A Inteligência Competitiva utiliza as tecnologias para obtenção e transformação de dados em conhecimento, de modo que estes tenham como resultado a vantagem competitiva, tornando a empresa um diferencial no mercado. Kupfer (2008) organiza os conceitos de competitividade em duas famílias: desempenho e eficiência. A competitividade como desempenho, segundo o autor, é expressa na participação no mercado alcançada por uma empresa em um mercado em determinado momento do tempo. Já na competitividade como eficiência, busca-se de alguma forma traduzir a competitividade por meio da relação insumo- produto praticada pela empresa e na capacidade da empresa de converter insumos em produtos com o máximo de rendimento.
Um modelo proposto por Valentim (2002) caracteriza o sistema de inteligência competitiva em sete etapas:
(1) Identificar os "nichos" de inteligência internos e externos à organização;
(2) Prospectar, acessar e coletar os dados, informações e conhecimento produzidos internamente e externamente à organização;
(3) Selecionar e filtrar os dados, informações e conhecimento relevantes para as pessoas e para a organização;
(4) Tratar e agregar valor aos dados, informações e conhecimento mapeados e filtrados, buscando linguagens de interação usuário / sistema;
(5) Armazenar através de Tecnologias de Informação os dados, informações e conhecimento tratados, buscando qualidade e segurança;
(6) Disseminar e transferir os dados, informações e conhecimento através de serviços e produtos de alto valor agregado para o desenvolvimento competitivo e inteligente das pessoas e da organização;
(7) Criar mecanismos de feed-back da geração de novos dados, informações e conhecimento para a retro alimentação do sistema.
Angeloni, Dazzi, Romani e Teixeira (2001) propõem um modelo com cinco etapas, que sistematiza as diferentes fases de um sistema de inteligência competitiva, assim como integram tais etapas às tecnologias pertinentes. Na primeira etapa são estabelecidos os
objetivos com vistas ao que acontece no mercado relacionado com a organização.Na segunda etapa desse modelo tem-se o mapeamento das informações, que consiste em identificar as necessidades das informações da organização, das fontes e monitoramento dessas informações, logo, ferramentas de busca e monitoramento se tornam essenciais. A terceira etapa contempla o armazenamento dessas informações de forma acessível e segura (por meio de tecnologias de banco de dados) para assim passar para a quarta etapa: a análise.
Nesta etapa, procura-se identificar os impactos das descobertas, agregando valor às informações importantes, com vistas ao gerenciamento estratégico da organização. Para isso, utilizam-se ferramentas como o data mining ou business inteligence. Na quinta etapa tem-se a distribuição das informações obtidas, por meio de ferramentas de publicação, para que as pessoas certas possam agir de maneira estratégica dentro da organização.
A importância de um sistema de inteligência competitiva está associada ao poder de decisão que ele pode gerar. Logo, simplicidade e foco no resultado serão as principais características que se busca nessa ferramenta de gestão do conhecimento, ao mesmo tempo em que ela impõe um novo desafio para as tecnologias de informação.
Para Gomes e Braga (2004) um sistema de inteligência competitiva segue as seguintes etapas:
a) Identificação das necessidades da informação. Nessa etapa procurar-se-á posicionar a organização no mercado em que está inserida, analisando, por meio do modelo de Porter adaptado, os players desse mercado, respondendo às questões mais importantes sobre o ambiente competitivo e definindo quais informações serão relevantes para a tomada de decisão.
b) Coleta das informações. O foco principal dessa etapa será identificar e classificar as fontes de informação.
c) Análise das informações. O que se objetiva nessa etapa é transformar informação bruta em inteligência mantendo o foco na decisão estratégica. Dentre as metodologias de análise utilizadas nessa etapa destacam-se a análise S.W.O.T (sigla em inglês de forças, fraquezas, ameaças e oportunidades) , FCS (Fatores Críticos de Sucesso), Benchmarking, Cenários, além do modelo de Porter.
d) Disseminação. Nessa etapa a inteligência obtida a partir da análise das informações será divulgada para os tomadores de decisão. É o resultado do sistema de inteligência competitiva (SIC).
e) Avaliação. A continuidade de um SIC garantirá o posicionamento estratégico da organização, assim, a etapa de avaliação deverá contemplar não apenas o sistema em si.
