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Autoclaves statiques (milieu primaire nominal)

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Mate riau et techniques expe rimentales

3.2.1. Autoclaves statiques (milieu primaire nominal)

Após um período de crescimento populacional rápido em quase todo o mundo, as perspectivas vislumbradas para o século XXI são de um período prolongado de declínio em muitos países. O determinante principal desse declínio é a queda irreversível e sustentada da fecundidade. Na maioria dos países desenvolvidos, esta queda se iniciou no final do século XIX,24 e nos em desenvolvimento, a partir da segunda metade dos anos 1960. Neste caso, a queda ocorreu em um ritmo mais acelerado do que no primeiro grupo de países.

Dos 202 países sobre os quais se tem informações, oitenta já apresentam taxa de fecundidade abaixo de 2,14, o que garantiria a reposição de suas populações. Destes, 50% localizam-se na Europa e 18%, na América Latina (catorze países) (United States, 2013). No total, trinta países experimentam

23. Ver Capítulo 6 deste livro.

taxa de fecundidade inferior a 1,5 filho, que é considerada muito baixa.25 Em regiões inteiras, esta taxa apresenta níveis em torno da metade do necessário para a reposição de suas populações, a saber: Sul e Leste da Europa, Rússia e Ásia Oriental. Estas regiões já estão vivenciando uma diminuição rápida de suas populações (McNicoll, 2013). A taxa de fecundidade total da América Latina e do Caribe atingiu, entre 2000 e 2004, 60% do valor máximo já observado (Reher, 2007). Além disso, a queda da mortalidade em todas as idades, em curso nos países em desenvolvimento, à exceção dos africanos, tem feito com que a expectativa de vida alcance, hoje, níveis observados nos países desenvolvidos apenas a partir de 1970 (Wilson, 2013).

A experiência da Tailândia, descrita por Jones (2011, p. 267), sintetiza a grande mudança que os países em desenvolvimento viveram nos últimos cinquenta anos. Em 1986, as políticas de população focavam na necessidade de se reduzir a alta taxa de fecundidade, que estava em torno de seis filhos por mulher. Em 2011, o Fundo de População das Nações Unidas – United Nations Fund for Population Activities (UNFPA) – recomendou que as políticas tailandesas considerassem a necessidade de se adotarem medidas para que a taxa de fecundidade não declinasse abaixo do nível vigente, que era de 1,5 filho por mulher.

Portugal vive a crise demográfica mais grave de sua história. Pode perder nas próximas duas décadas em torno de 1 milhão de habitantes, quase 10% de uma população de 10,6 milhões. Isto seria resultado da queda da fecundidade e da emigração devido à crise econômica (Mello, 2013). Na Itália, os níveis de fecundidade vigentes estão levando à redução de metade da população em menos de quarenta anos e à inversão da pirâmide etária (Livi-Bacci, 2001). A força de trabalho japonesa já vem declinando há mais de quinze anos e a da Coreia do Sul está começando a declinar (Jones, 2011). Segundo Pritchett e Viarengo (2012), projeções oficiais apontam que, no ano 3023, a população japonesa será formada por uma pessoa. Espera-se um decréscimo da população chinesa a partir de 2030 (Hall e Stone, 2010). Uma diferença entre os países asiáticos e os da Europa Ocidental é que a baixa fecundidade dos primeiros convive com uma baixa participação das

25. Uma taxa de fecundidade abaixo de 1,5 implica que cada geração será um terço menor que a anterior. Ver United States (2013).

mulheres no mercado de trabalho, especialmente no Japão e na Coreia do Sul (HSBC, 2014).

Em 2012, as projeções da ONU no World Population Prospects apontam para um valor máximo da população mundial de 10,8 bilhões por volta de 2100, na variante média, e de 8,9 bilhões em 2049, no caso da variante baixa. Estes resultados mascaram importantes diferenças regionais.26 No Brasil, as perspectivas apontadas pela taxa intrínseca de crescimento, mostradas no capítulo 2 deste livro, são de que, no médio prazo, a taxa de crescimento populacional tenderá a valores próximos a –0,6% a.a. Isto significa que a tendência de redução acelerada do crescimento populacional já está embutida na dinâmica atual da população brasileira. O processo de declínio deverá se iniciar em meados de 2030, quando a população atingir aproximadamente 214 milhões de habitantes.27

A maioria dos países envelheceu, o que coloca desafios novos para os países em desenvolvimento, que se somam aos já existentes, tais como o atendimento das necessidades sociais básicas, educação e saúde, por exemplo. Salienta-se ainda que nesses países o processo de envelhecimento tem ocorrido em um ritmo mais acelerado, pela rápida queda da fecundidade.

