Etude paramétrique d’une configuration à un seul rang de tubes Introduction
15 L’augmentation du nombre de tubes dans un volume d’encombrement donné entraine une augmentation significative des pertes de charges.
Conseguimos reunir poucos artigos que apresentam a prática da meditação dentro dos conceitos tradicionais ensinados por grandes mestres.
O primeiro deles, do Jornal do Brasil, do Estado do Rio de Janeiro (26 de maio de 1973, p.2), cujo título é Fernando Pessoa, o Iogue, de Murillo Nunes de Azevedo. O artigo fala da busca pessoal de Fernando Pessoa, seu interesse pelo Yoga e a Teosofia. Seu envolvimento com Annie Besant, da Sociedade Teosófica, sendo que um de seus livros,
Introdução ao Ioga, foi traduzido por Pessoa em 1922 para o português sob o
pseudônimo de Fernando de Castro. Outras obras de Besant foram apresentadas por ele, em Lisboa, o que vem a confirmar o seu profundo interesse pelo Yoga. O artigo traça um paralelo de textos ou trechos de poesias de Fernando Pessoa relacionados com os
ensinamentos yogues. Importante notar que tanto o autor do artigo, Murillo de Azevedo, quanto o próprio Pessoa falam de um Yoga “muito antigo”; do Yoga como “união”. Refere-se ao “encontro ou reencontro do homem consigo mesmo”, e que , “o fim da ioga é união com o Absoluto. É alcançar a Unidade na qual o conceito do Eu desaparece e surge o sentido de sendo.”
Em nenhum momento, o autor fala do Yoga como uma atividade física, o que acontece nos artigos que reunimos quando abordamos o modismo. O Yoga, neste artigo, é mostrado na forma que podemos considerar original, aquele que é alcançado com a prática da meditação silenciosa. Destacamos ainda do texto de Azevedo:
Na tradição antiga da Índia, de onde resultou a Ioga, os profetas, os homens santos, que captaram os Vedas através da intuição, eram videntes. Na própria palavra vydia (sabedoria em sânscrito) esta a presença da raiz vid que significa VER. O verdadeiro Poeta é um Vidente. É o instrumento do inconsciente coletivo. É o conscientizador do inconsciente. A Ciência de Ver, de que nos fala Fernando Pessoa, é um dos siddhis – os poderes latentes existentes no homem- que se tornam ativos quando a maturidade espiritual se aproxima. Equivale no sentido psicológico de Jung, à individualização. Equivale ao homem tornar-se verdadeiramente ele mesmo e não um simples complexo de reflexos condicionados que o transformam num autômato.
Ainda da década de 70, período em que a Índia e sua filosofia estavam “na moda”, temos outro artigo, também do Jornal do Brasil, que me chamou a atenção. É de 16 de fevereiro de 1974, e tece comentários sobre o livro O Evangelho Segundo Ramakrishna. Já vimos, no capítulo primeiro, algo sobre a vida de Ramakrishna e artigos como este se tornaram raros hoje em dia. O autor (Leonardo Fróes) trata o assunto com seriedade. Ele relata sobre a vida de Ramakrishna, um brâmane pobre e quase iletrado, considerado na Índia como um homem santo e, por muitos autores, como um dos grandes iluminados da época moderna. Era praticante de meditação e entrava em êxtase com muita facilidade. Sempre teve um comportamento excêntrico e chegou a passar por louco:
Um dia Ramakrishna foi visitar o Brahmo Samaj, uma das várias organizações que – na Índia de fins do século passado, lutavam pela remodelação do país, não raro absorvendo em seus programas um pouco da mentalidade britânica que a colonização injetara. O líder do grupo, Keshab Chandra Sen, fora educado na Europa, e era um sabichão famoso. Os discípulos, em torno dele, discutiam apaixonadamente a supressão de costumes, para a elite anglicizada, já pareciam bárbaros, como a adoração de imagens, o casamento entre crianças e o sati – a cremação voluntária de viúvas que subiam com seus defuntos à pira. Em sua primeira visita ao Brahmo Samaj, Ramakrishna porém não quis saber de conversa. Apenas, com a emoção que o caracterizava, cantou em honra de Kali uns versos muito simples do bengalês
Ramprasad. Depois, fez diante de todos o que em sua vida privada já se tornara rotina: entrou em samadhi.
