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AUTORITÉS DE RÉGULATION NATIONALES

Dans le document COM (2016) 864 final (Page 126-141)

Dos vinte e quatro reservatórios estudados, dezesseis estão comprometidos com o abastecimento urbano: Piranhas, Serra Vermelha I, Poço Redondo, Catolé II, Bruscas, Cachoeira dos Alves, Saco de Nova Olinda, Queimadas, Jatobá II Emas, Cachoeira dos Cegos, Jenipapeiro, Bom Jesus, Glória, Boqueirão dos Cochos e Frutuoso II.

Para primeira etapa do estudo (Diagnóstico) foram efetuados os balanços hídricos dos reservatórios com base nas demandas referentes ao ano de 2002 fornecidos pela Agência de Água, Irrigação e Saneamento do Estado da Paraíba - AAGISA, de acordo com as retiradas em cada um dos dezesseis reservatórios. Para a segunda etapa do trabalho (Planejamento) foram projetadas as demandas de abastecimento para o horizonte de 20 anos (ano 2023), com base na previsão de população do estudo do próprio plano diretor da bacia. O método utilizado nesta previsão será apresentado na etapa de Planejamento.

Na Tabela 6.17 estão listados os reservatórios com as respectivas localidades abastecidas, as populações no ano 2.000 e as demandas hídricas referente ao ano 2002 de cada município beneficiado pelo sistema, consideradas no estudo como demandas atuais.

Tabela 6.17 - Demandas hídricas para abastecimento urbano por reservatório estudado.

Reservatório Municípios População Urbana

(hab) Demanda (l/s)

atendidos 2000 2002

1. Piranhas Ibiara 3.625 5,0

2. Serra Vermelha I Conceição 12.408 31,2

3. Poço Redondo Santana de Mangueira 1.809 3,2

4. Catolé II Manaíra 6.662 10,8

5. Cachoeira dos Alves Itaporanga 17.493 44,2

6. Bruscas Curral Velho 1.344 1,8

7. Saco de Nova Olinda Nova Olinda 4.158 6,9

8. Jatobá II Princesa Isabel 17.384 46,2

9. Queimadas Santana dos Garrotes 4.053 6,7

10. Emas Emas 2.201 3,9

11. Cachoeira dos Cegos Catingueira 1.916 3,3

12. Jenipapeiro Olho D’Água 3.418 5,6

13. Bom Jesus Água Branca 3.510 5,7

14. Glória Juru 5.466 8,8

15. Boqueirão dos Cochos Igaracy 5.652 9,0

16. Frutuoso II Aguiar 2.922 5,0

Fonte: AAGISA

6.6.1.1.2 - IRRIGAÇÃO

No estudo do comportamento hídrico do sistema foram considerados seis perímetros irrigados existentes a montante dos reservatórios Coremas-Mãe D’Água, implantados e a serem implantado (ou implantados parcialmente), totalizando uma área de aproximadamente 4.500 ha. Na avaliação das demandas hídricas de irrigação foi estabelecido primeiramente um plano de cultivo para perímetros considerado no estudo, com base nas aptidões agrícolas dos estudos de viabilidade, realizados anteriormente e, também, considerando os sistemas de irrigação já implantados. Esses sistemas foram responsáveis pela limitação da implantação de algumas culturas, em alguns perímetros. Por exemplo, para o perímetro Piancó II não foi possível implantar culturas perenes, visto que o sistema de irrigação por aspersão

convencional não é recomendável para irrigação de tais culturas. Neste trabalho foram selecionadas dezessete culturas, das quais, oito são perenes e semi-perenes e nove culturas sazonais (temporárias). As principais características técnicas do projeto estão mostradas na Tabela 6.18.

Tabela 6.18 - Principais características técnicas dos projetos de irrigação

Projeto Hídrica Fonte Área (ha) Culturas a serem Irrigadas (previstas) Sistema de irrigação (projeto) Consumo previsto (106 m3) Piancó II Piancó Rio 1.000 Arroz, Feijão, Banana, Milho, Tomate, Cenoura, Pimentão, Algodão e Amendoim Convencional, Aspersão

Pivô Central 19,5 Piancó III Rio Piancó 1.000

Manga, Coco, Graviola, Mamão, Maracujá, Limão, Melancia, Melão, Feijão, Abóbora, Pimentão

e Algodão Microaspersão Aspersão Convencional 19,5 Piancó-Brotas Rio Piancó 285

Manga, Coco, Graviola, Mamão, Melancia, Melão, Feijão, Banana, Tomate e Algodão Aspersão Convencional, Inundação 4,6 Bruscas * Riacho Bruscas 500

Manga, Acerola, Goiaba, Repolho, Melancia, Melão, Feijão, Banana, Jerimum e Algodão Aspersão Convencional 8,0 Gravatá Açudes Saco de Nova Olinda e Canoas 934

Arroz, Feijão, Tomate, Algodão Milho, Melancia, Melão, Amendoim e Banana.

