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A terceira etapa da pesquisa foi entrevistar os coordenadores dos cursos das áreas criativas da UFPel, com o propósito de conhecer a opinião dos criativos da UFPel em relação à Economia Criativa e à proposta de intervenção, além de conhecer as pesquisas realizadas nos cursos. Do total de sete coordenadores/diretores convidados somente dois aceitaram participar da entrevista. A entrevista seguiu um roteiro semiestruturado, conforme apêndice C.

A primeira entrevista foi realizada com a coordenadora adjunta do curso de Design da UFPel. O curso de Design tem uma disciplina chamada Gestão do Design e essa disciplina tem na sua ementa pensar em inovação e em empreendedorismo. Além disso, há um projeto no curso chamado “Design estratégico: gestão, marketing e empreendedorismo como aliados às pesquisas e aos projetos em design” que tem como objetivo estimular pesquisas no campo do Design que utilizem preceitos de campos de conhecimento do marketing, da gestão do design e do empreendedorismo. Também existe no curso uma empresa júnior, chamada “Designeria”, que tem como objetivo proporcionar aos alunos participantes as condições necessárias à

aplicação prática de seus conhecimentos teóricos relativos à sua área de formação profissional, dar à sociedade um retorno dos investimentos que ela realiza na Universidade, por meio de serviços de alta qualidade, realizados por futuros profissionais da área de design. Intui também incentivar a capacidade empreendedora do aluno, dando a ele uma visão profissional já no âmbito acadêmico, valorizar alunos e professores da UFPel no mercado de trabalho e no âmbito acadêmico, bem como a referida instituição e aprimorar as qualificações dos estudantes no seu meio de atuação, instruindo o seu desenvolvimento.

A empresa júnior Designeria visa fomentar o desenvolvimento social e econômico da região de Pelotas, pois atende pequenas e médias empresas:

(...) a gente atende muito o pequeno e eu digo pros alunos que a gente tem que valorizar muito isso, porque são pessoas que identificam que a partir do design ou da criatividade ou de tudo que tá embutido no Design, o comércio deles vai se tornar mais forte. Então eles nos procuram, a gente tem que ter atenção a essas pessoas, que às vezes não têm o poder aquisitivo pra pagar um escritório já formalizado, mas que procuram a Universidade (Informação verbal. Coordenadora Adjunta do Curso de Design da UFPEL, 2018).

A coordenadora adjunta do curso de Design entende que os criativos do design encontram obstáculos para exercerem a profissão em relação ao acesso às instalações adequadas, tecnologias e aos equipamentos necessários: “no desenvolvimento de um aplicativo, o designer pensa na ergonomia do aplicativo, na interface do aplicativo, mas nem sempre ele sabe programar. Então ele precisaria de alguém da Computação pra ajudar nesse processo”. Destacou que, por um período, teve uma disciplina ofertada por um professor substituto do design com um professor da computação e os alunos deram um feedback para ela de que foi muito importante essa integração: “a coisa da parceria, de um conhecimento que, às vezes, tu não tens e que tu precisa de alguém pra complementar”.

A entrevistada destaca que é importante para o criativo do Design o intercâmbio com outras áreas, com o exemplo de um aluno que desenvolveu um aplicativo de pequenos fretes no âmbito da UFPel e que se destacou porque, além de estudar design, é muito interessado em aprender sobre tecnologia:

ele indo nesses eventos startups, ele disse “olha, eu aprendi muita coisa ali, então às vezes uma coisa que eu não me dei conta foi um menino da Computação que me disse e aí eu me dei conta que tinha um problema numa funcionalidade no aplicativo”, então, ele mesmo no trabalho escrito lá no TCC ele fala um pouco sobre isso, assim... sobre a importância de tu conversar, de tu dividir tuas ideias, esse intercâmbio (...)é tu ter ali alguém da Computação junto, alguém do Turismo que vai te ajudar a pensar um produto pra essa área e mais alguém do jurídico e mais alguém da Economia (Informação verbal. Coordenadora Adjunta do Curso de Design da UFPEL, 2018).

O curso de Design ainda não possui parcerias com outros órgãos públicos e privados, mas há a procura de empresas, porém ainda não formalizaram nenhuma parceria. Outro ponto relevante mencionado na entrevista é que há dois anos fizeram uma pesquisa com os egressos e concluíram que a maioria está trabalhando na área do Design.

