O tema da tese intitulada Comparação entre dois protocolos de reabilitação após reconstrução do ligamento cruzado anterior através de análise biomecânica é a avaliação da recuperação funcional de pacientes que tiveram o ligamento cruzado anterior (LCA) reconstruído por cirurgia, mediante uma análise biomecânica da comparação de dois protocolos de reabilitação – cadeia cinética aberta (CCA) e cadeia cinética fechada (CCF). A pesquisa teve como objetivo “verificar os efeitos da utilização de protocolos de reabilitação em CCA e CCF de indivíduos em pós-operatório de reconstrução de LCA, através de respostas comportamentais por indicadores biomecânicos” (SILVEIRA LIMA, 2006, p. 4), buscando com isso maiores subsídios para saber quais exercícios deverão ser selecionados para compor um programa de reabilitações de pacientes.
A análise dos protocolos de recuperação e de seus efeitos, tanto em CCA, como CCF, é feita a partir das seguintes variáveis da marcha: dinâmicas, cinemáticas e eletromiográficas. Soma-se a isso a análise de variáveis clínicas em indivíduos em pós- operatório de reconstrução de LCA: deslocamento tibial anterior (DTA) e o escore de Lysholm.
Segundo Silveira Lima (2006, p. 37), sua pesquisa constitui um “estudo de acompanhamento longitudinal, empírico com intervenção no real”, pois as análises foram realizadas através da observação e a coleta de dados ocorreu num período delimitado de tempo. A pesquisa realizou “uma avaliação biomecânica da marcha, além de aspectos clínicos relevantes, em indivíduos com reconstrução do LCA submetidos a diferentes programas de reabilitação e indivíduos sem lesão.” A amostragem foi intencional, formada por trinta indivíduos, divididos em três grupos de amostra independentes: o grupo 1, com dez indivíduos “saudáveis”, o grupo 2, com dez indivíduos que após intervenção cirúrgica fizeram parte do programa de reabilitação em CCF, e o grupo 3, com dez indivíduos que após intervenção cirúrgica fizeram parte do programa de reabilitação em CCA. A definição dos dois últimos grupos deu-se mediante sorteio. O grupo controle também foi formado por voluntários. Todos os indivíduos dos grupos 2 e 3 foram submetidos a mesma técnica cirúrgica: utilizando o tendão patelar como enxerto ligamentar. O projeto obteve aprovação do comitê de ética.
As avaliações e tratamento constituíram o protocolo experimental. Foram realizados em duas etapas os testes para avaliar os parâmetros biomecânicos “desejados”, sendo eles: avaliação clínica (do DTA e escore de Lysholm) e avaliação da marcha (dinâmica, cinemática e eletromiográfica). Os tratamentos tanto em CCF, como em CCA, tiveram progressão da carga ao longo do tempo. O protocolo experimental foi precedido por três estudos pilotos para avaliar algumas variáveis. Utilizamos a própria descrição do pesquisador para apresentar o protocolo experimental adotado na pesquisa:
Os pacientes receberam uma orientação inicial de exercícios para serem realizados todos os dias em casa, a partir da alta hospitalar, durante o primeiro mês pós-cirúrgico [...]. Estes exercícios iniciais foram realizados a avaliação da marcha na esteira sem o uso de muletas. Essa foi a forma utilizada para que a primeira avaliação da marcha após a cirurgia ainda não tivesse influência dos diferentes exercícios usados para a reabilitação. E essa avaliação serviu de parâmetro para a comparação com a avaliação ao final do tratamento onde os resultados seriam influenciados pelos diferentes tipos de reabilitação. (SILVEIRA LIMA, 2006, p. 39)
Durante a pesquisa, os pacientes foram submetidos a três testes: um pré-teste antes da cirurgia, um após um mês e outro depois de quatro meses da intervenção cirúrgica. O pesquisador apresenta um fluxograma (figura 22 da tese) para expor os procedimentos metodológicos utilizados e as etapas do protocolo experimental que resultam no “Tratamento
matemático e estatístico dos dados” (SILVEIRA LIMA, 2006, p. 40). As vinte e três páginas que se seguem da tese de Silveira Lima destinam-se a expor os materiais utilizados, a forma como foram utilizados e as medições que desses procedimentos emergem (salientando sempre os cuidados que foram tomados). E nas cinqüenta e três páginas seguintes apresenta os resultados e o devido tratamento “matemático” dado a eles, ilustrados em tabelas e gráficos.
A pesquisa é dividida em cinco capítulos: Introdução, Revisão de literatura, Material e métodos, Resultados e Conclusões.
Na revisão de literatura, o autor apresenta alguns estudos relacionados à compreensão dos exercícios em CCA e/ou CCF que possuem como referência “sujeitos saudáveis” ou “modelos matemáticos baseados na situação normal” (SILVEIRA LIMA, 2006 p. 12), para, então, apresentar estudos que avaliam os exercícios em CCA e CCF utilizados na reabilitação de pacientes com lesão do LCA. Os estudos analisados pelo autor apontam os exercícios em CCF para diminuir o DTA e os exercícios em CCA para aumentar a força muscular. Mas, “a defesa maior a favor dos exercícios CCF é devido à co-contração do M. quadríceps femoral e dos ísquios-tibiais durante este tipo de exercício que protegeria o ligamento cruzado anterior” (SILVEIRA LIMA, 2006 p. 17) e por se tratarem de exercícios mais funcionais.
Suas conclusões apontam que tanto os processos de reabilitação em CCA, como em CCF não provocam deslocamento tibial anterior que prejudique o enxerto ligamentar. Ao analisar o conjunto dos resultados, conclui:
As alterações da marcha são mais expressivas um mês após a cirurgia do que no período pré-operatório e após o final do período de reabilitação (quatro meses após a cirurgia). O escore Lysholm, os componentes principais das variáveis relativas à força de reação do solo e a variação angular do joelho indicam que os exercícios em CCF são mais eficientes para a recuperação da marcha que os de CCA. No entanto, os dois tipos de exercícios propiciam melhora dos parâmetros da marcha e parecem ser suficientes na recuperação da marcha dos pacientes submetidos à reconstrução do ligamento cruzado anterior. O período de quatro meses de reabilitação assegura uma marcha sem riscos para o paciente, mas ainda distinta da característica da marcha de indivíduos não acometidos por lesão. (SILVEIRA LIMA, 2006, p. 119)