Aspersão Sulco e Inundação 23,5 Poço Redondo* Açude Poço Redondo 500

Manga, Coco, Graviola, Mamão, Melancia, Melão, Feijão, Banana, Tomate e Algodão

Aspersão

Convencional 8,0

(*) – considerando o consumo por aspersão convencional – q = 1,55/l.ha, durante o período de 4 meses Fontes: Cooperativa Agropecuária dos Irrigantes do Projeto Piancó - COIPPI

Devido a sazonalidade do mercado consumidor e, conseqüentemente, do preço de venda das culturas, neste estudo foram estabelecidas duas culturas representativas: uma das culturas perenes e semi-perenes e outra das culturas temporárias. Para tais culturas, foram adotadas as médias dos seus coeficientes característicos, tais como: produtividade, preço médio de mercado, trabalho médio requerido, custo atual de trabalho, etc. Na Tabela 6.19 estão representados os cinco coeficientes característicos das culturas, adotados pelo estudo, com os respectivos valores médios referentes à entressafra, ou seja, com irrigação. Os valores foram obtidos através de consultas realizadas junto a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), a Cooperativa Agropecuária dos Irrigantes do Projeto Piancó

Tabela 6.19 – Parâmetros médios adotados para as culturas temporárias, perenes e semi- perenes.

Culturas Parâmetros característicos das culturas

1 2 3 4 5 Temporárias 1. Algodão (herb. 8H) 3.000 1,20 1.268,00 119 8,00 2. Feijão (Macaçar) 1.200 1,00 908,00 56 8,00 3. Milho (Doce) 5.000 0,70 1.017,00 62 8,00 4. Melancia 25.000 0,26 1.814,00 115 8,00 5. Melão 15.000 0,50 2.422,00 137 8,00 6. Cebola 15.000 0,36 3.113,00 141 8,00 7. Tomate (Industrial) 24.000 0,57 3.596,00 252 8,00 8. Cenoura 30.000 0,45 4.191,00 235 8,00 9 Pimentão 20.000 0,70 2.807,00 192 8,00 Média 15.356 0,64 2.348,40 145 8,00 Perenes e semi-perenes 1. Banana (Pacovan) 40.000 0,40 2.511,40 188 8,00 2. Manga (Tommy) 5.000 0,18 2.013,60 85 8,00 3. Coco (Anão) 30.000 0,37 1.161,00 100 8,00 4. Graviola 7.000 1,50 1.880,80 105 8,00 5. Goiaba 4.000 0,36 1.898,00 135 8,00 6. Pinha 7.000 0,87 1.880,80 105 8,00 7. Mamão (Havaí) 30.000 0,45 2.989,00 216 8,00 8. Maracujá 10.000 0,63 1.955,70 152 8,00 Média 16.625 0,60 2.036,30 136 8,00 Colunas:

1 – Produtividade média (Kg/ha/ano) 2 – Preço médio de venda (R$/Kg) 3 - Custo médio de produção (R$/ha/ano) 4– Trabalho médio requerido (dia/ha/ano) 5 – Custo atual de trabalho (R$/homemdia)

O plano de cultivo dos perímetros irrigados e seus respectivos coeficientes de cultivo (Kc) estão mostrados na Tabela 6.20, Gomes, (1999). Para as culturas semi-perenes e perenes foram considerados os valores de Kc na fase de produção.

Quanto ao sistema de irrigação, foi adotado, para as culturas perenes e semi-perenes, o sistema por microaspersão e para as culturas temporárias, o sistema por aspersão convencional, mesmo sabendo-se que este sistema não seria adequado para algumas culturas temporárias que, devido as suas características peculiares, seria mais adequado o uso do sistema por microaspersão. Na Tabela 6.20 estão apresentados dados dos dois sistemas utilizados na determinação das demandas de irrigação.

