Chapitre 3 : Les éosinophiles
3.2 Implications dans les pathologies humaines et la santé
3.2.3 Autres maladies avec implication éosinophilique
Ritter, como diplomata, desejava saber de como seus superiores hierárquicos compreendiam seus atos, por isto em 12 de maio, escreveu a Weizsäcker o questionando sobre este assunto.314 Entretanto, este documento encontra-se arquivado somente no departamento de política, e não nas pastas do Staatssekretär, talvez porque esta carta havia sido perdida nos trâmites do correio.
Possivelmente, por não ter obtido resposta da correspondência de 12 de maio e, em vista da tensão do momento, pois já havia passado quatro dias da tentativa de golpe integralista, em 14 de maio, Ritter escreveu um telegrama aos seus superiores hierárquicos. Nele informou que havia suspeitas da participação alemã no referido episódio e conclui a correspondência refletindo que: “a agitação contra a Alemanha conduzirá necessariamente à minha partida, e possivelmente até a um rompimento de relações diplomáticas”. Este documento, pela importância do seu conteúdo, foi enviado para 10 departamentos dentro do AA.315
Na tentativa de responder ao telegrama de Ritter, de 14 de maio, Weizsäcker solicitou, no dia 16 de maio, via telegrama, que Ritter enviasse ao ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joachim von Ribbentrop, a sua opinião sem reservas, se houve o envolvimento de algumas pessoas na tentativa de golpe integralista que poderiam justificar as medidas brasileiras ou se, realmente, o governo brasileiro estava fazendo uma injustiça. Ao final afirmou que as relações entre Brasil e Alemanha eram muito importantes para o AA, e não se desejava agir energicamente e tropeçar em objeções brasileiras. Neste documento, havia um 314
Carta enviada em 12 de maio de 1938, Pol IX 775, arquivado tanto dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA, quanto no Büro des Staatssekretärs, na pasta Brasilien (Band 1), com o código de arquivamento: R–29548 do PAAA.
315
Telegrama nº 64, enviado em 14 de maio de 1938, Pol IX 740, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA. No livro III Reich (1968, p. 55) também há a tradução deste documento.
carimbo de ultra-secreto, fato que demonstra a importância desta informação e das relações da Alemanha com o Brasil.316 Ritter, via telegrama datado de 18 de maio, respondeu que não tinha conhecimento de nenhuma ação que justificasse as medidas adotadas pelo governo brasileiro e insistiu em ter permissão para insinuar ou ameaçar com a sua saída do posto diplomático ou com o corte de relações diplomáticas.317 Constata-se, aqui, que o AA apresentava um tom mais amistoso, e Ritter era mais incisivo nas suas intervenções.
Em 20 de maio, Weizsäcker mandou uma carta pelo correio aéreo para Ritter; entretanto, não foi possível averiguar quando a mesma chegou à embaixada do Rio de Janeiro. Nela, o autor assegurou que, realmente, Ritter, como embaixador, se encontrava em uma posição difícil, visto que o Brasil, pelos indícios, ainda se encontrava na efervescência da revolução (Revolutionsfieber), e esperava-se que no avanço do processo houvesse um retorno à ordem e ao direito, possibilitando um acordo em bases sólidas.318
3.2.1 A indelicadeza diplomática
A tensão nas relações diplomáticas foi intensificada após uma indelicadeza diplomática de Ritter. Esta foi comunicada ao protocolo do AA, em 25 de maio de 1938. Ritter relatou que, em 21 de maio, havia sido convidado por Osvaldo Aranha para um baile em homenagem ao ministro das Relações Exteriores do Chile, sendo que agradeceu e disse que não poderia dançar em um baile enquanto cidadãos alemães estavam presos injustamente. Na seqüência, Osvaldo Aranha afirmou que, neste sentido, o Embaixador Brasileiro em Berlim também passaria a não aceitar mais convites do governo alemão. Ritter respondeu que não era preciso dar estas instruções, pois o embaixador brasileiro não seria mais convidado, enquanto a NSDAP estivesse proibido no Brasil. Neste sentido, a carta solicitava ao protocolo
316
Telegrama nº 91, de Weizsäcker respondendo ao telegrama 64 de Ritter, enviado em 16 de maio de 1938, arquivado dentro do Büro des Staatssekretärs, na pasta Brasilien (4.1938 a 2.1942, Band 1), com o código de arquivamento: R–29548 do PAAA. Também há a tradução dentro do III Reich (1968, p. 59 e 60), no entanto, há um pequeno erro, no livro consta telegrama 171, e, na verdade, é 71.
