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Automatisation de la recherche par BLAST

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 110-114)

4. Adaptation et automatisation de la méthode

4.1. Automatisation de la recherche par BLAST

Em seu texto de 1977, Fillmore rebate críticas à sua proposta de abordagem semântica a partir da teoria de casos e, ao fazê-lo, estabelece em sua argumentação a gênese do que mais tarde se tornaria a FrameNet. É nesse contexto que autor cunha a expressão “significados são relativizados a cenas”, lema da semântica de frames.

Fillmore (1977, p.60) pontua que os casos profundos concernem o eixo sintagmático, em vez do paradigmático, uma vez que compõem relações semânticas entre os elementos da sentença estabelecidas em um contexto, ao invés de se tratar de um sistema de oposições que diferenciam constituintes no eixo paradigmático.

Ressalta-se que esta teoria estava comprometida em determinar relações gramaticais nucleares em uma sentença, a saber, o sujeito, o objeto e o objeto indireto, de modo que oferecia descrições da valência semântica de verbos e adjetivos (FILLMORE, 1977, p.60). Mais tarde, esse seria o cerne da análise de sentenças no contexto da FrameNet, já que a inserção de camadas compreende – conforme visto na subseção 2.3.1 – a definição das funções gramaticais encontradas, bem como os elementos de frame presentes – entre outras propriedades.

Destacava-se o frame de caso, cuja função era a de vincular as descrições de situações a representações sintáticas, o que era feito através da atribuição de papéis semântico-sintáticos a determinados participantes da cena representada pela sentença (FILLMORE, 1977, p. 61). Dessa forma, Fillmore traçou propostas acerca do nível de organização de uma oração, relevantes para o significado e estrutura gramatical, fato que proporcionou uma maneira de descrever aspectos da estrutura lexical (FILLMORE, 1977, p. 62).

Outro importante fundamento apresentado por Fillmore nesse artigo é a ideia de perspectiva. Além dos três tipos de funções de constituintes da sentença elencados por Katz (1972, p.113), quais sejam, a gramatical – a qual inclui noções como sujeito e objeto –, a retórica – que abarca oposições como tópico e comentário – e a semântica – que estabelece elementos como agente e recipiente –, Fillmore alegou haver uma quarta maneira de visualizar tais funções por meio da noção de perspectiva (1977, p.60-61). Para ele, havia partes de uma mensagem que estavam em perspectiva enquanto outras estavam fora de perspectiva – noção fundamental para a teoria de casos e, mais tarde, também para a Semântica de Frames e para a Gramática de Construções.

Retomando o conceito de relatividade dos significados conforme a cena em questão, Fillmore (1977, p.72) assinalou que o número de casos não corresponde ao conjunto de noções necessárias para se analisar um estado ou evento, como se verifica ao se considerar a cena do evento comercial. Nela, há dois indivíduos envolvidos de forma agentiva: o comprador e o vendedor. Logo, não se pode prever a quantidade e quais casos existem independentemente do contexto da sentença, da cena evocada. Entretanto, ao se falar sobre tal evento, será exigido do falante que ele assuma uma determinada perspectiva e, de acordo com essa, certas entidades serão mencionadas, bem como certos verbos serão escolhidos – por exemplo, se for tomada a perspectiva do vendedor e da mercadoria, o verbo “vender” será empregado, conforme exemplifica Fillmore.

Nesse contexto, Fillmore traça uma definição inicial para o conceito de evocação de um frame:

O estudo da semântica é o estudo das cenas cognitivas que são criadas ou ativadas por enunciados. Sempre que um falante usa qualquer um dos verbos relacionados ao evento comercial, por exemplo, a cena inteira do evento comercial é colocada em jogo – é "ativada" – mas a

palavra particular escolhida impõe a esta cena uma perspectiva particular (FILLMORE, 1977, p. 73).32

Em seguida, o linguista explicita o que sua célebre frase, “significados são relativizados a cenas”, denota. Ele explica que escolhemos e entendemos expressões ativando em nossas mentes cenas dentro das quais a palavra ou expressão tem uma função de nomeação ou descrição ou classificação.

