Você me pergunta sobre as diferenças entre um professor mestre e um professor doutor... eu até entendo um pouquinho. Porque eu sei que nesse nosso esquema de Universidade o professor mestre, ele tem limitações. O doutor ele tem status, onde ele pode enviar projetos para todos os editais, os editais pedem isso! Eu acho que o professor mestre, ele tem um pouco... eu tenho colegas que já comentam isso, já ouvi de colegas de outras unidades que tiveram esse atividade, meu próprio irmão que tem mestrado e só agora está fazendo o doutorado, ele não é um professor de Dedicação Exclusiva na Universidade porque ele tem o consultório, mas ele sofre toda uma pressão. Então o mestre é forçado a buscar esse doutorado para ele competir com os espaços, com o dinheiro, com tudo dentro da universidade. Contatos!
Porque ele fica sempre naquela categoria de ter mais coisas para fazer, porque ele não orienta, ele não está em um programa de pós-graduação, então ele acaba tendo que buscar esse espaço. O professor mestre hoje, eu acho que na universidade ele não cabe mais, se ele quiser continuar, participar de equipe e evoluir. Porque é limitado o espaço que dão a ele, hoje a gente fica vendo não pode ter alunos, nem bolsa de... PIBIC e PIBEC, não pode ter nada disso. Isso porque não tem doutorado! Ele não pode concorrer aos órgãos de fomento, de pesquisa porque ele não tem doutorado. Então é muito sacrificante realmente para um mestre ser professor, e a dinâmica da Universidade está diminuindo as possibilidades dele se manter como mestre.
Eu tenho visto assim. Cada dia mais, porque tudo que é colocado, é colocado para o doutor.
Eu acho que é uma pena o que está acontecendo, mas a universidade impôs isso. Porque o exemplo que eu tenho mais claro na minha cabeça, é a minha unidade que não coloca edital para mestre, todos os editais saem com o doutorado. Então assim, a universidade se movimentou nisso. Por quê? Por vários motivos, primeiro por conta dessa necessidade de você ter muita gente fazendo pesquisa; não ter tempo de sair para deixar os seus colegas saírem para fazer, porque eu vou ter que suprir o colega e eu tenho mil coisas para fazer, para o Pós-Doc agora já está tendo a maior dificuldade, porque tem que ter o aceite da área é aquela confusão toda. Então assim, a universidade está limitada, o tempo e as consideradas sobrecargas, porque todo mundo se considera sobrecarregado dentro da universidade, mas... tudo bem. E aí isso tudo faz com que caiba menos espaço para que essa pessoa amadureça e depois ela busque um segundo passo, e eu acho que a consequência de tudo isso é o que nós estamos enfrentando, nós
estamos chegando à universidade totalmente despreparados?! Nós somos doutores, mas todo mundo sabe e isso não é dificuldade para ninguém, que nós temos de propor projetos, a dificuldade que nós temos de nos desenvolver dentro da sala de aula. São muitas coisas. E não se conhece nada?! É um professor que chegou à Instituição que não sabe nem direito como que ela funciona.
A gente repete! A gente tem modelos já determinados. Nós somos as experiências que
a gente teve. Total! E quando a gente é colocado para poder pensar, a gente...
Procura o outro. [risos] É muito melhor! Mais seguro! Eu usava os meus roteiros das aulas da Neuza, pelo amor de Deus!
Agora eu acho assim, o fato de eu ter vivido muito intensamente a universidade como aluna e depois como professora substituta, e eu voltei para uma casa onde eu me formei... Claro que eu não acompanhei toda a evolução porque eu passei um tempo fora, mas a minha conversa com a UFU é um diálogo em que há entendimento da minha parte. Você chegar em uma instituição nova onde você não conhece nada, onde você não tem essa pessoa que te apresente é muito ruim. Por isso que acho que a iniciativa da PROGRAD de ter esse momento, que ela vem desenvolvendo, que ainda vai aprender a desenvolver esse momento melhor, ela vai ser positiva se colocada dessa forma que você está falando: “Olha! Nós estamos aqui para te apoiar. Nós somos um núcleo de apoio a docência. Então, qual é a dificuldade?”, agora passamos por outra dificuldade que é a dificuldade individual de dizer: “Não sei, preciso passar por isso”, isso é muito ruim, eu até não tenho tanta dificuldade de dizer isso, porque eu conheço as minhas limitações. Eu sei os problemas da minha formação. Eu tenho problemas de formação gravíssimos. Eu não tenho leituras de uma série de coisas importantes que eu deveria ter tido. Mas o quê que eu faço hoje? Eu corro atrás da pessoa e falo: “Pelo amor de Deus, onde eu acho isso? Me dê um trabalho, me dê alguma coisa para poder me situar”, eu não tenho problemas de dizer - “Olha! Eu estou indo para o núcleo de apoio aprender isso”, só que as pessoas tem essa dificuldade, elas não vão dar o braço a torcer. Porque a sala de aula é um reduto muito individual, ele não é dividido, eu não tenho essa dificuldade porque eu entrei em um núcleo de pessoas que dividem tudo, “Olha! Você não está sabendo isso, eu vou te falar como que você pode fazer, eu vou te dar uma sugestão”.
Então o núcleo pedagógico do ENBIO, a Ana, a Nora, a Lúcia e as professoras que formaram esse núcleo elas deixaram isso muito marcado, elas mantém isso muito marcado. Essa necessidade, esse amparo, de um estar do lado do outro. Então eu me sinto confortável.
Mas, e os outros que entram na universidade e não tem nada disso? E eu por conta dessa dinâmica criada aí, e aprendi com a Ana também a fazer isso, eu fico tentando pegar as pessoas que estão chegando. “Olha! Tem edital e tal, vamos tentar fazer juntos. Vamos fazer isso”, porque eu acho que as pessoas merecem e precisam disso para se situar em um lugar novo, cidade nova, espaço novo, pessoas novas, universidade que você não conhece e não sabe como que ela funciona. Então é tudo muito novo! Tudo! Onde que vai detonar na sala de aula! Então eu acho que realmente é complicada essa questão de a gente não ter esse tempo de preparo. Então a gente faz mestrado, faz doutorado e chega
e caem aos leões, os leões da pesquisa, da sala de aula, da administração. [risos] Os leõezinhos têm a boca desse tamanho. Eles são imensos! [risos].