Do ponto de vista do mercado de energia elétrica, independente do método utilizado para se implantar um sistema de inteligência competitiva, a coleta de dados é a base da transformação das informações disponíveis em inteligência, o que a torna fortemente vinculada à tecnologia de informação como ferramenta de gestão do conhecimento, já que dessa forma pode-se criar um fluxo de informações que permita a identificação das oportunidades de projetos inovadores e gerar conhecimento
Muito embora ainda hoje exista uma tendência a misturar gestão do conhecimento com inteligência, para Valentim (2002) a inteligência competitiva se diferencia da gestão do conhecimento por dois aspectos: primeiro, ter como foco as estratégias da organização e, segundo, por trabalhar tanto com o fluxo formal quanto informal de informações.
No entanto, é necessário conhecer bem os tipos e fontes de informação disponíveis, seus conceitos e como são geradas.
Beuren (2000) observa que os maiores problemas de informação encontram-se no paradoxo quantidade X qualidade, em parte criados pela tecnologia da informação. A abundância de informações disponíveis, nem sempre são relevantes aos usuários.
Wilkinson e Cerullo (apud BEUREN, 2000) explicam que, os gestores precisam ser supridos com informações de valor. O valor da informação e, por conseguinte, a solidez das decisões, pode ser afetada pela qualidade da mesma. Por sua vez, as informações podem ser consideradas de qualidade quando são relevantes, precisas, acessíveis, concisas, claras e consistentes.
A informação tem, portanto, poder de dominação e é capaz de ditar regras que sejam do interesse da organização. Tarapanoff (2001) define informação estratégica como aquela obtida do monitoramento estratégico, que subsidia a formulação de estratégias pelos tomadores de decisão nos níveis gerenciais da organização.
A recuperação da informação armazenada é outro fator determinante para o auxílio na tomada de decisão e deve ser planejada com cuidado, sobretudo no que diz respeito ao sistema de indexadores a ser utilizado como chave de recuperação, pois por meio deles serão definidas as consultas e os relatórios de saída. As informações do Operador Nacional do Sistema são bons exemplos desta etapa.
Elétrico Brasileiro – SEB - são organizadas, estruturadas e consolidadas por meio do processo de indexação. Além do conhecimento científico e tecnológico existente no sistema de energia elétrica, existem informações em forma de indicadores que retratam o movimento de setor de distribuição, geração e transmissão e que são de extrema importância para acompanhamento, desenvolvimento e investimento no setor. Estes indicadores são insumos para a inteligência competitiva.
Neste contexto, a inteligência competitiva é capaz de antecipar as ameaças e novas oportunidades por meio da informação analisada e validada para a tomada de decisão, em um processo contínuo onde a informação é transformada em conhecimento e apóia o processo decisório da organização. Um sistema de inteligência competitiva obriga-se a contemplar as dimensões tecnológicas, econômica, legal, demográfica, política e social. Considerando que uma unidade consumidora de energia elétrica está inserida nas quatro dimensões citadas acima, é lícito dizer que todas as informações levantadas e validadas neste contexto têm impacto direto na forma como esta unidade se comporta.
O Sistema de Inteligência Competitiva possibilita o monitoramento dos ambientes externo e interno da organização. Ao monitorar o ambiente externo, busca associar fatores macro ambientais que influenciam diretamente a atuação da empresa. No ambiente interno, além de fazer uso do banco de dados existente, estabelecendo uma correlação entre eles, busca acompanhar o desenvolvimento das competências essenciais, disponibilização de recursos financeiros e humanos, além de ajustes de suas estratégias diante das exigências do ambiente externo.
