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BÂTIMENT - SOUS - CHAPE

A deficiência de investimentos não só atrapalha no desenvolvimento de um APL biotecnológico cearense, como também é uma ameaça a formação dos recursos humanos na área, com seu subaproveitamento. A fim de desfrutar as poucas iniciativas voltadas para o desenvolvimento inovador em biotecnologia e de interação academia-empresa no Ceará, o curso de biotecnologia, por meio do projeto de extensão intitulado Biotecnologia nas Empresas, mirou seus esforços em atender a agenda do projeto Masterplan em uma parceria com a FIEC. O Biotecnologia nas Empresas é um projeto de extensão, criado em 2017 na UFC, no curso de Biotecnologia, que visa atender as demandas de estágio para os alunos da graduação e inserção dos biotecnologistas no mercado de trabalho,

O projeto possui diretrizes como: “Melhorar aproveitamento mercadológico dos projetos de pesquisa em andamento”; “Estabelecer parcerias nacionais e internacionais para captação de recursos financeiros direcionados à Biotecnologia”; “Estabelecer parcerias entre universidades que oferecem cursos de biotecnologia e incubadoras empresariais”; “Promover ambiente favorável a maior interação entre o meio empresarial e os centros geradores de conhecimento “ e “Incentivar compartilhamento de infraestrutura de laboratórios entre academia, indústria e governo”, que são de grande interesse ao curso de Biotecnologia.

A iniciativa do curso de Biotecnologia objetiva a prestação de consultoria de professores, formados e graduandos em biotecnologia para a investigar a demanda do setor industrial cearense em biotecnologia. Esse segmento do projeto consiste em durante período pré-determinado e após prévio incentivo monetário, os alunos e professores que participaram das visitas produzem um diagnóstico situacional de oportunidades na área para a empresa, o Banco de Soluções Biotecnológicas. Esse banco conta com dados relativos a visita e a empresa, além de conter uma análise do atual estado tecnológico, um estudo de tendências do setor da qual a empresa se inclui, aplicações biotecnológicas comuns para aquele setor e, por fim, propostas de soluções a curto e longo prazo de acordo com a realidade da empresa e das linhas de pesquisa existentes, o qual é entregue aos empresários em uma reunião na Federação de Indústrias do Ceará.

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Com a apresentação e escolha dos empresários em inserir alunos da graduação em Biotecnologia na empresa, é feita a seleção das inovações biotecnológicas que serão implementadas, a depender da solução, a curto e/ou longo prazos dentro da empresa. Essa etapa é o início da relação de segunda e terceira dimensão da tripla hélice para a área, na qual se reúnem os professores envolvidos com o a linha de pesquisa relacionada a solução, os empresários e a agência ASTEF, os quais irão redigir projetos de pesquisa a fim de submeter em editais específicos para empresas e suas parcerias com grupos de pesquisa acadêmicos. Caso o projeto seja aceito, a empresa realizará a pesquisa selecionada em parceria com o professor- pesquisador e graduandos em biotecnologia. Tanto nesse caso quanto se o empresário preferir aderir a uma solução já pronta e patenteada, os projetos deverão receber auxílio do núcleo da UFC para formalizar o convênio. O processo pode ser observado abaixo.

Figura 8 – Fluxograma para elaboração do Banco de Soluções Biotecnológicas do projeto Biotecnologia nas Empresas

Fonte: autoria do projeto (2018).

A atuação do Biotecnologia nas Empresas, entretanto, não é arbitrária. Criado em 2009, com a primeira turma efetivada em 2010, o curso já formou mais de 100 egressos e possui 132 alunos ativos, o que representa diversos profissionais de biotecnologia cearenses para o mercado. Não obstante, os alunos do curso de Biotecnologia da UFC tendem a, ao contrário do esperado, não lograr êxito nas tentativas de obtenção de estágios fora da universidade. O gráfico 3 evidencia tais investidas.

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Gráfico 3 – Relação de monografias defendidas do curso de biotecnologia da UFC por instituição

Fonte: Coordenação do bacharelado em Biotecnologia da UFC, 2018.

A ausência de estágios supervisionados em empresa faz com que grande parte dos estudantes e dos egressos permaneçam na academia como bolsistas de iniciação científica, mestrado ou doutorado, prejudicando sua percepção do mundo corporativo e alimentando o ciclo vicioso de pesquisa biotecnológica brasileira não alcançar o mercado consumidor.

É cristalino que estágios são essenciais para permitir a formação de competências profissionais, aprimoramento de valores éticos, sociais e comportamentais, além de permitir ao estudante desenvolver o conhecimento, integração e inserção do aluno ao mercado de trabalho (MURARI, HELAL, 2009; ZAMPIERE, JUNIOR, 2016). No caso dos alunos da UFC, somente a FIOCRUZ e a Embrapa aparecem como ofertantes que não se configuram como universidades.

Estes pontos refletem substancialmente na comparação do mercado biotecnológico entre os dois estados objetos da pesquisa. A Sociedade Brasileira de Biotecnologia (SBBiotec) contabilizou 12 empresas ou iniciativas em biotecnologia cearenses em seu cadastro, contra 66 empresas mineiras (SBBIOTEC, 2017).

Ao contrário, porém, do caso de Minas Gerais, em que o núcleo de inovação tecnológica da UFMG estava envolvido diretamente com o sucesso das atividades da FIEMG, o núcleo da UFC ainda apresenta uma série de problemáticas impeditivas para o auxílio de projetos a nível governamental, o que acaba sendo um entrave na comunicação das empresas com a academia.

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A Coordenadoria de Inovação Tecnológica, porém, tem um papel central, no âmbito acadêmico, para o sucesso dos objetivos do Masterplan Biotecnologia. Devido a urgência sentida pelo mercado de trabalho em levar as inovações diretamente para a prateleira, muitos optam por adquirir tecnologias já quase prontas para o mercado, que, em geral, precisam passar somente pelo processo de revisão da patente e licenciamento.

Na UFC, essa vem sendo uma das principais incumbências da CIT para a Biotecnologia. O objetivo real, no entanto, é que esses acordos de parceria sejam realizados desde o início do projeto de pesquisa, em que os professores-pesquisadores e a empresa investirão juntos no risco, patentearão juntos e receberão contrapartidas equivalentes às atividades desenvolvidas. Essa ocupação, por si só, requer atuação de agências de fomento, fundações de apoio a pesquisa, e da própria CIT. Por isso, avaliou-se as atividades da UFC em relação a inovação, as tarefas realizadas atualmente pela coordenadoria e como elas influenciaram e influenciarão no sucesso da consolidação do Sistema Cearense de Inovação para biotecnologia.

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