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III. Indications de photothérapie

7. Autres indications

A correção nos textos dos alunos é apenas mais uma instância de feedback a se realizar. Um trabalho bastante detalhado sobre tipos de correção que ainda parametriza os estudos sobre (re)escrita na escola é o de Eliana Ruiz (1998), em tese intitulada “Como se corrige redação na escola.”. Em sua tese, encontrei explicitados os tipos de correção comumente encontrados em ambiente escolar: a correção indicativa, a resolutiva, a classificatória16 e a textual-interativa.

A correção indicativa é a que faz apontamentos de erros ao longo do texto.

A correção indicativa consiste em marcar junto à margem as palavras, as frases e os períodos inteiros que apresentam erros ou são pouco claros. Nas correções desse tipo, o professor freqüentemente se limita à indicação do erro [...] (SERAFINI, 1998, p. 113)

Isso significa, por exemplo, circular trechos em que há problemas linguísticos encontrados, sejam eles de quaisquer ordens. Pode ocorrer sobrepondo o próprio texto ou à margem do texto (com o professor marcando um x, por exemplo, na margem do texto, na linha em que há alguma ocorrência precisando ser revista). O objetivo é indicar ao aluno que naquele trecho há um problema.

Na análise realizada por Ruiz (1998), a indicativa foi, quantitativamente, o maior tipo de correção encontrada nos seus dados de pesquisa.

Um segundo tipo de correção é a correção resolutiva. Nela o professor acrescenta, retira, substitui, muda de lugar partes do texto, sobrepõe acertos aos erros linguísticos apresentados. Conforme Serafini,

[...] consiste em corrigir todos os erros, reescrevendo palavras, frases e períodos inteiros. O professor realiza uma delicada operação que requer

16 Em relação às três primeiras (indicativa, resolutiva e classificatória), Ruiz mantém a classificação atribuída por

tempo e empenho, isto é, procura separar tudo o que no texto é aceitável e interpretar as intenções do aluno sobre trechos que exigem uma correção; reescreve depois tais partes fornecendo um texto correto. (SERAFINI, 1998, p. 113)

No corpus de análise de dados de Ruiz, esse foi o tipo de correção encontrado com menor recorrência. Segundo observação empírica dessa pesquisadora, a correção resolutiva acontece com mais frequência no corpo do texto (do que na margem ou pós texto).

Uma terceira estratégia de correção é a classificatória.

Tal correção consiste na identificação não-ambígua dos erros através de uma classificação. Em alguns desses casos, o próprio professor sugere as modificações, mas é mais comum que ele proponha ao aluno que corrija sozinho o seu erro. [...] Frente ao texto Ainda que eu ia a praia todos os

verões ... o professor sublinha a palavra ia (como no caso da correção

indicativa) e escreve ao lado a palavra modo. O termo utilizado deve referir- se a uma classificação de erros que seja do conhecimento do aluno (obviamente, neste caso, o modo do verbo é a fonte do erro). (SERAFINI, 1998, p. 114)

De acordo com Ruiz, é muito comum que os professores tenham como método a utilização de um código de correção (geralmente variável de professor para professor), que consiste em se valer de um conjunto de símbolos que classifica o tipo de infração encontrada no texto.

Essas letras, conhecidas dos alunos, fazem parte de um código de correção que varia de professor para professor. Em geral, são utilizadas as letras iniciais de um termo rnetalingüístico referente à natureza do problema em questão. (RUIZ, 1998, p. 50)

Uma quarta estratégia de correção, não prevista por Serafini, mas constatada por Ruiz, é a correção textual-interativa. São comentários mais extensos do que os comentários que se localizam na margem do texto e, portanto, têm a característica de vir no “pós-texto” conforme nomenclatura de Ruiz (1998, p. 67), isto é, ao final do texto do aluno. Quando observa esses “bilhetes” – outro nome dado por Ruiz à correção textual-interativa – a pesquisadora percebe que há neles, também, uma marca acentuada de afetividade. Ruiz observa que a correção textual interativa tem por objetivos incentivar a reescrita, elogiar o trabalho do aluno, fazer cobranças por modificações solicitadas e não concretizadas, falar acerca da correção do próprio professor ou, ainda, “apontar, classificar ou até mesmo resolver aqueles problemas que, por alguma razão, ele [o professor] percebe que não basta via corpo, margem, ou símbolo” sendo uma “[...] espécie de recurso adicional de que ele se vale para fazer referência aos problemas que deseja apontar” (RUIZ, 1998, p. 71).

São esses quatro, portanto, os tipos de correção elencados: indicativa, resolutiva, classificatória e textual-interativa.

Fazendo referência à correção textual resolutiva, Ruiz aponta que, de todos, esta é a que tem o “caráter interventivo no seu mais alto grau” (RUIZ, 1998, p. 82). Ainda de acordo com Ruiz, é a única correção que não deixa ambiguidades de interpretação pelo aluno devido ao fato de que identifica e resolve o erro de forma precisa. Com isso, conclui que,

Na verdade, o professor que resolve os problemas do texto mostra-se interessado muito mais em dar a solução para o aluno do que levá-lo a pensar na possível solução – por isso não o classifica. E isto por uma razão muito simples: ele se coloca como o ''dono da palavra", aquele que tem exclusivo direito à palavra e, portanto, como o único a apontar "as saídas" para o texto.

Ao que parece, contudo, na maioria dos casos de correção resolutiva, o aluno provavelmente nem cogita em ter o trabalho de identificar a natureza do problema de seu texto, até porque ele já foi "corrigido" pelo professor e, para ele, no final das contas, o que importa é isso: que o "erro" seja "corrigido" (no sentido aqui ele revisado). (RUIZ, 1998, p. 82).

Devido a isso, as correções resolutivas aparecem com baixa frequência nos trabalhos dos professores que lidam com a refacção textual, visto que esse tipo de correção não parece proveitosa, de acordo com Ruiz.

Já na Escrita em Espiral, todavia, esse tipo de correção, unido a outros tipos, como a textual-interativa, a indicativa, parece ter proveito, e a reflexão (que a correção resolutiva parece não propiciar à reescrita) parece acontecer na Escrita em Espiral. É o que buscarei evidenciar no capítulo de análise, no item “Tipos de correção sob a perspectiva da Escrita em Espiral”.

CAPÍTULO 3 – IMBRICAÇÕES ENTRE APRENDIZAGEM, ADOLESCÊNCIA E

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