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B.l) Modèle de cinétique chimique

Dans le document rexfoiisy jf COMMISSARIAT A L'ENERGIE ATOMIQUE (Page 145-150)

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IV. B.l) Modèle de cinétique chimique

se anuncia nas análises da temporalização como paciência em que a vontade se vê às voltas com sua mortalidade. A corporeidade revelaria este paradoxo da paciência como o suportar da aproximação da morte e a resistência subjetiva ao salto no nada que a morte caracteriza para uma vontade solitária. A encarnação do sujeito se traduziria na temporalização em se cruzam o inevitável ser-para-a-morte e o contra-a-morte do adiamento. A vontade seria portanto

vulnerável à ferida mortal no seio de seu exercício. A corporeidade revela a ambigüidade do

poder voluntário que se expõe aos outros no seu movimento centrípeto de egoísmo. O adiamento da morte numa vontade mortal – conforme Lévinas – acaba por anunciar o modo de existência de um ser separado que entrou em relação com outrem por sua exposição

passiva à alteridade, por sua paciência corporal (TI, p.207-218). Conforme nosso autor: A mortalidade é o fenômeno concreto e original. Impede que se ponha uma para-si que não esteja já entregue a outrem e que, por conseguinte, não seja coisa. O para-si, essencialmente mortal, não representa apenas as coisas, suporta-as. (…) É na mortalidade que a interação do psíquico e do físico se apresenta sob sua forma original... A vontade é mortal... é corpo que se mantém entre a saúde a doença... (TI, p.214) - [grifos nossos]

2.2.Posição e Ex-posição do Sujeito Encarnado

É na obra Autrement Qu'Être ou Au-Dela de L'Essence (1974) que surge explicitamente o registro da vulnerabilidade96. Lévinas defende que a subjetividade concreta traz uma passividade de fundo inassumível, cuja temporalidade diacrônica está ligada à paciência do sofrimento e do envelhecimento (p.108). A existência encarnada produziria uma exposição passiva à alteridade de outrem no seio da alteração de si marcada pela senescência e pela adversidade (p.109). A vulnerabilidade estaria ligada à possibilidade da dor como perturbação e interrupção do gozo solitário, como inversão do impulso egoísta numa consideração da alteridade de outrem.

[A] subjetividade como significação, como “um-para-o-outro”, remonta à

vulnerabilidade do eu, à incomunicável, à não-conceituável sensibilidade...

Vulnerabilidade, exposição ao ultraje, à ferida... passividade do acusativo, traumatismo da acusação, sofrer pelo outro: si – defecção ou quebra da identidade do eu... sensibilidade como subjetividade... substituição ao outro... expiação... (AE, p.30-1) … A subjetividade de sujeição do Si é o sofrimento do sofrer – o último “se oferecer” ou o sofrimento na oferta de si. A subjetividade é vulnerabilidade, [é] sensibilidade (…) Exposição ao outro, ela é a significação mesma, o um-pelo-outro até a substituição; mas substituição na separação, quer dizer a responsabilidade... Ela estará ligada à proximidade que significa a vulnerabilidade... a corporeidade do

sujeito... (AE, p.92) – [tradução e grifos nossos]

96 Ver BERNET, Rudolf. “Deux... Vulnerabilités de la Peau”. Relação Husserl-Lévinas sobre corporeidade e intersubjetividade, estranheza e empatia. Ele interpõe as duas interpretações (empática e heteropática) da vulnerabilidade corporal.

A subjetividade, nos modos da corporeidade, seria a sensibilidade enquanto

vulnerabilidade (1974, p.109). A ipseidade do eu é descrita como passividade acusativa

respondendo a uma exigência ética: oferecimento no sofrimento, uma bondade a seu pesar. Diante do outro, proximidade do face-a-face, o sujeito é ex-posto ao traumatismo, responsivo, oferecendo-se em resposta, sofrendo pelo outro sob o risco de sofrer por nada.