A redução de população somada ao envelhecimento são fatos novos na história. Na verdade, considerando o último milênio, só foram constatados dois períodos de declínio prolongado. Um afetou a Europa (peste negra) e o outro, as Américas (extermínio da população indígena). Ambos foram resultado do aumento da mortalidade e, no último caso, a infertilidade também contribuiu (Reher, 2007). Pode-se mencionar, também, o caso da Irlanda, que perdeu quase a metade de sua população oitenta anos depois da Grande Fome, e da Alemanha Oriental, que experimentou uma redução de um terço de sua população nos seus quarenta anos de história. Contudo, estas duas últimas situações são diferentes das primeiras, pois foram resultado de emigração maciça (Livi-Bacci, 2001). No caso atual, a redução da fecundidade é a determinante-chave, o que torna a situação mais preocupante. Acredita-se que o período de declínio seja prolongado, dado o momentum populacional negativo (Reher, 2007).

26. Espera-se que a população da Índia e Indonésia continue a crescer em um ritmo relativamente elevado no médio prazo. Espera-se, também, que a população indiana supere a chinesa (Hall e Stone, 2010). 27. Dados apresentados no capítulo 5 deste livro.

Não há previsões de um aumento da fecundidade em um futuro próximo. Políticas pró-natalistas têm sido implementadas em vários países do mundo. Alguns países têm tido mais sucesso do que outros em conseguir elevar as taxas de fecundidade. Cita-se, como exemplo, os casos da França, da Suécia e do Japão.28 Na França, a taxa de fecundidade total passou de 1,7 filho em 2002 para 2,0 em 2010. Isto ocorreu devido a iniciativas pró-natalistas como dedução de impostos e licença-maternidade (Kramer, 2013). Políticas que permitem a conciliação do trabalho das mulheres com a maternidade foram muito importantes na Suécia (Chesnais, 1996; Kramer, 2013). Nos últimos anos, a taxa de fecundidade japonesa apresentou um ligeiro acréscimo: passou de 1,3 filho para 1,4, mas situando-se ainda bem abaixo do nível de reposição (HSBC, 2014). Acredita-se que a fecundidade no futuro será determinada pelo valor que os filhos ou as crianças vão assumir nas sociedades pós-modernas.

Atualmente, ter filhos é uma expressão de confiança no futuro, na segurança da vida que um indivíduo pode esperar para seus filhos. Esta confiança é afetada pelas restrições políticas, sociais e econômicas. Além disto, a redução dos diferenciais de gênero na vida pública e privada associada ao aumento da escolaridade feminina têm minimizado a importância do casamento e da maternidade para as mulheres (Reher, 2007; Jones, 2011). Novos valores fazem parte da sociedade atual: consumismo, satisfação no trabalho para homens e mulheres, necessidade de duas rendas em uma família, elevado custo monetário dos filhos, legitimação das uniões homoafetivas. Todos resultam em uma fecundidade muito baixa, que se acredita ter vindo para ficar e está se tornando um aspecto estrutural das sociedades pós-modernas (Van de Kaa, 1987; Dyson, 2001; Lesthaeghe, 2010; Reher, 2007). O fato de que homens e mulheres estejam escolhendo não ter filhos sugere uma revolução na história. Durante milênios, prosperidade e felicidade eram associadas a uma descendência ou a um legado. Aqueles que não tinham filhos – freiras, padres, monges e eunucos – eram considerados desafortunados (Pritchett e Viarengo, 2012).

28. Na Suécia, as políticas estão em vigor desde os anos 1930. Desde então, o Estado tem buscado assegurar o acesso dos casais a anticoncepcionais e planejamento familiar, bem como, concedido, benefícios familiares com vistas a dividir com a família os custos da maternidade e da criação dos filhos (Chesnais, 1996). No entanto, a possibilidade de combinar carreira com maternidade não é a mesma para todas as carreiras profissionais (Stanfors, 2014).

