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Avis de la Chambre des Métiers

Dans le document Avis 49.933 du 11 décembre 2012 (Page 26-31)

Ao conjecturar sobre a história evolutiva do campo comunicacional, pode-se apreender com nitidez a interferência dos aparatos tecnológicos que surgem e, consequentemente, oferecem novos canais para a transmissão do conhecimento, a exemplo do rádio, do sistema de impressão, da televisão, entre outros. Desta maneira, a forma de disseminar informações se reconfigura, o relacionamento entre emissor/receptor sofre alterações, bem como o processo de comunicação se torna cada vez mais complexo. A introdução destes novos meios também é capaz de alterar a estrutura social e suas formas de interação.

Lucia Santaella (2008) destaca seis grandes eras civilizatórias: a era da comunicação oral (centrada na fala); a da comunicação escrita (na qual o registo cultural acontece por meio da escrita pictográfica, ideográfica, hieroglífica e também fonética); a da comunicação impressa (responsável pela reprodutibilidade da escrita em significativa quantidade por meio de cópias geradas a partir de uma matriz); a era da comunicação propiciada pelos meios de comunicação de massa (com ênfase nos meios de comunicação “tradicionais”, permitindo a disseminação da informação para diversos receptores ao mesmo tempo); a era da comunicação midiática (em que dispositivos tecnológicos, como o equipamento portátil de vídeo, proporcionam a apropriação produtiva por parte do público, retirando, desta forma, a exclusividade do campo da emissão das grandes empresas de comunicação) e, por fim, a era da comunicação digital (a cibercultura), a qual se configura como foco deste tópico. Faz-se necessário ressaltar que uma era não leva a anterior ao desaparecimento; elas se sobrepõem, combinam-se e se permutam.

Manuel Castells (2013) conceitua a atual sociedade, marcada pelas tecnologias digitais, como “Sociedade em Rede”, pois sua construção ocorre por meio de redes em todas as dimensões fundamentais da organização e da prática social. Tal autor ressalta que esta sociedade não apresenta as fronteiras “Estado-Nação”, constituindo-se, assim, como um sistema global. Esta postura corrobora o pensamento de Lemos (2002), ao afirmar que a rede encontra-se em tudo e tudo está em rede. Ela é praticamente

onipresente em todos os lugares, bem como nos equipamentos que frequentemente tornam-se máquinas de comunicar. Seguindo esta mesma linha de raciocínio, Canclini (2008, p. 88-89) conclui: “Graças à Rede, sabemos mais sobre muitos detalhes do mundo”.

Na cibercultura, informações são processadas e divulgadas 24 horas por dia. Acontecimentos importantes para a sociedade são noticiados no momento em que ocorrem, como também o público adquiriu vários espaços para opinar e participar, fortificando, assim, o processo comunicacional mediante o qual várias pessoas podem dirigir conhecimento para vários receptores em escala global, como já dito. Encurtaram- se as fronteiras. Hoje, a humanidade conta com um número massivo de turistas digitais: é possível visitar vários locais do mundo sem sair da frente da tela do computador30.

Presente neste ambiente digital e on-line, o usuário tem acesso a informações infinitas, as quais são veiculadas em formato de texto, vídeo, imagens, infográficos e sons, disponíveis em vários idiomas. Santos (2003) afirma que o computador, como um dispositivo visual, trabalha indefinidamente com signos imagéticos e verbais. No tocante ao conceito de hipertexto, ressalta que este dispositivo tem a capacidade de “[...] lançar um segundo texto a partir de um primeiro, de permitir ligações constantes de uma página sempre-avir, e ancoragens efêmeras nessa que acabou de ser armazenada na memória” (SANTOS apud SANTAELLA, 2012, p. 233). O referido autor apoia-se em Hoffman para ressaltar que o meio eletrônico é o único capaz de tornar acessível todos os testemunhos textuais, manuscritos, datiloscritos e impressões, bem como suas transcrições e interpretações.

De acordo com Castells (2013), a sociedade contemporânea passa por um momento de mudanças radicais no âmbito da comunicação, a qual atualmente se organiza em torno da Internet e da comunicação sem fio, gerando uma transformação cultural fundamental à medida que a virtualidade se torna uma dimensão essencial na realidade humana. Estando conectado ao mundo virtual, este leitor – que, nas palavras de Canclini (2008), também é espectador e internauta –, ao acessar páginas na internet, pode assistir a canais de televisão cuja programação é transmitida ao vivo ou ouvir estações de rádio; pode igualmente realizar a leitura do conteúdo de jornais ou revistas,

30 Por meio de imagens capturadas por satélites, podem-se visualizar, até mesmo em tempo real, ruas e construções de vários países. Para Canclini (2008), podemos ser espectadores da nossa própria cidade e das demais, mesmo antes de visitá-las ou ainda que nunca o façamos, acessando virtualmente seus simulacros na web. O Google Street View é um exemplo de software que viabiliza tal ação.

bem como ler informações por meio de sites de notícias, blogs ou até mesmo das redes sociais.

Tais afirmações corroboram o pensamento de Castells (2013), quando alega haver grande convergência entre os meios de comunicação de massa tradicionais (considerados pelo autor como redes verticais, cuja produção e emissão de informação é dominada pelas grandes empresas de comunicação) e as redes de comunicação baseadas na internet (correspondendo a redes horizontais, as quais se referem ao conteúdo emitido de forma descentralizada por múltiplos emissores). Para justificar tal afirmativa, Castells (2013) explica que as mídias tradicionais utilizam blogs e redes interativas para alimentar-se de informações, como também para distribuir conteúdo e interagir com a audiência.

