RESOLUTION DES INFERENCES
ANALYSE QUALITATIVE
3/ Autres corrélations
Após entrevistar os professores, buscamos entrevistar alunos das escolas A, B, C e D para entender quais os posicionamentos, conhecimentos e experiência deles em relação ao
turismo pedagógico. Fazendo uso de entrevistas semiestruturadas, buscou-se manter o diálogo mais simples possível para extrair o máximo de informações durante cada entrevista. Como feito anteriormente, detalharemos as entrevistas evidenciando os pontos mais relevantes das conversas de forma geral.
Para as entrevistas realizadas com os alunos também foram elaboradas três perguntas, são elas:
1. O que entende por turismo pedagógico?
2. Já participou de aulas práticas desse modelo quantas vezes?
3. Com qual frequência você vê o turismo pedagógico ser aplicado em sua escola?
A partir dessas perguntas conseguimos compreender o que esses alunos entendem por turismo pedagógico, quantas vezes já participaram de práticas como essa e com qual frequência percebem o uso dessa prática no ensino de geografia nas suas respectivas escolas.
Na escola A, poucos alunos dialogaram durante as entrevistas. Foi perceptível que a maioria dos alunos não sabem do que se trata o turismo pedagógico. Por isso, foi preciso explicar com detalhes para que os mesmos entendessem e pudessem responder as demais perguntas. A maioria deles afirmaram já terem feito uso dessa prática em algum momento ao longo dos anos de estudo, porém, a maioria afirmou que as viagens nunca duraram mais de um dia. Quanto a frequência, notou-se que a maior parte afirmou que a frequência é mínima e que muitos nem se lembram da última vez que viram outros alunos participarem de tal prática no ensino de geografia, além disso, também afirmaram que eles não têm aulas práticas há um bom tempo. Como já era de se esperar, com base nas entrevistas feitas com os professores anteriormente, conclui-se que nesta escola a prática do turismo pedagógico está bastante escassa e que diversos fatores – já citados anteriormente - favorecem isso.
A escola B, assim como a escola A, apresentou problemas semelhantes. A maioria dos alunos tiveram bastante dificuldades em responder a primeira pergunta e, em todas as entrevistas, foi preciso explicar o que é o turismo pedagógicos para que as entrevistas fluíssem e as outras perguntas fossem respondidas. Ao conversar com alunos do ensino fundamental 2 e médio dessa escola, notou-se que a maioria afirmou já ter feito alguma prática no ensino de geografia, porém, boa parte deles afirmaram que já faz bastante tempo que não vivenciam a prática no ensino de geografia, também comentaram que – talvez pela falta prática – não gostam da disciplina geografia e que têm dificuldades em alguns conteúdos. A falta de frequência desta prática no processo de ensino e aprendizagem, consequentemente, implica na falta de interesse dos alunos nessa disciplina.
A escola C, entre todas, é a que mais apresenta dificuldades. Assim como os professores, os alunos afirmaram que não veem viagens para realização de atividade extraclasse acontecer há muito tempo. Alguns, inclusive, afirmaram que nunca fizeram nada do tipo. Durante as entrevistas, ao perguntar sobre o que entendem sobre turismo pedagógico muitos ficaram envergonhados, outros até tentaram responder, mas as dificuldades são imensas. Além dos problemas estruturais, a escola apresenta problemas organizacionais imensos, não somente no ensino da disciplina geografia, mas em outras também. Foram pouquíssimos alunos que afirmaram já terem participado de aulas práticas no ensino de geografia há pouco tempo, a maioria afirmou que raramente a escola juntamente com os professores organizam aulas práticas fora do ambiente escolar. Alguns até ironizaram afirmando que foram apenas conhecer alguns pontos da cidade e nada mais. Enfim, foi possível notar que essa situação está bastante longe de ser mudada.
Por fim, a escola D é a única que possui mais pontos positivos do que negativos quando o assunto é turismo pedagógico no ensino de geografia na mesma. Ao perguntar o que os alunos entendem por turismo pedagógico boa parte respondeu com argumentos suficientes para que se entenda como a mesma funciona, além disso, foi possível estabelecer uma maior diálogo durante as entrevistas - o que não foi possível nas outras escolas -, já que esses alunos se mostraram bastante atenciosos e com uma capacidade argumentativa bastante considerável. Ao perguntar se eles já participaram de aulas práticas através do turismo pedagógico, a maioria respondeu que sim, com exceção dos alunos dos primeiros anos, pois nem todos vieram de boas escolas anteriormente. A maioria afirmou que na escola isso é uma prática bastante comum e frequente quando comparada com as demais escolas do município e da região, além disso, afirmaram que o apoio que recebem da escola e de seus funcionários é fundamental, uma vez que boa parte recebe auxílio transporte, bolsas, etc. Contudo, fica explícita a organização da escola e o empenho dos professores de geografia em buscar manter a relação teoria-prática através do turismo pedagógico durante o ano letivo, fator que contribui diretamente no empenho dos alunos e no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem.
Diante do que foi exposto, conclui-se que mesmo nos dias atuais as disparidades entre as escolas A, B, C e D são imensas. E que a prática proporcionada pelo turismo pedagógico ainda está longe de ser valorizada e consolidada na maioria das escolas. Entretanto, o lado positivo é que já há escola que reconhece a importância da prática no ensino de geografia e pode servir de exemplo para as demais escolas, além disso, mesmo com toda a diferença orçamentária e estrutural, é possível que a partir desta as demais escolas possam se espelhar e tentar, ao menos, fazer algo próximo do que está sendo feito na escola D.
Por fim, é importante destacar pontos turísticos e áreas que podem servir como fonte de ensino e aprendizagem na geografia dentro do município de Piranhas/AL. Portanto, faz-se necessário apresentá-las na sequência.
4.4 Áreas do município de Piranhas/AL que podem ser exploradas como fontes de ensino