8.4 Algorithme de la VRF dans OOPS
8.4.2 Avec un adjoint et une assimilation variationnelle
O que mais ajudou na interpretação da denominação do tipo de educação fornecida pela escola foram as visitas aos Horários de Trabalho Pedagógico Coletivos (HTPC) dos professores sob a orientação do coordenador pedagógico. No total foram 6 visitas de duas horas cada, realizadas nos meses de março, abril e maio de 2010.
Durante as visitas foram selecionados 15 professores para serem entrevistados (ver o questionário em Apêndice B), e constatamos que:
Quatro professores não são concursados e dois não possuem ensino superior. Apenas um terço deles possui uma relação de proximidade com o campo,
porém todos sabem que a maioria dos alunos são das zonas rurais.
O tempo de trabalho médio dos professores na escola é 4 anos e meio, porém 3 estão a menos de 3 meses.
Apenas 6 professores acreditam que a escola agrícola integra o conteúdo do currículo com a vivência no campo, e 10 professores dizem que buscam esta integração.
Embora 11 professores acreditem em um ensino para o campo, apenas 6 acham que os alunos estejam interessados.
Dos fatores que os professores acham que o que leva o aluno a estar na escola agrícola, 12 acham que é devido a escola possuir atividades em tempo integral; 10 acham que é devido a residirem no campo e por isso serem propensos a estudarem em uma escola agrícola; 6 acham que é por imposição das famílias devido ao bom desempenho da escola nas avaliações de ensino; e 3 acreditam que é por não ter outra escolha.
Os três primeiros pontos falam sobre a formação dos professores e a situação frente a escola. E neste sentido, acreditamos que falta um vínculo maior com o campo e a escola, pois não apenas o tempo de trabalho de alguns é recente na unidade escolar, mas também não há uma proximidade com o campo, a terra, os costumes locais e as tradições culturais. Em relação à formação, sabemos que os cursos de licenciatura dificilmente tem a preocupação em formar profissionais que levem em consideração as especificidades locais e os conhecimentos prévios para estar educando16.
Por não possuírem um vínculo com o campo, parte dos professores não o consideram como um espaço de reprodução social, mas sim um instrumento de ajuda para o desenvolvimento cognitivo do aluno, ou seja, usam o espaço físico da escola para ensinar um conteúdo sem a preocupação de ser rural ou urbano, gerando uma valorização inconsciente do urbano já que parte desses professores residiram a vida toda na cidade. Prova disto é que embora a maioria dos professores acreditem em um ensino para o campo, seus alunos parecem desinteressados em relação aos conteúdos desse tipo de ensino.
Percebemos uma contradição nas respostas, pois ao mesmo tempo em que os professores não acreditam que a escola agrícola integra o conteúdo do currículo com a vivência no campo, a maioria deles dizem que tentam essa integração. O problema é que somente a minoria descreveu de forma coerente como busca essa integração.
16 Nesse ponto, há que se reconhecer, mais uma vez, a iniciativa dos movimentos sociais, em especial o MST,
pela iniciativa da Universidade Popular dos Movimentos Sociais, que procura formar professores com a preocupação dos vínculos com a zona rural. Ver: http://www.universidadepopular.org/pages/pt/inicio.php
No entanto, a Escola Agrícola de Rio Claro possui um bom desempenho nas avaliações de ensino em relação a outras escolas municipais, além de um reconhecimento notório na cidade. Por esse motivo, muitos pais gostam que seus filhos estudem lá e, também, porque possui o ensino em tempo integral. Os professores, em sua maioria, acreditam que é por causa desse motivo que há uma demanda pela escola, como podemos observar no ultimo ponto. Porém, há também um outro motivo significativo para os pais matricularem seus filhos na escola, que é o fato de residirem no campo. Segundo alguns professores, muitos alunos gostariam de estudar na escola da cidade para poder sair, ao menos uma parte do dia, da zona rural, mas não podem por entraves na localização.