De acordo com Prescott e Miller (2002), os programas de IC exigem um papel claramente articulado que decorre do processo de (re) conhecer as necessidades de informação dos integrantes da organização. Desta forma, torna-se primordial definir as reais necessidades de inteligência de uma organização e fazê-lo de forma a que seus resultados levem os executivos a agir em conseqüência.
A figura 7 apresenta um diagrama tradicional do ciclo de inteligência competitiva. a) Planejamento e Coordenação:
Etapa em que são levantadas as necessidades de informação estratégicas para estruturar o sistema de inteligência competitiva e, sobretudo, quem poderá utilizá-la. Nesta fase, são identificadas as necessidades de informação para suportar o processo decisório. O método utilizado nesta fase é a análise dos Fatores Críticos de Sucesso (FCS), os quais não devem ser confundidos com os objetivos ou com as estratégias da empresa e sim os meios que garantem a realização destes objetivos.
Figura 7- Ciclo de Inteligência Competitiva Fonte: Prescott e Miller – 2002
b) Coleta, Processamento e Armazenamento da informação:
Nesta etapa é feita toda a cobertura das necessidades de informação, incluindo as operacionais e as gerenciais. São levadas em consideração todas as informações publicadas ou não, de domínio público, disponíveis em fontes externas e internas à organização. É importante salientar que toda informação que trate do setor analisado sejam industriais, tecnológicas ou correlatas ao processo de negócio da organização devem ser coletadas, tratadas e analisadas sistematicamente, isto é, informações relacionadas aos Fatores Críticos de Sucesso (FCS). Além das informações existentes em bases de dados são utilizadas fontes informais de informação que agregam valor à inteligência. O monitoramento tecnológico pode ser realizado com ampla abrangência, graças à análise de quatro grandes tipos de informação que devem ser levadas em conta, neste processo. Trata-se da informação científica, técnica, tecnológica e técnico-econômica. Os dois primeiros tipos são amplamente divulgados através de banco de teses, artigos de periódicos, publicações especializadas e apresentações em congressos, porém, os dois últimos tipos ainda não contam com uma estrutura de bases de dados: a tecnológica refere-se à informação industrial, e a técnico- econômica refere-se à informação mercadológica, variáveis estas, importantes na análise sócio-econômica.
c) Análise e validação da informação
A informação coletada, processada e armazenada na etapa anterior necessita ser analisada e validada pelos especialistas da área. É recomendável que a validação seja feita por
meio do consenso. Essa atividade pode ser realizada por redes de especialistas, de forma interativa e em reunião específica para cumprimento desse tipo de tarefa. A análise e validação da informação são os sustentáculos de um Sistema de Inteligência Competitiva, é necessário que ocorra na velocidade, urgência e prioridade que se fizerem necessárias para a tomada de decisão, e, sobretudo deve ser oportuna.
d) Disseminação e utilização da informação estratégica
O ciclo do processo da Inteligência Competitiva encerra-se com a disseminação e utilização da informação estratégica para a tomada de decisão. Tal informação passou pelas etapas de coleta, processamento, armazenamento, análise, validação e representa uma síntese destas etapas.
Várias bibliografias enfatizam o uso deste ciclo de IC como sendo de extrema importância para os tomadores de decisão. Sendo possível avaliar o seu real valor da informação e sua possível transformação em conhecimento. Ao ser utilizado tal conhecimento o mesmo acrescenta à organização uma vantagem competitiva e melhor posicionamento de mercado não só em termos de expansão, como também na redução de custos, eficiência na aplicação de recursos e melhoria dos processos internos. O objetivo maior da Inteligência Competitiva é fazer chegar à pessoa certa, a informação analisada e validada em tempo hábil e no formato adequado para a tomada de decisão.