3. Conception et développement du jeu 1 Analyse des besoins
3.5 Les avantages du jeu
A docente cooperante deu-me liberdade para ser autónoma na turma e trabalhar como se eu fosse a professora cooperante. Por isso, optei por dedicar uma semana de estágio a duas histórias de Clara Cunha, nomeadamente O Cuquedo e O Cuquedo e um amor que mete medo, interligando o Português e Expressão e Educação Musical.
Comecei então por trabalhar primeiramente a obra O Cuquedo, de seguida, utilizei uma imagem do livro O Cuquedo e um amor que mete medo e, só no final, é que apresentei essa história. Decidi agir desta forma para que existisse uma lógica e interligação entre os três dias de intervenção.
Iniciei a aula questionando os alunos sobre a origem da imagem apresentada previamente (Figura 33).
Figura 33. Imagem da história O Cuquedo e um amor que mete medo
Os discentes afirmaram que a imagem tinha saído de uma fotocopiadora e andaram à volta desse assunto. Tentei explicar-lhes que, para se fotocopiar alguma coisa, temos de colocar lá uma imagem ou um livro. Aí já deram outras respostas. Seguidamente, dei uma pista,
referindo que nesta imagem existia um bichinho preto. Logo depois, perceberam que era o Cuquedo.
De seguida disse às crianças: O Cuquedo voltou a atacar! apresentei a capa da história e perguntei a opinião dos discentes quanto ao seu conteúdo. Os alunos disseram, através da observação das imagens, que o Cuquedo ia assustar os animais e que não ia ser amigo deles. Posteriormente, li a história. Logo no início, os discentes referiram que parecia a história da
Carochinha. Durante a leitura, os alunos já começaram a cantar as falas do Cuquedo e, quando
os animais emitiam sons (para mostrar que sabiam assustar), eram os próprios alunos a reproduzi-los. Além disso, pu-los a predizer os acontecimentos que se seguiam e, antes de aparecer o último pretendente para o Cuquedo casar, perguntei-lhes quem poderia ser. Qual não foi o meu espanto quando uma das crianças coloca o dedo no ar e diz:
Concluída a leitura da história, realizei perguntas de interpretação e os alunos recontaram a história através das ilustrações. Ao fazer este exercício, o discente está a alfabetizar-se visualmente, sendo que a arte mostra como ver o mundo (Toni & Martins, n.d.). Até as crianças que ainda não conseguem ler, são capazes de recapitular uma história, com recurso às imagens que a ilustram.
Sugeri aos alunos que repetissem o que dizia o Cuquedo quando estava à procura de alguém para casar, num tom musical. Os discentes dramatizaram essa situação (Figura 34).
Figura 34. Dramatização da história
Assim, metade da turma cantou a fala do Cuquedo e a outra metade imitou o animal com o qual o Cuquedo não queria casar. É de salientar que os alunos é que escolheram a parte que queriam dramatizar. Optaram por imitar, primeiramente, o Cuquedo e a cobra e, segundamente, o Cuquedo e a Cuqueda. Após cada dramatização, os grupos inverteram os
- Já sei, deve ser a Cuqueda! (N.)
papéis. Os alunos mostraram-se interessados e participativos, o que fez com que a dramatização fosse bem-sucedida.
No momento seguinte, um aluno distribuiu uma folha com frases da história e outro discente leu as frases em voz alta. Pedi aos alunos que recortassem as frases (Figura 35) e as ordenassem pela sequência correta em cima da mesa. Tentei, deste modo, diversificar os contextos de produção, multiplicar práticas de escrita e encontrar, em grande grupo, soluções para os problemas que a construção do texto exige. Isto ajuda os alunos a compreenderem a leitura, a acelerarem aprendizagens, a organizarem e a desenvolverem o pensamento (ME, 2004).
Figura 35. Recorte das frases da história
Solicitei, logo depois, a um aluno que distribuísse uma folha para que colassem as frases por ordem sequencial e as numerassem. A colagem só aconteceria depois de ser verificado o trabalho de cada aluno (Figura 36).
Figura 36. Colagem
No final, a sequência foi corrigida oralmente. É fundamental referir que certos alunos fizeram o exercício muito rapidamente e acertadamente. Por isso, achei uma boa ideia pô-los a ajudar os que estavam a levar mais tempo ou demonstravam ter dificuldade. Deste modo, referi que não era suposto dizerem as respostas aos colegas, mas sim, ajudá-los a completar o
exercício, através de estratégias de trabalho cooperativo. De facto, os alunos sentiram-se contentes, autónomos e responsáveis por ter essa tarefa. Por isso ajudaram verdadeiramente os colegas, ora lendo a frase em questão, ora ajudando a dar cola nas mesmas (Figura 37).
Figura 37. Aluno a ajudar a colega
Considero que a estratégia sugerida foi proveitosa e eficaz, até porque duas das crianças revelaram dificuldades na leitura e foram auxiliadas por aquelas que já haviam acabado. Assim, os alunos com desnível de competências trabalharam em sintonia com um propósito comum, sendo que um deles se sentiu valorizado pela autonomia que lhe foi concedida (Bessa & Fontaine, 2002; Perrenoud, 1995).
Posteriormente, os discentes realizaram uma ficha de exercícios de consolidação da obra (Figura 38), que abordava a divisão silábica e um ditado de imagens. Logo depois, foi feita a correção no quadro.
Figura 38. Ficha de consolidação resolvida
Uma forma de desenvolver a consciência fonológica é brincando com os sons. Assim, propus exercícios de divisão silábica e o momento da correção ocorria com recurso aos sons e às palmas. De facto, a sílaba é uma unidade gramatical que estrutura o conhecimento fonológico, possuindo um papel primordial na aquisição e no desenvolvimento das competências de leitura e escrita (Freitas, Alves & Costa, 2008).
Quanto ao ditado de imagens, os alunos só teriam de associar as imagens a palavras, de acordo com o texto que tinham ouvido e dramatizado. A dramatização é um caso de um desafio intelectualmente estimulante capaz de mobilizar e promover nos alunos a criatividade e a capacidade de resolver problemas (Morgado, 2004).
Finalmente, fiz um ditado oral de duas frases da obra em estudo.
Em suma, notei que a turma preferiu esta obra do Cuquedo à anterior, dado que os discentes demonstraram muito mais interesse e motivação na audição da história e na realização das atividades.