Pensando sobre a função da escola, por não possuir ensino médio, fica a dúvida se ela é um agente organizador do campo, já que não possui, também, o ensino técnico e seus alunos, caso queiram continuar os estudos, devem estudar na cidade. Para responder a essa indagação fizemos a questão para os professores mais experientes. Abaixo a resposta de uma professora engajada com a escola e com uma educação que valoriza o homem do campo:
Muitos ex-alunos continuaram seus estudos na área agrícola, alguns voltando à escola como professor técnico, e outros em diversas áreas correlatas como agrônomos, zootecnistas e veterinários, cumprindo assim o que deveria ser o objetivo principal da escola: a valorização do homem do campo, da terra, do solo como fonte de alimento, trabalho e renda – além do nosso precioso meio ambiente.
Embora a professora tenha uma visão otimista da escola e dos discentes que passaram por ela, há também registros de uma grande quantidade de alunos que foram para a cidade e ficaram por lá. As razões desse processo nós conhecemos: demanda de mão-de-obra na indústria e no comércio nas cidades; influência da cultura urbana; idéia precariedade o fato de residir na zona rural; e em Rio Claro especificamente, a falta de uma escola agrícola para o ensino médio.
Concluímos então que, a escola fornece uma educação no campo, por estar localizada no campo e não possuir um compromisso central com a cultura rural. Isso não impede de eventualmente, devido alguns professores ou determinados assuntos, os alunos terem contato conteúdos da cultura tradicional rural.
Nesse ponto surgem alguns impasses, pois será que todos os professores de escolas agrícolas devem ter vinculo com a terra e a cultura rural? A educação no campo é pior que a educação rural?
Em relação a primeira pergunta, acreditamos que não, mas como já alertado, talvez a solução seja uma maior atenção para a formação dos professores, incentivando-os a levarem em consideração as especificidades espaciais e culturais locais, no nosso caso o campo. Já a segunda pergunta, vai além dos objetivos desse trabalho, pois nossa missão foi diagnosticar o tipo de educação, mas qualificar qual seja melhor ou pior é uma tarefa ainda a ser resolvida.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sociologia foi à ciência que iniciou o debate sobre rural e urbano. Mas atualmente, a geografia vem ganhando destaque, nessa temática, pelo número de publicações relevantes na última década. A ciência geográfica pode utilizar, assim como tem utilizado, todo arcabouço teórico deixado pela sociologia, porque se a sociedade é a essência, o espaço geográfico é a aparência17.
No breve histórico, das definições de campo e cidade, se constata que a cidade irradia influencias da urbanidade, desde sua gênese, alterando o campo e a cultura de quem ali reside. O problema é que o modo de produção capitalista é desigual, deixando grande parte dos moradores do campo, por estarem longe da concentração urbana, sem os mesmos benefícios dos citadinos. Analisando as duas abordagens apresentadas, vê-se que a idéia de continuum rural-urbano também se apóia numa concepção dual, pois considera o rural e o urbano como pontos extremos numa escala de gradação. Na medida em que o rural e o urbano são tratados como pólos de um contínuo, está de certa forma, subentendida uma diferença qualitativa entre eles.
Por isso, nos últimos anos há uma tentativa de políticas públicas, principalmente voltadas para o desenvolvimento territorial (e aqui se percebe novamente a importância da geografia), com o objetivo de amenizar as discrepâncias entre as populações urbanas e rurais, contrariando a ordem capitalista global (SANTOS, 1996):
A ordem global busca impor, a todos os lugares, uma única racionalidade. E os lugares respondem ao Mundo segundo os modos de sua própria racionalidade (...). A ordem global funda as escalas superiores ou externas à escala do cotidiano. Seus parâmetros são a razão técnica e operacional, o cálculo de função, a linguagem matemática. A ordem local funda a escala do cotidiano, e seus parâmetros são a co-presença, a vizinhança, a intimidade, a emoção a cooperação e a socialização com base na contigüidade (p, 272).