Seu mais famoso discípulo foi Vivekananda (citado também no primeiro capítulo) que se tornou conhecido no Ocidente após sua apresentação no Primeiro Congresso das
Religiões, em 1879. Segundo o artigo, Ramakrishna insiste na importância da realização
(no sentido de iluminação) para o ser humano e alega que todas as religiões são legítimas e podem levar o homem ao contato com o divino. Ele próprio as experienciou, tendo sido iniciado inclusive no islamismo por Govinda Roy, asceta sufi, quando passou a se vestir e a rezar como um muçulmano. Também Cristo apareceu-lhe em uma visão como “o grande yogue” e foi aceito por ele como encarnação divina. Ramakrishna é considerado o maior devoto de Kali, esposa de Shiva, uma deusa muito cultuada até os dias de hoje na Índia, sendo comum vê-la dependurada nos espelhos de carros e casas comerciais. Yogeshwari, mais conhecida por Bhairavi Brahmani, foi a mestra que o tranqüilizou quanto às acusações de loucura, dizendo: “Neste mundo, meu filho, todos são loucos, uns por dinheiro, outros por fama, assim como você é louco por Deus.” O autor destaca que:
Em tempos mais recentes, ele (Ramakrishna) passou a ser considerado como uma encarnação da desejada harmonia das religiões. Conforme os seus ensinamentos, todas as formas religiosas são caminhos para chegar a Deus, embora, na sua época, considerasse o hinduísmo a crença mais apropriada às aspirações espirituais de seu povo.
Esta forma de pensar de Ramakrishna é defendida também por Dalai Lama que, em suas palestras, sempre prega a harmonia entre todos os credos e não estimula ninguém a trocar de religião.
Dalai Lama, um dos maiores líderes espirituais do nosso tempo, tem divulgado a prática da meditação em seus livros e palestras por todo o mundo. Seus conselhos no que diz respeito à prática são profundos e um deles, publicado em um curto artigo intitulado
Pense positivo, da revista Cláudia (Julho de 2002,p.146) ensina: “quando se busca a
ausência da atividade mental, há um estágio em que o esforço deve ser abandonado, pois é necessário uma concentração livre de qualquer empenho. Para manter essa tranqüilidade, portanto, é preciso esforçar-se para não se esforçar”. (DALAI LAMA). Considero muito bom este conselho de Dalai Lama quanto a “esforçar-se para não se esforçar”, pois é realmente uma falha muito comum que ocorre entre os praticantes da meditação, iniciantes ou não.
Ainda dentro da visão de que todas as pessoas, independente do seu credo, podem fazer uso da meditação, temos um trabalho que vem sendo realizado pelo monge beneditino inglês Laurence Freeman, que já esteve várias vezes com o Dalai Lama e algumas vezes no Brasil. O jornal Folha de São Paulo, na folha Equilíbrio, de 12 de junho de 2003, p.10, traz um artigo sob o título Monge beneditino explica a meditação cristã. Freeman, do Mosteiro Christhe King, em Londres, é também o líder espiritual da Comunidade Mundial de Meditação Cristã que já possui vinte e sete centros em todo o mundo. Quando perguntado sobre a importância da meditação, responde:
A meditação é universal, existe em todas as religiões. Ela une a cabeça ao coração. O silêncio, a tranqüilidade e a simplicidade são elementos que permitem o encontro com a presença de Deus de uma maneira que tenha significado, forma e propósito para tudo o que vamos fazer e para tudo o que somos.
Responde ainda que “ela não está limitada aos monges e pode ser praticada por todos” e “é simples, mas não é fácil”. Concordo plenamente com estas observações de Freeman, pois, a união com o Divino é possível a todo ser humano. Também a observação de que “a meditação é simples mas não é fácil” é válida principalmente para aqueles que a iniciam na idade adulta.
Mestre Bohdan insistia na premissa de que a meditação deve ser iniciada na infância e, nesse sentido, encontramos apenas um artigo, que foi publicado pelo jornal
Última Hora (19 de novembro de 1975, p.11), com o título Um indiano chega para ensinar a paz e a alegria. Esse artigo relata a visita do monge Acharya Sumitananda
Avadhuta, que teria já visitado alguns países da América Latina e permaneceria por algum tempo no Brasil. O monge é filiado à Ananda Marga, organização espiritual fundada na Índia por volta de 1955, por Sri Anandamurtiji com filiais em mais de 50 países. Esclarece que não se trata de uma religião e o Acharya Sumitananda explica :
a felicidade e a paz estão dentro de cada um de nós e que, através da meditação, o ser humano é capaz de atingi-las. A meditação permite que cada ser humano encontre dentro de si o Deus que não tem forma e nem cor, mas que é infinito. Ele está dentro de nós e em todas as coisas da natureza.