Na passividade da vida encarnada97, na paciência da vulnerabilidade, se articularia o irrecusável da responsabilidade, do um-para-o-outro. O sentido da responsabilidade seria a substituição, o Um-pelo-Outro ou a individuação ética do sujeito que responde ao ponto de dar a vida em reposta à exigência ética entranhada na sua vulnerabilidade e se atualiza diante do Rosto de outrem. Substituição na Separação, individuação na proximidade inter-humana, a vulnerabilidade não destrói a fruição, mas a re- significa eticamente (1974, p.109-112).

É sob os modos ou sob as espécies da corporeidade, cujos movimentos são cansaço e cuja duração é envelhecimento, que a passividade da significação e a individuação ética (Um-pelo-Outro) não são objetivação, mas sensibilidade, paciência na iminência da dor e na ex-posição aos outros. A iminência da dor apontaria na sensibilidade vivida como gozo, perturbando-o e invertendo-o num doar. O “para-o-outro” é um “a seu pesar”, o sofrer seria já “para” como um oferecer. O Outro concerne ao sujeito que sofre em sua unicidade de passividade acusativa recorrente na responsabilidade. A passividade acusativa, a inassumível exposição da subjetividade, se relaciona com a obsessão na/pela responsabilidade pelo outro vulnerável e mortal (id. p.109-12)

A exposição e a obsessão pelo outro na proximidade são “a seu pesar”, dor, adversidade da corporeidade suscetível à ferida, ao cansaço, à doença e à velhice (1974, p.110). Os modos da corporeidade são “como” a sensibilidade expressa sua ambiguidade: a vulnerabilidade perturba e inverte o sentido da fruição sem destruir a separação, mas sempre “sob risco de”. Os traços fundamentais dessa modalidade são: i. “para o outro”; ii. “a seu pesar”; iii. “a partir de si”. A sensibilidade seria, portanto, vulnerabilidade ao fundo da fruição, passividade na dolência, inquietude na proximidade. A dor penetrando o coração do <<para-si>>, alimentado e complacente no gozo, interrompendo o seu egoísmo vital (sem dissolver-lhe a vida) e invertendo-o em <<para-o-outro>>, a seu pesar, dando de si e a partir do SI (p.110-111).

A análise da sensibilidade em Lévinas parte, portanto, da fruição (do saborear e

do gozar) e se aprofunda até a vulnerabilidade (sofrer por e dar), descobrindo o caráter ético do sensível (id. p.111). Opera-se uma redução fenomenológica radical ao âmbito pré- originário da sensibilidade pura; aí a apreendemos em dois registros, um pré-ético e um ético. Tal sensibilidade só pôde ser descrita segundo os modos da corporeidade a ela referidos conforme o registro.

2.3.O Sofrimento (Des) Individuante e o acontecimento ético como traumatismo da transcendência

O sofrimento é, parece-nos, o índice-condição da responsabilidade no limiar do absurdo, isto é, gênese do sentido na fronteira do não-sentido. São fórmulas extremas que se ligam ao traumatismo da transcendência sem o qual o egoísmo seria incapaz de alteridade radical. O Desejo de outrem de certo modo já de-formaliza a “Idéia do Infinito” convertendo- a em movimento afetivo na tensão de uma “busca” e uma “inquietação”, em que o outro acolhido é buscado e nunca apreendido devido á “resistência ética” de sua vida expressa no Rosto. O Rosto expressa, por essa vida irredutível e pela morte possível que ali se insinua, o

imperativo ético do “Não matarás!”. A estrutura da manifestação do Rosto – ou revelação do

Enigma que “se exprime” - é a ambiguidade do vestígio (trace) que ele deixa na subjetividade. Esse enigma que assinala o sujeito e o “orienta sem aparecer” inquieta até a

perseguição e a obsessão. O eu é marcado e obsediado, perseguido moralmente, por cada e

todos os outros sem poder se esconder. Outro-no-mesmo, transcendência como inquietude, fissão no sujeito do Eu (moi – na posição) e do Si (soi – ex-posição sob acusação). O Eu, na responsabilidade, perseguido pela alteridade, não coincidirá jamais com seu Si; por trás de toda afirmação do Eu, irromperá seu Si como passividade acusativa. Alteridade entranhada como responsabilidade, hospitalidade que se torna refém do outro, dor do despertar, o traumatismo da transcendência desperta a subjetividade ao enigma do Outro (TeE, pp.180-1).