As demandas hídricas demandas mensais para irrigação foram obtidas com a utilização do modelo de otimização ORNAP (CURI e CURI, 1999), descrito na Seção 5.4.2 do Capítulo V, a partir dos dados das culturas temporárias e perenes e dos sistemas de irrigação apresentados para os seis perímetros considerados no estudo. Com exceção do perímetro Piancó II, que será alocada toda área para culturas temporárias (sazonais), para o restante dos perímetros foi considerada uma distribuição de áreas de 70% para culturas perenes e 30% para culturas temporárias. A adoção destes percentuais foi resultado de consultas técnicas a

gerentes de perímetros da SEMARH (órgão responsável pela gerência dos perímetros irrigados do Estado), os quais afirmaram que a adoção de percentual inferior a 70% da área total do perímetro destinado para as culturas perenes, no caso dos perímetros estudados, causaria prejuízo econômico e, conseqüentemente, inviabilizaria a implantação do empreendimento.

Tabela 6.20 – Distribuição dos coeficientes mensais de cultivo das culturas (Kc)

Culturas Meses do ano hidrológico

Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul

Temporárias Entressafra Período chuvoso

Algodão (herbáceo 8H) 0,45 0,75 1,15 0,75 0,45 0,75 1,15 0,75 Feijão (Macaçar) 0,75 1,15 0,80 0,70 1,10 0,90 -- Milho (Doce) 0,75 1,07 1,00 0,70 0,75 1,07 1,00 0,70 Melancia 0,65 0,95 0,83 0,75 0,65 0,95 0,83 0,75 Melão 0,45 0,75 1,00 0,75 0,45 0,75 1,00 0,75 Cebola 0,50 0,75 1,05 0,85 0,50 0,75 1,05 0,85 Tomate 0,45 0,75 1,15 0,80 0,45 0,75 1,15 0,80 Cenoura 0,45 0,75 1,05 0,90 0,45 0,75 1,05 0,90 Pimentão 0,35 0,70 1,05 0,90 0,35 0,70 1,05 0,90 Média 0.65 0.65 0.84 0.95 0.83 0.63 0.97 0.66 0.76 1.02 0.83 Permanentes Banana (Pacovan) 1,10 1,10 1,10 1,0 1,10 1,10 1,10 1,10 1,10 1,10 1,10 1,10 Manga (Tommy) 0,80 0,80 0,80 0,80 0,80 0,80 0,80 0,80 0,80 0,80 0,80 0,80 Coco (Anão) 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 Graviola 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 Goiaba 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 Pinha 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 Mamão (Havaí) 0,40 0,40 0,40 0,40 0,40 0,40 0,40 0,40 0,40 0,40 0,40 0,40 Maracujá 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 Média 0.76 0.76 0.76 0.74 0.76 0.76 0.76 0.76 0.76 0.76 0.76 0.76

Fonte: Engenharia de Irrigação: hidráulica dos sistemas pressurizados. Aspersão e gotejamento (Gomes, 1999)

Tabela 6.21 – Dados dos sistemas de irrigação propostos por cultura

Tipo de Sistema de Eapl Pirr Vida Útil Tam Cbomb Med

Cultura Irrigação (%) (R$/ha) (anos) (%/ano) (R$/ha)

Temporária Aspersão 70 2.000,00 10 8,0 175,60

Perene e semi-perene Microaspersão 85 3.500,00 10 8,0 567,45 Siglas:

Eapl – Valor percentual da eficiência da aplicação da irrigação por cultura; Pirr – Custo de investimento de implantação do sistema; Vutil – Vida útil do sistema de irrigação; Tam – Taxa anual de amortecimento do investimento com o sistema de irrigação e Cbomb – custo anual de bombeamento por hectare.

Fonte: COIPI – Cooperativa Agropecuária dos Irrigantes do Projeto Piancó, 2003

Para a obtenção das demandas hídricas mensais dos perímetros irrigados pelo modelo foi considerado, para o cálculo do balanço hídrico do solo, um ano hidrológico normal com base na série do posto pluviométrico representativo das precipitações nas respectivas áreas

dos perímetros. Lima e Passerat, 2000, utilizaram um cenário climático normal para avaliação das demandas de irrigação na bacia do rio Taperoá, onde obtiveram demandas hídricas médias mensais superiores nesse cenário do que em um ano climático seco. Este cenário foi estabelecido como representativo para as precipitações sobre os perímetros irrigados. A situação climática Normal foi definida como:

Situação Climática Média (Normal) ... Xs/2≤ P≤ X s+ / 2 (6.1) Onde,

P – é a precipitação total anual; X - representa a média; e

s – representa o desvio padrão

Na Tabela 6.22 estão relacionadas às demandas hídricas mensais em termos de vazão, consumo unitário e volumes para os respectivos perímetros.