A Coordenadora conhece o conceito de economia criativa e entende que a economia criativa pode ser uma propulsora ao desenvolvimento econômico aqui da região Sul do Rio Grande do Sul e afirma:

Olha, eu sinceramente acredito muito nisso porque a gente é... nós somos um, especialmente Pelotas pensando, a gente tem muitas instituições de ensino, né? E se a gente pensar naquelas pesquisas que o Sebrae vem fazendo mostrando que as pessoas tão empreendendo muito mais por oportunidade do que por necessidade. E que essa relação eles estabeleciam diretamente com o fato das pessoas estarem se formando mais, ou seja, sai do ensino técnico, vai pro ensino superior. Sai do ensino superior, vai pra pós- graduação... E que isso também tava solidificando essas propostas de.., essas modelagem de ideia. Então eu acho que como a gente tem muitas instituições de ensino, eu penso que sim, a gente tem uma grande oportunidade de estabelecer essas conexões e de estimular isso nos alunos. (Informação verbal. Coordenadora Adjunta do Curso de Design da UFPEL, 2018).

A coordenadora ressalta que a UFPel deve dar mais atenção ao tema da Economia Criativa promovendo pesquisas, mapeamento e elaborando projetos sobre economia criativa : “sem dúvida e a minha crítica é essa, eu acho que tem que

ter uma continuidade entre as gestões, é necessário aproveitar as pessoas e as experiências de momentos anteriores pra construir essa rede”.

A segunda entrevista na UFPel foi realizada com o Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAUrb). Na FAUrb não há trabalhos de pesquisa e extensão voltados a auxiliar os criativos no acesso ao mercado de trabalho ou a empreender, segundo o entrevistado:

Os professores têm alguma noção, mas não há o conteúdo. Esse conteúdo aparece ou não informalmente. Então na verdade, dentro de outros conteúdos nós trilhamos os aspectos econômicos, não temos formalmente o conteúdo da Economia e dos tipos de Economia. E o que passa, na minha opinião, pro aluno e pra nós, digamos assim, distraídos, é que Economia, Arquitetura e cidade é um jeito de ganhar dinheiro, de ser eficiente nas relações de trabalho e relações de produção. E isso não nos parece o caminho da Economia, o caminho da Economia nos parece um jeito de distribuir riquezas com equidade, de produzir sem destruir o ambiente, de fazer circular os bens (Informação verbal. Coordenador da FAURB UFPEL, 2018).

Sobre os obstáculos encontrados pelos criativos do curso de Arquitetura para exercerem a profissão o diretor destaca que é o acesso ao mercado de trabalho:

Os grandes empecilhos, os grandes entraves que se têm é o modo de inserção no mercado, o conhecimento da profissão, a gente diz que a Arquitetura e Urbanismo são um direito das pessoas, mas são direitos não exercidos, assim como o direito à saúde, o direito à educação, o direito à mobilidade. São direitos que os seres humanos têm e que são fracamente exercidos. Então esse é o grande empecilho, é se colocar no mercado, não é que quando nós entramos nós não conseguimos desenvolver a nossa profissão porque nos falta algum instrumento, nós não conseguimos entrar no mercado, primeiro o sujeito vai tratar da saúde, da segurança, da mobilidade, não é? (Informação verbal. Coordenador da FAURB UFPEL, 2018).

Na faculdade, há pesquisas que visam fomentar o desenvolvimento social e econômico da região, como desenvolvimento de softwares gratuitos para utilizar no urbanismo auxiliando o desenvolvimento local. Um dos softwares tem o intuito de conhecer a opinião das pessoas sobre a melhor localização de futuras obras na

cidade. Há, também, um laboratório de inspeção de eficiência energética e um escritório modelo chamado João-de-barro onde os alunos aprendem a trabalhar em um escritório de arquitetura e é voltado apenas para população de baixa renda.

Existe também o Laboratório de Estudos Comportamentais que realiza pesquisas multidisciplinares na área da psicologia ambiental, arquitetura, urbanismo, sociologia e filosofia, com o objetivo de entender como as pessoas percebem e comportam-se no ambiente da cidade. A FAUrb também tem parcerias com outros órgãos públicos, com o INMETRO, algumas prefeituras, com o IPHAE e o IPHAN.

O Diretor da FAUrb conhece o termo Economia Criativa, porém não profundamente : “Já, já ouvi falar. Tem... tem professor colegas que tratam desse assunto, mas a gente não sabe bem o que é isso. A gente tem uma, digamos, uma... uma ideia, uma noção meio informal. A gente não tem conhecimento sistemático”. Complementa que entende que é fundamental que a UFPel dê mais atenção ao tema da economia criativa, promovendo pesquisas e mapeamentos sobre o tema.

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