Esse traumatismo se estabelece numa “afecção intermitente” em que o Si se expõe, simultaneamente, ao roçar anônimo do ser impessoal (“Há” - il y a) e à alteridade pessoal de outrem. A separação do Eu, na auto-afecção da fruição, garante a interioridade do sujeito diante da ameaça do il y a; não obstante, o sofrimento por si que perturba o gozo solitário implica um diástase – alteração des-individuante, desgaste, dissolução da hipóstase enquanto separação. Esse sofrimento “por si” des-individua o Eu da fruição por uma emoção vertiginosa descrita como horror-insônia ou como obsessão pelo anônimo. Pelo contrário, na ex-posição do eu à outrem na responsabilidade como hetero-afecção pessoal, o sofrimento

pelo outro individua o eu pela assinação e pela exigência que comportam um sentido como

vigília ou obsessão pessoal por outrem (LeES, pp.87-107). O círculo das hipóstases (individuações) e diástases (desindividuações) tem como invariável a corporeidade do sujeito (LPh, pp.23-24/80-3) que vive na “tensão individuante-significante” do para-si (egoísmo) e do para-o-outro (responsabilidade) sob o risco de ser por nada (não-sentido). O sofrimento implica uma passividade originária e um caráter inassumível que extrapola a identificação hipostática: ele é perturbação, dor corporal irrepresentável e intransferível. É o sofrimento que revela a passividade radical do sujeito e sua sensibilidade enquanto vulnerabilidade. Enquanto mantido num registro pré-ético, ele resvala para as raias do absurdo desindividuante; todavia, quando ligado à proximidade inter-humana ele encarna o sentido ético da sensibilidade- responsividade que se torna responsabilidade. É, pois, pela aproximação do outro e por relação ao próximo que se ultrapassa o não-sentido (LPh, pp.198-206). Lévinas assim se expressa:

O sofrimento pelo sofrimento inútil do outro homem, o justo sofrimento em mim pelo sofrimento injustificável de outrem, abre sobre o sofrimento a perspectiva do inter-humano (EN, p.132). […] De sorte que o próprio fenômeno do sofrimento na sua inutilidade é, em princípio, a dor de outrem. Para uma sensibilidade ética... Acusar-se ao sofrer é, sem dúvida, a própria recorrência do eu a si. É, talvez, assim, que o pelo-outro – a mais correta relação a outrem – é a mais profunda aventura da subjetividade, sua intimidade última. Mas esta intimidade só é possível em sua discrição (p.138) […] Examinar o sofrimento numa perspectiva inter- humana...significativo em mim, inútil em outrem... O inter-humano propriamente dito está numa não-indiferença de uns para com os outro, numa responsabilidade de uns pra com os outros (EN, p.141)

E ainda em outro sítio, o autor diz:

Por vulnerabilidade, procuro descrever o sujeito como passividade. Se não há vulnerabilidade, se o sujeito não está sempre na paciência à beira de uma dor insana, ele se constitui para ele mesmo... Relação de outrem como... o fato de minha destituição... abnegação, substituição a outrem. […] Quando se sofre por alguém, a vulnerabilidade é também sofrer para alguém. Trata-se, portanto, da transformação do “por” em “para”, da substituição do “para” em “por”. […] A idéia de substituição significa que eu me substituo a outrem, mas que ninguém pode substituir-me enquanto eu. […] O eu enquanto eu, nessa individualidade radical... é responsável... (DqvI, pp.120-1)

Portanto, a significação inter-humana se instaura quando a “dor solitária” é substituída pela “dor da responsabilidade”, isto é, quando o sofrimento “por nada” de outrem se torna para o eu o sofrimento “por outrem” e a expressão desse sofrer num movimento “para-o-outro” (responsabilidade) que vai ao extremo – e mesmo pressupõe este extremo – de se dar a vida “por outrem”. A subjetividade responsável é consciência messiânica: substituição ao fundo da separação.

3. A PROXIMIDADE: EXPERIÊNCIA DA CARNE RESPONSIVA ENTRE IPSEIDADE E

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