6.6.1.1.3 – PISCICULTURA

A prática do uso da piscicultura em reservatórios é bastante comum no Nordeste do Brasil e está baseada na criação de animais aquáticos em condições controladas. Segundo Molle e Cadier (1992) esta prática é atrativa nesta região por diversos fatores, dentre eles:

ƒ baixos investimentos iniciais quando na existência de reservatórios; ƒ condições excelentes de luz e temperatura ambiente;

ƒ não interfere nos demais usos da água, visto que, sua demanda, em geral, é pouco expressiva;

ƒ pode ser praticada em áreas impróprias para a agricultura; ƒ não sequer nenhuma fonte artificial de energia;

ƒ importante fonte alimentar, visto que, o teor de proteína da carne de peixe de água doce é superior ao valor encontrado na carne bovina e na carne de aves.

99

Tabela 6.22 – Demandas mensais dos perímetros irrigados a montante do sistema

Perímetro Meses do ano hidrológico

irrigado Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul

Poço Redondo (500ha) Período chuvoso

Cons. Unitário (l/s.ha) 0,584 0,644 0,714 0,634 0,586 0,570 0,370 0,000 0,188 0,342 0,388 0,460 Vazão (m3/s) 0,292 0,322 0,357 0,317 0,293 0,285 0,185 0,000 0,094 0,171 0,194 0,230

Volume (hm3) 0,757 0,835 0,925 0,822 0,759 0,739 0,479 0,000 0,244 0,443 0,503 0,596 Bruscas (500 ha)

Cons. Unitário (l/s.ha) 0,786 0,754 0,816 0,53 0,236 0,42 0,000 0,000 0,244 0,314 0,258 0,572 Vazão (m3/s) 0,393 0,377 0,408 0,265 0,118 0,210 0,000 0,000 0,122 0,157 0,129 0,286

Volume (hm3) 1,019 0,977 1,058 0,687 0,306 0,544 0,000 0,000 0,316 0,407 0,334 0.741 Gravatá (934ha)

Cons. Unitário (l/s.ha) 1,470 1,408 0,924 0,990 0,440 0,782 0,000 0,000 0,454 0,588 0,480 1,068 Vazão (m3/s) 0,735 0,704 0,462 0,495 0,220 0,391 0,000 0,000 0,227 0,294 0,240 0,534

Volume (hm3) 1,905 1,825 1,198 1,283 0,570 1,013 0,000 0,000 0,588 0,762 0,622 1,384 Irrigação o ao longo do Rio Piancó (vazões em m33/s

) )

Piancó II (1000ha)* 1,000 0,749 0,897 0,00 0,00 0,346 0,000 0,000 0,344 0,000 0,000 0,607 Piancó III (1000 ha) 0,787 0,754 0,815 0,530 0,237 0,419 0,000 0,000 0,243 0,314 0,257 0,572 P. Brotas (500 ha) 0,393 0,377 0,408 0,265 0,119 0,210 0,000 0,000 0,122 0,157 0,129 0,286 (*) Perímetro irrigado Piancó II – somente culturas temporárias

Dos reservatórios envolvidos no estudo, apenas o açude Cachoeira dos Alves tem um projeto de piscicultura em andamento no município de Itaporanga. Esse projeto é atualmente coordenado pela EMPASA e tem as seguintes características técnicas:

ƒ área total do projeto: 25,6 ha; ƒ número de viveiros: 30;

ƒ capacidade de produção: 5 milhões de alevinos por ano; ƒ espécies de peixe: Carpa, Tilápia, Tambaqui e Curimatá; ƒ fonte de abastecimento: açude Cachoeira dos Alves;

ƒ consumo médio anual de água: 1 milhão de metros cúbicos; ƒ área de atuação: todo o estado da Paraíba.

Neste estudo serão estendidas as práticas da piscicultura para todos os reservatórios do sistema, como sendo desenvolvida a nível extensivo, nos quais são promovidas modificações mínimas no ambiente aquático. Entretanto, somente serão avaliados os retornos financeiros

100 advindos da irrigação a jusante do sistema: Piancó II, III e Brotas, através do uso do modelo ORNAP (Curi e Curi, 1999).

