responsabilidades diretas e um compromisso social, compartilhado com as outras áreas, no sentido de promover a saúde e o bem-estar dos idosos. Superar estes desafios, requer um planeamento inovador, pois sabemos que as Ciências da Educação podem ajudar “a reconhecer as pessoas como principais recursos para a saúde, apoiá-las e capacitá-las para se manterem saudáveis a si próprias, às suas famílias e amigos” (Carta de Ottawa, 1986).
Pelo que acabamos de enunciar, delimitamos o nosso objeto de estudo, cujo eixo central é a capacitação social dos idosos e a sua operacionalização, voltada para a necessidade de se organizar uma intervenção educativa/pedagógica, à luz das Ciências da Educação, que consubstancie num projeto válido, fundamentado, significativo e eficaz.
2.2. Objetivos
O objetivo geral que propomos atingir ao longo deste processo de investigação é o de ajudar a pessoa idosa à tomada de consciência, através de uma ação educativa/pedagógica que lhe permita desenvolver e treinar habilidades sociais e, ao mesmo tempo, adquirir competências da terceira dimensão, além de ter confiança e autonomia para se capacitar socialmente a fim de que se adapte e permaneça independente à medida que envelhece. Desta forma, é importante levar os idosos a tomarem consciência da responsabilidade e da
necessidade de investirem nas suas próprias vidas, com o fim específico de se autopromoverem para um envelhecimento com qualidade de vida.
A partir deste objetivo geral, para uma melhor compreensão do fenómeno estudado, temos como objetivos secundários:
- Descrever de forma sequencial e rigorosa a ação educativa/pedagógica aplicada; - Analisar as opiniões dos idosos quanto à sua participação nesta intervenção, bem como as implicações nas suas experiências de vida;
- Verificar, junto aos idosos, se esta intervenção contribuiu de modo significativo para a compreensão das habilidades sociais, para a aquisição de competências da terceira dimensão e, consequentemente, para a sua capacitação social;
- Verificar o grau de satisfação dos idosos aquando da participação/colaboração neste estudo.
2.3. Questões da investigação
Para melhor equacionar os objetivos do estudo a que nos propusemos, estabelecemos algumas questões de investigação com a ajuda e a colaboração de alguns idosos das Universidades Seniores, são, portanto, as seguintes questões de investigação:
- Como ajudar as pessoas a permanecerem independentes e ativas à medida que envelhecem?
- Como melhorar a qualidade de vida dos idosos por meio de uma ação educativa/pedagógica?
- Como levar o idoso a identificar e investir na tomada de consciência de que ele é o sujeito ativo da sua própria vida?