317
Telegrama nº 71, de Ritter respondendo ao telegrama 91 de Weizsäcker, enviado em 18 de maio de 1938, arquivado dentro do Büro des Staatssekretärs, na pasta Brasilien (4.1938 a 2.1942, Band 1), com o código de arquivamento: R–29548 do PAAA. Também há a tradução no livro III Reich (1968, p. 61 e 62).
318
Carta, Pol IX 775, enviado do AA para a embaixada Alemã em 20 de maio de 1938, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA.
do AA não enviar convites para a Embaixada brasileira e seu pessoal em Berlim. Interessante observar que, esta carta era endereçada ao protocolo, lá chegou em 31 de maio e recebeu uma numeração, no entanto, a mesma foi re-encaminhada ao departamento político, e lá foi arquivada e respondida.319 Nesta seqüência de encaminhamento, percebe-se que Ritter não se preocupou em comunicar a seus superiores, mas sim apenas ao protocolo do AA, provavelmente, porque considerou que este ato não teria muita representatividade diplomática. Entretanto, o mesmo será o grande complicador no desempenho das funções diplomáticas.
Neste mesmo dia, 25 de maio, o Embaixador Brasileiro em Berlim foi questionar o AA sobre as falas de Ritter em 21 de maio. Não foi possível identificar a assinatura do diplomata que fez o relatório da visita de Muniz de Aragão. No entanto, o redator, conforme documento arquivado, ao justificar a ação de Ritter para Muniz de Aragão não o recriminou, apenas apontou a frustração do AA frente à prisão de cidadãos alemães no Brasil, a difícil situação do embaixador alemão frente a essas detenções e da necessidade de um comunicado brasileiro negando a participação alemã no golpe de 11 de maio (este item, provavelmente, foi utilizado porque este diplomata ainda não havia sido informado do comunicado do governo brasileiro de 21 de maio). Após relatar a audiência, o redator afirmou que havia sido comunicado a Ritter que este tipo de pressão ao embaixador brasileiro não estava nos planos da diplomacia alemã.320 Em 31 de maio de 1938, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, von Ribbentrop, solicitou, via telegrama, que Ritter fizesse uma démarche, e esta foi executada em princípio de junho (HARMS-BALTZER, 1970, p. 70 e 182). Baseando-se na documentação do AA, este foi o único momento em que o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha não respaldou as ações de Ritter.
Em 28 de maio, Ritter, após o incidente diplomático sobre os convites para festividades, fez um novo relatório, onde analisou a situação diplomática alemã. Nele, ressaltou que, se pessoalmente perdeu simpatia das autoridades brasileiras, no entanto a representação diplomática ganhou o respeito delas. Ritter observou que seria oportuno que ele retornasse para a Alemanha, ficando assim um período fora do Ministério das Relações Exteriores, pois imaginava que não seriam mais criadas situações complicadoras para os
319
Relatório B7/7, de 25 de maio de 1938, arquivada dentro do Pol IX 887, em 31 de maio, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (5.1938 a 7.1938, Band 2), com o código de arquivamento: R–104940 do PAAA.