Sem dúvida, o regime demográfico atual é resultado do processo civilizatório, fruto do desejo dos indivíduos, que passaram a ter controle de suas vidas e de seus destinos. Os avanços da tecnologia médica têm permitido uma intervenção no ciclo de vida em todas as suas etapas, desde o nascimento até a morte: da reprodução assistida, clonagem ou controle da reprodução até a aceleração ou prolongamento da morte (Castells, 1999). São avanços que interferem na dinâmica demográfica e contribuem para a garantia dos direitos dos indivíduos. Estes ampliaram-se, destacando-se aqui uma grande conquista que é o direito à liberdade de escolha e exercício da opção sexual de maneira segura e livre de pressões. Todo tipo de discriminação, inclusive pela preferência sexual, é condenado.

A preocupação com o declínio populacional não é recente. Já era importante antes da era do grande crescimento populacional (Glass, 1973; Biraben, 2004). Em 1775, Hutcheson (apud McNicoll, 2013, p. 6) defendia que os indivíduos tinham a obrigação de dar continuidade à raça humana, não só garantindo a sua reposição, mas incentivando os pais a educarem os seus filhos. Esta visão era compartilhada por John Stuart Mill (op. cit., p. 7) em 1859. A história mostrou a importância da educação para o desenvolvimento dos países, pois quase todos os Estados tomaram para si essa responsabilidade, tornando-a compulsória na maioria deles.

Segundo Glass (1940 apud Coleman e Rowthorn, 2011), as consequências do declínio populacional vão desde “o suicídio da raça humana” até o impacto positivo no meio ambiente. Dependem muito do seu ritmo e intensidade. Os impactos podem ser negativos no crescimento econômico; ocorrem mediante desincentivos às inovações tecnológicas, ao investimento, repercutindo na produtividade, na redução da oferta de força de trabalho e da massa salarial e reduzindo a riqueza individual. Hansen,29 já em 1937, expressou uma preocupação com o declínio populacional, dado que, para ele, o crescimento populacional era um dos motores do crescimento econômico. Antecipou uma queda expressiva na fecundidade europeia e o envelhecimento de suas populações. Hall e Stone (2010) estimaram que a redução do crescimento populacional já está afetando negativamente o produto nacional bruto da Alemanha e do Japão e poderá

29. O autor recomenda uma volta aos escritos de Adam Smith para uma discussão sobre a relação entre progresso econômico, formação de capital e crescimento populacional. Ver a seção Arquivos da Population and development review (2004).

afetar o da Itália, da China e da Coreia do Sul a partir da segunda década do século XXI.30 Já para os Estados Unidos, espera-se que o crescimento populacional projetado, dada a imigração, continue a contribuir para o crescimento do seu PIB.

Além disso, a redução populacional impacta a segurança militar e a sustentabilidade dos mecanismos tradicionais de transferências intergeracionais. O envelhecimento influencia as decisões políticas, pois estas estarão cada vez mais concentradas nas pessoas mais velhas, o que pode afetar o desenvolvimento de inovações.31 Por sua vez, a redução da PIA pode ocasionar o aumento do custo do trabalho relativamente ao do capital e agir como incentivo para as empresas investirem em inovações tecnológicas como forma de reduzir os seus custos (Hall e Stone, 2010). A diminuição da população implica, ainda, perda de poder econômico e geopolítico em comparação a países onde a população ainda cresce e, também, dificuldades para manter uma infraestrutura criada para uma população numerosa. Os preços no mercado imobiliário também poderão ser afetados. A representação na Comissão Europeia e no Parlamento Europeu é diretamente relacionada à população dos países-membros, ou seja, a sua diminuição reduz a sua força política. Acredita-se, portanto, que o declínio populacional não é bem-vindo em nenhum país.

Em um documento de 2001, a Central Intelligence Agency (CIA)32 afirmou que

as tendências demográficas globais terão consequências muito importantes para os elementos-chave do poder nacional: econômicas, militares e políticas dentro de uma comunidade global ampla. Aliados e rivais lidarão com isto de forma diferenciada; alguns melhor, outros pior.

A preocupação crescente com a qualidade do meio ambiente e a finitude dos recursos naturais, principalmente nos países de elevada

30. Para os autores, esta tendência pode ser mitigada ou revertida pelo aumento da participação feminina e/ou pelo adiamento da saída do mercado de trabalho.