Não obstante, Lemos (2003) propõe uma importante reflexão: “Trata-se aqui da migração dos formatos, da lógica da reconfiguração e não do aniquilamento de formas anteriores. Não é transposição e não é aniquilação” (LEMOS, 2003, p. 15). O autor afirma ainda que “em várias expressões da cibercultura trata-se de reconfigurar práticas, modalidades midiáticas, espaços, sem a substituição de seus respectivos antecedentes31”.

No ciberespaço, o leitor pode participar do processo comunicacional com maior facilidade. Em épocas pregressas, por exemplo, utilizava-se o telefone para participar de programas de rádio. Já para opinar em revistas ou jornais, os leitores enviavam cartas. Na atualidade, por sua vez, basta acessar a página do veículo de comunicação e publicar algum comentário no campo correspondente. O leitor pode ainda criar seu próprio site ou blog, difundindo desta maneira o conteúdo que deseja de forma rápida e fácil, além de manifestar-se em perfis individuais abrigados por várias redes sociais.

“Qualquer indivíduo pode, a priori, emitir e receber informação em tempo real, sob diversos formados e modulações (escrita, imagética e sonora) para qualquer lugar do planeta32”. Cria-se, deste modo, uma comunicação alternativa, caracterizada pela transmissão instantânea de dados, a qual modifica a fórmula “um-todos” para “todos- todos”. Este usuário, participante do processo comunicacional organizado em torno da Internet e da rede sem fio, pode ainda ser classificado quanto ao seu envolvimento com o ambiente em questão.

31 Id, p. 19. 32 Id. p. 14 Ibid.

Hoje, entende-se que há três espécies de indivíduos quanto ao trato com as tecnologias da informação: os turistas digitais, os imigrantes digitais e os nativos digitais. Embora haja relação com a idade dessas pessoas, o fato preponderante é a mentalidade, a postura (COVALESKI, 2013, p. 27).

No entanto, é importante ressaltar que estar conectado ao ciberespaço e com os mais variados polos de emissão não é ainda fato generalizado, pois, mesmo com o crescimento exponencial do número de pessoas com acesso às conexões, não existe mídia totalmente democrática e universal. Para explicar tal fato, Lemos (2003) assevera que metade da população mundial nunca utilizou o telefone. Assim, ao refletir sobre os

doodles/Google (objeto de estudo deste trabalho), não se pode considerar a estratégia

com alcance total. Ela se encontra limitada à possibilidade de conectar-se com a Internet e ao acesso à página do buscador.

No que concerne ao campo artístico neste ambiente digital, pode-se constatar igualmente que as mudanças foram significativas, tanto no plano do emissor (aquele que produz as manifestações artísticas), quanto no do receptor (o público que busca o contato com as obras de arte). Por exemplo: atualmente, é possível criar uma obra de arte coletiva por meio da interação virtual, através da qual uma música pode ser produzida por vários artistas, cada um em seu computador, mesmo estando a quilômetros de distância do próximo artista a fazer sua intervenção.

Ou ainda, ao visitar o museu Louvre, em Paris - França, o visitante pode baixar um podcast33 com explicações sobre o movimento artístico ou contexto histórico das obras, entre tantos outros eventos de criação e participação diferenciadas. A tecnologia aliada à Internet não só proporcionou novas formas de produzir arte, mas modificou a maneira de consumi-la e encará-la. Modificou-se o conceito de espectador, bem como o conceito de espetáculo. Collera, citado por Canclini (2008, p. 67), argumenta que

os artistas que retrabalharam imagens de várias épocas e as mudam para suportes multimídias, transformam em arte contemporânea obras de diferentes períodos. Obras célebres que têm de ser conservadas ao lado de criações efêmeras. “As novas gerações acostumaram-se a que, na navegação digital, interajam a arte grega com a chinesa, a renascentista, a barroca e as vanguardas do século passado”. A internet derrubou todos os muros, não vivemos mais num zoológico cheio de jaulas mas, sim, num safári, onde os animais ficam soltos e se relacionam também com seu ambiente.

As transformações decorrentes do ambiente digital no campo das artes alcançam os seus vários segmentos, tais como as artes visuais, o cinema, a fotografia, a poesia, a música etc. Santaella (2012) apoia-se nas palavras de Gutiérrez (2006) para afirmar que, mediante as mídias digitais, a produção literária sofreu um salto qualitativo em todos os seus aspectos. Quando a este fato, envolvem-se “a instância autoral, a leitora, o contexto, o canal, o referente e o código, além do próprio discurso ou construção textual e hipertextual” (GUTIÉRREZ, 2006, apud SANTAELLA, 2012, p. 229). Para Santaella (2012, p. 233),

o rápido desenvolvimento do vídeo digital e da hipermídia computacional conduziu artistas, músicos, designers, escritores e poetas a explorar em seus ofícios o potencial imaginativo da tecnologia computacional, da remixagem e da ficção hipertextual. Isto porque o teatro de operações do computador permite fazer links, avançar, retroceder, transformar, arquivar, distorcer, gerar e distribuir informação e experiências.

No entanto, não apenas o campo das artes passou por transformações. As configurações da era da comunicação digital ocasionaram evoluções no campo dos negócios, da saúde, da educação, entre tantos outros que são responsáveis pelo funcionamento da própria sociedade. No campo publicitário, novos mecanismos de interação e participação com o público foram incorporados. Dentre outras mudanças que serão apresentadas no próximo tópico, enfatizou-se a convergência com as expressões artísticas.

Dans le document Avis 49.933 du 11 décembre 2012 (Page 26-31)

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