6.6.1.2 – DEMANDAS DE JUSANTE

As avaliações das demandas de jusante tiveram como base o documento fruto de um acordo realizado entre Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais – SEMARH, a Agência de Águas Irrigação e Saneamento do Estado da Paraíba – AAGISA e Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS-PB, com apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba – EMATER-PB e do Projeto COOPERAR. O propósito daquele trabalho era implantar, o Plano de Regularização e Ordenamento dos Usos do Sistema Curema-Açu através de um Marco Regulatório e um Plano de Alocação de Água Negociada. O estabelecimento deste Plano tem como objetivos principais:

i) Promoção da gestão integrada na bacia hidrográfica do rio Piranhas-Açu;e

ii) Possibilitar a harmonização de:

ƒ Critérios, normas e procedimentos relativos ao cadastro, outorga e fiscalização de usos de recursos hídricos; e

ƒ Mobilização e articulação de usuários para o processo de gestão participativa. A atividade cadastral é parte integrante do Plano de Ordenamento e Regularização dos Usos do Sistema Curema-Açu, Etapa Regulatória, cujas atividades se iniciaram em Junho de 2003. No estado da Paraíba, a atividade cadastral ficou sob a responsabilidade do Governo do Estado, através da Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais (SEMARH) e Agência de Águas, Irrigação e Saneamento (AAGISA). As atividades desenvolvidas para a realização do cadastro foram resumidas em três etapas: levantamento

dos dados “in loco”, informatização e o pós-cadastro, que consistiu no cálculo das demandas

e elaboração de mapas. A Figura 6.22 mostra o mapa do rio no estado da Paraíba e os quadros com as demandas para tipo de usos dos trechos levantados e, na Tabela 6.23 estão resumidos os valores totais das demandas para os diversos usos referentes a parte da bacia em território paraibano.

101

Figura 6.22 – Distribuição das demandas por uso e por trecho

Fonte: SEMARH, 2004, p. 27

Tabela 6.23 - Demanda por tipo de uso da água em território paraibano para 2003.

Consumo Tipos de uso Total

Abastecimento humano

Dessedentação animal

Irrigação Indústria Piscicultura

Vazão (m3/s) 0,816 0,018 2,397 0,004 0,036 3,271

Percentual (%) 24,95 0,55 73,28 0,12 1,10 100,0

Fonte: SEMARH, 2004, p. 29

Na Tabela 6.23 pode-se observar que a grande demanda de água a jusante do sistema é

o uso para irrigação, com valor de 2,4 m3/s, correspondente a 73,3% da demanda total. Essa

realidade não é diferente da demanda de montante para tal uso, onde levantamento realizado

pelo Plano Diretor da Bacia, constatou um valor aproximadamente 6,59 m3/s, algo em torno

de 91% do total das demandas da bacia, que representaria a implantação de todos os perímetros irrigados públicos e privados da bacia. Neste estudo foram considerados apenas 4.500 ha referentes aos projetos já implantados ou em implantação, cerca de 64% da área total destinada aos perímetros públicos (7.021 ha), responsáveis pelo consumo de 55,3% da demanda total, cerca de 3,65 m3/s.

Uso Demanda (m³/s) AbastecimentoHumano 0,229 Abastecimento animal 0,010 Irrigaçãoatual 1,599 Industrial 0,004 Piscicultura 0,022 Total 1,865 Uso Demanda (m³/s) Abastecimento Humano 0,004 Abastecimento animal 0,004 Irrigação atual 0,096 Industrial 0,000 Piscicultura 0,013 Total 0,11654 Uso Demanda (m³/s) Abastecimento Humano 0,583 Abastecimento animal 0,004 Irrigação atual 0,702 Industrial 0,000 Piscicultura 0,001 Total 1,290

Açude Coremas- Mãe D’Água

Rio Piranhas

102 O atendimento da demanda para geração de energia será limitado pela cota mínima de operação do reservatório Coremas capaz de produzir carga suficiente para movimentar as turbinas do sistema gerador de energia, cujas características operacionais foram descritas na configuração do sistema (Figura 5.15). A cota mínima estabelecida para operação deste reservatório foi de 223 m, equivalente ao acúmulo do volume de 69,0 milhões de metros cúbicos. Nestas condições, estima-se que, para geração de 1,5 MW de potência (metade da

potência total instalada), o sistema libere uma vazão em torno de 5,0 m3/s, para acionamento

de apenas uma turbina.