31. A literatura considera que são os jovens os agentes de mudança social, responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico e das artes em geral. Possuem também mais capacidade empresarial. Ver, por exemplo, Relatório da Comissão Real de População do Reino Unido de 1949 (Lloyd-Sherlock, 2004); World Bank (1994); e Petersen (1999 apud Lloyd-Sherlock, 2004).

densidade demográfica, tem considerado a redução populacional de forma positiva. Entretanto, como bem discutido nos capítulos 9 e 10 deste livro, o impacto da população sobre o meio ambiente não ocorre apenas por meio do crescimento populacional. Nestes capítulos, também se demonstra que a relação entre dinâmica populacional e ambiente não se restringe a uma causalidade unidirecional.

No Brasil, apesar do menor ritmo de crescimento populacional, os problemas ambientais nem deixaram de existir, nem foram amenizados. Ao contrário, foram agravados. Feres, no capítulo 10 deste livro, argumenta que outras variáveis demográficas, como estrutura etária, composição domiciliar e processo de urbanização, devem ser consideradas. Também se deve levar em conta que variáveis demográficas e ambientais se influenciam mutuamente. Por exemplo, modificações no meio ambiente também repercutem sobre as populações, sendo a magnitude destes efeitos influenciada pelas características demográficas. É o caso do efeito das mudanças climáticas na saúde, que afeta mais as crianças e os idosos. Já secas prolongadas que atingem a produção agrícola de subsistência podem resultar em fluxos migratórios rural-urbanos, que podem pressionar a infraestrutura urbana.

A literatura tem dado muito mais atenção às questões do envelhecimento do que à redução da população (Coleman e Rowthorn, 2011; Reher, 2007), principalmente no que diz respeito às suas implicações para a sustentabilidade dos sistemas de seguridade social. Nos países desenvolvidos, o impacto do envelhecimento na economia tem figurado entre as suas questões prioritárias (Kim e Hewings, 2012). Provavelmente, isto se deve ao fato de que dado o

momentum demográfico, a população continuará a crescer entre trinta e 35

anos depois da fecundidade ter atingido o nível de reposição. Já o impacto socioeconômico do envelhecimento é mais imediato. Por exemplo, a variante média das projeções da ONU aponta que em 2050 o Japão contará com um contingente populacional igual ao observado em 1968, ano em que este país era considerado superpovoado. Contudo, as proporções da população com 65 anos ou mais serão muito diferentes. Espera-se um aumento de 22,6% para 37,8% nesse período, o que dificultará a provisão de renda e cuidados para esta população e poderá se tornar um potencial para conflitos intergeracionais. Pergunta-se o que poderá acontecer depois de 2050 (Jones, 2011).

A queda diferencial da fecundidade nas várias regiões do mundo pode resultar em sucessivas “ondas jovens” em países de renda mais baixa, por exemplo, em grande parte dos países africanos. McNicoll (2013) sugere que este é um dos fatores importantes para explicar a Primavera Árabe. Da mesma forma, como pode ser visto no capítulo 7 deste livro, a população brasileira de renda mais baixa foi a única que apresentou taxa intrínseca de crescimento positiva em 2010, o que resultará em sucessivas ondas jovens pobres no futuro próximo. Pergunta-se então qual é o preço a pagar pelo rápido declínio populacional.

Em resumo, fala-se de um novo paradigma demográfico bastante diferente do observado na metade do século passado: famílias de filho único; elevada expectativa de vida ao nascer e nas idades avançadas; redução da população e da força de trabalho e superenvelhecimento. As sociedades atuais também são muito diferentes, seu padrão de vida é mais elevado, suas populações são mais escolarizadas e melhor informadas, especialmente as mulheres, seus sistemas de seguridade social e outros de redistribuição contam com uma base institucional estável (Reher, 2011). Davis (1997

apud Caldwell e Schindlmayr, 2003) afirma que as sociedades mais pobres

adotam o comportamento das sociedades afluentes: as pessoas aspiram ao seu padrão de consumo. Caldwell e Schindlmayr (2003) também atestam que estas sociedades valorizam mais as carreiras das mulheres do que seus filhos. O resultado é uma convergência para níveis de fecundidade muito baixos.

5 PENSANDO O FUTURO: UMA NOVA FASE DA TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA

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