320
Relatório, Pol IX 835, de 25 de maio de 1938, não foi reconhecida a assinatura, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (5.1938 a 7.1938, Band 2), com o código de arquivamento: R–104940 do PAAA.
cidadãos alemães. Também relatou que, em fins de maio, foram fechadas escolas de outras nacionalidades, demonstrando assim que não se tratava de ações exclusivas contra as escolas alemãs. Concluiu a correspondência afirmando que Osvaldo Aranha tinha uma relação espiritual, política e de confiança com os EUA, e lutava contra a Alemanha, e que Vargas estava inclinado para uma relação econômica e financeira com a Alemanha. Este documento, em 20 de junho, foi enviado para as forças armadas, aos Ministérios da Propaganda e da Economia, ao AO e ao Volmi.321 Observa-se que cada vez mais a documentação enviada por Ritter adquiria uma importância estratégica e que este personagem percebia que era necessária uma mudança, pois não estava mais conseguindo atuar diplomaticamente, tanto que, em 3 de junho, numa correspondência secreta ao ministro das Relações Exteriores da Alemanha, informou que estava sendo evitado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.322 Salienta-se que, no referente aos pólos de poder e a questão das afinidades dos ministros brasileiros, Ritter fez uma leitura da realidade contemporânea próxima à elaborada pela historiografia brasileira (SEITENFUS, 2003, p. 82-83; MOURA, 1980, p. 122 e ss., só para citar alguns).
Conforme Seitenfus (2003, p. 127 e 128), ao final de maio de 1938, Osvaldo Aranha sugeriu a Muniz de Aragão recomendar ao AA que somente com outro agente diplomático no posto da embaixada do Rio de Janeiro seria possível a manutenção das relações entre ambos os países. Entretanto, não existe nenhum documento, no arquivo do AA, relatando tal pedido ou a hipótese da substituição ser efetivada. Todavia, em 3 de junho, em correspondência interna do AA, o departamento político informou ao Staatssekretär que, no último relatório de Ritter, este solicitava retornar, mas não havia instruções para isto.323 Observa-se, em vários momentos, que Ritter percebia que estava difícil sua permanência no Brasil.
Em 9 de junho, Weizsäcker enviou uma correspondência a Ritter informando que não havia como sustentar a iniciativa tomada, a de deixar de convidar o Embaixador Brasileiro em Berlim para festividades. Relatou que o tema já havia sido motivo de audiências com os
321
Relatório B5, Pol IX 952, datado de 28 de maio de 1938, arquivado dentro do Auswärtiges Amt, tanto no Büro des Chefs der Auslandsorganisation, com o código de arquivamento: R–27196 do PAAA, quanto no Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (5.1938 a 7.1938, Band 2), com o código de arquivamento: R–104940 do PAAA.
322
Telegrama 92, de Ritter ao Reichsminister, de 3 de junho de 1938, com carimbo de Ganz Geheim (ultra- secreto), arquivado dentro do Büro des Staatssekretärs, na pasta Brasilien (4.1938 a 2.1942, Band 1), com o código de arquivamento: R–29548 do PAAA.
323
Correspondência interna, do departamento político ao Staatssekretär, Pol IX 887 de 3 de junho de 1938, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (5.1938 a 7.1938, Band 2), com o código de arquivamento: R–104940 do PAAA.
representantes diplomáticos do Brasil e do Chile, sendo que o último questionou se a atitude tinha a ver com alguma demonstração contrária ao Chile. Propôs que durante o verão (junho a setembro) Ritter fosse para a Alemanha, momento em que poderiam conversar pessoalmente e desejou sucesso nos tempos difíceis.324 Pondera-se que esta ação de Ritter trouxe conseqüências nas relações entre a Alemanha e o Brasil, mas também gerou o questionamento junto ao AA, por parte do governo chileno, se a atitude tomada por Ritter era uma retaliação ao Chile.
Conclui-se que a única ação em que Ritter não teve respaldo do Ministério das Relações Exteriores foi a indelicadeza diplomática efetuada em 21 de maio.325