Uma das alternativas mais eficazes para amenizar as discrepâncias citadas, é o fortalecimento de instituições nas zonas rurais. As escolas agrícolas, que tem como função a educação de crianças, adolescentes e jovens do campo talvez seja a mais importante destas instituições. Pois somente com a valorização do homem do campo e o ensino de maneiras eficazes da família residente no campo se reproduzir socialmente será possível pensar em uma
17 Ver: MOREIRA, Ruy. Repensando a Geografia. In: SANTOS, Milton (coord.). Novos Rumos da Geografia
transformação social, e isso só é possível através da educação de qualidade levando-se em consideração as especificidades locais.
No entanto, como visto, é necessário prestar atenção para que tipo de educação vem sendo fornecida por estas escolas: educação rural ou educação no campo. A primeira diz respeito a formação do aluno em um agricultor voltado para um modo de ser, ou seja, uma construção identitária. Já a segunda, interpretamos como responsável por levar ensino, recursos e/ou técnicas que não sejam necessariamente rurais ao campo.
A Escola Municipal Agrícola de Rio Claro “Engenheiro Rubens Foot Guimarães”, foi estudada a fim de definirmos que tipo de educação ela fornece. Concluímos, com base em visitas aos HTPC's na escola e entrevistas aos professores, que ela fornece uma educação no campo. Pois os próprios professores reconhecem que a escola não procura integrar os conteúdos do currículo à realidade dos alunos residentes no campo e filhos de agricultores, apresentando os mesmos conteúdos e da mesma forma que um professor faria em uma escola na cidade. Outro fator, diz respeito a função da escola, pois a mesma apenas fornece ensino fundamental I e II, assim os alunos que moram no campo e querem continuar seus estudos, precisam se mudar para a cidade, deixando assim de ajudar a família na propriedade rural, que por sua vez seria a que realmente forneceria a educação rural.
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APÊNDICES
Apêndice A - Muro da entrada da Escola Municipal Agrícola "Engº. Rubens Foot Guimarães". Rio Claro, SP.
Apêndice B - Questionário aplicado aos professores da escola agrícola. QUESTIONÁRIO PARA DOCENTES Emaef "Engº. Rubens Foot Guimarães" Nome do Professor(a):
Idade: Formação:
1) O Professor é responsável por disciplinas em que nível de ensino
( ) Ensino fundamental 1 – Série: __________________________________________ ( ) Ensino fundamental 2 – Disciplina: ______________________________________ 2) Número de aulas semanais na Escola Agrícola:
____________________________________ 3) Há quanto tempo leciona na Escola Agrícola?
_____________________________________ 4) O (A) Senhor(a) leciona em outras escolas?
( ) sim ( ) não
Se sim, quais as diferenças fundamentais em relação à escola, aos alunos e ao currículo? ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 5) Por que trabalhar na Escola agrícola?
_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 6) O (A) senhor (a) é concursado(a) na Escola Agrícola?
______________________________
7) O (A) Senhor(a) tem a informação sobre a procedência de seus alunos? São da zona rural?
_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 8) O (A) Senhor(a) acredita que a Escola Agrícola integra o conteúdo do currículo
com a vivência no campo?
_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 9) O (A) Senhor(a), como professor(a), busca esta integração?
_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 10) O que o (a) Senhor(a) entende por ensino para o campo ou para o rural?
_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 11) O (A) Senhor(a) acredita em um ensino para o campo?
_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________
12) Os alunos estão interessados no ensino e vivências do campo?
_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 13) Em sua opinião, porque os alunos estão na Escola Agrícola?
_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 14) Por que há uma grande procura pela escola?
_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 15) Como os pais dos alunos vêem a Escola Agrícola?
_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________
ANEXO
Anexo A - Imagem-símbolo da Escola Municipal Agrícola "Engenheiro Rubens Foot Guimarães". Rio Claro, SP.
____________________________________________________ Silas Nogueira de Melo
(Orientando)
___________________________________________________ Profa. Dra. Darlene Ap. de Oliveira Ferreira
(Orientadora)