Por ser essa demanda não consuntiva, esta não será atendida isoladamente, visto que, a vazão turbinada será lançada no leito do rio Piancó, perenizando o trecho a jusante, servindo para atendimento de outras demandas de jusante, tais como: abastecimento, indústria, irrigação e piscicultura.

As demandas consideradas nas simulações do sistema foram:

i. Demandas ligadas diretamente ao sistema:

ƒ Abastecimento ... 0,004 m3/s ƒ Desendetação animal ... 0,004 m3/s ƒ Irrigação1 ... 4,096 m3/s ƒ Piscicultura ... 0,013 m3/s

Total ... 4,117 m3/s

(1) – considerando o consumo de 4,0 m3/s para o projeto de irrigação das Várzeas de Sousa.

ii. Demandas de jusante do sistema:

ƒ Abastecimento2... 2,316 m3/s ƒ Desendetação animal ... 0,018 m3/s ƒ Irrigação3... 2,897 m3/s ƒ Indústria ... 0,004 m3/s ƒ Piscicultura ... 0,036 m3/s Total ... 5,271 m3/s

(2) – considerando uma demanda para o Rio Grande do Norte de 1,5 m3/s; e

103

6.6.2 – DEMANDAS FUTURAS

6.6.2.1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

Na segunda etapa deste trabalho (Planejamento), serão estudadas alternativas para os usos integrados do sistema Coremas-Mãe D’Água de maneira otimizada, com vistas ao atendimento de forma sustentável dos diversos usos de montante e jusante. Neste caso, foi estabelecido um horizonte de 20 anos para projeção dos principais demandas da bacia de contribuição: abastecimento humano, consumo animal, irrigação, pecuária e indústria. Para o uso para fins de piscicultura, nesta fase foi considerado sob dois aspectos: a montante, considerou-se a piscicultura intensiva (nos reservatórios), uso não consuntivo e, a jusante, considerou-se a piscicultura extensiva, em tanques isolados e, neste caso, uso consuntivo.

A seguir são descritos de forma sucinta, os procedimentos para determinação dos diversos usos na bacia, considerados no estudo.

6.6.2.2 – ABASTECIMENTO HUMANO

Na estimativa das demandas para abastecimento humano para o horizonte de 20 anos (ano 2023), foi realizada a projeção do crescimento populacional que teve como base os dados IBGE (2000). Para a projeção do crescimento populacional existem vários métodos citados na literatura, destacando-se os do crescimento populacional: aritmético, geométrico e logístico, cujos parâmetros são obtidos a partir das observações passadas. Em todos esses métodos, pressupõe que o aumento da população em função do tempo obedeça, respectivamente, a uma progressão aritmética, a uma progressão geométrica e à chamada curva logística. Além desses, pode-se citar a utilização da equação linear, parabólica, logarítmica e exponencial, e os processos empíricos ou de extrapolação gráfica.

Em estudos anteriores SCIENTEC, 1997 e ATECEL, 1994, foram utilizados os modelos aritmético e geométrico para estimativa das populações urbanas e rurais da bacia do rio Piancó, sendo este último sugerido pelos estudos da ATECEL, 1994 e o qual foi adotado neste trabalho.

O método geométrico consiste de um processo onde, a partir do conhecimento de dois dados de população P1 e P2, correspondentes aos anos T1 e T2, pode-se definir a razão q da progressão geométrica pela fórmula:

104

q

P

P

T T

=

− 2

1 2 1

1

(6.2)

A previsão da população P é dada por:

0

)

1

(

0 t t

q

P

P=

+

(6.3) Onde:

P0 = População correspondente ao tempo (t0); e

t0 = tempo inicial (ano).

Para a estimativa da demanda para o abastecimento foram adotados consumos "per capita" para as populações urbanas da Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (CAGEPA), abaixo referenciados:

ƒ até 10.000 habitantes ... 100 l/hab/dia ƒ de 10.000 até 100.000 habitantes ... 120 l/hab/dia ƒ de 100.000 até 300.000 habitantes ... 150 l/hab/dia ƒ de 300.000 até 500.000 habitantes ... 200 l/hab/dia ƒ acima de 500.000 habitantes ... 250 l/hab/dia

Para o consumo da população rural foi adotado o valor unitário de 100 l/hab/dia, sugerido pelo PLIRHINE para todo o Nordeste. Os valores obtidos para as demandas urbana e rural estão na Tabela 6.24.