É no mesmo texto que serão encontradas as primeiras bases da teoria que mais tarde seria chamada de Gramática das Construções. Todavia, embora essa e a Semântica de Frames sejam teorias irmãs, poucos trabalhos em Gramática das Construções traçam uma abordagem que sistematiza formalmente o conceito de frame. Há, obviamente, a exceção dos trabalhos guiados pelo modelo da BCG (KAY & FILLMORE, 1999) e daqueles desenvolvidos por pesquisadores ligados a uma framenet (MICHAELIS & RUPPENHOFER, 2001; BOAS, 2003; HASEGAWA ET AL., 2010). Isso não quer dizer que as demais abordagens neguem que os significados das construções sejam propostos em termos de frames (ou esquemas), mas, salvo algumas exceções, elas não usam um repositório estruturado e hierárquico de frames. Uma das exceções é a tentativa de Goldberg (2010), como se verá a seguir.

Goldberg (2010) discute a relação entre frames, verbos e construções ao argumentar que a única restrição na combinação de eventos designados por um único verbo é a de que tais eventos constituam um frame semântico coerente e estabelecido. Assim, ela demonstra que um verbo pode indicar subeventos não vinculados por uma relação de causa (assim como o verbo blanch33) e pode, ainda, especificar modo e resultado simultaneamente (como schuss34), fatos que haviam sido contestados por alguns estudiosos – tais como Croft (1991) e Rappaport-Hovav & Levin (2010). Contudo, a combinação de verbo e construção pode designar uma predicação única que não corresponda a um frame estabelecido.

32

The study of semantics is the study of the cognitive scenes that are created or activated by utterances. Whenever a speaker uses any of the verbs related to the commercial event, for example, the entire scene of the commercial event is brought into play – Is "activated" – but the particular word chosen imposes on this scene a particular perspective.

33

O verbo blanch refere-se à imersão de alimentos em água fervente e depois em água fria, para remover a pele ou aumentar a cor (GOLDBERG, 2010, p.6).

34

O verbo schuss significa esquiar direto para baixo (mudança de localização/resultado) intencionalmente e muito rápido (modo) (GOLDBERG, 2010, p.9).

Nesse contexto, Goldberg traça a definição do que seja um frame semântico de predicação, a saber, “um estado ou evento generalizado, possivelmente complexo, que constitui uma unidade cultural. Certos aspectos do frame semântico são perfilados; o resto constitui o pano de fundo” (2010, p.2) 35. A autora afirma que a única restrição acerca de eventos a serem rotulados por um verbo é a do frame convencional:

Para que uma situação seja rotulada por um verbo, a situação ou a experiência podem ser hipotéticas ou históricas e não precisam ser diretamente experienciadas, mas é necessário que a situação ou experiência evoquem uma unidade cultural familiar e relevante para aqueles que usam a palavra (GOLDBERG, 2010, p.11) 36.

Entretanto, a partir de sua análise, a pesquisadora argumenta que os significados mais específicos que surgem a partir da combinação de uma construção de estrutura argumental e um verbo específico não exigem um frame semântico estabelecido37. Logo, verbos podem se combinar com construções de um modo inteiramente novo.

Assim sendo, pode-se perceber como o conceito de frame é empregado por Goldberg de maneira informal, uma vez que não são contemplados em sua definição os elementos que compõem o frame e o distinguem de outras situações. Essa mesma tendência se observa na maioria dos trabalhos em Gramática das Construções, conforme pontuado por Boas (2014).

Por outro lado, implementações computacionais da Gramática das Construções têm olhado para essa relação – e também para as relações de herança – de modo um pouco mais sistemático, conforme se verá na sessão seguinte, apesar de nenhum deles utilizar, como se propõe nesta tese, uma FrameNet como proposta de modelo semântico para dar conta do aporte semântico das construções.

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