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1-should-therefore-be avoided, in some situations, as one of the alternating

Pode haver variação em todos os níveis linguísticos. No nível lexical, há variação entre um vocábulo e outro usados para o mesmo significado (jerimum ~ abóbora). No nível gramatical, como exemplo, há a variação na concordância nominal. No nível fonético- fonológico, vários estudos de variação regional mostraram alternância entre os usos, como a variável <r> final. Além destes há também variação a nível semântico e discursivo. A variação é um fenômeno cultural motivado por fatores linguísticos e extralinguísticos (CEZARIO & VOTRE, 2008, p. 141).

A variação linguística pode ser percebida quando são observadas diferenças entre uma língua falada em regiões diferentes (variação diatópica), entre pessoas de classes sociais diferentes (variação diastrática), ou mesmo em contextos situacionais em que se verifica o grau de formalidade (variação diafásica), por exemplo. Apesar de haver variantes de um mesmo signo linguístico, este fato não impede que os falantes se comuniquem. A variação diatópica está associada a distâncias espaciais entre cidades, estados e regiões diferentes. A variação diastrática associa-se a diferenças sociais em geral, podendo ser diastrático em nível de escolaridade, diageracional (idade), diagenérico (gênero), diafásico (estilo) (CEZARIO & VOTRE, 2008, p. 145).

em três contínuos que são: 1) contínuo de urbanização; 2) contínuo de oralidade-

letramento e 3) contínuo de monitoração estilística .

Os contínuos são linhas imaginárias – também conhecidas por isoglossas. O primeiro contínuo classificado por Bortoni-Ricardo diz respeito à separação entre os dialetos falados nas áreas rurais isoladas, dos dialetos falados na zona de transição entre rural e urbana – zona rurbana – e das variedades faladas na zona urbana. O contínuo de oralidade e letramento marca a fronteira entre um evento caracterizado pela marca da oralidade e eventos mais formais que marcam a influência da língua escrita. O continuo de monitoração estilística mostra como as interações se expressam, se de forma mais monitorada ou menos monitorada, ou seja, se é um evento de fala previamente planejado ou se é mais espontâneo, ou seja, mais informal. Para verificar o contínuo de monitoração, deve-se ater aos fatores que monitoram a fala que são o ambiente, o interlocutor e o tópico conversacional. Isto porque, falando com um mesmo interlocutor, o estilo pode ser mais ou menos monitorado em função do tópico que se está tratando. Além disso, o falante pode dar pistas de mudança de estilo de forma verbal ou não verbal, transmitindo informações como a de que está brincando, ou mesmo irritado ou não gostou de algo que está sendo discutido.

Apesar de haver esses contínuos sabe-se que não há fronteiras bem nítidas que separem um falar mais rural ou urbano, mais ou menos monitorado ou de mais oralidade ou de letramento, por isto que Bortoni-Ricardo utiliza uma linha de gradualidade que estabelece uma aproximação dos níveis de rural/urbano, oralidade/letramento e mais/menos monitorado.

Não há como se demarcar isoglossas, ou seja, fronteiras nitidamente separáveis para limitar a ocorrência das variantes, como afirma Mollica:

Qualquer que seja o eixo, diatópico/geográfico, diastrático/social, ou de outra ordem, a variação é contínua e, em nenhuma hipótese, é possível demarcarem-se nitidamente as fronteiras em que ela ocorre (2007, p. 13).

Há crenças sobre a superioridade de uma variedade ou falar sobre os demais. Isto é um mito que está arraigado na cultura brasileira. Toda variedade regional é um instrumento de identidade sendo um recurso que confere identidade a um grupo social. Nenhuma variedade é melhor nem pior que a outra. “Ser nordestino, ser mineiro, ser carioca etc. é um motivo de orgulho para quem o é, e a forma de alimentar esse orgulho é usar o linguajar de sua região e praticar seus hábitos culturais” (BORTONI-RICARDO, 2004, p. 33).

Os falantes detentores de maior poder aquisitivo transferem esse poder, ou seja, esse prestígio para sua variedade linguística. Desta forma, “as variedades faladas pelos grupos de maior poder político e econômico passam a ser vistas como variedades mais bonitas e até mais corretas”, porém essas variedades nada possuem intrinsecamente de superior em relação às outras variedades e o seu prestígio é decorrente de fatores políticos e econômicos, ou seja, sociais. Assim, os falares de uma região pobre podem vir a ser considerados um dialeto “ruim” enquanto que o dialeto falado em uma região rica passa a ser visto como “bom”.