6.6.2.3 – IRRIGAÇÃO

Para a determinação da demanda de água para a irrigação no horizonte estabelecido neste estudo, foram considerados como sendo implantados todos os perímetros irrigados públicos e privados previstos para a bacia, cuja área total estimada foi de 8.400 ha, após consultas ao PDRH/PB (SCIENTEC, 1997), órgãos envolvidos e a cooperativa de irrigantes da Região.

105 O consumo unitário de água foi obtido dos estudos sobre as demandas hídricas dos perímetros Piancó II, III e Brotas, onde o consumo deficitário médio, para os 7 (sete) meses observados nas simulações, através do modelo MODSIM P32, foi da ordem de 0,526 l/s.ha. Adotando-se este valor e, considerando uma área de 6.457 ha, descontados os projetos Bruscas, Poço Redondo e Gravatá, que estão ligados diretamente a reservatórios, o volume

deficitário será de 61,624 milhões de m3/ano. Neste estudo foram consideradas as áreas dos

perímetros Piancó II, III e Brotas (ao longo do rio Piancó) e os perímetros Gravatá, Poço Redondo e Canoas (ligados diretamente a reservatórios), totalizando uma área de aproximadamente 4.500 ha.

6.6.2.4 – DESSEDENTAÇÃO ANIMAL

Na avaliação da demanda de água para dessedentação animal foi utilizado o coeficiente indicado pelo PLIRHINE, onde cita um consumo médio constante de 50 l/cab/dia, por cada unidade BEDA (ATECEL, 1994). A demanda foi estimada através da expressão:

DPEC = CD x BEDA (6.4)

Onde,

DPEC - Demanda para abastecimento

CD - Coeficiente de demanda; e

BEDA - Bovinos equivalentes para demanda de água

A unidade BEDA (bovino-equivalente para demanda de água) foi obtida da seguinte equação:

(

OV CAP

)

(

SUI

)

EQUI BOV BEDA 4 1 5 1 + + + =

(6.5) Onde,

BOV - bovinos e bufalinos;

OV/CAP - ovinos e/ou caprinos;

EQUI - equídeos (eqüinos + asininos + muares); e

106

6.6.2.5 – INDÚSTRIA

Para a determinação da demanda de água para a indústria, foram consultados os dados mais recentes disponíveis, que são de 1992. Considerando os vários tipos de indústria existentes na bacia foram adotados os coeficientes de demanda estabelecidas no PDRH/PB (SCIENTEC, 1997b, p.231). A partir dessas informações, com o coeficiente de demanda correspondente e, considerando 300 dias no ano, foram calculadas as demandas atuais, para o ano 2000 pela seguinte equação:

DAI = PO x CD

(6.6) Onde ,

DAI - Demanda de água para a indústria;

PO - Número de pessoal ocupado; e

CD - Coeficiente de demanda de água relacionado com o tipo de indústria

O resumo das demandas hídricas de montante da bacia do sistema Coremas-Mãe D’Água para o horizonte de ano 2.023, em termos de volume, vazão média e os respectivos percentuais de consumo para os diversos usos da água, estão mostrados na Tabela 6.24.

Tabela 6.24 - Demandas hídricas para o horizonte de planejamento (ano 2023)

Consumo Abastecimento humano Dessedentação Irrigação Indústria Total

Urbano Rural Total animal

Volume (106 m3/ano) 11,837 6,197 18,034 3,573 61,624 0,506 83,737

Vazão média (m3/s) 0,375 0,197 0,572 0,113 3,396 0,016 4,097

107

CAPÍTULO VII ETAPAS,CENÁRIOSESITUAÇÕESESTUDADAS 7.1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

Para estruturação e análise do comportamento hídrico dos elementos que compõe a bacia hidrográfica do rio Piancó, visando a obtenção dos objetivos a que se propõe esta pesquisa, foram idealizados cenários e situações definidas em duas etapas do estudo: Etapa de

Diagnóstico, voltada para o conhecimento hídrico do comportamento do sistema ao longo do

tempo, com o uso de técnica de simulação contínua e, Etapa de Planejamento, onde o objetivo era a análise e sugestão de políticas operacionais do uso das disponibilidades hídricas

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