O artigo fala da meditação yogue no seu sentido mais original, e mais ainda, que a prática pode ser realizada por qualquer pessoa a partir de 5 anos. Este foi um dos poucos artigos relacionados a Yoga-meditação onde encontramos a indicação da atividade
também para crianças. Mestre Bohdan dizia que o ideal seria começar a prática da meditação, se possível nas escolas, pois a dificuldade aumenta à medida que envelhecemos. O monge Sumitananda finaliza, dizendo: “a fonte inesgotável de energia, emanada de nosso interior, permite a superação de todo o materialismo quando se consegue utilizar todo o poder da mente.”
Nosso último artigo relacionado à meditação é longo e muito bom. É da revista
Super-Interessante (outubro de 2003, p.58) e se intitula Meditação, o que é, para que serve, o que a ciência diz a respeito e porque tanta gente está praticando. Comenta sobre
os milhares de adeptos americanos que foram conquistados por esta prática, entre eles, muitas celebridades que pagam caro para ficar sentadas em silêncio. Assim também no Brasil muitos artistas aderiram à meditação. Relata ainda que os resultados das pesquisas mostram que “meditação funciona”. Completa o articulista: “E o melhor: só apareceram efeitos positivos (pelo menos até agora).”
Quanto aos “efeitos positivos”, é claro que isto depende de cada praticante e do tempo que medita, mas os efeitos, na verdade, nem sempre são positivos. Já vimos algumas advertências, no capítulo primeiro, levantada por Paul Mason, o biógrafo de Maharishi e Mestre Bohdan sempre alertava para o fato de que a meditação exige um acompanhamento especializado, pois reações acontecem.
A seguir, o autor cita várias pesquisas que mostraram os resultados benéficos da meditação, do importante apoio inicial dado por Dalai Lama e, ao final, reconhece que todos os efeitos anteriormente citados são “colaterais” e que o principal da meditação é alcançar o“estado de plenitude, a iluminação” . Esta observação final é, na minha opinião, a afirmativa mais importante. Realmente os efeitos benéficos descobertos pela ciência podem ser chamados de “colaterais” porque o mais importante (levar o indivíduo a auto- realização) não é contemplado pela mesma e talvez nunca seja aceito. O termo iluminação nos meios acadêmicos ainda está supostamente envolvido em muito misticismo. Jung, um estudioso dos estados alterados de consciência relata que:
Se levarmos em consideração o fato de que a idéia de Deus é uma hipótese “não científica”, não será difícil compreender por que os homens esqueceram de pensar nessa direção. E mesmo que tivessem alguma fé em Deus, repeliram a idéia de um “Deus interior”, devido à sua educação religiosa, que sempre depreciou esta idéia, acusando-a de “mística”. Entretanto, é esta idéia “mística” que se impõe à consciência através de sonhos e visões. Como meus colegas, vi tantos casos que desenvolveram tal espécie de simbolismo, que não é mais possível pôr em dúvida sua existência. Além
disso, minhas observações remontam ao ano de 1914, e esperei quatorze anos antes de mencioná-las em uma publicação. (JUNG, 1999:63).
Está claro que nesta afirmação Jung quer demonstrar apenas a existência de uma imagem arquetípica de Deus, que é muito comum entre os praticantes de meditação. Jung, assim como outros pesquisadores, já admitia uma potencialidade nata que todo ser humano tem de buscar o Divino. Alguns O buscam na religião, outros querem experienciá-Lo e o fazem por meio da meditação.
Finalizando este tópico, podemos afirmar que os artigos que focaram a prática da meditação dentro da tradição dos grandes Mestres oferecem uma visão diferenciada do que seja Yoga-Meditação. Fernando Pessoa, quando fala de um Yoga “muito antigo” mostra claramente a intenção do termo, a “união com o Absoluto”. O texto sobre a pessoa do Mestre Ramakrishna, o “louco de Deus”, incentiva o leitor a buscar mais informações a seu respeito e sobre seus ensinamentos que são um perfeito “Evangelho” dentro do Yoga. Ele estimula o leitor a copiar um pouco da sua devoção, dedicação e seriedade na busca do Divino. O artigo sobre Freeman também estimula o leitor em buscar a meditação com uma finalidade séria, a união com o Divino e alerta para o fato de que “é simples mas não é fácil”. O monge indiano Sumitananda dá o alerta com relação a prática da meditação com as crianças, uma possibilidade que todos os professores deveriam abraçar, tamanho os seus benefícios para a mente em formação. Para encerrar, o artigo da revista Super-
Interessante que poderia ser considerado dentro do hibridismo, mas, preferimos classifica-
lo dentro da tradição por indicar com grande clareza que os efeitos benéficos da meditação, descobertos pela ciência nada mais são que “efeitos colaterais”, porque, o mais importante é levar o ser humano à iluminação, como ensina a tradição.