Quando um dialeto adquire status de língua nacional por conta de um processo sócio- histórico adquire status de prestígio e é considerado correto. Só que esse entendimento é um juízo de valor ideologicamente motivado e que ocasiona preconceito.

No Brasil, os dialetos das cidades litorâneas sempre tiveram mais prestígio que os dialetos interioranos porque as cidades brasileiras que estão voltadas para a Europa receberam um grande contingente de portugueses nos três primeiros séculos de colonização e desenvolveram falares mais próximos dos lusitanos. Na cidade sede de governo onde há prestígio politico há consequentemente mais prestígio em seu dialeto e rejeição aos demais dialetos, considerados, inclusive de inferiores, chulos, errados. Entretanto, esse preconceito não tem fundamentação científica que embase sua argumentação.

O “erro” não existe do ponto de vista linguístico; o que existem são diferenças no modo de se falar, isto é, existem variantes que expressam a mesma noção só que de formas diferentes. O erro é um preconceito sociocultural decorrente de critérios de avaliação que alguns membros da comunidade de fala lançam sobre os falares daqueles que não detêm do poder econômico, social e cultural.

Sempre haverá variação de linguagem nos domínios sociais. O grau dessa variação será maior em alguns domínios/momentos do que em outros. A variação é inerente à própria comunidade linguística. Isto quer dizer que, em qualquer comunidade, seja ela pequena, como um município, seja ela grande, como uma capital ou um país, sempre haverá a presença da variação linguística.

As variações decorrem de fatores como (a) diferenças intergeracionais, (b) diferenças de gênero, (c) diferenças quanto ao status socioeconômico dos falantes, (d) diferenças entre os anos de escolarização do indivíduo, (e) diversidade no falar quanto à ocupação no

mercado de trabalho do falante que pode exigir um repertório linguístico maior e mais

indivíduo está associado (BORTONI-RICARDO, 2004, p. 47-9).

O falante tem a possibilidade de usar variantes lexicais, fonéticas, morfológicas e sintáticas, numa mesma situação de fala, pois a língua é um sistema variável inerentemente, permitindo a um mesmo indivíduo operar com regras variáveis. O “caos” linguístico não se estabelece dentro da comunidade linguística porque o indivíduo pode usar variantes no contato com os membros de sua comunidade sendo compreendido, além de haver semelhanças entre sua variação individual e a dos seus contemporâneos.

Guy (2001) define comunidade linguística como sendo composta por falantes que compartilham traços linguísticos que distinguem seu grupo de outros, comunicam-se com mais frequência entre si do que com indivíduos de outras comunidades e compartilham normas e atitudes diante do uso da linguagem. Nesse sentido,

[...] ao mesmo tempo que a comunicação intensa entre membros de uma comunidade leva à manutenção de suas características lingüísticas, a falta de contato lingüístico entre comunidades favorece o desenvolvimento de diferenças lingüísticas. [...] Não temos atitudes apenas diante da língua falada em lugares diferentes, também nos posicionamos diante de modos de falar correlacionados a fatores sociais, tais como escolaridade e nível econômico (BELINE, 2002 p. 129).

Na variação que se observa na escola, por exemplo, há diferenças relacionadas aos papéis sociais: professores, diretores, coordenadores, etc. que desempenham função de autoridade lhes conferindo direitos especiais e também obrigações, entre as quais a de usar uma linguagem mais cuidada que a dos alunos. Eventos de sala de aula são mais formais que eventos que ocorrem na cantina ou no recreio. Mas, mesmo em sala de aula, há eventos que são mais formais e há mais monitoração linguística4 do que em outros. Quando a professora

está mais envolvida com o conteúdo que está trabalhando, sua linguagem apresenta-se mais monitorada e quando intervém para organizar os turnos de fala, sua fala é mais espontânea, com menos monitoração. Por isto que variações estilísticas como essa ocorrem em qualquer contexto, inclusive em sala de aula (cf. BORTONI-RICARDO, 2004).

As interações em sala de aula mostram uma ampla gama de variação linguística; nos eventos de letramento – eventos mediados pela língua escrita – constata-se um alto grau de monitoração na linguagem do professor. Já nos eventos de oralidade, os professores se monitoram menos e são mais coloquiais, de acordo com pesquisa realizada em escolas de Goiás e no Distrito Federal (cf. BORTONI-RICARDO, 2004, p. 26).

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