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6 Structures partielles

7.2 Autres probl` emes

Segundo Contandriopoulos et al (1997), avaliar consiste em fazer um julgamento de valor a respeito de uma intervenção, ou sobre qualquer um de seus componentes, com o objetivo de ajudar na tomada de decisões. Para o autor uma intervenção é constituída pelo conjunto dos meios (físicos, humanos, financeiros, simbólicos) organizados em um contexto específico, em um dado momento, para produzir bens ou serviços com o objetivo de modificar uma situação. Para GIL et al (2001) avaliar é um processo contínuo de sucessivas aproximações de conhecimentos da realidade referente a toda ordem de questões relacionadas a uma ação. Independente do referencial teórico, uma característica importante da avaliação não deve ser esquecida: “uma premissa para trabalhar com avaliação é ter clareza de que o processo não é e nem pode ser objetivo, nem neutro, pois os avaliadores são

pessoas, bem como aqueles que definiram e selecionaram os critérios considerados referência” (MALICK et al, 1998). O ato de avaliar está sempre dotado de uma concepção que um determinado ator social tem de um processo e reflete o quanto este deseja produzir transformações no âmbito de sua atuação. Assim, o resultado de uma avaliação deve ser visto sob a ótica do que está sob avaliação (ou que parte), dos critérios utilizados e por quem esta foi realizada (CONTRANDRIOPOULOS et al, 1997; GIL et al, 2001; MALICK et al, 1998).

Na área de saúde a avaliação surgiu após a Segunda Guerra Mundial quando o Estado começou a assumir seu papel de regulador das ações públicas e não de executor de ações. Percebeu-se que os recursos, escassos, deveriam ser alocados da forma mais eficaz possível limitando os custos dos sistemas de saúde, mas mantendo a acessibilidade suficiente a todos (CONTRANDRIOPOULOS et al, 1997).

Três conceitos importantes que surgiram à medida que novos cenários sociais questionaram o processo avaliativo em saúde (GIL et al, 2001), cada um produz informações que se complementam e dão maior consistência ao processo, razão pela qual se deve buscar, na medida do possível, trabalhá-los em conjunto:

• Eficiência que estabelece uma relação entre custos e benefício de uma determinada ação, programa, projeto ou plano.

• Eficácia, significando realizar bem, com a melhor qualidade possível as ações planejadas ou programadas.

• Efetividade, relacionada ao impacto das ações/serviços mediante os resultados. Resulta na mudança de uma determinada realidade ou na transformação de uma situação.

A avaliação em saúde tem os seguintes objetivos, dentre outros:

• ajudar no planejamento e na elaboração de uma intervenção (objetivo estratégico);

• fornecer informação para melhorar uma intervenção no seu decorrer (objetivo formativo);

• determinar os efeitos de uma intervenção para decidir se ela deve ser mantida, transformada de forma importante ou interrompida (objetivo somativo); e

• contribuir para o progresso dos conhecimentos e para a elaboração teórica (objetivo fundamental) (CONTRANDRIOPOULOS et al, 1997).

A partir desses objetivos obtém-se, pelo menos, dois tipos de avaliação, classificadas em relação a sua função: avaliação formativa e avaliação somativa (MALICK et al, 1998). A avaliação formativa é aquela em que o próprio processo avaliativo interfere e orienta as condutas ou processos avaliados. É um mecanismo de avaliação, mas também de treinamento e ensino. É contínua e participativa e pode se beneficiar da participação dos envolvidos. Quanto mais freqüentes, mais elas representam um processo e não um evento pontual, maior a oportunidade de que as pessoas aprendam com elas e se preparem para novos hábitos. A avaliação somativa é aquela feita ao final de um processo (ex-post) para verificar se os resultados foram alcançados ou não.

Para Constandriopoulos et al. (1997) a avaliação pode ser dividida em dois grandes grupos: a avaliação normativa e a pesquisa quantitativa. A avaliação normativa é a atividade que consiste em fazer um julgamento sobre uma intervenção, comparando os recursos empregados e sua organização (estrutura), os serviços ou bens produzidos (processo) e os resultados obtidos, com critérios e normas. Esse tipo de avaliação se subdivide em:

• Avaliação de estrutura a qual busca reconhecer em que medida os recursos são empregados de modo adequado para atingir os resultados esperado comparando os recursos da intervenção, assim como sua organização, com critérios e normas correspondentes.

• Avaliação de processo, a qual busca reconhecer em que medida os serviços são adequados para atingir os resultados esperados. Compara-se os serviços oferecidos pelo programa ou pela intervenção com critérios e normas predeterminadas em função dos resultados. Pode ser decomposta na dimensão técnica (adequação dos serviços às necessidades, qualidade), na dimensão das relações interpessoais (interação psicológica e social que

organizacional (acessibilidade aos serviços, extensão da cobertura, globalidade e continuidade dos cuidados e dos serviços).

• Avaliação dos resultados, a qual busca reconhecer se os resultados observados correspondem aos esperados.

A pesquisa avaliativa é o procedimento que consiste em fazer um julgamento ex-

post de uma intervenção usando métodos científicos. Trata-se de analisar a

pertinência, os fundamentos teóricos, a produtividade, os efeitos e os rendimentos de uma intervenção, assim como as relações existentes entre a intervenção e o contexto no qual ela se situa, geralmente com o objetivo de auxiliar a tomada de decisões. Trata-se de um processo mais abrangente composto por várias etapas, atores e grupos de avaliadores (CONTRANDRIOPOULOS et al, 1997).

De forma geral, as avaliações em serviços de saúde mais realizadas são as somativas, cada uma concentrando-se em uma das três subdivisões: estrutura, processo e resultado. Para avaliar o processo de trabalho de profissionais, como proposto neste trabalho, foca-se nas avaliações comumente denominadas avaliações de processo. São importantes para se reconhecer e propor intervenções na condução de atividades dentro de um serviço, podendo, inclusive, subsidiar a proposição de modelos de condutas e atribuições.

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